O prefeito de Khadel se sente honrado em ter AYLIN YILMAZ como moradora de sua excêntrica cidadezinha. Aos seus VINTE E SETE anos, ela é bastante conhecida pelos vizinhos como A FILHA DO PASTOR. Dizem que ela se parece com MELTEM AKÇÖL, mas é apenas uma AUXILIAR NA SCUOLA SAN BENEDETTO. A ausência do amor em sua vida, deixou LIN um pouco SUBMISSA e INSEGURA, mas não lhe atormentou o suficiente para deixar de ser EMPÁTICA e CRIATIVA. Esperamos que ela encontre a sua alma gêmea, quebre a maldição da cidade e consiga ser feliz!
SOBRE:
DN: 03 de janeiro de 1998
IDADE: 27 anos
ZODÍACO: Capricórnio (mas não acredita).
SEXUALIDADE: Heterossexual (até onde sabe).
FILIAÇÃO: Yusuf Yilmaz (pai), Samia Yilmaz (mãe), Deniz Yilmaz (irmão).
HISTÓRIA:
A família Yilmaz já vive em Khadel por gerações, a qual mantinha suas tradições, cultura e riqueza passadas de pai para filho. Bom, ao menos até o ano de 1996, ano em que Yusuf passou por muitos problemas de saúde, beirando a morte. Mas o que o salvou? Sua fé. Até então, a família não era extrema em questão de religiosidade, mas um problema de saúde, juntamente com algum tipo de lavagem cerebral, e ali estava o pai de Aylin, sendo um pastor protestante e extremamente rígido.
Desde que nasceu, já estava envolta a esse meio. Viveu sua infância inteira sendo ensinada sobre o que era pecado, o porquê de evitar coisas que a levassem ao inferno, amizades que não poderia ter... Era até uma criança reclusa, algo que mudou um pouco ao chegar na adolescência e pela rebeldia de seu irmão que lhe deu um pouco mais de coragem.
Ainda sim, Yusuf era extremamente manipulador quanto a caçula, conseguindo a convencer facilmente quanto a algumas amizades, relacionamentos e o quanto aquilo era errado perante Deus. Aylin sempre deixava de fazer o que realmente queria para agradar seu pai, e vez ou outra, quando realmente queria algo, precisava ser às escondidas. Tinha uma vida dupla, ou fazia suas vontades na encolha, ou fazia o que seu pai lhe ordenava, na maioria das vezes, a segunda opção vencendo com certa facilidade.
Após essa história de maldição e reencarnação, seu pai ficou um pouco mais ríspido, usando a filha como um "mau exemplo" até mesmo em cima do púlpito. Por sua enorme descrença, a frase que mais ouvia dentro de casa era que ela estava destinada a ir para o inferno caso continuasse com tudo isso. Mas se não era verdade, por quê sentia em seu coração que precisava seguir em frente?
PERSONALIDADE:
Aylin carrega uma imagem de gentileza, bondade e cuidado, e isso não é uma mentira, é realmente uma pessoa muito boa. Entretanto, é cercada de inseguras, medos e uma submissão que chega a ultrapassar todos os limites. Forte o suficiente para esconder esse lado ruim de sua vida, fraca demais para colocar limites e tomar controle de seu próprio destino. E um dos motivos pelo qual gosta de trabalhar na escola, é exatamente por ter um tempo fazendo algo que ela gosta, mesmo que não tenha necessidade alguma disso. É onde ela se diverte e se sente livre.
Suspirou pensando em como formular a resposta para sua "primeira opção". - Bom... Não é como se minha família e eu ficássemos longe um do outro. Essas memórias poderiam ser reconstruídas de alguma maneira. - Uma reaproximação, uma tentativa vinda deles, não sabia ao certo como poderia acontecer ou funcionar, só achava que seria algo "fácil" de resolver. - E esse também é o motivo porque não escolhi... Sabia que você não teria como reconstruir isso. E mesmo que sejam poucas, essas memórias são muito relevantes para você. Talvez, você não fosse você mesmo se só se lembrasse da dor da sua avó e do abandono do seu pai. - Poderia ter se tornado uma pessoa fria, assim como muitas das pessoas em Khadel, e sinceramente? Odiava sequer imaginar isso para a vida de Dante, ele não merecia tanto sofrimento. Aylin não conseguia pensar daquele jeito, imaginava que quanto mais fraca a pessoa fosse, menos aguentaria. Ou se fosse de uma forma tão aleatória, ainda sim, não seria capaz de suportar tanto tempo. - Será que os efeitos são tão fortes assim? A ponto de realmente não se aguentar ficar com aquilo? O quanto aquilo vai mexer com nossa cabeça? - Eram muitas questões ainda sem respostas, e até mesmo por isso, queria ser a primeira. Queria tirar a dúvida, não só de quanto aguentaria, mas do que tanto o medalhão poderia mexer consigo, e sem ter como base o que os outros passariam. Parou também, o encarando, sentindo o quão estúpida sua ideia poderia soar. - Alguém vai ter que ser o primeiro, não? Alguém tem que fazer o primeiro teste. Não é por ser um "tiro no pé". Seria mais... Querer se livrar logo disso. - Por mais que fosse rotativo e em algum momento voltasse para si.
“Mas você perderia qualquer coisa boa com eles… Seria mais difícil reconstruir se tudo o que se lembrasse era de se sentir mal com a sua família. Me pareceria meio, sei lá, desesperador.” tentou organizar a sua opinião do melhor jeito, mas era complicado. A família de Aylin nunca era o tópico de maior facilidade de conversa entre os dois. E, mesmo que achasse que não eram bons para ela, não iria querer que só se lembrasse das piores partes. “É, não ia ter como.” concordou, afinal, sua mãe estava morta. Não teria como reverter nada se perdesse suas memórias dela. “Pelo menos, não vou precisar descobrir que pessoa eu teria me tornado. Mas imagino que seria um pouco mais perto do que o meu outro eu era, se me entende.” já era um milagre não ter saído um pouco mais amargo, visto que começar a vida com um pai que não conseguia suportar a ideia de ocupar o seu papel não era bem das mais agradáveis. Antes de todo o caos começar em Khadel, o homem até estava “tentando”, mas Dante não sabia se conseguia engolir uma paternidade tão tardia. “Você quer mesmo descobrir? Eu duvido que seja uma boa ideia continuar quando o efeito começar a pesar. Olha o que aconteceu com as pessoas que conhecemos, como elas ficaram completamente malucas.” não era uma magia fraca, e deveria vir com uma pilha de consequências consigo. Usá-la diretamente em contato com o seu próprio corpo não deveria ser algo que não deixaria consequências a quem abusasse de seu uso. E Dante não queria que nada acontecesse com ela. “Mas não precisa ser você. Eu estou pedindo pra você não se oferecer pra isso.”
Aylin deu uma risada fraca, sem ânimo. Não por deboche ou algo do tipo, mas porque o destino não tinha sido dos melhores com ela no decorrer de sua vida quanto a sua família. - Talvez com o Deniz... Um pouco com a minha mãe... Raramente com meu pai. E ultimamente, as memórias que vem à tona também não são muito boas, então acho que seria meio indiferente. - Mal conseguia se lembrar dos momentos bons no últimos tempos, apenas com seu irmão, e do jeito que ele era implicante, imaginava que ele conseguiria de alguma maneira criar essas memórias rapidamente. Mas agora, não tinha mais essa opção de qualquer maneira. - Aturar o Rafael cem por cento do tempo seria mais difícil. Imagina quantas broncas eu não levaria? - Tentou amenizar um pouco o clima da conversa, que já era pesado demais. O dia em si estava pesado, confuso e cheio de dúvidas constante os rondando. Mas precisava concordar, Dante não seria o mesmo cara se não tivesse essa ligação com o seu passado. Abaixou um pouco seu olhar com a pergunta. Não era uma questão de querer, era uma questão de precisar. Não sabia como seria quando chegassem ao seu máximo de tolerância, e como saberiam que aquilo era seu limite. - Eu sei, eu sei... Só... Eu só quero ajudar, e estou me cobrando por isso, porque também não quero ver todo mundo sofrendo. - A Yilmaz e a maldita questão de sempre precisar agradar os outros de alguma forma. Havia momento certo para isso, mas agora que precisava pensar em si, não conseguia, não depois de ver em como os ânimos estavam tão aflorados. Suspirou com aquele pedido, porque não conseguiria dizer "não" para Dante e ele sabia muito bem disso. - Muito injusto você me pedir isso sabendo que não vou conseguir te dizer "não, vou fazer mesmo assim". Fica difícil te contrariar assim.
Fez uma careta e negou com a cabeça algumas vezes. - Não quero tomar o posto da Scarlet Devereaux. Deixo com ela o apelido. Prefiro continuar sendo a filha do meu pai. - Brincou, e dessa vez evitou o "só" na frase, já imaginando que poderia ser chamada a sua atenção. Mas ser a "filha do pastor" não era exatamente um elogio. - E falando nisso... - Se ajeitou no sofá para o encarar mais diretamente por sua curiosidade. - O que era aquela tal de "reserva" que você mencionou? Não entendi direito, e ai o Matteo e o Alek subiram e não pude perguntar. - Até então, era um jantar entre amigos na casa de alguém, e o Moretti não havia mencionado nada sobre reserva para si. Tombou a cabeça um pouco para o lado, porque não era bem o que vinha acontecendo, e no momento, Khadel inteira a detestava. Não parecia ser algo tão difícil. - Ok, ela "desgosta" de mim com muito fervor. - Corrigiu a frase, mas mantendo o mesmo intuito. - Com certeza ela deve pensar que você merecia alguém melhor, enfim... - Não tinha muitas dúvidas sobre isso. - Música boa eu imagino que tenha, especialmente quando você faz o show. E eu vou com você, quando as coisas voltarem ao normal. - Em algum momento iria ceder de qualquer forma, porque pelo visto, era importante para ele.
Viu? Eu já estou me sentindo especial só de saber que será a primeira vez que dedica uma música assim para alguém. Eu não me importo de esperar pra ouvi-la. Pode ter... Dois versos repetitivos, vai continuar sendo a melhor coisa que já ouvi. - Ou até um verso, ou uma palavra, que fosse... Só de saber o quanto ele teria se esforçado pra isso, já valeria a pena. Assentiu com a pergunta quanto as tatuagens, porque realmente não conseguia sequer o ver sem elas mais, mesmo que já tivesse o visto sem. - Acho que meu lado Serena vai gostar disso, então não será um problema. - Apesar desse seu lado ser literalmente o lado que o preocuparia. Sorriu em meio ao beijo, porque era inevitável. Um grande problema estar agora tão viciada nos lábios do rapaz. - Acho que não. Estou um pouco ocupada agora. - Desceu seu olhar mais uma vez aos lábios dele, o beijando mais uma vez em seguida. Ao menos, até o cachorro os atrapalhar, se colocando entre os dois, também pedindo por atenção. Aylin acabou rindo com aquilo, ainda mais por ser obrigada a se afastar. - Tá bom, chega de beijar seu amigo. Entendi o recado. Carbonara então.
