"No misterio do sem-fim equilibra-se um planeta; e no planeta um jardim; e no jardim um canteiro; no canteiro uma violeta e sobre ela o dia inteiro; entre o planeta e o sem-fim a asa de uma borboleta." Cecilia Meireles.
(via q-uaseamor)

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@cecilia-meireles
"No misterio do sem-fim equilibra-se um planeta; e no planeta um jardim; e no jardim um canteiro; no canteiro uma violeta e sobre ela o dia inteiro; entre o planeta e o sem-fim a asa de uma borboleta." Cecilia Meireles.
(via q-uaseamor)
O tempo seca a beleza, seca o amor, seca as palavras. Deixa tudo solto, leve, desunido para sempre como as areias nas águas. O tempo seca a saudade, seca as lembranças e as lágrimas. Deixa algum retrato, apenas, vagando seco e vazio como estas conchas das praias. O tempo seca o desejo e suas velhas batalhas. Seca o frágil arabesco, vestígio do musgo humano, na densa turfa mortuária. Esperarei pelo tempo com suas conquistas áridas. Esperarei que te seque, não na terra, Amor-Perfeito, num tempo depois das almas.
Cecília Meireles, - Canção Do Amor-Perfeito (via recitarpoesias)
“(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.”
Cecília Meireles
Nós colhíamos flores de hastes muito longas E cujos nomes nem ao menos conhecíamos… E nem sequer, também, sabíamos os nossos nomes… E para quê, se um para o outro éramos Tu, apenas… Ou quem sabe a Morte nos houvera bordado numa tapeçaria A que o vento emprestasse a vida por um momento? E por isso os nossos gestos eram ondulantes como as plantas marinhas E as nossas palavras como asas suspensas no vento…
Mario Quintana, Para Cecília Meireles (via narizdevidro)
Meu Sonho
Parei as águas do meu sonho para teu rosto se mirar. Mas só a sombra dos meus olhos ficou por cima, a procurar... Os pássaros da madrugada não têm coragem de cantar, vendo o meu sonho interminável e a esperança do meu olhar. Procurei-te em vão pela terra, perto do céu, por sobre o mar. Se não chegas nem pelo sonho, por que insisto em te imaginar? Quando vierem fechar meus olhos, talvez não se deixem fechar. Talvez pensem que o tempo volta, e que vens, se o tempo voltar.
Cecília Meireles