i found an island in your arms {bei-ja-min, dezembro 1971}
Aquele ambiente era muito familiar, as pessoas conversando alto e a música ressoando pelo recinto preenchendo todo o restante do espaço de uma forma tão natural. Benjamin crescera sem magia, então até certa idade as facilidades obtidas pelo mundo bruxo não lhe eram comum, e atmosferas como aquela lhe traziam um certo conforto. Agradeceu à reposição das bebidas e deu um novo gole da cerveja, que desceu por sua garganta com um amargor delicioso e gelado. Apesar de ter apreço pelo firewhiskey normalmente servido nos bares bruxos, havia algo de especial em pubs trouxas que o faziam sempre voltar. Talvez fosse um escape de uma realidade, ou apenas o fato de estar entre pessoas sabendo que tinha um segredo a guardar. De qualquer jeito, era uma sensação boa.
— I’m thrilled. — Respondeu, fitando o mais velho. — Who knows what I’ll face? I’ve only ever known the spirits from Hogwarts, there’s a whole new world to discover. — Olhou para cima, esperançoso. Havia pensado sobre todas as possibilidades do que encontraria em seu trabalho, e tudo o animava. Tinha muito mais no mundo além do Barão Sangrento e fantasmas, espíritos eram toda uma categoria de criaturas, e aquilo o fascinava. Mal poderia esperar o que iria encontrar. Estava prestes a dar mais um gole de sua cerveja quando percebeu Stairway to Heaven começar a tocar outra vez. — No way. — Disse. — I mean, I like Led Zeppelin, but that’s too much even for me. — Levantou-se e caminhou até a jukebox que ficava no canto do ambiente. Tateou o bolso e tirou algumas moedas dali, encontrando apenas alguns sicles. Frustrado, virou-se para um homem que estava parado apreciando uma cerveja. Explicou que estava sem trocados e ele pareceu compadecer-se com Gore, que conseguiu algumas moedas trouxas. Inseriu o dinheiro na máquina e selecionou a música Break on Through, de The Doors, voltando ao lado de Benjy logo em seguida. — Soon it will be over. — Lançou-lhe um sorriso.
O sorriso de Benjy se alargou ao ouvir a resposta do rapaz. Havia pouco tempo que conhecia Ben, mas nunca o tinha visto daquela maneira, como se mal pudesse (ou quisesse) conter o seu próprio entusiasmo. Naquela noite, Gore parecia pouco do jovem que o mais velho começara a aconselhar havia algumas semanas – parecia mais leve, talvez porque livre de preocupações com a sua permanência no mundo bruxo e com seu próprio futuro. Fenwick não podia deixar de se identificar com aquele sentimento, tendo ele mesmo trilhado um caminho parecido há apenas um par de anos. – I hope it’s everything you wished for and more, mate. You deserve it – pontuou, erguendo a caneca como em um brinde e sorvendo a cerveja em seguida.
O obliviador não pôde deixar de se surpreender à reação alheia sobre o replay de Stairway to Heaven, soltando uma risada leve. Enquanto o mais novo se levantava e partia em direção à jukebox, Benjy o observou com o rabicho do olho, demorando-se um segundo ou dois na figura esguia antes de voltar-se para frente novamente. Havia curiosidade em seu olhar quando Ben voltou a sentar-se, e suas sobrancelhas se arquearam diante da promessa do rapaz. Fenwick reconheceu a melodia assim que as primeiras notas ecoaram das caixas de som. – You have pretty good taste. – admitiu, tamborilando os dedos sobre a superfície de madeira, como se emulasse o ritmo da música. – I got this record when I left Hogwarts. Quite a debut, innit?