“Eu ainda acho que conseguiríamos arrumar um apelido melhor pra você.” com a movimentação dela ao seu lado, Dante ajeitou o braço que estava sobre os seus ombros. Ao escutar a palavra reserva sendo proferida naquele contexto, uma careta imediatamente surgiu. “Acho que eu te pago pra não me fazer te falar o que era essa reserva.” poderia tentar disfarçar melhor, mas, a partir do momento em que sua reação inicial estava estampada em seu rosto, não tinha muito o que fazer em termos de negar que existia algo. “Lin, ela não deve achar isso...” não faria sentido para ele qualquer um ter essa opinião. “Mas aconteceu algo entre vocês duas ou…?” perguntou, tentando entender. “Com você me bajulando desse jeito, eu vou acabar com o meu ego lá em cima, toma cuidado. Mas só vou acreditar mesmo nos seus elogios quando você for lá. Vai ficar por conta da casa tudo o que você quiser pedir ali.”
“Eu diria que você é especial por várias outras coisas também, mas fico feliz que você tenha percebido isso.” sorriu, ajeitando o braço sobre os ombros dela, como se houvesse a necessidade de a manter próxima. “Mas eu prometo que não vão ter só dois versos repetitivos e os mesmos acordes, você merece um pouco mais de esforço da minha parte.” queria que fosse uma música perfeita, ou o mais perto que chegasse disso. E acabava se cobrando um pouco em entregar algo que estivesse à altura de Aylin. Revirou os olhos com a menção do lado Serena dela, e acabou rindo. “Então eles tão se encontrando através da gente? É isso? Bom saber que ao menos uma parte sua vai ter vontade de me aguentar quando nem eu mesmo conseguir fazer isso.” brincou. Ao sentir os lábios dela nos seus mais uma vez, retribuiu o beijo de imediato, levando a mão livre até a cintura dela — até que um border collie intrometido resolveu lembrar os dois que estava na sala, e cutucá-los com o seu focinho. “Não é possível…” murmurou, rindo e negando com a cabeça. Dante se desvencilhou da namorada e levantou do sofá, estendendo a mão para ela. “Vou ficar te devendo pra próxima te fazer uma sobremesa, mas tem gelato no congelador.”
Que apelido você me daria? - O questionou curiosa, já que ele sempre falava sobre o quanto "filha do pastor" era pouco para ela, que não era apenas isso. Também não tinha criatividade para pensar em alguma outra coisa relevante sobre si o suficiente para se transformar em um apelido. Arqueou as sobrancelhas, e por mais que não soubesse sobre o que se tratava, a insistência em sequer mencionar o que poderia ser a fazia desconfiar. Apertou os lábios segurando a risada e assentiu, não iria insistir. - Não vou questionar mais sobre essa reserva, tá bom? Não tão logo. Não precisa me pagar por isso também. - E juntando com a mente mirabolante de Aleksander, podia ter ainda mais certeza de que era algo que iria constrangê-la. - Não aconteceu nada... Eu acho. Não sei, ela também não é muito aberta a esse tipo de conversa. Eu devo ter feito algo de errado sem perceber, deixado ela irritada, mas ela nunca me falou o que eu fiz, sabe... - E algo em Babette a intimidava muito, a ponto de até desistir de questioná-la várias vezes. A única coisa que havia notado é que Babsi era católica, e não sabia se isso tinha alguma coisa a ver com essa antipatia ou não. - Prefere que eu pare de te bajular então? Porque se for assim, não elogio mais e nem vou ao the loft. - Disse em tom de brincadeira, claramente não conseguiria simplesmente "pisar na bola" desse jeito, muito menos deixar de elogiá-lo.
Tinha certeza de que ele se esforçaria, ainda mais depois de ver tanta cobrança vindo da parte dele. Aylin não ligaria de esperar o tempo que fosse para ouvir a tal música, tinha certeza que a decoraria no instante que a ouvisse pela primeira vez, só porque era algo para si. - Logo sua inspiração volta e você retoma seus trabalhos então. Esse bloqueio vai passar logo. - Não tinha certeza, mas queria acreditar e ser positiva. Era o que lhes restava em meio todo o caos de Khadel. - Sabe qual é o lado bom de você rabugento? É que posso encontrar meios de te acalmar. Não sei como ainda, mas deu certo hoje. - E por fim, ainda estava ali, a sós com quem queria estar. Tudo que Aylin encarou para no fim estar no apartamento de Dante poderia ser visto como loucura, mas no fundo, era só a saudade batendo mais e mais forte conforme os dias se passaram e sequer tinham uma previsão para se verem novamente. - Mais uma dívida para anotar na minha lista, Argento? Mas vou te poupar dessa, e na próxima, eu trago a sobremesa.
Não tinha como — e muito menos queria — mentir. - Sim. Na verdade, se eu fosse ver só por mim, seria minha primeira opção. - Além do mais, não conhecia os outros e via que só poderia confiar em Zafira diante das outras sugestões. Ou, teriam que aguentar tudo aquilo até que as coisas voltassem ao normal, isso se voltassem. Não seria justo com ele, deixar que tantas coisas boas fossem apagadas. - E você consegue se imaginar sem essas memórias? Porque eu não consigo imaginar você sendo quem é sem elas. - A mulher não se fazia mais presente, mas era uma parte importante de Dante e do que ele era. Não conseguiria se perdoar caso a maldição não fosse quebrada e tivesse arrancado isso dele por puro egoísmo. - Estamos juntos nessa, né? Não teria como eu não pensar em você. - Além da parte de que o melhor amigo também se esqueceria dele. Sofreria consequências a partir do "castigo" dos outros. A divisão não era nada justa. Aturar coisas não significava ser forte, não para Aylin. Significava que fugia de conflito, e isso não era o mesmo que "ser forte", mas por fim, assentiu, apenas para que não acabasse por teimar com as palavras dele. - Nem sabemos qual vai ser o favor. Só não quero aguentar... Nada. Sabe? Colocar e já ter que entregar para o próximo porque não tenho capacidade. Eu quero ajudar. - Não julgaria quem não conseguisse, no entanto, se sentiria péssima se não conseguisse ajudar aos outros. - Talvez... Se eu for a primeira, poderia já tirar a dúvida de quanto aguento. - Era uma sugestão, mas esteve refletindo sobre isso enquanto sozinha.
“Você não se importaria de abrir mão das suas memórias?” perguntou, franzindo o cenho. Não era a alternativa mais agradável em sua mente, ela ter de abrir mão do que existia de bom em sua família e somente se deixar consumir por todas as memórias ruins que existiam naquela casa. “Não sei.” suspirou. “Se não soubesse nada sobre a minha mãe, provavelmente só ia ser uma pessoa que morreu e não teve muita relevância na minha vida. Ia me sobrar a minha vó em luto e… O meu pai, o que é a mesma coisa que nada.” deu de ombros. Se dependesse de seu pai em sua infância, sem uma única lembrança ou apego na memória de uma mãe que se importava consigo, a sua questão com abandono certamente seria muito mais intensa. E nem estava considerando, ali, que a maior parte de sua identidade se formou ao tentar se conectar com ela. Assentiu ao escutar as palavras seguintes dela, se inclinando para deixar um beijo em seus cabelos — como um jeito de confirmar que os dois estavam, sim, juntos nessa. “É, não sabemos, então também não tem como saber se ele não vai exigir muito de você. Não deveria se forçar com o medalhão só por achar que não pode fazer feio. Se é algo sobrenatural, eu duvido muito que siga qualquer regra. Vai atacar as pessoas com o que der na telha.” duvidava muito que alguém acabasse reclamando de quem não conseguisse ter muito tempo com o medalhão. E, se alguém achasse ruim, caso fosse o caso de Aylin, Dante não se importaria de ser bastante grosseiro com a pessoa. Parou de andar na hora em que escutou a sugestão de Aylin, e a encarou. “Você não pode estar falando sério, Lin. Querer ser a primeira a usar só pra tirar a dúvida é um tiro no pé.”
Suspirou pensando em como formular a resposta para sua "primeira opção". - Bom... Não é como se minha família e eu ficássemos longe um do outro. Essas memórias poderiam ser reconstruídas de alguma maneira. - Uma reaproximação, uma tentativa vinda deles, não sabia ao certo como poderia acontecer ou funcionar, só achava que seria algo "fácil" de resolver. - E esse também é o motivo porque não escolhi... Sabia que você não teria como reconstruir isso. E mesmo que sejam poucas, essas memórias são muito relevantes para você. Talvez, você não fosse você mesmo se só se lembrasse da dor da sua avó e do abandono do seu pai. - Poderia ter se tornado uma pessoa fria, assim como muitas das pessoas em Khadel, e sinceramente? Odiava sequer imaginar isso para a vida de Dante, ele não merecia tanto sofrimento. Aylin não conseguia pensar daquele jeito, imaginava que quanto mais fraca a pessoa fosse, menos aguentaria. Ou se fosse de uma forma tão aleatória, ainda sim, não seria capaz de suportar tanto tempo. - Será que os efeitos são tão fortes assim? A ponto de realmente não se aguentar ficar com aquilo? O quanto aquilo vai mexer com nossa cabeça? - Eram muitas questões ainda sem respostas, e até mesmo por isso, queria ser a primeira. Queria tirar a dúvida, não só de quanto aguentaria, mas do que tanto o medalhão poderia mexer consigo, e sem ter como base o que os outros passariam. Parou também, o encarando, sentindo o quão estúpida sua ideia poderia soar. - Alguém vai ter que ser o primeiro, não? Alguém tem que fazer o primeiro teste. Não é por ser um "tiro no pé". Seria mais... Querer se livrar logo disso. - Por mais que fosse rotativo e em algum momento voltasse para si.
Eu devo ficar preocupada com essa sua atração por meninas malvadas? Nesse ritmo, não é sobre mim que vai escrever essa música. - Brincou, em um leve tom de provocação, supondo uma coisa que jamais aconteceria, nem mesmo nos sonhos mais loucos possíveis. E se tinha uma coisa que tudo isso mostrou era que ambos tinham uma ótima compatibilidade, a ponto de entenderem muito bem as brincadeiras um do outro. - Só não entendo até agora o motivo do Alek ter inventado aquilo, porque eu acabaria concordando se soubesse do que se tratava. - Já achava que os dois eram um par, e Dante já era seu amigo, a ideia pareceria bem menos desconfortável do que o que imaginava quando fora convidada. - E a Babsi meio que me detesta. Você tinha que ver o sofrimento dela ao trocar cinco palavras comigo. Jurava que ela iria engasgar. - Exagerou, porque apesar de tudo, ela havia a ajudado. Ainda sim, um encontro com as duas era algo que via bem longe de acabar acontecendo. A insistência para que fosse ao The Loft mais uma vez a arrancou uma risada, aquele lugar parecia mesmo ter alguma importância para ele, não tinha outra explicação. E sabia que acabaria cedendo. - O que tem de tão especial nesse lugar? Você está começando a me deixar curiosa.
E por Aylin, ele poderia provar quantas vezes fosse, não iria se importar, muito menos se cansaria das trocas de beijos entre os dois. Já não conseguia parar de pensar sobre desde o que acontecera na feira, quem dirá agora que estavam juntos novamente. Deixou uma carícia no rosto dele ao fim do beijo, e o sorriso agora vinha ainda com mais facilidade do que de costume. - Dante, primeiro que vou me lembrar de todas as músicas que você escrever, até as que não forem sobre mim. Segundo, não tem a possibilidade de não gostar se você estiver fazendo de coração. - E era verdade, acabaria decorando todas de tanto ouvir quando ele fizesse, mas agora, não se viam num dos melhores climas para que alguém estivesse com inspiração para tal e sabia muito bem disso. Olhou para o braço dele, reparando um pouco nas tatuagens. - Gosto delas, ficam bem em você. - Mas nele, apenas. Não conseguia se imaginar com nada daquilo em sua pele, e só de pensar na sensação de qualquer agulha lhe pinicando já lhe dava agonia. - Talvez, meu namorado esteja sendo um pouco rabugento. - Retrucou, mesmo sabendo que ele estava certo. Para a sorte dele, sequer sabia se teria coragem de fazer algo do tipo novamente tão cedo. - Que bom que gosta, porque eu gostei de te chamar assim.
