Dá pra comparar?
Esqueçam os méritos fundamentalistas religiosos ou não - avaliem os casos. Observo muita gente questionando a solidariedade para com as famílias dos dezenas de gays mortos no ataque em Orlando do último domingo (12) em detrimento aos religiosos perseguidos e mortos no Oriente Médio e região, que são milhares todos os anos.
Não é questão quantitativa, é questão impacto. Vamos falar de Durkheim.
O psicólogo social francês, pai do método sociológico, esclarece que existem fatos sociais, que independente de qualquer juízo que se coloque, devem ser observados se são normais ou não.
Cristãos morrem todos os dias nesses países, fenômeno intrínseco àquela sociedade, que não causa maiores transtornos aqui no Ocidente, pelo menos não à sociedade ocidental. Não temos que nos esconder por professar uma fé, por exemplo.
Mesmo você, religioso ou religiosa, que se solidariza com as vítimas por lá, não se sente ameaçado por aqui. O fato é distante de sua realidade social.
Não dá pra ignorar, por exemplo, que este caso nos EUA têm ligações com o fundamentalismo radical desses países, tendo o Estado Islâmico reivindicado a autoria do ataque.
Vale lembrar que esse fundamentalismo também tira vida de homossexuais, lá no Oriente, tanto quanto os religiosos. E os casos também passam despercebidos pela mídia.
O caso aqui da América, é um fato que não é normal, pelo menos não em nossa sociedade onde é cada vez mais constante os casos de homofobia, aqui no Brasil, inclusive. Cabe a reflexão, ainda, sobre questões importantes, como legalização do porte de armas, tão defendido entre os congressistas conservadores, e as políticas contrárias a identidade de gênero, sob o argumento da oposição à ideia de família.
Não é que caso A ou caso B, deva ser interpretado como mais ou menos relevante, não é caso de comparação, é caso de observação, estranhamento, distanciamento.
(Foto: Steve Nesius/Reuters)











