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@anothershotof-morphine
Michael Fassbender
Não exatamente, eles continuam revivendo, sim isso é um saco, mas o bom é que com isso tenho menos trabalho e posso tirar umas férias, não é ótimo?
Maravilhoso. Esplêndido. Divino. Mal vejo a hora de distribuir sonhos bons para essas almas renascidas. Mais um sonho sobre hamburguers e eu serei obrigado a invocar Ícelo.
Uau, você de paciência curta e eu de bom humor? Que milagre.
Bom humor? O que foi agora? Os campistas estão morrendo e ficando mortos?
Ora, ora, olha o que temos aqui… Morfeu.
Não comece com gracinhas, senhor da Morte. Minha paciência está curta.
Nem quando a pessoa que está pedindo as satisfações é seu querido e amado filho preferido? … Tenho um humor complicado, acho que ninguém além de mim mesmo entendo o que digo. Seguir os instintos e ir diretamente até os monstros, tudo isso após ouvir uma previsão do futuro horrível que terão de enfrentar. Tendências mega suicidas deve ser a característica número um de todo semideus.
Quando o assunto é Raphael e artes, não colocaria muitas esperanças nisso não. Que tal eu deixar de ser irritante e ficar aqui com você? Acho o caminho mais fácil.
Ainda menos para filhos. Se está tão conformado assim , não preciso incentivar a mudança por algo mais inteligível. Vocês nasceram para defender o mundo. A ‘suicida’ é somente uma das muitas visões, uma bem pessimista essa.
Esperanças que leve muito tempo para Apolo ter que devolvê-lo. Tem certeza? Conhecendo-o, facilidade nesse quesito não é bem provável.
Don't come near my whisky || Raphael & Morfeu
Conseguir pequenas reações como dedos inquietos ou olhares fulminantes não eram nada. Raphael queria algo mais concreto, que retirasse Morfeu daquela indiferença que ele sempre tentava demonstrar. Sabia que por trás daquela camada pacífica do deus, teria alguma raiva para espremer. E se conseguisse atingir tal ponto, na manhã que Raphael acorda-se ela ainda estaria ali para fazê-lo novamente ser abandonado sozinho no mundo. Com uma enorme surpresa, fechou os olhos e virou o rosto quando a bebida o atingiu, sentindo uma leve ardência pelo álcool atingir suas pupilas. Puxou um pouco dos lábios para cima e com a lateral da jaqueta limpou os olhos, forçando a abri-los, ainda que seu sistema biológico dissesse para mantê-los fechados. Pelo reflexo da janela via que estavam vermelhos, e ainda os sentia arder, mas o sorriso no rosto não demonstrava a dor. Levantou as duas mãos para bater palmas. O posto de jogador número 1 parecia ter mudado para o pai temporariamente. “Parabén…” Antes que pudesse terminar de responder, seu corpo batia no chão, causando uma dor repentina por todas suas costelas. Estranho, pois quando ele dormir não deveria sentir nada. Nem a menor das dores. Deveria repor o controle, ou estaria prestes a acordar por completo.
Estava aí a reação que queria. Raphael sorriu como uma criança que acabou de receber um doce, fechando os dedos em punho ao sentir a dor dos cacos de vidros sendo retirados de seu pé. A linha entre o sonho e a realidade estava cada vez menor, mas ele ainda não queria partir. Mordeu os lábios para aguentar o grito que gostaria de sair, deixando transparecer somente um gemido quando Morfeu finalmente o libertou. Ainda deitado no chão, o corpo do garoto começou a vibrar com uma risada surda, até aumentar e ser algo histérico. “Consegui” Sentou-se e olhou para cima. “Te deixei irritado, papai” Continuou a rir, se apoiando na lateral do sofá para ficar em pé. “Pelo copo” Balançou a cabeça e revirou os olhos em deboche “Foi mais fácil..” Fez uma careta ao encostar o pé machucado no chão, mas tentou disfarçar com um sorriso largo. Mancou até o pai e ficou de frente a ele. “Mais fácil do que eu esperava” Logo o desviou e continuou a andar pelo chalé. Aproximou-se da parede e passou os dedos por ela enquanto continuava sua caminhada, as unhas grandes não cortadas fazem algum tempo riscavam a tintura e causavam um som tão parecido quanto um giz riscando um quadro-negro. Olhou por sobre o ombro, buscando o olhar do mais velho. “Continuamos?” Sorriu, o desafiando a segui-lo. Raphael ia diretamente aos aposentos de Morfeu. Talvez retirasse algo de importante de lá.