“Acho que você tá se valendo bastante nesse esteriótipo, depois das suas desventuras de hoje.” os cantos de seus lábios se curvaram em um sorriso divertido, e ele ergueu as sobrancelhas ao fitar Aylin. Era bom ter aquela troca de brincadeiras e provocações entre ambos, que estavam em uma sintonia de vários anos com o humor um do outro e dificilmente acabariam cruzando algum limite indevido. “Eu também não entendi porquê ele não te falou nada. Quase esganei ele quando descobri que você não sabia. Deve estar entre os sete momentos mais humilhantes da minha vida.” e isso que ela nem sabia do motel, mas essa parte Dante pretendia levar para o túmulo. Já imaginava que, antes, Alek deveria tê-la enrolado do jeito que apenas ele sabia fazer. “Qual é, ela não te detesta… Não tem como alguém realmente te detestar.” ainda assim, ele também sabia que a amiga não era exatamente a pessoa mais próxima de Aylin ali. “Eu só gosto dali, o que tem? É um lugar legal, tem música boa… Considerando que eu vou lá semanalmente, não tenho muita opção além de gostar.” riu. Só tocava lá por gosto pela música, porque não precisava do dinheiro. “E é um lugar que eu sei que você não iria sozinha, então… Quero te levar.”
Sorriu ao sentir a carícia em seu rosto, com a sinceridade que vinha com tanta facilidade quando Aylin estava envolvida. “Eu nunca escrevi nenhuma música pra mostrar pra alguém. Não… Desse jeito. É meio diferente, e tem um pouco mais de expectativas. Você vai ser a primeira pessoa pra quem eu vou escrever uma música romântica assim.” tentou explicar o seu ponto de vista. Havia escrito para ex-namoradas ou ex-alguma-coisa antes, mas nunca planejando mostrar para a pessoa em outro momento, ou sobre sentimentos que nunca tinha realmente sentido antes de Aylin. Na maioria das vezes, era apenas uma forma de processar e seguir adiante. Ou simplesmente se inspirava em situações que nada tinham a ver consigo. “Você gosta?” indagou, com um sorriso. “Você diz rabugento, e eu digo preocupado. Mas aí fica o desafio pra você, gostar de mim mesmo quando eu estiver agindo igual o Rafael.” riu. “Bom saber.” murmurou, se inclinando para beijá-la mais uma vez. Ao se afastarem, questionou: “Vai querer aquela carbonara mesmo?”
Fez uma careta e negou com a cabeça algumas vezes. - Não quero tomar o posto da Scarlet Devereaux. Deixo com ela o apelido. Prefiro continuar sendo a filha do meu pai. - Brincou, e dessa vez evitou o "só" na frase, já imaginando que poderia ser chamada a sua atenção. Mas ser a "filha do pastor" não era exatamente um elogio. - E falando nisso... - Se ajeitou no sofá para o encarar mais diretamente por sua curiosidade. - O que era aquela tal de "reserva" que você mencionou? Não entendi direito, e ai o Matteo e o Alek subiram e não pude perguntar. - Até então, era um jantar entre amigos na casa de alguém, e o Moretti não havia mencionado nada sobre reserva para si. Tombou a cabeça um pouco para o lado, porque não era bem o que vinha acontecendo, e no momento, Khadel inteira a detestava. Não parecia ser algo tão difícil. - Ok, ela "desgosta" de mim com muito fervor. - Corrigiu a frase, mas mantendo o mesmo intuito. - Com certeza ela deve pensar que você merecia alguém melhor, enfim... - Não tinha muitas dúvidas sobre isso. - Música boa eu imagino que tenha, especialmente quando você faz o show. E eu vou com você, quando as coisas voltarem ao normal. - Em algum momento iria ceder de qualquer forma, porque pelo visto, era importante para ele.
Viu? Eu já estou me sentindo especial só de saber que será a primeira vez que dedica uma música assim para alguém. Eu não me importo de esperar pra ouvi-la. Pode ter... Dois versos repetitivos, vai continuar sendo a melhor coisa que já ouvi. - Ou até um verso, ou uma palavra, que fosse... Só de saber o quanto ele teria se esforçado pra isso, já valeria a pena. Assentiu com a pergunta quanto as tatuagens, porque realmente não conseguia sequer o ver sem elas mais, mesmo que já tivesse o visto sem. - Acho que meu lado Serena vai gostar disso, então não será um problema. - Apesar desse seu lado ser literalmente o lado que o preocuparia. Sorriu em meio ao beijo, porque era inevitável. Um grande problema estar agora tão viciada nos lábios do rapaz. - Acho que não. Estou um pouco ocupada agora. - Desceu seu olhar mais uma vez aos lábios dele, o beijando mais uma vez em seguida. Ao menos, até o cachorro os atrapalhar, se colocando entre os dois, também pedindo por atenção. Aylin acabou rindo com aquilo, ainda mais por ser obrigada a se afastar. - Tá bom, chega de beijar seu amigo. Entendi o recado. Carbonara então.
Não acho que seja drástico, acho que é a realidade. - Se mantivesse seu pensamento positivo, não tinham como as coisas ficarem piores. Porém, sua positividade estava um pouco baixo diante de tudo aquilo, e com certeza as coisas ainda tinham como piorar. Olhou para o chão enquanto ele falava, apertando um pouco mais os dedos entrelaçados entre os dele e o ouvindo com atenção. - Eu só não escolhi essa por isso. Seria egoísmo meu. - Os momentos felizes com sua família poderiam ser reconstruídos, acreditava que após a quebra da maldição, até algumas atitudes de sua família pudessem melhorar. Vinham melhorando, lentamente, mas vinham, ao menos até essa névoa estragar tudo. - E eu também não queria que você se esquecesse dos momentos bons que teve com sua mãe. Nem que esquecessem de você. Eu não seria uma boa parceira se olhasse só o meu lado. - Diferentemente dela, Dante não teria como reconstruir essas memórias se precisasse, e isso o mudaria de muitas formas. Não se sentir confortável era uma coisa, ninguém se sentiria confortável na verdade, mas ao menos os outros não foram omissos ao escolherem algo. - Não sabemos, mas se a personalidade da pessoa afetar, isso será um problema. - Sabia que seria a primeira a desistir, e por fim, estaria jogando a responsabilidade para outra pessoa mais rápido do que deveria. - Você me conhece bem demais pra saber até o que estou pensando. - Retrucou, porque era realmente o que se passava em sua mente. - Mas isso já não é uma loucura por si só? Dever um favor e ainda carregar um medalhão mágico que pode fazer você surtar a qualquer momento?
“E a nossa situação não anda bem das melhores.” passou a mão livre pelo cabelo e suspirou. “Você considerou escolher?” não deixou de se perguntar o que teria se passado na cabeça dela ao decidir abrir mão das próprias memórias, pois, mesmo sabendo que a situação familiar dela não era das melhores, não sabia se gostaria da ideia de Aylin abrir mão do que poderia haver de bom com o irmão e a mãe — se deixar ser sufocada pelos momentos ruins. “Eu não acho, sinceramente, que teria parado só no que eu lembro, porque não é tanto. Se o objetivo era esquecer qualquer coisa boa relacionada à ela, provavelmente apagaria também o que eu sei por causa da minha vó. Ou qualquer coisa.” e, por exemplo, só possuía a conexão com a música por conta de sua mãe. Sem essa tentativa de se conectar com ela, dificilmente teria ido atrás de descobrir o que compunha a sua identidade naquele ponto. Provavelmente não seria a mesma pessoa sem isso. “Mas eu agradeço por também ter pensado em mim.” acrescentou, esboçando um sorriso para ela. “Você não é fraca, Aylin. Eu tenho certeza de que você já aguentou mais coisa do que muita gente que nós conhecemos.” não queria ter de dizer com todas as letras, todavia, o faria se necessário: não era todo mundo que continuaria com a cabeça erguida após tantos anos vivendo sob controle absoluto das vontades de um pai como o dela. “É, eu te conheço, por isso já estou te pedindo pra não tentar bancar a heroína. Ninguém vai querer tomar uma pelo time desse jeito. Lin, você não precisa piorar como isso vai ser pra você. Já basta o favor individual.”
Não tinha como — e muito menos queria — mentir. - Sim. Na verdade, se eu fosse ver só por mim, seria minha primeira opção. - Além do mais, não conhecia os outros e via que só poderia confiar em Zafira diante das outras sugestões. Ou, teriam que aguentar tudo aquilo até que as coisas voltassem ao normal, isso se voltassem. Não seria justo com ele, deixar que tantas coisas boas fossem apagadas. - E você consegue se imaginar sem essas memórias? Porque eu não consigo imaginar você sendo quem é sem elas. - A mulher não se fazia mais presente, mas era uma parte importante de Dante e do que ele era. Não conseguiria se perdoar caso a maldição não fosse quebrada e tivesse arrancado isso dele por puro egoísmo. - Estamos juntos nessa, né? Não teria como eu não pensar em você. - Além da parte de que o melhor amigo também se esqueceria dele. Sofreria consequências a partir do "castigo" dos outros. A divisão não era nada justa. Aturar coisas não significava ser forte, não para Aylin. Significava que fugia de conflito, e isso não era o mesmo que "ser forte", mas por fim, assentiu, apenas para que não acabasse por teimar com as palavras dele. - Nem sabemos qual vai ser o favor. Só não quero aguentar... Nada. Sabe? Colocar e já ter que entregar para o próximo porque não tenho capacidade. Eu quero ajudar. - Não julgaria quem não conseguisse, no entanto, se sentiria péssima se não conseguisse ajudar aos outros. - Talvez... Se eu for a primeira, poderia já tirar a dúvida de quanto aguento. - Era uma sugestão, mas esteve refletindo sobre isso enquanto sozinha.
Foi o trauma de muitas crianças. - Inclusive, não assistia a esse desenho, porque com toda certeza choraria novamente nos dias atuais. Não aceitava que aquilo pudesse ser um filme infantil. - Já me falaram isso. - Dante e Helena estavam até cansados de mencionarem toda a problemática de sua família e que Aylin deveria se livrar daquelas amarras. A lista de pessoas só aumentava dia após dia. - Elogios dos meus pais? - Acabou rindo, parte com sinceridade e outra parte com ironia. Mal se lembrava da última vez que recebera um elogio deles. Sua mãe simplesmente não dava a mínima para si, enquanto seu pai apenas a corrigia, a chamava atenção apenas para o que era errado, e nunca para a elogiar pelo certo. - Como eu posso explicar? Eu não sou perfeita e isso é óbvio. Não ligo de não ser, ninguém é. Mas achar que ser assim iria receber qualquer elogio em casa? Isso ficou com a Aylin criança. Eu nunca vou ser perfeita o suficiente para eles, e já acostumei com essa ideia. - Mas sua bondade, seu caráter, nada disso tinha que mudar. Isso era algo dela, e se os outros achavam que com isso ela forçava para ser sempre a "certinha", então estavam errados. Era algo de si.
