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@bategan
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Um convite à reflexão aos meus amigos que, assim como eu, são atores criadores.
Com toda a licença, lhes faço uma pergunta. Você faz sua arte em prol de que?
Tenho refletido sobre essa questão há algum tempo e essa inquietação sempre me retorna ao circular pelas redes sociais e ver, cada vez mais, colegas atores se aventurando a criar o próprio conteúdo.
Inevitavelmente, me pergunto. A que significado forte sua arte está ligada?
Nos tempos das redes sociais, em que a criação é, mais do que nunca, democratizada entre atores e não atores, creio que é preciso entender e se apropriar desta ferramenta, é uma forma básica para isso é poder se perguntar, de partida, onde você quer chegar ao botar no mundo a sua própria criação.
Seria o caso de uma vaidade?
É indiscutível que somos muito seduzidos pela lógica das redes. Não é pra menos! Os relatos sobre a exigência de um número x de seguidores nos castings são cada vez mais frequentes e nos fazem pensar que é praticamente impossível separar a vida do ator da vida de um influencer digital. Mas isso é só uma impressão.
O consumo das redes sociais é alienante em sua origem e finalidade. TikTok, Reels, YouTube Shorts, todas essas engrenagens capitalistas visam a criação de uma forma de lazer em que o pensamento crítico seja inviabilizado. Explico: a inatividade perante os vídeos que passam ininterruptamente na tela de acordo com um algoritmo operam tal como a televisão, tão criticada desde sua origem. O espectador fica passivo durante a exibição dos programas, se tornando um depositário de informações mastigadas e infinitas. O programa não para! Da mesma forma funcionam os vídeos das redes sociais, porém de maneira mais rápida. Os vídeos, cada vez mais curtos, cativam o espectador e o fazem mudar de estímulo antes mesmo da possibilidade de uma assimilação de conteúdo criticamente denso e, assim, não existe tempo lógico disponível para que o consumidor elabore sobre o que é visto se ele mesmo não for capaz de furar o ciclo e calar a rede por um instante que seja.
Voltamos à pergunta.
Seu conteúdo está a serviço dessa maquinaria adoecedora do capital? Ou você está engajado com uma mudança que vem de dentro?
Da mesma forma, é possível produzir um conteúdo para as redes que busque furar a alienação a partir de dentro. Eu acredito nisso, pelo menos. Não é simples, mas quando há um pensamento crítico envolvido, você pode se comunicar com o grande público para expor um pensamento que justamente fure a lógica que sustenta essa máquina. A efetividade desse tipo de ação é discutível, afinal, ao se utilizar da máquina, independentemente de qualquer coisa, você a fortalece.
Não defendo que há certo ou errado. Mas sim que é preciso poder dizer alguma coisa sobre esse tema que vá além do “eu gosto”, “eu não gosto”. É preciso estranhar o corriqueiro e poder se perguntar: mas o que eu quero para a minha arte? (Evitaríamos, inclusive, tanta propagação de conteúdo bobo se nos fizéssemos essa simples pergunta.)
Afinal, este é nosso ofício! E não podemos esperar que nos levem a sério e que preservem nossos direitos dentro da sociedade se nem nós mesmos compreendemos o nosso fazer a partir de um ponto de vista social, comprometido com a produção de subjetividade e com a capacidade de intervenção nas comunidades. A rata é de uma potência dialógico enorme, que toca justamente nas subjetividades. Como não pensar sobre o efeito daquilo que escolhemos botar no mundo?
Peço licença ao Brecht para fazer um paralelo que ultimamente tem feito muito sentido para mim quando me deparo com esta inquietação.
Produzir por produzir pode fazer com que sua criação se torne um aleijão e que, ao grito de felicidade de quem conseguiu criar uma coisa nova, responda um grito universal de horror.
Pensemos sobre aquilo que almejamos para nós e que, inevitavelmente, respinga sobre nossos colegas de profissão.
im not a people pleaser anymore im a huge cunt now
me after setting one (1) boundary
잘 부탁드립니다, Please take care of this
2009
I don’t take hints. Throw a rock at me