Morfeu borbulhou por dentro, mais alguns segundos de uma raiva fria e incapacitante que o fazia querer assumir a verdadeira forma e sair pelo mundo, queimando quem o visse. Realizaria tal desejo à noite, num de seus sonhos encantados, onde o mundo era silencioso e as inconsequências alheias do dia-a-dia não passavam de zumbidos de moscas – mortas assim que eram ouvidas. O Deus franziu o cenho para o filho, os braços cruzando sobre o peito de maneira protetora. Contudo, não protetora em relação a si mesmo. Morfeu tinha enfrentado coisa muito pior de pessoas menos importantes que Raphael. O Deus do sonho mantinha seus braços presos um no outro para proteger Raphael de si mesmo. Acreditava que, se os dedos estivessem livres, quebraria cada um de seus ossos e romperia cada um dos ligamentos, para depois curá-los e repetir o processo indefinidamente, até que a paz chegasse ou seu interior. Pense nela. Pense em Mary Ann. O codinome que dera à mãe de Raphael logo acalmou o turbilhão de pensamentos. Morfeu tinha uma relativa confiança em seus poderes e resistência, mas, por algum motivo, mantinha os pensamentos o mais encriptados possíveis, como se fosse ser submetido a torturas e tais segredos fossem expostos para quem quisesse ver. Loucura, sabia, mas caia como uma luva no seu treinamento diário. Inventar exigia imaginação, assim como os sonhos que era todo o seu poder.
Se ele ao menos soubesse, May Ann. Morfeu ergueu uma sobrancelha e esperou, o som arranhando não fazendo mais alterações em seu semblante que as bebidas desperdiçadas no chão da cozinha. “Perdão se não tomei conhecimento de que estamos em um jogo, Raphael. Acreditei que não era mais uma criança, então descartei logo a possibilidade de que isto porventura houvesse a ser uma brincadeira de criança.” A calmaria de suas palavras soava pior do que as ordens gritadas e ameaça de desempregados dos funcionários de sua empresa. Morfeu seguiu os passos sangrentos do filho, fazendo com que os solados emborrachados de seus sapatos espalhassem o sangue pelo chão do chalé. Raphael o limparia em... olhou o relógio brilhante no pulso e estimou um tempo para que toda essa birra chegasse ao fim. Apressou o passo e tomou a dianteira, diminuindo assim a velocidade da procissão aos seus aposentos. Colocou o braço na porta, barrando a entrada. “Faça o que desejar ali dentro, eu não me importo.” Desceu o rosto e nivelou a altura para que o do filho ficasse no mesmo patamar. “Contudo, esteja ciente que as suas coisas sofreram o mesmo tratamento.” Destruir memórias que o filho recolhera antes de tirá-lo da vida que conhecia era um tanto fora de seus planos, mas faria de tudo para trazer um pouco de razão àquele estado de Raphael.
If I were a girl… Even just for a day…
Primeiro me dá esperanças quanto minhas habilidades em ser simpático, depois as destrói. Adorável de sua parte. O toque pode ser de: Sons de eletrônicos, uma doença..? Eu acho, além de um exame masculino que muitos fogem. Ou seja, uma palavra usada em contextos diferentes pra caramba e que provavelmente ainda tenha outros significados que não sei. Anotando no meu caderno de aprendizado: Caso algum dia vá para uma missão, levar um mapa e não um GPS. Acho que é por isso que a biblioteca daqui ainda não foi abandonada, ninguém tem a opção de procurar na internet.
Vai se despedir de mim tão fácil assim? Não tenho nenhuma habilidade artística, bem capaz que Apolo me devolve.
Eu sou um Deus, não preciso dar satisfações. Não deveria nunca ter perguntado, o que falou não faz o mínimo sentido. Seguir os instintos é bem melhor, e o rastros de monstros. Mapas podem ser adulterados e informações demais pode acabar por confundir. Não há na internet o que vocês precisam.