Você está querendo me dar coragem ou me fazer ficar assustada essa noite? - A menção aos barulhos externos que poderiam ocorrer a lembrou de todas as pegadinhas que o universo e sua mente a pregavam quando estava recoberta pelo medo. Fosse por algo que leu ou assistiu, como por sua própria imaginação as vezes. A olhou com mais atenção, como se buscasse no rosto dela se estava mesmo ofendida ou não, e a resposta foi claramente um não. - Tem aquelas armas medievais estranhas. Seria algo que chamaria atenção. Ou algo mais engraçado como... Nunchakus. - Acabaria rindo se a visse usar algo assim, e com certeza levaria na cabeça por isso. Os livros sempre mexeram um pouco com sua criatividade, então era fácil pensar nessas coisas. - Pelo menos, ninguém está sendo obrigado a ir até o altar, porque senão, estaríamos lascados.
“Se mais de uma pessoa já te falou isso, talvez devesse interpretar como um sinal.” argumentou, a fitando com as sobrancelhas erguidas. Franziu o cenho de leve ao escutar o riso dela, sem entender de onde vinha. Para a Kaplan, era óbvio que o pastor e a esposa deveriam encher a filha de elogios, se os outros pareciam ter pouco interesse de poupá-los quanto à ela. Então, descobrir algo assim a deixava até perdida no que se poderia ser dito em resposta; se assemelhava muito mais à sua situação, e imaginava que Aylin possuía uma relação com os pais muito diferente da sua. Provavelmente, porque estava mais ocupada julgando a outra que se interessando em enxergar o que realmente existia ali. “É meio engraçado ouvir isso,” a situação era mais irônica que engraçada, na verdade. “porque eu escutei mais elogios vindos do meu pai pra você do que pra mim. Não tenho nem dúvidas que nos trocaria em questão de segundos se pudesse. Escutei tanto “por que você não pode ser que nem a Aylin?” que perdi a conta.” nem a Lara criança havia vivenciado um destino diferente.
“Tá, tá, esquece o que eu falei. Pensa em cachorrinhos correndo na rua, senhoras fazendo torta e o cheiro saindo pela janela, e um passarinho bonitinho pousando na sua janela, ao invés de uma coruja esquisita. E aí assisti os filmes.” tentou melhorar o cenário, mesmo sabendo que o estrago em sua menção do ambiente noturno já fora feito. Às vezes esquecia de como algumas pessoas pareciam ter medo até da própria sombra. “Nunchakus?!” repetiu, rindo alto com a menção deles, e chamando a atenção mais uma vez do grupo ao lado delas. Inclusive, tinha certeza de que um deles estava indo à bibliotecária fazer uma reclamação formal das duas. “Qual é aquela arma-medieval-estranha que o porrete vinha com uma bola toda espinhosa na ponta? Presa com uma corrente ou algo assim? É o tipo de arma que eu adoraria.” brincou. “Amém, né?” devolveu, rindo. “Casamento é furada, se me precisasse disso pra acabar com a maldição íamos estar todos lascados.”
Realmente, sabia que era um sinal, mas ao mesmo tempo, tentava ignorar. Família era algo muito importante, fosse por acreditar nisso como por sua crença em si, era o que deveria vir em primeiro, e enquanto não tivesse a sua própria, se via na obrigação de se dedicar àquela que nasceu. Encarou a expressão confusa de Dilara após sua risada, as duas de fato não se conheciam em nada, mesmo que convivessem desde pequenas. A expressão ficou um pouco mais fechada com a explicação, o que a fazia pensar que a antipatia poderia vir disso, de como o pai de Lara a colocou num pedestal que nem sabia que estava. - Sinto muito que tenha ouvido tanto isso. - Sentia de verdade, não queria que ela pensasse que fazia isso de propósito. - Eu nunca quis que houvesse qualquer comparação. E com certeza ele só falava isso porque me via vez ou outra. - Tentou amenizar, mesmo que já fosse um pouco tarde para isso e sequer soubesse o que acontecia. - Em compensação, sempre gostei de você. Sempre me pareceu uma pessoa forte, ninguém pode mexer com você, isso se tiver coragem. Admiro isso. - Admirava o que gostaria de ter dentro de si: coragem.
Essa imagem bonita me remeteu a Branca de Neve, a qual também tem uma bruxa má para me lembrar das coisas ruins. Mas valeu a tentativa. - Acabou rindo, ao menos, Lara parecia estar se esforçando um pouco. Olhou ao redor, e logo mais poderiam ser expulsas da biblioteca se continuassem conversando daquele jeito. Sempre imaginou que seria proibida de ir lá por causa de Dante, mas nunca por uma conversa com Dilara. - Mangual. - Fez uma expressão pensativa, como se estivesse imaginando a cena dela com uma arma daquelas correndo atrás de alguém. - É, consigo te imaginar com um. - Brincou, mas ainda um tanto receosa com quais seriam os limites de brincadeiras entre ambas. - Se tivéssemos que casar, aposto que Khadel acabaria ficando amaldiçoada até os próximos reencarnados tentarem resolver.
Ainda sentia um pouco do peso da opção de Zafira... Em como os outros iriam precisar esquecer alguém ou as memórias quanto a essa pessoa, em como ficaria incerto caso eles não quebrassem a maldição, e ainda por cima, tinha a questão do segredo revelado que causou uma grande briga. Odiava ser a pessoa a dar más notícias, mas não teve opção. - Que palavra usaria então? - Usar de eufemismos parecia a melhor opção, ao menos, não pioraria as coisas. Estavam todos assustados e perdidos. Era um tiro no escuro escolher qualquer que fosse a oferta. - A do espelho? - O questionou quanto a "opção pior", já que poderia até ser para a maioria, mas para Aylin, era a que parecia mais fácil de acatar. - Também não estou muito confortável, mas acho que também estou sem moral para falar qualquer coisa a partir do momento que optei por queimar o meu voto. - Não poderia reclamar do resultado, e nem iria. Apenas aceitaria seu destino e faria o que tivesse que fazer. - E além do favor, temos o tal do medalhão. E a ideia de que alguns aguentam mais do que outros também me incomoda... Porque se eu for uma fracote, estarei prejudicando o outro. - Isso a deixava mais nervosa do que ter que prestar um favor para Amara. Não parecia justo alguém ficar apenas um único dia enquanto outro teria que lidar com as consequências por uma semana... Os efeitos eram diferentes sobre cada um, mas não queria carregar mais um peso, o de que não conseguia sequer ajudar.
“Não sei se tem algum jeito muito melhor. Desastre seria uma ideia, mas talvez seja um pouco drástico.” assentiu com a cabeça com o questionamento de Aylin, imaginando que não existia o menor mistério em seu posicionamento contrário àquela ideia. “Essa era meio diabólica, não acha?” a pergunta era um pouco retórica, pois, em seguida, Dante continuou a falar: “Não digo só por causa do meu preço, porque eu ainda poderia considerar se realmente não tivéssemos outra opção. Eu só não achava justo ainda lidar com mais dois além do meu.” imaginava que Olivia e Lara haviam considerado o mesmo, visto que não teriam de lidar somente com a sua própria consequência. “Eu imaginei que você não teria ficado tão confortável em votar em algumas opções.” a conhecia o suficiente para saber que não estaria com a maior disposição de se envolver ainda mais com o sobrenatural. Franziu o cenho enquanto a escutava falar sobre o medalhão, principalmente ao se chamar de fracote e insinuar que não conseguiria aguentar. “Acho que isso tem pouco a ver com a personalidade de cada um, não tem como saber quem vai aguentar ou não, Lin. Isso tem cara de que vai ser praticamente uma roleta russa.” um sortudo aguentaria intacto por uma semana, e outro não aguentaria uma noite sem acabar fora de sua normalidade. “E, por favor, não inventa de querer usar mais do que você aguenta só pra não ‘fazer feio’ com os outros.” fez aspas com a mão livre. “Não é hora de fazer loucuras.”
Não acho que seja drástico, acho que é a realidade. - Se mantivesse seu pensamento positivo, não tinham como as coisas ficarem piores. Porém, sua positividade estava um pouco baixo diante de tudo aquilo, e com certeza as coisas ainda tinham como piorar. Olhou para o chão enquanto ele falava, apertando um pouco mais os dedos entrelaçados entre os dele e o ouvindo com atenção. - Eu só não escolhi essa por isso. Seria egoísmo meu. - Os momentos felizes com sua família poderiam ser reconstruídos, acreditava que após a quebra da maldição, até algumas atitudes de sua família pudessem melhorar. Vinham melhorando, lentamente, mas vinham, ao menos até essa névoa estragar tudo. - E eu também não queria que você se esquecesse dos momentos bons que teve com sua mãe. Nem que esquecessem de você. Eu não seria uma boa parceira se olhasse só o meu lado. - Diferentemente dela, Dante não teria como reconstruir essas memórias se precisasse, e isso o mudaria de muitas formas. Não se sentir confortável era uma coisa, ninguém se sentiria confortável na verdade, mas ao menos os outros não foram omissos ao escolherem algo. - Não sabemos, mas se a personalidade da pessoa afetar, isso será um problema. - Sabia que seria a primeira a desistir, e por fim, estaria jogando a responsabilidade para outra pessoa mais rápido do que deveria. - Você me conhece bem demais pra saber até o que estou pensando. - Retrucou, porque era realmente o que se passava em sua mente. - Mas isso já não é uma loucura por si só? Dever um favor e ainda carregar um medalhão mágico que pode fazer você surtar a qualquer momento?
Não conseguiu conter a baixa risada e concordou com a cabeça com aquela afirmação. - Garotas más e desalmadas são seu novo tipo então? Muitos diriam que não sou nada disso, então acho que você está um pouco equivocado. - "Muitos", no caso, qualquer pessoa de Khadel que a conhecesse. Estava longe de ser qualquer uma daquelas coisas se não fosse apenas na brincadeira. - Hm, não somos populares. Eu não sou, pelo menos. O encontro com Alek e Matteo foi totalmente armado, duvido muito da possibilidade de um com Lara e Babette, e... Quem sabe só tenhamos mais um com Olivia e Nicholas, mas não tenho e nem ideia se isso vai acontecer em algum momento. - Talvez, por sua amizade com Olivia, mas não tinha muita certeza. Ainda sim, ficava feliz de não ter que ir sozinha a essas coisas. Iria com o seu namorado. Teria que se acostumar com esse termo novamente, e seria bem fácil.
