Vou te contar a minha história.
Não que seja algo que você realmente queira saber, mas contarei mesmo assim.
O meu nome é algo que irei omitir, por razões óbvias, ou não tão óbvias assim.
Tudo começou quando magicamente, ele entrou na minha vida. Assim como quem não quer nada, foi se chegando, me mostrando o quanto ele queria continuar aquela amizade ali mesmo. Eu consenti, e não falei nada, quando percebi, marcamos o primeiro e tão sonhado encontro.
Nos encontramos, conversamos, nos beijamos e ali mesmo eu me apaixonei perdidamente... Coitada, mal sabia o que estava por vir.
O tempo foi passando e nem precisou de muito assim, para o primeiro erro acontecer. Um beijo em quem não devia em um momento não tão propício assim. Talvez se eu não tivesse beijado ele aquele dia, eu e você estaríamos juntos até hoje.
O grande erro da nossa história, o ponto inicial estava dado, o pontapé das cagadas começaria ali mesmo.
Dali em diante, não prestamos mais. Aquele amor enorme que estaria dentro de nós, seria esmagado pelo orgulho, pela vontade de ver o outro na pior.
Seria ridículo da minha parte dizer que eu não tive culpa em nosso relacionamento de anos, se resumir a indas e vindas, de muito amor, muita briga e muita raiva, mas hoje, 5 anos mais tarde, eu posso perceber o como éramos crianças, o quando éramos imaturos para tamanho amor.
O primeiro acidente veio, um braço quebrado. Nada demais, qual menino nunca quebrou um braço? Mas a minha preocupação foi tamanha. Eu estava longe, desamparada, sem você e sabendo que estava no hospital. Foi difícil, mas mal sabia eu, o quão difícil seria o próximo...
Anos se passaram nessas indas e vindas e decidimos pelo orgulho, decidimos continuar e levar a vida a frente. Decidimos que tudo havia acabado, para sempre!
Antes do meu “grande” relacionamento acontecer, ele veio. O barulho da bicicleta subindo era como música nos meus ouvidos, um som que eu não escutava a muito tempo. Quando me falaram que eu tinha visita, logo imaginei, mas não acreditei.
Ele veio. Estava tão lindo, diferente daquele menininho que eu havia conhecido a alguns anos atrás. Ele queria conversar.
Me contou como estava sua vida, me contou dos erros que estava a cometer, e me pediu perdão, por todos os seus erros cometidos comigo, parecia que ele sabia...
Me pediu ajuda e eu neguei, afinal estava conhecendo alguém legal, com uma família bem estruturada, com talvez um futuro pela frente, não poderia largar tudo por um futuro incerto. Ele disse quanta saudade sentia de mim, o quanto me amava e disse, que eu era a única mulher que ele amaria até o fim. Me beijou e partiu. Acho que eu nunca havia ficado tão feliz, como naquele momento.
Meu relacionamento com outra pessoa finalmente deu certo, eu me tornei parte da família dele e ele da minha. Continuamos assim por quase 2 anos, quando ele começou a se transformar em outra pessoa. Me magoava, me tratava mal e não queria nem saber do que eu queria. Ele me provou ser a pessoa que todos falavam. A pessoa que somente pensava em si mesmo!
Eu levava com a barriga, empurrava o quanto dava, por que eu queria que desse certo, eu queria que a gente se casasse e tivesse um futuro juntos, mas aí, veio o grande dia. O pior dia da minha vida. Aquele dia 21 ficaria marcado para o resto da minha vida, seria o dia em que eu olharia no calendário e eu pensaria o quanto aquele simples número pode doer.
Vou te contar em detalhes por que essa parte, é muito doída para ser contada rápido.
No trabalho, recebi uma visita muito especial, minha comadre e minha afilhada, que era uma bebêzinha linda e cheia de vida. Fizeram meu dia tão feliz e especial. Elas foram embora e eu continuei minha rotina de trabalho normalmente, até que o telefone da loja tocou e era para mim.
Minha comadre chorando ao telefone, me pediu para sentar e ali mesmo, no telefone, com medo que outra pessoa me desse a notícia de uma forma pior, ela me contou que o amor da minha vida havia se acidentado e havia partido. Meu mundo caiu. Eu só queria que tudo fosse mentira, que nada daquilo estivesse realmente acontecendo.
Meu mundo dali em diante só foi para o fundo. Descobri que o meu grande medo havia se concretizado, fazendo o que não devia, fazendo o que ele me pediu ajuda para sair, ele havia batido a moto e como não estava mais com grandes esperanças da vida e tudo mais, simplesmente se deixou ir. Não lutou, não tentou, só descansou.
E SE eu tivesse ajudado ele quando me pediu ajuda? E SE eu não tivesse cometido aquele primeiro erro? Estaríamos juntos e felizes? Ou eu estaria na garupa da moto? Acho que nunca saberemos. E hoje eu sigo tentando juntar os caquinhos de mim mesma, cada dia eu acho um diferente, e perco eles na mesma velocidade. Parece que eu nunca vou ficar completa novamente, parece que eu nunca vou poder sorrir de verdade. Parece que eu nunca vou deixar de amar ele! E isso me corrói! Tenho outra pessoa no meu lado, alguém que me conheceu destruída e morta por dentro e me fez enxergar o mundo novamente, me fez ver o quanto eu posso ser feliz, mas aquele sentimento de dor, de perda e de amor esquecido, continua dentro de mim. Eu luto, todos os dias contra o fantasma que me assombra com a velha pergunta, E SE?