odeio não poder apagar as conversas com um certo desgraçado, porque vira e mexe preciso mostrar provas contra o que ele diz por aí
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@allesis
odeio não poder apagar as conversas com um certo desgraçado, porque vira e mexe preciso mostrar provas contra o que ele diz por aí
não quero esquecer que você existiu, mas quero esquecer que ainda existe
4 de junho de 2023 – dia 222.
Djonga fez 29 anos hoje. o fato de eu estar escrevendo isso no aniversário dele foi coincidência, mas me fez lembrar como, apesar de termos sido um dos casais mais diferentes e bizarros da história, também fizemos breguices como dedicar “Leal” um para o outro. não quis perder o costume então tá aqui uma última dedicação:
sei que já há muito tempo desde o nosso último capítulo. sei que pareço uma idiota por ainda pensar que te amo, sei o quanto eu provavelmente seria julgada e humilhada por não superar um alguém que já se foi há tanto tempo, ou por não superar um alguém que não é nada além de um garoto normal que tem cabelo de tik toker e dentes alinhados depois de anos usando aparelho.
sei que pra todo mundo não tem nada de especial em você e que eu deveria seguir em frente e pensar nas milhares de pessoas que ainda vou conhecer no resto da minha vida. sei também que se você realmente for só uma experiência de amor adolescente, e nada mais, eu provavelmente vou ver esses textos daqui a alguns anos e rir da minha versão que achava que você fosse um possível amor da minha vida.
por incrível que pareça eu sei de todas essas obviedades, especialmente do quanto eu pareço ridícula perdendo tempo aqui. acontece que eu também sei que ser um ser humano e viver uma coisa chamada sentimentos não é tão fácil como diziam os estoicos. sério, saber lidar com isso precisa de muito treino, terapia e muito sofrimento vivido. é como dizem: a dor é a nossa maior professora.
(não sei se dizem isso mesmo, talvez eu tenha tirado da minha cabeça, talvez não)
de qualquer forma, por algum motivo eu senti a necessidade de estar aqui nesse exato momento escrevendo isso para um total de zero pessoas lerem.
acabei de terminar de ler “A culpa é das estrelas” e, você provavelmente nunca vai saber como é sentir o que eu estou sentindo porque, pelo que eu me lembro, você nunca terminava os livros que você começava, mas eu senti uma grande necessidade em refletir sobre o efeito do amor na vida, mais especificamente na minha vida.
e eu me considero uma artista, sabe? e sofrer é meio que o nosso combustível. a gente sobrevive disso.
mas a conclusão é: sim, eu estou bem melhor.
eu tenho ido na academia com frequência, do jeito que você queria. tenho ido a rolês, beijado bocas e acho que você vai se sentir especialmente feliz ao saber que consigo subir pela minha rua, sozinha, mesmo que às 4 da manhã.
eu tenho lido muito, pensado nos meus sonhos e estudado. e isso se tornou uma grande conquista, porque pela primeira vez passei a pensar mais em mim do que em você.
também tenho fingido que estou 100% superada, que você não me afeta nem um pouquinho e que eu quero que você se foda. em alguns momentos eu finjo melhor, em outros eu finjo mal.
e por mais que eu tenha, sim, superado uma boa parte de nós, eu ainda não superei por inteiro.
e odeio isso.
odeio o fato de não trocar uma palavra com você há 6 meses, de não ouvir a sua voz e nem tocar no seu cabelo há tanto tempo e ainda sentir saudade de apreciar esses pequenos detalhes.
mas ao mesmo tempo, você perdeu grande parte da sua magia. sei lá se você tem curiosidade pra saber sobre como eu te vejo hoje em dia, mas sei como você era curioso e talvez você queira, sim, saber. então vamos lá.
eu te vejo como um homem de 40 anos que trabalha em um escritório e é totalmente infeliz com o próprio trabalho, mas insiste em dizer a si mesmo que precisa trabalhar para poder viver momentos de lazer e proporcionar esses momentos a sua família, mesmo que isso nunca chegue e você acabe perdendo muitos aniversários da sua filha e nem saiba quando foi que o primeiro dente dela caiu.
não sei ao certo porque te vejo assim, afinal, você tem 18 anos, não trabalha e nem tem filhos. mas você parece ser infeliz e estar correndo atrás de algo que nunca vai chegar, ou que você já tem, mas acha que não.
e eu me sinto mal por você.
e, também, sinto menos por você.
você não é mais o garoto feliz e incrível por quem eu fui apaixonada. e sei que isso deveria facilitar o processo de te esquecer, e facilita! mas a saudade ardente que aparece no peito a cada batimento do meu coração… essa saudade é uma peste. e a cada vez que você se vai, cada vez mais ela vem.
talvez seja a minha forma de ainda te ter por perto.
de ainda te ter.
desculpa por ser brega, sei que nem eu e nem você gostávamos disso.
se isso tornar o texto menos brega: eu quero que você se foda.
- A. Z.
por todo esse tempo eu me vi confusa pelo que eu sentia por você. muitas vezes foi ódio, muitas vezes decepção, muitas vezes saudade, muitas vezes amor. acho que esse é o verdadeiro significado de sentir muito. eu sinto muito por você.
e foi aí que em meio a todos esses sentimentos eu percebi aquele que eu não conseguia ver: pena.
eu percebi que sentia pena de você. e eu não me refiro a pena em um tom debochado, me refiro a pena na mais pura definição.
sinto pena por você ter se perdido. sinto pena por você ter se esquecido do amor. por você não ter visto o quanto vale senti-lo.
e como vale…
não é uma sorte que todos têm. construir um sentimento de amor com um alguém é a minha definição do sobrenatural. é a pura sensação de possuir a habilidade de transbordar do próprio corpo, de ir além de toda a compreensão humana.
ao sentir, é possível ter certeza de que o amor é o mais próximo que uma pessoa pode chegar da resposta às perguntas impossíveis de serem respondidas.
o amor vem com o desejo inquietante de dizer aquelas palavras que não existem, de tocar o outro e sentir mais do que calor humano, de sentir um beijo que te leve para outro universo, de observar a perfeita imperfeição do ser amado por horas contadas por um relógio parado, de ouvir aquele timbre que tranquiliza o corpo ao mesmo tempo que nos dá calafrios.
o amor vem com vontades impossíveis, mas que parecem mais do que possíveis quando se sente.
amar é mágico, transporta a alma para uma sensação de paz impossível de ser infringida.
o amor torna todo alguém um alguém melhor e puro.
e sentir tudo isso é especial. especial demais para jogar fora sem remorso. especial demais para fazer a escolha de não sentir mais.
e é por isso que me dá pena.
quando uma pessoa atinge um momento da vida em que o amor de alguém não tem valor… um momento em que o coração palpitante, os arrepios e calafrios, as borboletas no estômago e a eterna sensação de paz não valem mais a pena… significa que essa pessoa está longe de entender o verdadeiro valor da arte de viver.
não confunda as coisas. não seja consumido pela razão. sinta, pense, viva. sem pensar no amanhã.
se o amor chegou pra você, reconheça o seu privilégio e ame até não poder mais.
“Eu acho que escrever é isso. Ouvir a batida do coração. E quando a ouvimos, cabe a nós decifrá-la.”
— Ligados Pelo Amor.
tomar um banho, tirar o peso do corpo.
abrir meu note, entrar no tumblr.
escrever e chorar.
um bom poeta é, na maioria das vezes, uma pessoa triste.