O "não" foi um certo alívio, porque também não queria falar sobre aquilo. Nem sobre os outros reencarnados, nem sobre os encontros, nada daquilo lhe interessava mais. Negou com a cabeça, não tinha palavras melhores para descrever algo totalmente recíproco. - Tudo que eu tinha para falar, eu já disse aquele dia na cascata. - Quando confessou que ele era sua primeira opção. Dante saber daquilo já era mais do que o suficiente. Pendeu a cabeça para o lado o encarando por alguns segundos. - Hm... Tipo isso aqui. - Não precisava de provas, só queria aproveitar a chance e ter a desculpa para o beijar mais uma vez, mas não que precisasse de uma. Aylin só não era a pessoa de mais atitude, por mais que ambos já fossem próximos e já estivessem claramente com sentimentos um pelo outro, ainda sentia aquele frio na barriga ao beijá-lo e ao estar tão próxima. - Só não precisa ficar se cobrando quanto a isso. Você vai ter muito tempo pra escrever a música, e quando ficar pronta, eu tenho certeza que vou gostar. - Só pelo esforço e por saber que mesmo sem terem um dia de paz nesse último e ele ainda sim pensar sobre, já era motivo para gostar de algo que sequer viu pronto. - E por que não fez? - Não que ligasse muito para tatuagens, e provavelmente nunca faria uma, mas também não se importava com as dele, ou com as que gostaria ainda de fazer, achava até atraente. As citações quanto aos diversos livros a deixava animada, primeiramente, por serem livros, esse assunto sempre a animava; e segundo porque ele também ficava animado quanto ao assunto. Era algo que sempre tiveram em comum, e perdurou por todos esses anos de amizade. - Acho que estou com um pouco de tempo para ler, então por mim eu levo todos. Ainda mais agora que meu namorado me deu uma bronca por ter saído de casa e estou meio que de castigo. - Fez uma careta, mas a frase soou como brincadeira. Sabia que era apenas preocupação e cuidado, e pensando direito, realmente tinha passado um pouco dos limites naquela noite.
“Exato. Descobri recentemente que não me aguento com mulheres assim. Acho que vou compor a sua música no impulso quando te ver vindo me buscar com a sua scooter.” brincou, porque sabia muito bem que aquela era uma forma bastante errônea de descrever a personalidade de Aylin; contudo, Dante sempre havia gostado do jeito doce e tranquilo dela, e se divertia com aquela piada interna de ambos. “Não necessariamente, porque eu achava que eles tinham combinado um encontro duplo. Então, nesse caso, é meio a meio. E, é, a Babsi é minha amiga, mas duvido muito que ela queira um.” e, também, Dante não era exatamente amigo de Lara. “Eu duvido um pouco que o Nick vá ter disposição de ir num encontro duplo, mas, se você fosse no The Loft comigo e ela estivesse lá, até daria pra forçar a barra que seria quase um.” estava distorcendo completamente aquilo para tentar surgir outra vez que ela deveria ir lá consigo quando as coisas melhorassem? Obviamente. Mas, Nick e ele eram amigos, então não seria ruim, só duvidava muito que aconteceria.
Suspirou em um certo alívio, apesar da inquietude continuar dentro de si; era bom escutar aquilo, mas, o ciúmes ainda era uma certa novidade quando se manifestava daquela forma, então precisaria de mais um tempo para racionalizar que realmente não existia mais nada por trás do comentário dela. E, para o Argento, que considerava Aylin maravilhosa, era difícil de acreditar que ninguém mais teria investido naquela possibilidade. “Então, é isso que importa.” deixou um carinho no braço dela. Sorriu com as palavras seguintes dela e, sem perder tempo, se inclinou para mais um beijo, acabando com a distância que, por alguma razão, teimavam em manter entre seus lábios. “Eu posso provar um pouco mais, se ainda estiver na dúvida.” sorriu, se afastando muito pouco dela. E. somente por via das dúvidas, a beijou outra vez. “E eu espero mesmo que goste, só… Quero que seja especial. Não vai ser a única que eu vou te escrever, mas a primeira vai fazer diferença. Dela com certeza você vai lembrar.” e esperava que por uma boa razão, não por uma questão de expectativas altamente frustradas. “Pra ser bem sincero, eu não me lembro muito do motivo. Acho que pensei que era clichê demais aquela tatuagem específica e desisti.” mas, ainda planejava fazer uma quinta tatuagem, só precisava se decidir qual e onde. “Pode levar todos, à vontade. E talvez, só talvez, o seu namorado tenha um pouco de razão na ‘bronca’.” fez aspas com a mão livre. “Mas, deixa eu te contar… Descobri que eu gosto muito de te ouvir me chamando assim.”
Eu devo ficar preocupada com essa sua atração por meninas malvadas? Nesse ritmo, não é sobre mim que vai escrever essa música. - Brincou, em um leve tom de provocação, supondo uma coisa que jamais aconteceria, nem mesmo nos sonhos mais loucos possíveis. E se tinha uma coisa que tudo isso mostrou era que ambos tinham uma ótima compatibilidade, a ponto de entenderem muito bem as brincadeiras um do outro. - Só não entendo até agora o motivo do Alek ter inventado aquilo, porque eu acabaria concordando se soubesse do que se tratava. - Já achava que os dois eram um par, e Dante já era seu amigo, a ideia pareceria bem menos desconfortável do que o que imaginava quando fora convidada. - E a Babsi meio que me detesta. Você tinha que ver o sofrimento dela ao trocar cinco palavras comigo. Jurava que ela iria engasgar. - Exagerou, porque apesar de tudo, ela havia a ajudado. Ainda sim, um encontro com as duas era algo que via bem longe de acabar acontecendo. A insistência para que fosse ao The Loft mais uma vez a arrancou uma risada, aquele lugar parecia mesmo ter alguma importância para ele, não tinha outra explicação. E sabia que acabaria cedendo. - O que tem de tão especial nesse lugar? Você está começando a me deixar curiosa.
E por Aylin, ele poderia provar quantas vezes fosse, não iria se importar, muito menos se cansaria das trocas de beijos entre os dois. Já não conseguia parar de pensar sobre desde o que acontecera na feira, quem dirá agora que estavam juntos novamente. Deixou uma carícia no rosto dele ao fim do beijo, e o sorriso agora vinha ainda com mais facilidade do que de costume. - Dante, primeiro que vou me lembrar de todas as músicas que você escrever, até as que não forem sobre mim. Segundo, não tem a possibilidade de não gostar se você estiver fazendo de coração. - E era verdade, acabaria decorando todas de tanto ouvir quando ele fizesse, mas agora, não se viam num dos melhores climas para que alguém estivesse com inspiração para tal e sabia muito bem disso. Olhou para o braço dele, reparando um pouco nas tatuagens. - Gosto delas, ficam bem em você. - Mas nele, apenas. Não conseguia se imaginar com nada daquilo em sua pele, e só de pensar na sensação de qualquer agulha lhe pinicando já lhe dava agonia. - Talvez, meu namorado esteja sendo um pouco rabugento. - Retrucou, mesmo sabendo que ele estava certo. Para a sorte dele, sequer sabia se teria coragem de fazer algo do tipo novamente tão cedo. - Que bom que gosta, porque eu gostei de te chamar assim.
Aylin estava deslocada. Não por terem a deixado assim, mas porque ela mesma estava muito pensativa com tudo que acabara de acontecer. Sinceramente? Odiava ter que escolher entre opções péssimas, e foi bastante omissa ao escolher a que claramente todos achavam burrice. Fez isso exatamente para que seu voto não fosse sequer contabilizado. Usar um medalhão que sabe-se lá o que poderia fazer consigo e ainda dever um favor claramente não era uma das melhores opções... E se fosse egoísta, teria votado na opção de Zafira, mas não podia colocar os outros numa situação tão complicada. Ainda sim, era a única opção que poderia "confiar", e isso entre várias aspas, porque já nem sabia mais no que ou em quem poderia acreditar. Estava do lado de fora da casa, sentada numa escadinha que dava para uma das portas quando ouviu a voz de Dante e esboçou um leve sorriso. Sabia o quanto todos estavam abatidos, ainda mais com outras discussões acontecendo. Assentiu e segurou a mão dele, se levantando em seguida. - Também estou precisando dar uma volta. O clima está um pouco... Pesado. - E estava, ficar dentro da casa estava lhe trazendo uma sensação péssima. - Como você está? Digo, com tudo isso? As opções não eram das melhores né. - Eram péssimas, todas absurdas, a ponto de chegar a cogitar se aguentariam manter aquilo até que a maldição fosse quebrada.
O sorriso nos lábios de Aylin ocasionou um semelhante nos de Dante, em uma demonstração de leveza que somente ela conseguiria ocasionar em meio a um clima tão ruim. Descobrir da existência de mais três possíveis soluções para a névoa que tomava a cidade fora uma surpresa, mas o tamanho do preço que todas as outras exigiam o surpreendeu ao escutá-las — considerando que nada mais fora exigido pelo necromante além de um negócio lucrativo. “Acho que falar que tá pesado é um pouco de eufemismo ainda.” o clima estava desagradável e, até onde sabia, ao menos duas pessoas pareciam já ter entrado em uma briga depois da votação em grupo. Realmente não estava sendo uma noite agradável. “Sinceramente?” indagou de forma retórica e entrelaçou os dedos de ambos, ao começar a andar. “Não muito feliz. Eu não acho que teria ficado feliz com qualquer uma das opções, mas não consigo ficar muito animado com a ideia de dever favores que não faço ideia do preço. Com a minha sorte, duvido muito que vá cair pra mim só fazer elogios sobre a Amara por aí.” fez uma careta. “Mas, fazer o quê. Não adianta ficar chorando por leite derramado, e eu ainda acho que tinha opção pior. E você?”
Ainda sentia um pouco do peso da opção de Zafira... Em como os outros iriam precisar esquecer alguém ou as memórias quanto a essa pessoa, em como ficaria incerto caso eles não quebrassem a maldição, e ainda por cima, tinha a questão do segredo revelado que causou uma grande briga. Odiava ser a pessoa a dar más notícias, mas não teve opção. - Que palavra usaria então? - Usar de eufemismos parecia a melhor opção, ao menos, não pioraria as coisas. Estavam todos assustados e perdidos. Era um tiro no escuro escolher qualquer que fosse a oferta. - A do espelho? - O questionou quanto a "opção pior", já que poderia até ser para a maioria, mas para Aylin, era a que parecia mais fácil de acatar. - Também não estou muito confortável, mas acho que também estou sem moral para falar qualquer coisa a partir do momento que optei por queimar o meu voto. - Não poderia reclamar do resultado, e nem iria. Apenas aceitaria seu destino e faria o que tivesse que fazer. - E além do favor, temos o tal do medalhão. E a ideia de que alguns aguentam mais do que outros também me incomoda... Porque se eu for uma fracote, estarei prejudicando o outro. - Isso a deixava mais nervosa do que ter que prestar um favor para Amara. Não parecia justo alguém ficar apenas um único dia enquanto outro teria que lidar com as consequências por uma semana... Os efeitos eram diferentes sobre cada um, mas não queria carregar mais um peso, o de que não conseguia sequer ajudar.
Após encerrar a sua conversa com Helena, a primeira coisa que Dante fez, foi descobrir onde Aylin se encontrava. Não estava com um humor exatamente exemplar depois dos acontecimentos daquele dia, e a escolha de uma opção que era a segunda que menos estava disposto a aceitar — porque ainda era um pouco mais oposto à ideia do espelho de Zafira —, mas não existia nada que pudesse fazer agora que a votação estava encerrada, então, uma hora ou outra teria de retornar à sua normalidade. Em todo caso, ainda tinham de aguardar que a sacerdotisa aparecesse para que pudessem traçar os próximos passos, e de nada adiantaria somente sentar na sala e aguardar com muita paciência a chegada dela. E não havia ninguém com quem quisesse estar mais ao lado naquele momento, do que Aylin, que sempre realizava o feito de mantê-lo com a cabeça devidamente no lugar — não por nada que a havia chamado de sua calmaria anteriormente. “Lin,” a chamou, estendendo a mão na direção dela. “Quer dar uma volta? Eu não aguento ficar mais um minuto aqui dentro. Se não, acho que vou só pro quarto, esperar a hora passar.”
