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sevdiklerimi darlama Ĺźeklim...
“Amou daquela vez como se fosse a última.”
— Chico BuarqueÂ
NĂŁo pude mudar a visĂŁo que sempre tive e ver alĂ©m da vida cinza que tivemos, mas pude pĂ´r no mundo algo tĂŁo bonito: a intenção de que a vida lhe seja mais do que mereces e o melhor que possa ser. Para muitos, isso Ă© Ănfimo. Para mim, tĂŁo intensa e torturante, isso Ă© sublimar. Que a vida o abrace por todas as vezes em que nĂŁo o fizemos. Aprendi a nĂŁo depender de que ela fizesse isso por mim. Minhas costas sĂŁo de seguir em frente, nĂŁo de fuga ou recĂproca rejeição. Espero que cesse o seu vazio existencial ao ser contente, ainda antes da passagem pelo fim do caminho de todos os desencontros.
(Branckaper)
Está tudo bem depois do tempo que parecia nĂŁo passar. A beleza da folha, agora Ă© de folha seca, mas nĂŁo deixa de ser bela. Contaria meus dias sobre ela e para ela, principalmente se soubesse transcrever o silĂŞncio sobre aquilo que hoje fez sentido. Uma missĂŁo cumprida com o mĂnimo possĂvel de avarias, sĂł para que pudesse cessar. Uma histĂłria grata, entendida e amada.
(Branckaper)
Quando se quer alguĂ©m inteiro por perto, qualquer fração genuĂna dele Ă© um pouco que parece nada. (Branckaper)
Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão. Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer - nessa pequena luta por não perder a consciência e entrar no mundo maior - muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho. (...) Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão. Oh pelo menos no começo, só no começo. Logo que puder dispensá-la, irei sozinha. Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta mão não me assusta. A invenção dela vem de tal idéia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não vejo, é por incapacidade de amar mais. Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso? Logo que puder dispensar tua mão quente, irei sozinha e com horror. (...) Embora eu saiba que o horror - o horror sou eu diante das coisas.
A paixĂŁo segundo G. H. de Clarice Lispector (1964)
Até então eu não tivera a coragem de me deixar guiar pelo que não conheço e em direção ao que não conheço: minhas previsões condicionavam de antemão o que eu veria. Não eram as antevisões da visão: já tinham o tamanho de meus cuidados. Minhas previsões me fechavam o mundo. Até que por horas desisti. E, por Deus, tive o que eu não gostaria. Não foi ao longo de um vale fluvial que andei eu sempre pensara que encontrar seria fértil e úmido como vales fluviais. Não contava que fosse esse grande desencontro.
A paixĂŁo segundo G. H. de Clarice Lispector (1964)
Já que fatalmente sucumbirei à necessidade de forma que vem de meu pavor de ficar delimitada - então que pelo menos eu tenha a coragem de deixar que essa forma se forme sozinha, como uma crosta que por si mesma endurece, a nebulosa de fogo que se esfria em terra. E que eu tenha a grande coragem de resistir à tentação de inventar uma forma.
A paixĂŁo segundo G. H. de Clarice Lispector (1994)
SĂł posso compreender o que me acontece mas sĂł acontece o que eu compreendo.
A paixĂŁo segundo G. H. de Clarice Lispector (1964)
É difĂcil perder-se. É tĂŁo difĂcil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.
A paixĂŁo segundo G. H. de Clarice Lispector (1964)
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/off. Do grande vĂcio em controle.
Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro. Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.
A paixĂŁo segundo G. H. de Clarice Lispector (1964).
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/off. Sobre parar de fugir da realidade e ser vocĂŞ mesmo.
Eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente – atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar.
A paixĂŁo segundo G. H. de Clarice Lispector (1964)
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/off. A compreensĂŁo do oposto daquilo que assombra nosso alvo.
Só se quer o que nos falta. Podemos jogar, conquistar e até obter, mas o que nos faltava tem sua própria falta e, cedo ou tarde, começa a persegui-la, enquanto escapa de nossas mãos, escorrendo como água. O ideal é não querer tanto algo externo e tentar não nos odiar quando ficamos a sós em nós mesmos.
(Branckaper)
É, mas tenho ainda muita coisa pra arrumar... Promessas que me fiz e que ainda não cumpri.
(Pra rua me levar - Ana Carolina)
The universe gives you back everything you do.