Ou fique com você até que aprenda alguma coisa. Eu tenho esperanças.
Who can’t control yourself while sleeping? Hun? Hun? -- Morfeu
Don't come near my whisky || Raphael & Morfeu
Como um Deja vu estranho, a lembrança da primeira vez que sua segunda personalidadeassumiu veio à cabeça. Era uma criança em sua primeira noite fora da Alemanha,tão infantil e inocente quanto sua idade permitiria. Fazia coisas simples comoriscar o sofá com giz de cera ou arranhar o carro de seu tio com a ponta de um cabide. A cada ação que realizava, possuía uma pequena voz ao fundo repreendendo-o, dizendo que seu pai não iria gostar que fizesse isso. Aos poucos essa voz se esvaecia, entregue aos apelos que a cabeça fazia: Vai ficar tudo bem, apenas descanse. E Raphael obedecia, se entregando ao cansaço. Apanhava quando acordava por razões que nem fazia ideia que tinha feito dormindo. Transformando sua cabeça em um oco vazio, dominada por alguém que a cada instante possuía mais controle de sua mente. Incontrolável, piorando ao longo dos anos. Cada um acordado enquanto o outro dormia, o original sendo prejudicado pelos ideais egoístas da cópia. Assim a voz provinda do pai as suas costas lhe arrancou um sorriso, uma faísca animada passando rapidamente por seus olhos vazios. Então ele o observava.
"Por quê?" Raphael virou a cabeça, encontrando o olhar de seu pai. Lançava um desafio quase palpável, duvidando da capacidade do homem de fazer algo contra o garoto. Provavelmente ele sentia-se culpado por aquilo que enxergava no momento. Por aquela sensação de que Raphael seria uma pessoa melhor caso tivesse o pai ao seu lado ao longo de sua vida. Tarde demais papai, terá que gostar de mim também… Ou odiar a ambos. Encarou os copos em suas mãos, logo retornou ao pai, sucessivamente aos copos. “São importantes?” Puxou uma linha fina no canto dos lábios, formando um sorriso malicioso. Com a cabeça baixa somente ergueu os olhos para o pai, segurando o suspense no ar. Ele não se importou com nada que havia feito até agora, porém os copos chamou atenção. Ótimo, achou algo significativo. Caminhou mais próximo do mais velho, analisando o vidro a frente do próprio rosto. “Não vejo nada demais” Jogou o copo pra cima com uma das mãos e pegou o mesmo no ar. Analisou em volta mais uma vez, novamente não encontrou o que poderia trazer aquilo de interessante. Significados ocultos eram ainda melhores. Soltou um ao chão, que quebrou aos seus pés. Estando esses descalços, esmagou o vidro para aumentar as fagulhas. “Apenas vidro” Sorriu maliciosamente erguendo a cabeça para analisar o outro copo. “Esse fica inteiro” Agora abriu um sorriso amigável, para passar confiança, ameaçando depositar o copo em uma escrivaninha ao seu lado. “Se..” Estreitou os olhos e riu. “Conseguir pegá-lo” Então lançou-o em direção a Morfeu.
Uma veia pulsou na têmpora esquerda do Deus dos sonhos. Morfeu parecia uma de suas vítimas do lado exterior, calmo e tranquilo, a respiração lenta e pacífica durante um sonho bom. Interiormente, sua indiferença fervia numa raiva baixa e letal, típica dos deuses rancorosos. Era o pior tipo para se desenvolver, era verdade, mas sua personalidade não era frívola o suficiente para explodir por um pequeno motivo e, depois de acalmado, seguir a vida como se nada tivesse acontecido – ou pior, como se não fosse nada demais. Morfeu reclinou o corpo contra o encosto e acariciou a garrafa meio cheia de whisky como se fosse um gato, concentrando sua atenção no filho transtornado e na perfeição dos copos que tinha em mãos. Ser um pai era uma tarefa diferente das que tinha na grande empresa. Ao assumir a paternidade e colocar Raphael no topo de seus pensamentos, fora um ato consciente, lúcido, então seria obrigado a pensar além daquela mal-criação da personalidade sonambulista adquirida nos anos de cativeiro. Morfeu pensou mais para frente, além da reprimenda imediata e no castigo fulminante. Observou o copo pertencente a ele cair no chão e espatifar, o sangue do pé do filho sendo mais interessante que o copo em si. Contudo, a indiferença do ato não durou para o segundo copo.