Aylin estava deslocada. Não por terem a deixado assim, mas porque ela mesma estava muito pensativa com tudo que acabara de acontecer. Sinceramente? Odiava ter que escolher entre opções péssimas, e foi bastante omissa ao escolher a que claramente todos achavam burrice. Fez isso exatamente para que seu voto não fosse sequer contabilizado. Usar um medalhão que sabe-se lá o que poderia fazer consigo e ainda dever um favor claramente não era uma das melhores opções... E se fosse egoísta, teria votado na opção de Zafira, mas não podia colocar os outros numa situação tão complicada. Ainda sim, era a única opção que poderia "confiar", e isso entre várias aspas, porque já nem sabia mais no que ou em quem poderia acreditar. Estava do lado de fora da casa, sentada numa escadinha que dava para uma das portas quando ouviu a voz de Dante e esboçou um leve sorriso. Sabia o quanto todos estavam abatidos, ainda mais com outras discussões acontecendo. Assentiu e segurou a mão dele, se levantando em seguida. - Também estou precisando dar uma volta. O clima está um pouco... Pesado. - E estava, ficar dentro da casa estava lhe trazendo uma sensação péssima. - Como você está? Digo, com tudo isso? As opções não eram das melhores né. - Eram péssimas, todas absurdas, a ponto de chegar a cogitar se aguentariam manter aquilo até que a maldição fosse quebrada.
E se tivesse pensado duas vezes teria desistido? - Sabia que ele estava brincando, no entanto, ela aproveitaria daquilo para dramatizar um pouco, e também esperar por uma resposta que com certeza mexeria consigo, como ele sempre conseguia fazer. Após o beijo, deixou alguns selares sobre aqueles lábios, como se fosse difícil separar deles, e de fato era. Não esperava que ele fosse ceder assim quanto ao jantar, mas aquilo arrancou um largo sorriso da Yilmaz. Ainda não sabia quando seria, e nem mesmo se acabaria acontecendo, mas se acontecesse, realmente queria a companhia dele. - Só um jantar! Não te peço mais nada por pelo menos um mês! - E teria que cumprir com sua palavra, ainda mais por saber o quanto ele se esforçaria para manter a paz nas curtas horas que poderia durar.
E tinha alguma coisa que você queria falar sobre? - Achava que as coisas que conversaram tinham sido mais do que o suficiente. Aylin não ficaria bem ou confortável ao saber sobre os outros encontros de Dante. As únicas coisas que sabiam era com quem não queriam estar, e que fossem juntos no ritual. Já era mais que o suficiente. E tentou manter essa atitude quanto a todo mundo, na verdade, porque poderia ser decepcionante estar com alguém que claramente não iria querer estar com você. Preferia acreditar apenas nas palavras dele e que esse não era o caso de ambos. - Hm, não está tão óbvio assim ainda. Acho que preciso de provas. - O provocou, deixando uma risada escapar. Poderia dizer o mesmo, inclusive. - Sabe que não estou te cobrando nada, né? É muita coisa acontecendo, não tem que ficar pensando na música agora. Não sufoque o artista, ou seja, não se sufoque a você mesmo. - Sequer imaginava que ele estivesse tentando escrever no meio de tudo isso. Poderia ser algo para depois, para quando tudo já estivesse passado. Não tinha pressa alguma para isso. - Algo interessante na biografia? - Com certeza não seria tão interessante como a dele próprio se escrevesse uma. Não era qualquer pessoa que estava debaixo de uma maldição centenária. - Os livros tem alguma anotação que vá me interessar? - Subiu um pouco mais seu olhar para seus olhos com o carinho. E adorava ler e reler as anotações quando recebia seus livros de volta ou pegava algo emprestado. A ajudaria a se distrair.
“Não, porque se eu desistisse só teria evoluído de coitado pra maluco mesmo.” riu com leveza. “O que eu acho que aconteceria seria descobrir antes que, pelo jeito, eu devo gostar de mulheres que não tem pena de mim, quando a mulher desalmada em questão é você. Me desbloqueou um tipo novo.” revirou os olhos, sem dúvida de que continuaria gostando dela independentemente de como ela agisse consigo em momentos mais descontraídos entre ambos. Mais um suspiro escapou e, ao enxergar o sorriso estampado nos lábios dela, Dante concluiu que para algo a sua derrota servia; vê-la daquela forma já o deixava feliz, e compensaria aquele encontro duplo. “O que você não me pede sorrindo que eu não faço chorando…” dramatizou com um tom humorado. “E aí eu espero que a gente não tenha mais ninguém querendo fazer encontro duplo conosco. Não estava ciente de que éramos tão populares.” ironizou.
“Sinceramente,” franziu o nariz em uma careta e levou a mão livre até a nuca, passando os dedos por seu cabelo enquanto tentava elaborar uma resposta. Não existia nada que quisesse questionar Aylin tão diretamente, muito menos que se sentiria confortável em compartilhar, sabendo que poderia chateá-la, ou deixá-la insegura de alguma forma. “Não.” concluiu. “Tudo o que me importa é que tive a sorte da minha alma gêmea ser a pessoa que eu desconfiei desde o início, e que eu queria que fosse. Eu não teria ficado tão feliz com outra pessoa. Acho que não tem mais que faça sentido de falar, do meu lado, além disso. A não ser que você queira falar algo.” falar ou perguntar, mas imaginou que ela entenderia.. “Provas? E de que tipo de mais provas você precisa?” arqueou as sobrancelhas, e abriu um sorriso. “Eu sei, eu sei. Mas eu me cobro, porque quero fazer algo de que você vá gostar. É importante pra mim.” deu de ombros. “É bem boa, quem escreveu foi a esposa dele. Inclusive, eu quase fiz uma tatuagem de um álbum deles uma vez. No antebraço direito.” já tinha uma no esquerdo, mas acabou mudando de ideia sobre aquela. “Vou ter que te emprestar o meu Louca Obsessão. Você vai se entreter lendo minhas anotações sobre um personagem escritor preso com uma fã maluca.” apesar da brincadeira, era um detalhe entre eles que Dante adorava: a maneira como conseguiam entender tanto um do outro simplesmente lendo pequenas anotações literárias, trocadas entre duas pessoas que se interessavam tanto pelo que a outra tinha a dizer. “Te empresto uma mochila pra você levar esse, O Talentoso Ripley e O Jantar. Ou As Viúvas, Novembro de 63... Decido na hora.” concluiu, sabendo que poderia se ocupar horas atrás de uma seleção de títulos.
Não conseguiu conter a baixa risada e concordou com a cabeça com aquela afirmação. - Garotas más e desalmadas são seu novo tipo então? Muitos diriam que não sou nada disso, então acho que você está um pouco equivocado. - "Muitos", no caso, qualquer pessoa de Khadel que a conhecesse. Estava longe de ser qualquer uma daquelas coisas se não fosse apenas na brincadeira. - Hm, não somos populares. Eu não sou, pelo menos. O encontro com Alek e Matteo foi totalmente armado, duvido muito da possibilidade de um com Lara e Babette, e... Quem sabe só tenhamos mais um com Olivia e Nicholas, mas não tenho nem ideia se isso vai acontecer em algum momento. - Talvez, por sua amizade com Olivia, mas não tinha muita certeza. Ainda sim, ficava feliz de não ter que ir sozinha a essas coisas. Iria com o seu namorado. Teria que se acostumar com esse termo novamente, e seria bem fácil.
O "não" foi um certo alívio, porque também não queria falar sobre aquilo. Nem sobre os outros reencarnados, nem sobre os encontros, nada daquilo lhe interessava mais. Negou com a cabeça, não tinha palavras melhores para descrever algo totalmente recíproco. - Tudo que eu tinha para falar, eu já disse aquele dia na cascata. - Quando confessou que ele era sua primeira opção. Dante saber daquilo já era mais do que o suficiente. Pendeu a cabeça para o lado o encarando por alguns segundos. - Hm... Tipo isso aqui. - Não precisava de provas, só queria aproveitar a chance e ter a desculpa para o beijar mais uma vez, mas não que precisasse de uma. Aylin só não era a pessoa de mais atitude, por mais que ambos já fossem próximos e já estivessem claramente com sentimentos um pelo outro, ainda sentia aquele frio na barriga ao beijá-lo e ao estar tão próxima. - Só não precisa ficar se cobrando quanto a isso. Você vai ter muito tempo pra escrever a música, e quando ficar pronta, eu tenho certeza que vou gostar. - Só pelo esforço e por saber que mesmo sem terem um dia de paz nesse último e ele ainda sim pensar sobre, já era motivo para gostar de algo que sequer viu pronto. - E por que não fez? - Não que ligasse muito para tatuagens, e provavelmente nunca faria uma, mas também não se importava com as dele, ou com as que gostaria ainda de fazer, achava até atraente. As citações quanto aos diversos livros a deixava animada, primeiramente, por serem livros, esse assunto sempre a animava; e segundo porque ele também ficava animado quanto ao assunto. Era algo que sempre tiveram em comum, e perdurou por todos esses anos de amizade. - Acho que estou com um pouco de tempo para ler, então por mim eu levo todos. Ainda mais agora que meu namorado me deu uma bronca por ter saído de casa e estou meio que de castigo. - Fez uma careta, mas a frase soou como brincadeira. Sabia que era apenas preocupação e cuidado, e pensando direito, realmente tinha passado um pouco dos limites naquela noite.
Não entendi a graça. - O cutucou com a expressão de quem estava tentando segurar a risada. Não sabia se era por sua fala ou por algo que havia feito, mas conhecia bem aquela cara de quem queria gargalhar. - Você ia se ajoelhar e implorar? Se eu soubesse não teria sido tão boazinha então. - Devolveu a brincadeira antes de ter seus lábios tomados em mais um beijo. Se acostumaria muito fácil com aquilo. Aliás, já estava acostumada, e não sabia se isso era bom ou ruim, porque não conseguia parar de pensar naquele contato toda vez que estavam longe. Suspirou, pensando nas palavras certas para o convencer. Imaginava uma relutância ainda maior de Scarlet, e se dependesse da ruiva, talvez aquele jantar nem mesmo aconteceria... - Nós duas sempre saímos jantar, mas queremos que as pessoas que estamos também vá. - Pendeu a cabeça para o lado. - Scarlet e eu também não somos próximas... Mas isso é importante pra Lena. E eu gostaria que você fosse comigo, não quero ir sozinha, e eu ficaria muito mais à vontade se você fosse. - Era verdade, seria péssimo ficar de vela. - Além do mais, nem sabemos se a Scar vai concordar com isso. Às vezes acaba nem acontecendo. - Tentou usar isso como sua última forma de convencimento.
Mas por que a pergunta? - Agora quem estava curiosa era Aylin. De vez em quando, também lhe surgia aquelas curiosidades, inclusive o que tanto e sobre quem Dante havia falado todo esse tempo. Mas tinha certeza de que poderia ficar chateada e até criar uma insegurança à toa. Haviam coisas que eram melhor não serem ditas. Mas não imaginava que era o caso dele, só que fosse pura curiosidade mesmo. - Meio maluco? - Riu. - Acho que gostei disso, de ser o motivo de uma possível loucura sua. - Ele também a deixava assim, inclusive, parte de seu dia era ele que tomava conta de todos seus pensamentos. Tinha certeza de que estava enlouquecendo. Aylin assentiu, queria muito poder ficar ali, ainda mais com as coisas tão complicadas em casa, mas seria dar um tiro no próprio pé. Só pioraria a situação para ambos. - Ideias de música? - Ficava curiosa com o que ele pudesse ter escrito. - Com tudo isso acontecendo, acho que o bloqueio é meio "normal". - Fez as aspas com dedos. - E o que você andou lendo? - Era algo que os dois sempre conversavam. Inclusive, adorava as anotações quando ele pegava um livro seu emprestado, além dos milhares de post-its que deixava nos livros dele, colorindo quase todas as páginas. - Andei tentando ler alguns livros de suspense... Não é bem o que costumo ler, mas como já não estou dormindo muito bem, então porque não mexer com meu psicológico mais um pouco, não é mesmo? - Brincou na última parte. Thriller estava longe de ser seu gênero favorito, mas ler sobre romances a fazia pensar muito no que estavam vivendo, e drama... Já bastava os empecilhos que os rondavam tentando os atrapalhar.
