No episódio de hoje, eu Condessa Vanôra falo sobre a lei do locus, e como ela aliada à disciplina influencia o rumo e sucesso de seus objetivos e metas. ♿ Transcrição do Episódio Agradecimentos aos Patrões Convite Para o Chá das Cinco Luciano Dias 0humanu Citados no Episódio Discipline is Freedom Willpower is for Losers Ego Depletion and the Strength Model of Self-Control: A Meta-Analysis The Bing “Marshmallow Studies”: 50 Years of Continuing Research Revisiting the Marshmallow Test: A Conceptual Replication Investigating Links Between Early Delay of Gratification and Later Outcomes How to Be More Disciplined Centelha #09 – Ninguém Aprende Sozinho 1 Minute a Day - Build Discipline Exercícios isométricos: o que são e quais seus benefícios para o treino WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour A randomized controlled trial of compassion cultivation training: effects of mindfullness How to Stay Motivated Praise for Intelligence Can Undermine Children's Motivation and Performance Trilha Sonora Mystery Bazaar by Kevin MacLeod Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4107-mystery-bazaar License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ Hard Boiled by Kevin MacLeod Link: https://incompetech.filmmusic.io/song/3857-hard-boiled License: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ Locução / Abertura Pensador Louco Cristiane Navarro Júlia Navarro Lica Moon Arte da Capa / Edição Condessa Vanôra Photo by Rohan Makhecha on Unsplash Links do Episódio Centelha no Instagram Centelha no Twitter Apoie este projeto no PicPay Me pague um café Se quiser entrar em contato comigo para fazer perguntas ou sugestões de temas, mande um e-mail para [email protected] Muito obrigada pela audiência, e lembre de contar-me o que achou deste episódio!
[som de isqueiro sendo aceso]
[Vinheta de abertura com música do oriente médio e narração] Pensador Louco: Centelha, o denomidador comum... Cristiane Navarro: ... que une todos os artistas... Júlia Navarro: ... das mais diversas áreas... Lica Moon: ... dos mais diversos lugares.
[som de uma porta sendo aberta fazendo soar um pequeno carrilhão]
[Trilha sonora de jazz suave]
Condessa Vanôra: Seja bem vindo ao meu ateliê! Sou a Condessa Vanôra e começa mais um Centelha.
[Trilha sonora de música clássica “In the Hall of Mountain King” do Edvard Greg]
Condessa Vanôra: Estamos enfim de volta, após uma ausência não anunciada. Como meus ilustres ouvintes têm passado? Espero que bem! Eu, por outro lado fiz um passeio vertiginoso descendo a ladeira dentro de uma caixa de papelão em cima dum carrinho de rolimã desgovernado em chamas e sem freio em direção ao Mundo Inferior.
[Trilha sonora de jazz suave]
Condessa Vanôra: Entre mortos e feridos, de forma jamais antes vista na história, salvaram-se todos, mas precisei desse hiato repentino deveras herege para os Deuses do Algoritmo.
[som de trovão]
Condessa Vanôra: Foi um mal necessário para eu não perder o rebolado e o que me sobrou de sanidade. Não que tenha resolvido muita coisa porque a Lei de Murphy táí pra gongar a gente a 3 por 4. Não consegui minha sonhada gaveta de episódios já que tive mais problemas aleatórios pra resolver do que tinha previsto inicialmente. Mas aproveitei esse intervalo pra refletir sobre disciplina, motivação e força de vontade. Depois dos recadinhos te conto melhor como foi esse processo.
[Vinheta de música clássica com som de trombone]
Condessa Vanôra: Meu muito obrigada a você, querido ouvinte que sempre está por aqui sendo paciente enquanto coloco minhas barbas de molho.
[som de caixa registradora]
Condessa Vanôra: Este podcast é um projeto independente feito somente por eu mesma, esta Condessa que vos fala. Quer ajudar a manter as cortinas abertas e o show em cartaz? Faça como meus mecenas em picpay.me/centelha A partir de R$2,50, o preço de uma latinha de refrigerante por mês você já me ajuda muito a levar esse projeto adiante lidando com os obstáculos de ser uma artista com doença crônica. Para você que prefere uma contribuição eventual, tem o meu picpay pessoal picpay.me/marastoniarts, chave Pix no [email protected] e pra quem está fora do Brasil o ko-fi.com/marastoniarts. Esses apoios tornam possível a manutenção da inrfraestrutura do podcast, e possibilitar a produção de conteúdo relevante e de qualidade! Existem outras formas de você levar a luz desta centelha adiante: compartilhe os episódios com seus amigos, apresente o programa pra quem nunca ouviu podcast e siga nossas redes sociais!
[Trecho do desenho animado Alice no País das Maravilhas: ”Ah sim, sim, isso, chá, tome uma xícara de chá.]
Condessa Vanôra: Agradecimentos especiais aos mecenas que têm convite para o chá das 5: Luciano Dias e 0humanu.
[som de uma xícara de chá sendo colocada em cima de um pires]
Condessa Vanôra: Geralmente, costumamos não estar cientes do quanto é frequente nos deixarmos levar pelos condicionamentos naturais de nossa biologia, e vivermos ao sabor do vento
[Trecho da música Deixa a Vida Me Levar, de Zeca Pagodinho: "E deixa a vida me levar, vida leva eu”]
Condessa Vanôra: Apesar de ser um caminho de delícias e sem preocupações, é uma direção que fatalmente irá te trazer muita frustração e arrependimento.
[Trecho da série The Office: “No God, please no!”]
Condessa Vanôra: Quando você vive sem direção, abdicando do controle de suas vontades, não tenha dúvidas de que alguém estará exercendo esse controle por você.