Morfeu jogou o resto do whisky no rosto de Raphael, o obrigando a fechar os olhos e permitindo que o Deus assumir sua verdadeira forma. Transportou-se para o fim da trajetória do copo, o pegando com as duas mãos delicadamente. Ele deveria tê-los guardado em um local mais seguro, e não na última prateleira da cozinha. “O que você estava dizendo?“ Perguntou Morfeu entre-dentes enquanto voltava a se aproximar a passos largos e rápidos. Pegou o filho pelo colarinho, o ergueu do chão e jogou seu corpo contra o piso. Ao fazê-lo, o copo quebrado juntou os cacos e brilhou, parcialmente completo, no lugar onde estivera sentado. O Deus pressionou o calcanhar na base da coluna de Raphael, o imobilizando e causando dor caso ele tentasse escapar. “Precisarei de todos os pedaços.” Murmurou como quem pede desculpas ao se inclinar para frente e puxar o pé ensanguentado para cima, exibindo a sola ferida e os cacos despontando da pele aberta. “Se não for incomodo para a senhoria.” Não usou pinças, não usou qualquer tipo de instrumentos. Com os próprios dedos, tirou cada um dos pedaços de vidro, fazendo questão de afundá-lo ainda mais na carne antes de tirá-los de uma vez. “Como estamos?” Os cacos faziam um tilintar alegre ao se juntar ao copo, Morfeu sorrindo inocentemente ao vê-lo finalizado e tirou o pé para se afastar do filho, levando a garrafa e virando seu conteúdo na boca direto do gargalo.
Muito! Ele acha que eu sou propriedade dele, ja tentou me beijar e eu já disse que não quero nada. E meu pai ainda acha isso bonito, ele tentando me arg! Odeio aquele garoto, mas não nego que ele tem bom gosto
Deveria devolver a joia. O que acha que ele pensará ao ver que continua com ela?
Meu pai quer que eu fique com ele e o pai dele tambem, ele não sai do meu pé e eu não posso pisar em casa se não o moleque brota no meu lado. AI do nada ele me apareceu com esses brincos e fui obrigada a aceitar
Ele é desagradável? Esse mole- Esse cavalheiro?
Apenas uma pessoa, um garoto na verdade. Não é nada meu mas ainda querem que a gente fique junto… Por isso eu considero a opição de me comprar
Eu temo não ter entendido. Poderia me explicar o contexto?
Que eu me lembre não. Ou ele quer me comprar ou só quer gastar dinheiro
E quem seria essa "pessoa"? O que você fez para ela?
É, um brinco grande de pedra. Eu também não acredito que ganhei
Algum motivo para ganhá-los?
Don't come near my whisky || Raphael & Morfeu
A porta se fechando poderia fazer qualquer sonâmbulo acordar, mas para Raphael não passou de um pequeno susto, além de o fazer notar a outra presença. Permaneceu estático encarando a madeira, a mão indo ao trinco com desejo de seguir para fora. Forçou uma vez, mais uma, inclusive jogou o peso sobre o ombro para fazer abrir. Todas tentativas sem o mínimo sucesso. O semideus apoiou ambas as mãos sobre a porta e olhou para baixo chateado. “Não vou sair” Comentou abrindo calmamente um sorriso nas laterais dos lábios. Seus diálogos estavam condenados a palavras simples quando se encontrava nesse estado, mas sua cabeça fervilhava com ideias de outro entretenimento. Com o canto dos olhos observou o deus, entediado com todo aquele acontecimento. Vamos brincar um pouco com o papai. Sempre tão calmo e paciente. Por quanto tempo aguentaria o filho perturbado sem tentar enforca-lo ou trancafia-lo da próxima vez que fosse dormir?
