Convite para a Assembleia de Ocupação de Lisboa Domingo, 17 de Setembro às 16h, no nº69 da R. Marques da silva
As transformações em curso na cidade de Lisboa são a mais recente expressão de um projecto político que visa transformar cada momento da vida num negócio, que procura traduzir em chave neo-liberal todas as instâncias da vida quotidiana. O processo que começou com as medidas de austeridade do anterior governo sobreviveu-lhe, e agora ocupa-se de tentar fazer com que cada metro quadrado da cidade seja uma fonte de rendimento, com que todas as possibilidades de vida na cidade se ocupem exclusivamente de gerar mais dinheiro.
Nesta dinâmica a questão da habitação torna-se central e prioritária. A alegada “tempestade perfeita” no sector da habitação procura normalizar aquilo que é uma tentativa concertada de transformar a gestão da cidade naquilo que é a gestão de uma fábrica ou de uma empresa.
Contra o poder do capital que procura capturar o que há de vivo e efervescente na cidade, a resposta não pode deixar de passar pela constituição de uma potência organizada e colectiva que lhe consiga opor um projecto de vida conjunta. Contra a atomização e a gentrificação das cidades torna-se necessário opor formas de organização que consigam construir mecanismos e bens partilhados, que consigam organizar no território urbano as formas de vida capazes de combater a expansão do capital.
A ocupação de imóveis abandonados desde sempre consistiu uma táctica de apropriação pública dos espaços retirados ao usufruto colectivo. Ao longo das últimas décadas, pelo mundo fora, surgiram inúmeros movimentos sociais estruturados à volta da possibilidade de ocupar. Para habitação, para criação de equipamentos culturais, para usufruto comum. Em Portugal, o movimento sempre foi demasiado marginal, mas isso não significa que não seja possível conceber a possibilidade de um movimento vasto e organizado de ocupações em resposta ao avanço da especulação imobiliário e à neoliberalização da cidade.
Iremos nesta assembleia procurar dar os primeiros passos nesse sentido ao mesmo tempo que decidimos, colectivamente, que uso dar ao imóvel que ocupámos neste final de semana. São bem-vindas todas as pessoas que queiram participar neste processo.