“Não tem nada pra ter graça.” respondeu, como se não estivesse quase rindo só de falar isso, e a sua expressão continuasse a mesma. Vê-la piscar daquele jeito fora mesmo engraçado. “Se eu soubesse que você gostava tanto de me ver sofrendo assim, teria pensado duas vezes antes de querer te chamar de namorada.” claramente não estava falando sério, não apenas pelo tom irônico em sua voz, mas por ter a beijado mais uma vez após. Deveria ter reafirmado que não tinha o menor interesse naquilo, mas, conforme as palavras da namorada chegavam em seus ouvidos, Dante se percebeu menos firme; principalmente após escutá-la dizendo que se sentiria muito mais à vontade com ele, e que não gostaria de ir sozinha. Resmungou baixo e suspirou, se dando por vencido: “Tudo bem.” não tinha dúvidas de que se arrependeria mais tarde. Mas não queria deixá-la na mão, ou chateada. “Se vai te deixar tão feliz assim, eu posso tentar aguentar um jantar assim… Também não vou ser o namorado chato que te dá um cano de primeira. Prometo que vou tentar conviver direito. Só um jantar, ok?”
“Ah… Sei lá.” gesticulou com a mão, sem saber muito bem como enrolar naquela resposta. “Eu só… Fiquei pensando. Como nós nunca falamos disso.” na verdade, nunca haviam conversado muito em relação aos pensamentos um do outro contra os demais envolvidos naquela história. As reencarnações, as almas gêmeas como um todo, quem não queriam ter como alma gêmea, sim, mas por serem tópicos gerais; a primeira vez que conversaram sobre o assunto de forma mais específica, provavelmente havia sido quando decidiram ir tirar aquela dúvida no quarto ritual. “Você mexe demais comigo, achei até que era óbvio.” riu curto. “É… Se não consigo trabalhar em nada que preste, resolvi tentar fazer outra coisa. E eu ainda te devo uma música, caso esteja achando que eu esqueci. Só não consegui terminar nada ainda.” não achava que estava boa o suficiente, nem à altura dela. Deu de ombros, um tanto incerto; imaginava que o caos na cidade poderia estar dificultando a sua escrita, mas também não estava sendo tão produtivo nos últimos meses. “De mais interessantes, peguei pra reler Rebecca esses dias, e li a biografia do Ian Curtis do Joy Division.” uma banda da qual gostava muito, como ela já deveria saber. Apesar de ter rido um pouco com o comentário seguinte de Aylin, ele não evitou uma certa preocupação com o fato de ela não andar dormindo bem — mesmo duvidando de algum deles estar conseguindo isso. “Se quer ler livros assim, deve ter algum aqui que você ainda não leu, se quiser emprestado. Tenho um monte do Stephen King e a Patricia Highsmith.” ofereceu, enquanto passava os dedos pelo cabelo dela, com carinho.
E se tivesse pensado duas vezes teria desistido? - Sabia que ele estava brincando, no entanto, ela aproveitaria daquilo para dramatizar um pouco, e também esperar por uma resposta que com certeza mexeria consigo, como ele sempre conseguia fazer. Após o beijo, deixou alguns selares sobre aqueles lábios, como se fosse difícil separar deles, e de fato era. Não esperava que ele fosse ceder assim quanto ao jantar, mas aquilo arrancou um largo sorriso da Yilmaz. Ainda não sabia quando seria, e nem mesmo se acabaria acontecendo, mas se acontecesse, realmente queria a companhia dele. - Só um jantar! Não te peço mais nada por pelo menos um mês! - E teria que cumprir com sua palavra, ainda mais por saber o quanto ele se esforçaria para manter a paz nas curtas horas que poderia durar.
E tinha alguma coisa que você queria falar sobre? - Achava que as coisas que conversaram tinham sido mais do que o suficiente. Aylin não ficaria bem ou confortável ao saber sobre os outros encontros de Dante. As únicas coisas que sabiam era com quem não queriam estar, e que fossem juntos no ritual. Já era mais que o suficiente. E tentou manter essa atitude quanto a todo mundo, na verdade, porque poderia ser decepcionante estar com alguém que claramente não iria querer estar com você. Preferia acreditar apenas nas palavras dele e que esse não era o caso de ambos. - Hm, não está tão óbvio assim ainda. Acho que preciso de provas. - O provocou, deixando uma risada escapar. Poderia dizer o mesmo, inclusive. - Sabe que não estou te cobrando nada, né? É muita coisa acontecendo, não tem que ficar pensando na música agora. Não sufoque o artista, ou seja, não se sufoque a você mesmo. - Sequer imaginava que ele estivesse tentando escrever no meio de tudo isso. Poderia ser algo para depois, para quando tudo já estivesse passado. Não tinha pressa alguma para isso. - Algo interessante na biografia? - Com certeza não seria tão interessante como a dele próprio se escrevesse uma. Não era qualquer pessoa que estava debaixo de uma maldição centenária. - Os livros tem alguma anotação que vá me interessar? - Subiu um pouco mais seu olhar para seus olhos com o carinho. E adorava ler e reler as anotações quando recebia seus livros de volta ou pegava algo emprestado. A ajudaria a se distrair.
Ainda não conseguia entender como alguém como Olivia poderia ter inveja de si... "Inveja de sua bondade", algo que alguém jamais lhe disse, algo que ela mesma julgava como uma grande fraqueza. - Não é porque perdeu que não consiga achar novamente, Liv. Você é uma pessoa boa. Você é praticamente perfeita. - Uma perfeição que Aylin chegou a buscar por um tempo. Olivia era popular, bonita, atraente, divertida, tudo que qualquer garota já desejou ser ao menos em algum momento de sua vida. - E mesmo sendo só "instinto", você conseguiu superar muitas coisas. Se dê ao crédito um pouco. - Sentiu aquele beijo carinhoso, algo que não vinha tanto da Boscarino assim, mas aceitou aquele gesto de bom grado. Assentiu com a pergunta, com um leve sorriso involuntário que se formou. Mas não eram lembranças tão felizes assim para sorrir. - Quando namoramos da primeira vez. E mais algumas vezes depois, enquanto só amigos. Sempre acontecia algo, como aquela enchente que teve em Khadel, lembra? Ou na vez que fiquei doente... Ou na época que o Dante ficou preso aqui até arrumar a moto dele que tinha fundido o motor... - E poderia lidar outras vezes, até sua desistência. - Todo mês de agosto... - Aylin tinha esquecido totalmente desse detalhe. Agosto era sempre o mês das desgraças em Khadel, era o mês da maldição. - Talvez seja só mais uma das coisas da maldição da Rose. Todo esse surto, esse mês... Já descobrimos nossas almas gêmeas, a Zafira nos avisou sobre a maldição tentar atrapalhar, lembra? - E agora as peças se encaixavam, talvez Zafira só quisesse os avisar sobre esse mês tenebroso que se aproximava. E quando o mês terminasse, talvez tudo voltasse ao normal.
Eu acredito que não. A Zafira nos trair depois de entregar a própria vida para nos ajudar a sentir? Porque ela faria isso? - Não havia motivação, a não ser que não estivessem conseguindo enxergar. Mas não conseguia ver maldade na cigana, mesmo que não devesse confiar tanto nas pessoas assim. Aylin deu um leve sorriso ao ouvi-la falar sobre se apaixonar ser a parte mais fácil. Também achava isso. - E como vocês estavam? No caso, depois das confirmações e antes disso tudo? Eu infelizmente não sei nada sobre o Nick para te ajudar a ficar mais tranquila. - Queria ao menos ter alguma notícia, mas sabia da maioria meio por cima, e só torcia para que Nicholas estivesse bem e seguro. Podia sentir suas bochechas queimarem, acontecia com muita frequência quando ficava acanhada com algo. - Ah... Estamos bem. - O sorriso fora involuntário. - Eu estou feliz dele ser minha alma gêmea, meio que faz sentido pra mim.
Olivia deixou escapar uma risada frágil, enxugando discretamente os olhos com a ponta dos dedos ao ouvir Aylin chamá-la de perfeita. Doía, porque perfeição era tudo o que tentaram enfiar goela abaixo nela a vida inteira, e era justamente o que a despedaçava por dentro, porque havia muito esforço para agradar alguém que nunca estava satisfeita com o que via: sua mãe. — Correção: eu sou boa em fingir ser perfeita. — murmurou, a voz rouca de emoção, mas havia ternura no olhar. — Mas eu agradeço… mesmo. Você me ver assim me ajuda a acreditar um pouquinho. — apertou de leve a mão da amiga, como se precisasse daquele fio de realidade para se segurar. O sorriso ao ouvir sobre as tentativas frustradas de fuga com Dante foi genuíno, quase se divertindo com as tentativas frustradas de saírem da cidade. Se não fosse toda a história de maldição, as cenas poderiam ser uma boa comédia romântica. — Então quer dizer que aquela enchente horrorosa foi culpa dos dois bonitos tentando sair de Khadel? — colocou as mãos na cintura, como se fosse uma bronca, mas o riso frouxo denunciava a brincadeira. Tentava não pesar mais o clima, não sabia quanto tempo ela poderia ficar, então queria aproveitar os minutos de falsa paz para recuperar as energias.
Ouvia as suposições para o acontecimento atual de Khadel, e concordava com a cabeça, como se absorvesse o que ouvia. Realmente, a cigana havia alertado, mas nada os havia preparado para tamanho caos. A expressão de Olivia endureceu, como se cada palavra fosse uma confirmação silenciosa do medo que vinha tentando ignorar. O alívio veio ao ouvir a defesa sobre Zafira, e ela acenou devagar, ainda um pouco inquieta. — Eu também não consigo imaginar. Ela não faria isso, não depois de tudo. — afirmou, ainda que no fundo uma pontinha de dúvida latejasse em algum canto escondido. E se tudo tivesse sido mentira ou fingimento da cigana? O sorriso, no entanto, surgiu nos lábios logo que o assunto mudou. — Estamos indo por um bom caminho, eu acho. A gente se reconectou esse ano, é tudo muito... intenso. — deixou escapar um riso de nervosismo. Pensar em Nicholas e na situação dos dois sempre lhe dava frio na barriga por diversos motivos. — Eu só sei que ele não tem mais ido ao The Loft. Eu espero que ninguém tenha machucado ele, porque o Matteo foi ferido. — Ouviu através do irmão que Nicholas não estava mais indo ao The Loft, mas o homem se recusou a contar qualquer outra coisa. Fosse pela névoa ou pela relação esquisita dos dois, Marlon não estava muito disposto a ajudar a irmã. Ouvir sobre a relação amorosa da amiga lhe fez sorrir com uma doçura muito distinta da personalidade ácida de Olivia, mas era verdadeiro. — Você merece estar feliz, Lin. Vocês dois merecem. E sabe o que é engraçado? Você e Dante foram os únicos que se envolveram com sua alma gêmea antes de tudo, não foi? Faz muito sentido serem vocês mesmo. —
Não imaginava que Olivia pensasse aquelas coisas de si mesma. Tão popular, cheia de si, bonita, e ainda sim, quebrada. Estava cada vez mais claro de que Khadel vivia a base de imagens. Ela própria fazia isso com a imagem de "filha perfeita", sempre obediente, que sabia se calar na hora certa e que não retrucava quando algo lhe era mandado. - Ninguém é perfeito. E está tudo bem não ser. Você não precisa ficar fingindo, Liv. - Não sabia se conhecia a musa profundamente para saber o que era fingimento e o que não seria, mas isso pouco lhe importava naquele momento. Vê-la um pouco mais leve, um pouco mais calma, mesmo com o rosto ainda um pouco inchado, lhe trazia alívio. Não conseguiria ficar bem sabendo o quão mal ela estava, e arrancar ao menos um pequeno sorriso da outra já lhe era o suficiente. - Sim. E a vez que torci o tornozelo, a vez que a igreja do meu pai foi roubada, e... A lista é um pouco grande. - Devolveu a brincadeira, mesmo que fosse verdade. Se não era a maldição lhes impedindo, com certeza eram muito azarados.