Rapha caminhou sem preocupações pelo chalé, como se tivesse sido derrotado pela ordem que o outro havia lhe imposto. O quadro da fotografia estava novamente inteiro, entretanto havia outras coisas que poderiam ser quebradas. O rapaz passou a mão por um vaso de flor, observando ele ir ao chão em um sonoro “crack”. Olhou de relance para o sofá que o outro estava e encolheu os ombros. “Ops” Fez o movimento com os lábios mudos, abrindo um sorriso linear, sem demonstrar os dentes. Curioso se Morfeu o seguiria ou não, Raphael caminhou até a cozinha, analisando as preciosas bebidas do pai. Pegou qualquer uma aleatória e abriu a tampa, o cheiro forte de álcool exalando pelo frasco. Deu um longo gole antes de soltar o vidro no chão e franzir o rosto. O gosto era muito amargo para seu paladar. Como uma criança com um novo brinquedo, suas mãos voaram por todos os vidros até leva-los ao chão. Rindo com divertimento enquanto os líquidos se misturavam e sujava suas roupas. Será que Morfeu o observava ou continuava na sala? Será que já estava irritado? Aguentava para não olhar sobre o ombro e confirmar suas duvidas. “Tão divertido” Soltou um sopro de riso, enquanto observava dois copos que pegou com as mãos. Ergueu os braços, pronto para jogá-los na parede e ouvir o doce som do vidro quebrando.
Vidro. Morfeu segurou o copo pelo fundo, observando a mão de dedos longos girarem o cristal com um movimento de punho. Sentia falta das taças de ouros, estanho e chifre que lhe eram reservadas no Olimpo. O material estranho provocava uma sensação melhor e mais convidativa que aquele material frio e sem-vida, tipicamente mortal. Morfeu fechou os olhos e deixou imagens de sua casa dançaram por trás das pálpebras fechadas, lembrando que nem sequer as janelas tinham esse material. Eram abertas, livres, permissoras da passagem do ar que deixa fresca a opressora atmosfera da morada dos deuses nos dias de verão quando Apolo resolvia exagerar nas bênçãos ao lugar. Os barulhos da porta sendo forçada, da voz derrotada do filho e do vaso quebrado não passaram de ruídos de fundos, incompreensíveis e distantes. Quando o deus do sonho entrava em seu próprio mundo, dificilmente achava motivos fortes o suficiente para trazê-lo de volta a realidade. Mesmo sendo capaz de moldar o ambiente a sua volta ao bel-prazer, esse mesmo não chegava ao padrão de suas ilusões e criatividades. As cores eram mais vibrantes, as texturas eram mais discerníveis, e, com certeza, não tinha uma cacofonia de estilhaçados e destruição de uma loja de vidros.
Morfeu soltou um suspiro ainda mais pesaroso ao se deparar com uma cena que faria alcoólatras chorarem e assassinarem seu único -- aparentemente -- filho no ato. Não sabia dizer qual tinha sido o melhor ato de Raphael. Se fora provar a bebida antes de descartá-la ou eliminar a garrafa que menos lhe faria falta. Absinto, vodka, tequila, não havia distinção entre marca, cores e qualidades quando o conteúdo se derramava e transformava a cozinha num pequeno ambiente de tensão. Um chama. Uma pequena faísca faria o cômodo explodir em chamas laranjas, amarelas e vermelhas, em tonalidades que o fariam sorrir e sonhar, se não fosse um dos combustíveis daquela mistura. Raphael. Os anos que passara cuidando da empresa passaram-se da maneira que o Deus tinha temido, rápido demais para os padrões mortais. Perdera o período que se prometera a acompanhar, e agora colhia os frutos do crescimento do sonambulismo que não fora moldado por si para o melhor. Raphael fora sua responsabilidade e agora ele tinha que pagar e cuidar das consequências. A postura relaxada ficou tensa como a corda de um arco e Morfeu sentiu o vidro da garrafa começar a rachar, timidamente. Aqueles copos eram especiais, eram importantes de uma maneira que Raphael nunca saberia porque o Deus era orgulhoso demais para contar. O copo vazio em sua mão encontrou o destino na parede que Raphael admirava com tanta atenção, fazendo chover cacos pelo chão como pequenas estrelas. "Solte os copos, Raphael." Falou em tom de desafio, ameaçando levantar da cadeira e recuperar por si mesmo os copos que simbolizavam o primeiro encontro dos progenitores do semideus que ameaçava quebrá-los.