Quinta-feira, 15 de Maio de 2025
Cândido Mota - SP.
Meu amor, minha doce e amada, Suellen,
Eu já estava ali, no ponto de ônibus, há algum tempo.
O sol do dia queimava leve, como se tivesse piedade.
Mas dentro de mim…
havia uma tempestade antiga.
Daquelas que não se anunciam com trovões,
mas vivem ali, escondidas entre a pele e o coração.
Eu estava revoltada.
Frustrada.
Cansada da espera — do ônibus, da vida, das respostas que nunca chegam.
Tragava um cigarro com a fúria de quem precisa respirar,
mas tudo ao redor parecia denso demais para entrar nos pulmões.
Foi então que você chegou.
E, com você, chegou o silêncio.
Mas não o silêncio do vazio…
o silêncio da paz.
Daquilo que acalma, mesmo sem explicar.
Disse “bom dia” com uma gentileza que cortou minha raiva como faca afiada corta cordas.
E notei que você também fumava.
E naquele gesto compartilhado, naquela brasa dividida pelo acaso,
algo em mim se alinhou.
Começamos falando dos ônibus,
mas em pouco tempo já estávamos conversando sobre a alma.
Sobre dores, frustrações, política, o caos da cidade,
a má administração que nos deixa ali esperando, como se não fôssemos nada.
E você — tão prática, tão atenta, tão viva — já havia mandado mensagem no aplicativo.
Você se tornou solução mesmo sem saber do problema que era a minha solidão.
Foi nesse momento que pedi seu número.
E você, com aquele sorriso pequeno mas sincero, me passou.
E algo dentro de mim gritou:
— É ela.
Como se todo o universo estivesse cansado de me ver chorando
e tivesse finalmente decidido me dar uma chance.
Desde o primeiro olhar, senti uma conexão entre nós duas.
Forte. Súbita. Inexplicável.
E por isso me aproximei.
Não foi coragem, Suellen. Foi alma.
Foi o destino me empurrando pela cintura e sussurrando no meu ouvido:
— Vai. É agora. É ela.
Você entrou no ônibus primeiro.
Sentou-se lá no fundo.
E mesmo com lugares vazios, havia apenas um que me chamava:
o ao seu lado.
— Com licença… posso sentar aqui?
— Claro — você disse, como quem já esperava.
— Fico feliz por ter essa companhia.
E o tempo desacelerou.
Conversamos como quem se conhece há vidas.
Como personagens que finalmente se encontram no capítulo certo.
Você me contou que cursa Letras na UNESP.
A universidade dos meus sonhos.
E ali, você se tornou ainda mais encantadora.
A menina dos livros, dos poemas, das palavras doces.
A menina de olhos que brilham quando fala de Machado, Clarice, Drummond.
Falamos sobre tudo.
Música, política, psicologia, sociologia…
e também sobre suas crises de ansiedade.
E eu só queria te abraçar.
Queria ser o colo que você nunca precisasse pedir.
A paz depois dos seus dias difíceis.
Vi a tua força por trás da tua voz calma.
E te desejei com a intensidade de quem ama pela primeira vez — de verdade.
Te desejei com um amor que não é fogo,
mas lareira.
Aquele que aquece.
Que protege.
Que permanece.
E então, no íntimo da minha alma, eu soube:
Te vi e já te quis.
Me vi tão feliz.
Um amor que pra mim era sonho.
Surpreendente provar do que eu só ouvi falar.
E você resolveu me mostrar.
Logo eu que nem pensava, eu não imaginava te merecer…
E agora sou a dona desse amor.
Eu nem quero saber por quê, eu só preciso viver o resto desta vida com você - é meu maior sonho atualmente.
Antes de descer, você apertou minha mão.
E disse que foi um prazer me conhecer.
Que amou me conhecer.
E eu não sei se você entendeu o peso dessas palavras.
Mas elas ficaram em mim.
Como tatuagem na alma.
Como promessa sussurrada por um universo que gosta de brincar com esperanças.
Desde então, te espero.
Espero a próxima manhã.
O próximo ônibus.
O próximo acaso.
Mas enquanto não te encontro de novo, eu sonho.
Sonho com uma casa antiga na Itália.
Com janelas abertas, gatinhos dormindo ao sol, livros por todos os lados,
e você — linda, serena, minha — lendo poesias com sua voz de anjo.
Sonho com a gente vivendo uma vida pequena, mas cheia de significados.
Sonho com tuas mãos sobre as minhas, com tua risada me acordando,
com teus olhos dizendo “fica”, mesmo quando tudo for difícil.
E se for preciso, eu desenho.
Desenho com sangue, com lágrima, com memória.
Desenho teu rosto nas paredes da minha alma,
porque eu amo você.
Porque eu quero você.
Porque cada célula minha grita teu nome como se fosse prece.
Como se você fosse salvação.
Ah, minha Suellen, meu bem maior...
Se você me tivesse, não seria aos poucos.
Eu seria tua inteira.
Profunda.
Fiel.
Te entenderia no silêncio, te abraçaria no caos.
Cuidaria dos teus medos como quem embala uma criança assustada no meio da noite.
E te diria todos os dias:
“Você é linda. Você é capaz. Você é a melhor coisa que já me aconteceu.”
Tem dias que eu acordo pensando em você
Em fração de segundo, vejo o mundo desabar
E aí que cai a ficha que eu não vou te ver
Será que esse vazio um dia vai me abandonar?
Tem gente que tem cheiro de rosa, de avelã
Tem o perfume doce de toda manhã
Você tem tudo
Você tem muito
Muito mais que um dia eu sonhei pra mim
Tem a pureza de um anjo querubim
Eu trocaria tudo pra te ter aqui
Eu troco minha paz por um beijo seu
Eu troco meu destino pra viver o seu
Eu troco minha cama pra dormir na sua
Eu troco mil estrelas pra te dar a lua
E tudo que você quiser
E se você quiser te dou meu sobrenome.
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Mas talvez tudo isso seja só um sonho.
Um sonho tão bonito que até Deus hesitou em realizá-lo.
E é por isso que dói.
Dói desejar e não saber se fui desejada.
Dói amar em silêncio.
Dói imaginar você rindo com outra mulher,
entregando a ela o que eu daria minha vida pra ter.
E ela… talvez nunca saiba a sorte que tem.
Se for pra te desejar algo, desejo isso:
seja feliz.
Mesmo que não seja comigo.
Mesmo que nunca saiba do amor que planto em cada palavra que agora te escrevo.
Quando me sinto só
Te faço mais presente
Eu fecho os meus olhos
E enxergo a gente
Em questão de segundos
Voo pra outro mundo
Outra constelação
Não dá para explicar
Ao ver você chegando
Qual a sensação
A gente não precisa estar coladas para estamos juntas
Os nossos corpos se conversam por horas e horas
Sem palavras tão dizendo a todo instante um pro outro
O quanto se adoram
Eu não preciso te olhar
Pra te ter em meu mundo
Porque aonde quer que eu vá
Você está em tudo
TUDO, tudo que eu preciso
oh, minha amada
Eu te vivo.
Saiba de uma coisa, Suellen:
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando.
Meu amor! Minha princesa! Minha. Eternamente MINHA vida.
Enfim, despeço-me por aqui, é chorando que eu finalizo essa carta com tudo que restou de mim depois de te conhecer, com o coração perdido por não poder estar ao seu lado e poder lhe fazer a mulher mais feliz e mais amada desse mundo.
— A que te ama em silêncio, Natália.