"Ela não faria isso, não depois de tudo", também queria acreditar muito naquilo. Ela mesma havia dito que entregou a própria vida para que descobrissem suas almas gêmeas, mas infelizmente, a única coisa que tinham eram as palavras dela. Custava a eles acreditarem ou não. - Eu não consigo imaginar que ela tenha mentido para nós. Se ela mentiu, então tudo que eu estou sentindo é uma mentira também? - Não queria imaginar que fosse, não seus sentimentos por Dante, e também tudo que sentiu perante suas amizades e até os que eram "desconhecidos". Era muita coisa para tudo ter sido só uma brincadeira. "Intenso", era a palavra exata para descrever tudo que passaram. - O Matteo? Ele está bem? - Saber que alguém se machucou em meio a tudo isso não era um bom sinal, era assustador. - Se eu soubesse qualquer coisa sobre o Nick, eu te falaria. Mas ele deve estar bem, provavelmente seguro. E isso vai passar logo, e vocês vão poder se ver em breve. - Queria manter essa positividade, porque senão, nada mais lhe restaria. E esperança era algo que a Yilmaz tinha de sobra. - Acho que faz, né. - Inclusive, os dois não terem tido o asco, terem mantido a amizade, tudo fazia muito sentido para si. - É a primeira vez que quero lutar pra que algo dê mesmo certo, sabe? Eu não quero perder ele de novo. Da outra vez, eu não liguei muito pra isso, na verdade. Mas agora, eu estou surtando só de ficar alguns dias sem vê-lo. Eu sinto muita saudade dele. É estranho, mas é bom também. - Inclusive, ali e agora, sentia falta dele.
Não, não. Não tem pra quê. Consigo dar conta. - Aylin tentou dar uma piscadinha, igual Dante fazia. Só que tinha um porém: ela não sabia fazer isso direito. Não conseguia piscar apenas um olho. - Claro que me preocupo com seu bem estar. Que tipo de namorada eu seria se te privasse de algo que vai te fazer surtar? - E o surto seria duplo, porque já se via num estado péssimo só de não poder vê-lo nos últimos dias. Estava se acostumando com os pequenos encontros que combinavam no decorrer da semana após o último ritual em julho, então quando as coisas começaram a acontecer em agosto, já se via bem mal acostumada. Quando questionada sobre mentir mal segurou o riso, sabia muito bem que era uma péssima mentirosa, inclusive, sequer gostava de mentir. - Não tem nem uma chance mínima? Mesmo mesmo? - Juntou o polegar e o indicador, na intenção de mostrar o quão pequena poderia ser a possibilidade. - Mas é que… A Helena já meio que convidou. E eu meio que já concordei… - Levantou um dos ombros, explicando a situação num tom um tanto manhoso. Helena era a melhor amiga de Dante, então quando aceitou, não tinha pensado muito sobre como ele e Scarlet não se gostavam. Aylin também não era a maior fã da ruiva, mas não estava vendo muito problema com a ideia do jantar. - Não sei… Mas depois dessa história do jantar, consigo ver a fumaça saindo da sua cabeça… - Apontou para o rosto já não tão contente com a ideia “absurda”.
Sobre como eu me sentia e tal? Uhum. - Concordou com a pergunta, mesmo que tivesse conversado muito pouco sobre as coisas das almas gêmeas e a reencarnação com outras pessoas. - Acho que… Mais com a Helena. E bem pouco com uma amiga do retiro. - A qual parecia ter adorado as histórias sobre encontros, conhecer outras pessoas daquela maneira e finalmente se dar liberdade para sentir algo diferente. Só deixou alguns assuntos de lado, como as possibilidades quanto aos casais e nem sequer citou sobre os rituais. - Nada? - Perguntou, mas um pouco boba. Também nada fazia diferença mais para si agora que estavam juntos. A única coisa que importava era como levariam dali em diante. - Ah não. O drama com certeza é a convivência. Acho que estou me saindo bem até. - Brincou com ele, deixando um rápido beijo em sua bochecha ao que se aproximaram. - Eu também gostaria de ficar, pra ser sincera. Mas acho que se alguém descobrir, colocam fogo nesse prédio. - As pessoas estavam malucas o suficiente para chegarem a um ponto tão extremo? Não sabia. Mas estava bem longe de querer arriscar. - Eu li a maior parte do tempo. Comecei um estudo bíblico novo também. Tentei algumas receitas que aprendi com as senhoras, algumas deram certo. - E mesmo assim, o tédio continuava a lhe consumir. - E você?
A tentativa de Aylin de dar uma piscadinha — pelo menos, Dante esperava que fosse isso, e não algum espasmo estranho — imediatamente o fez querer rir, e ele precisou de muito esforço para não soltar um riso alto ali mesmo; se contentando em comprimir os lábios e assentir com a cabeça, mesmo sabendo o quão mal estaria disfarçando. “Nossa, que alívio. Já estava considerando me ajoelhar e começar a te implorar pra ter piedade de mim e não ser tão desnaturada.” ironizou. Em seguida, se inclinou para beijá-la rapidamente. Nem mesmo os questionamentos seguintes dela foram suficientes para fazê-lo parar de ver o encontro duplo como algo além de uma furada. “Eu tenho certeza de que a Scarlet não concordou, então, vocês podem sair e jantar vocês duas, e nós ficamos cada um na nossa casa. Todo mundo sai feliz.” retrucou. A sua única esperança naquela história era ter certeza de que a Devereaux odiaria aquela ideia tanto quanto ele. “Não tinha pensado nisso antes, mas acho que já entendi como o Rafael acabou daquele jeito.” fez uma careta. “Lin, eu saio pra jantar com você onde quiser, mas sem chances disso, pode avisar pra ela que não vai rolar. Desculpa.”
“Entendi…” continuava com incontáveis dúvidas em sua mente, mas simplesmente não sabia como a questionar diretamente, muito menos se gostaria de escutar a resposta que poderia existir por trás. Por isso, resolveu não dar a si mesmo corda para se enforcar naquele tópico e resolveu apenas sorrir como complemento. “É… Nada.” franziu o cenho de leve, e acabou rindo. “Não tem motivo pra comparar os outros relacionamentos que eu já tive com o nosso. Não fazem diferença alguma pra mim agora. Já te disse, não senti com nenhuma ex 5% do que você causa em mim. Você me deixa meio maluco, Lin.” esperava que ela entendesse o que queria dizer; como era único o que tinham, como apagava com facilidade quaisquer envolvimentos passados por não terem aquela mesma importância. “Ficando dramática por osmose, fantástico.” ironizou, sorrindo ao sentir o beijo em sua bochecha. “Pois é. E eu só não sugiro de você ficar aqui por conta disso. Do jeito que as coisas andam, o sensor de insanidade deles ia apitar pra dois de nós juntos.” e, também, porque o próprio pastor viria para iniciar o fogo no prédio. “Até rascunhei umas ideias de música aqui e ali, mas de trabalho não saiu nada. Acho que tô com bloqueio, sei lá. Aí acabei só lendo na maior parte do tempo, também. Leu alguma coisa que valha comentar?”
Não entendi a graça. - O cutucou com a expressão de quem estava tentando segurar a risada. Não sabia se era por sua fala ou por algo que havia feito, mas conhecia bem aquela cara de quem queria gargalhar. - Você ia se ajoelhar e implorar? Se eu soubesse não teria sido tão boazinha então. - Devolveu a brincadeira antes de ter seus lábios tomados em mais um beijo. Se acostumaria muito fácil com aquilo. Aliás, já estava acostumada, e não sabia se isso era bom ou ruim, porque não conseguia parar de pensar naquele contato toda vez que estavam longe. Suspirou, pensando nas palavras certas para o convencer. Imaginava uma relutância ainda maior de Scarlet, e se dependesse da ruiva, talvez aquele jantar nem mesmo aconteceria... - Nós duas sempre saímos jantar, mas queremos que as pessoas que estamos também vá. - Pendeu a cabeça para o lado. - Scarlet e eu também não somos próximas... Mas isso é importante pra Lena. E eu gostaria que você fosse comigo, não quero ir sozinha, e eu ficaria muito mais à vontade se você fosse. - Era verdade, seria péssimo ficar de vela. - Além do mais, nem sabemos se a Scar vai concordar com isso. Às vezes acaba nem acontecendo. - Tentou usar isso como sua última forma de convencimento.
Mas por que a pergunta? - Agora quem estava curiosa era Aylin. De vez em quando, também lhe surgia aquelas curiosidades, inclusive o que tanto e sobre quem Dante havia falado todo esse tempo. Mas tinha certeza de que poderia ficar chateada e até criar uma insegurança à toa. Haviam coisas que eram melhor não serem ditas. Mas não imaginava que era o caso dele, só que fosse pura curiosidade mesmo. - Meio maluco? - Riu. - Acho que gostei disso, de ser o motivo de uma possível loucura sua. - Ele também a deixava assim, inclusive, parte de seu dia era ele que tomava conta de todos seus pensamentos. Tinha certeza de que estava enlouquecendo. Aylin assentiu, queria muito poder ficar ali, ainda mais com as coisas tão complicadas em casa, mas seria dar um tiro no próprio pé. Só pioraria a situação para ambos. - Ideias de música? - Ficava curiosa com o que ele pudesse ter escrito. - Com tudo isso acontecendo, acho que o bloqueio é meio "normal". - Fez as aspas com dedos. - E o que você andou lendo? - Era algo que os dois sempre conversavam. Inclusive, adorava as anotações quando ele pegava um livro seu emprestado, além dos milhares de post-its que deixava nos livros dele, colorindo quase todas as páginas. - Andei tentando ler alguns livros de suspense... Não é bem o que costumo ler, mas como já não estou dormindo muito bem, então porque não mexer com meu psicológico mais um pouco, não é mesmo? - Brincou na última parte. Thriller estava longe de ser seu gênero favorito, mas ler sobre romances a fazia pensar muito no que estavam vivendo, e drama... Já bastava os empecilhos que os rondavam tentando os atrapalhar.