Às vezes me desespero tanto, que esqueço a fortaleza que sou. Me apresso tanto, me cobro tanto, me esforço tanto, que me afogo em tamanha imensidão. É normal não saber para onde ir? Achar que já percorreu todos os caminhos possíveis que a vida te deu, e ainda assim, ser consumida pela sensação de não estar fazendo nada ou de não ter chego em lugar algum? Entre aquilo que é aceitável e o que faz sentido, eu fico com o sentido. Nenhuma dessas convicções podem ser reais, mas são tão palpáveis que penso estar à beira da loucura. A sensação é de que estou correndo eternamente em uma esteira que não sai do lugar, mesmo sabendo que já cheguei longe demais, que já conquistei demais. O fato é que viver nesse mundo exige muito. A todo momento recebemos estímulos de que deveríamos ter acordado cinco da manhã, tomado um banho gelado, feito exercícios e completado um checklist com mil atividades para serem executadas em 24 horas, ou menos. Não sei quando exatamente a vida virou essa correria, foi dada uma largada e ninguém sabe onde deve parar para ser considerado o campeão nessa longa jornada. Estamos todos extremamente cansados, deprimidos, ansiosos, insatisfeitos, frustrados e infelizes. Talvez não nessa ordem, nem todos ao mesmo tempo, mas com certeza, nos identificamos com algum deles. Queremos tudo, queremos tanto, a ponto de não saber mais diferenciar o que realmente é de nosso desejo e o que foi implantado em nossas mentes como sinônimo de sucesso e ser bem sucedido. Carros luxuosos, viagens extravagantes, roupas de marca, 10 motos na garagem, celular lançamento... Eu não sei se dinheiro traz felicidade, porém, com toda certeza ele traz algo que poucos tem: qualidade de vida. É o básico. Viver com dignidade. Mas, a que custo? Sonhos genuínos sendo jogados fora, juventudes desperdiçadas, momentos que deixamos de estar presentes no aqui e agora, para viver especulando sobre um futuro incerto, que não depende só da nossa força de vontade. E o pior é saber que muitos não chegam nem perto daquilo que passaram a vida inteira almejando. E aí? Quanto de amargura consegue caber dentro de um ser?