The sky will never be B L U E again
padeirodazatanna:
“Morrer é fácil. Todos dizem que morrer é difícil, mas não é, morrer é a coisa mais fácil que se existe, afinal você não estará aqui para ver quem irá sofrer mais, quem irá tomar seu lugar, fazer seu trabalho, ocupar sua cama. Morrer é fácil. Viver sem aqueles que se ama é o difícil…” Julianne Grayson continuava a dizer as palavras para a irmã mais nova, Blue, não, ela não dizia para Blue. Ela encarava a lapide da irmã enquanto falava aos presente no enterro. Richard Grayson estava de joelhos no chão, as gêmeas Wayne haviam tentado levantá-lo, mas Dick era mais forte e apenas tinha ficado ali parado, de joelhos, encarando o chão frio em que a filha fora enterrada. A expressão de desolação no rosto do Grayson mais velho havia feito todos desviarem seus olhares dele. Alguns soluços ocasionais saiam dos presentes, todos estavam tentando ser fortes, todos haviam sofrido tanto e ainda sim estava ali, salvo alguns que não haviam sido encontrados. “Eu lembro quando Blue chegou…” A voz de Jullie chegou aos ouvidos de Dick mais uma vez e ele não pode conter um tremor antes de deixar sua cabeça para frente evitando que os outros vissem suas lágrimas, não que isso adiantasse. Todos sabiam. Todos viam. Ele também lembrava. Ele lembrava vividamente do dia em que Blue fora deixada em sua porta.
Era dezembro, estava frio e ele e Barbara estavam na sala discutindo sobre alguma coisa relacionada a Bruce ou era sobre Timothy? Esse detalhe havia se perdido na mente do Grayson com tantas brigas com Barbara. Foi quando um barulho da porta se fechando o fez parar tudo. Julianne, sua filha de apenas cinco anos e Hunter, seu filho de dois anos estavam em casa e quietos. Ele deveria ter percebido antes que eles estavam quietos até demais. “Julie?!” Chamou alto antes de olhar Barbara, que logo entendeu o recado e correu escadas acima, não havia atingido nem o segundo degrau quando a pequena Julianne apareceu na sala arrastando cesta. “Julie o que diabos?!” Richard gritou antes mesmo de pensar no que estava falando, a pequena Julianne parou sua trajetória para olhar para o pai confusa, com medo de que tivesse feito algo errado. “Estava na porta, e estava frio lá fora, então eu trouxe para dentro.” Explicou calmamente como se fosse algo tão óbvio. Dick se aproximou rapidamente do cesto e perdeu o folego ao encarar um bebê dentro dele, apenas uma fina manta cobria a criança e o cesto não era a coisa mais quente do mundo. Dick, por mais que estivesse com apenas vinte anos, entendia o suficiente de bebês para saber que aquela criança deveria ser levada a um hospital o mais rápido possível, como se lesse os pensamentos do amigo, Barbara se pronunciou. “Vá. Eu tomo conta de Hunter e Julie.” Richard assentiu antes de pegar o bebê, com cuidado, era incrivelmente assustador como o bebê não se remexia, mesmo estando respirando e acordado. Dick pode ver no cesto um envelope vermelho, mas não tinha tempo para aquilo agora. Se o perguntassem porque tamanha preocupação com um bebê que não conhecia e que havia sido abandonado em sua porta, Dick não saberia responder, parte dele queria dizer que era por puro altruísmo, mas a outra parte sabia que havia sido por conta daqueles grandes olhos verdes que pareciam penetrar sua alma.
A espera no hospital havia sido longa, e de certa forma desesperadora para o jovem Richard. Parecia que uma eternidade havia passado até que seu celular tocou, a conhecida música Why Am I The One o fez pular da cadeira tateando os bolsos a procura do aparelho, não precisava ver o visor para saber quem era, só havia uma pessoa em seu celular que tinha o toque diferenciado. “Barbara? Aconteceu alguma coisa? Hunter e Julie estão bem? Você está bem?” As palavras do Grayson saíram atropeladas e ele pode ouvir Barbara suspirar do outro lado. “Ela é filha de Kori, Dick.” Richard voltou a se sentar na dura cadeira da sala de espera e passou as mãos no rosto. “O que tinha no envelope?” A voz começava a se embargar. “Apenas que ela é sua filha e que Kori não podia ficar com ela.” Os olhos de Richard se fecharam. “Richard? Dick, você está ai?” A voz de Barbara soou um pouco mais alta. “Eu tenho que ir, Babs…Eu volto para casa assim que ter certeza de que ela vai ficar bem.” As palavras saíram de sua boca sem que o Grayson percebesse. As informações passando por sua mente rápidas demais, ainda estava tentando digerir tudo. Será que era seu karma ter um filho abandonado em sua porta? Primeiro Julianne havia sido entregue em seus braços por Zatanna, que havia implorado para que Dick cuidasse bem da garotinha antes de desaparecer. Depois veio Hunter, Donna havia deixado o garoto com Richard assim que ele nascera. E agora aquela pequena garotinha tinha sido jogada na porta do Grayson como um brinquedo que Kori não queria mais. As mãos de Richard se apertaram em punhos, ele nunca perdoaria Estelar por ter deixado a bebê daquele jeito, sem nem ter certeza de que Dick a encontraria, ao menos Zatanna tinha se certificado de que Richard saberia o que fazer, Donna tinha pedido para que ele cuidasse de Hunter, mas Kori. Nem sequer havia nomeado o bebê. Agora ele precisaria dar um nome a menina e ele era péssimo com nomes. Julianne havia sido escolhido por Barbara depois que Dick havia surtado com o nome escolhido por Zatanna e Hunter tinha sido nomeado por Donna.
Os médicos disseram a Richard que mais algum tempo na neve e o bebê teria falecido. Dick agradeceu internamente por ter tirado os olhos de Julianne por alguns minutos. Quando Dick segurou a pequena garotinha pela primeira vez foi como se toda sua vida tivesse mudado. E realmente tinha. Seu coração havia sido roubado pela terceira vez. Agora ele não tinha mais só duas pequenas criaturinhas para se jogar na frente de uma bala, ele tinha certeza de que agora aquela pequena menininha com os lábios azuis era mais uma dona de sua vida e seu coração. “Blue…” Richard murmurou observando a menina, azul era a cor dos olhos do Grayson, azul era a cor preferida de Barbara, azul era a cor dos lábios da pequena criança em seus braços. “Blue Elizabeth Grayson.” Ele riu com os olhos cheios de água ao ver a menina se remexer. “Hey, você gosta disso? Eu gosto também. Eu sou seu pai, alias…Prazer em lhe conhecer Blue, eu prometo que vou cuidar de você. Para sempre.” A primeira promessa de Dick fora quebrada, ele não havia protegido a filha para sempre. E era por isso que agora se encontrava ali. Ajoelhado. Chorando por Blue Elizabeth Grayson. E os céus de Richard Grayson nunca tornariam a serem azuis.











