As imagens passavam rapidamente na mente de Amy como se a mesma estivesse assistindo a um filme, e não vivendo-as de fato. Ainda se lembrava com clareza de quando acordara naquela mesma manhã, decidida a permanecer no quarto ao invés de ir para o luau, afinal, por mais que costumasse adorar aquela data em especial, na qual se sentia sempre contagiada pelo clima de amor que quase todos pareciam emanar, naquela semana estava especialmente desanimada, e se não fosse pela insistência de Greta, certamente passaria o Valentine’s Day em uma maratona de filmes e muita pipoca. Aquela ainda era uma das últimas memórias claras que tinha em sua mente, pois depois disso, apenas se lembrava de ser praticamente arrastada pela melhor amiga em direção ao lago, onde todos pareciam extremamente felizes comendo marshmallows e tocando músicas animadas ao redor da fogueira.
Inicialmente, Amy ainda estava um tanto desconfortável, observava os colegas oferecendo-a copos com sorrisos bobos no rosto, e embora aquilo fosse contra seus princípios, não demorou muito para que acabasse contagiada por todo aquele clima, e cedesse.
Apenas se lembrava de tomar levar os copos aos lábios sem a noção do que continham. Tudo o que sabia, era que a bebida descia quente por sua garganta, lhe arrancando uma careta ao final, mas logo em seguida, vinha uma sensação nova e diferente. Seu corpo não estava esquentando apenas pela chama da fogueira, as pessoas pareciam cada vez mais interessantes, e Amy só conseguia rir, sem se preocupar com o que a afligia segundos antes.
A partir daí suas memórias estavam embaralhadas, lembrava-se de fragmentos de conversas, músicas, e muita risada. Nem ao menos percebeu o tempo passando tão rápido, e apenas quando quase todos iam embora, a garota se levantou cambaleando, seguindo um grupo que tentava voltar discretamente para os dormitórios. Virou um último copo com um líquido vermelho, experimentando de novo aquela sensação de adrenalina nova e que parecia aos seus olhos algo tão errado, e quando chegou ao corredor em que o grupo se dispersou, Amy olhou para os dois lados, estreitando os olhos para tentar achar o caminho que levava ao próprio dormitório, porém, sentia as pernas bambas, uma palpitação aguda em sua cabeça, e a sensação de que as paredes a seu redor estavam girando ligeiramente.
Por algum motivo, seu humor parecia extremamente sensibilizado por conta do álcool que corria no sangue, e o pensamento de sua discussão com Amos alguns dias atrás não lhe saia da mente. Sentiu a necessidade de esclarecer tudo naquele exato momento, e por tal motivo, virou no corredor que levava aos dormitórios masculinos, fazendo um grande esforço para manter o andar em linha reta enquanto se apoiava nas paredes, até o momento em que se deparou com a porta que esperava ser a certa.
“AAAAAAMOOOOSSSS!” Gritou em um tom alegre e cantarolado, sua voz saindo bem mais alta do que parecia na mente.