[Som de suspense]
Condessa Vanôra: Somos criaturas simples cercadas de sistemas complexos. E as grandes companhias estão aí pra tirar proveito disso enquanto engordam cada vez mais seus cofres de porquinho...
[Trecho do musical Cabaret:”Money makes the world go arroud, it makes the world go round”]
Condessa Vanôra: ... por meio de super estímulos. Não é à toa que as empresas de alimentos acrescentam deliberadamente mais sal e
[trecho meme entrevista Ruth Lemos: “gurdu-duura.”]
Condessa Vanôra: do que o necessário na comida, as premiações fáceis e frequentes que existem nos video games, pulando a todo instante na tela
[som de jackpot de máquina de caça-níquel]
Condessa Vanôra: e nem mesmo a criação de um Deus-Algoritmo que premia quem se mata pra produzir conteúdo de baixa qualidade várias vezes por dia, já que não há um tempo hábil o suficiente para entregar um produto melhor, fazendo o empreendendor trabalhar de forma tão criativa, autônoma e livre quanto um vitoriano sujo de carvão apertando parafusos numa fábrica na época da revolução industrial, há 300 anos atrás.
[Trecho da música How Bizarre do OMC:”How bizarre, how bizarre.”]
Condessa Vanôra: Deixa te contar um...
[Trecho da música Segredinho da Orquestra Modesta: “Segredinho, eu tenho um segredinho.”]
Condessa Vanôra: o trabalho não enobrece o homem, o escraviza. E a gente fica refém desses mecanismos simplesmente porque eles emulam o que o nosso antepassado, Uga Buga da Silva fazia no dia a dia pra sobreviver, só que de uma forma amplificada, senão não dá o barato necessário pra viciar o nosso cérebro.
[Trecho de fala do Presidente Jair Bolsonaro: ”Paralelepipi de crack”]
Condessa Vanôra: Quanto mais gordura e sal ele achasse num ambiente de recursos escassos e hostil, mais saúde, energia, vitalidade e um cérebro mais desenvolvido você conseguia. Pra entender essa relação que a comida teve no nosso desenvolvimento, especialmente quando começamos a cozinhar ao invés de comer só coisas cruas, dê uma olhada no livro "Pegando fogo: Por que cozinhar nos tornou humanos" do antropólogo Richard Wranghan.
[som de bastão de bambu sendo balançado]
Condessa Vanôra: O senhor Uga Buga da Silva também prcisava estar antenado nas novidades, porque coisas novas podiam gerar conhecimento, e conhecimento ainda é um bem valioso, quer você goste ou não, que te ajuda a sobreviver num mundo onde tudo quer e pode te matar. Mas calma, que tem salvação esse destino cruel de passar a vida colado no celular vendo memes e vídeos do Tiktok comendo xilito pururuca afundado num mar de auto-comiseração regado à Chevette.
[Trecho de uma esquete de humor do Away: ”Tá lá na tua casa tranquilo, vendo tua televisão, daqui a pouco cai uma porra dum chevette dentro da tua sala, cara.”]
Condessa Vanôra: Remédios amargos chamados disciplina e motivação, que algumas pessoas vestem com a roupinha da
[barulho feito com a boca simulando o ato de escrever as aspas no papel]
Condessa Vanôra: "força de vontade"
[barulho feito com a boca simulando o ato de escrever as aspas no papel]
Condessa Vanôra: fato que mais atrapalha do que ajuda no final das contas.
[som da página de um livro sendo virada]
Condessa Vanôra: E qual é a diferença afinal, entre disciplina e força de vontade? Vou falar primeiro da força de vontade, e te explicar o porque depender dela é uma encosta escorregadia.
[Trecho da música Pé de Bode, versão de Frank Aguiar: ”Puta que pariu, pisa no freio Zé! Se o pé de bode cair nós vamos tudo pro saco.”]
Condessa Vanôra: Existe um fenômeno chamado Esgotamento do Ego, que é o desgaste natural causado por aquele esforço que a gente faz pra resistir às tentações. O problema é que ele é alimentado por uma reserva nanica de energia. Quando mais você tenta não cair em tentação, mais difícíl se torna evitar outras tentações ao longo do dia.
[som da página de um livro sendo virada]
Condessa Vanôra: O famoso Experimento do Marshmallow de 1970 da Universidade de Stanford, tentou responder essa questão, apesar de hoje sabermos que esse estudo estava muito enviesado.
[Trecho de esquete de humor do Away: ”Pô cara, de novo!”]
Condessa Vanôra: Nesse estudo pegaram um pequeno grupo de crianças de 4 anos que estudavam na pré escola de Stanford, deixaram um marshmallow na frente do crianço e falaram que se ele não comesse o doce até o pesquisador voltar, ele ganharia mais um marshmallow.
[som de uma voz infantil dizendo “Uau!” com barulhos de sintetizador ao fundo]
Condessa Vanôra: E daí ficaram observando a reação deles durante 15 minutos. Depois, lá nos anos 1990 foram ver como essas crianças tinham se saído na vida. E as que tinham resistido a não comer o marshmallow aparentavam ter mais sucesso na vida. E esse estudo assombrou muito psicólogos, pais, professores e pedagogos ao longo de décadas, só que tem um porém.
[Som de transição dramática do seriado “Law & Order”]
Condessa Vanôra: Quando outros cientistas refizeram o experimento, com uma quantidade muito maior de crianças, de diferentes etnias e classe sociais, eles tiveram resultados muito diferentes.
[Som de revelação surpreendente com bombos e trompetes]
Condessa Vanôra: Se segurem em suas cadeiras, porque garanto que essa conclusão é extraordinária. O que definiu o sucesso na vida futura dessas crianças de 4 anos não é o quanto elas conseguem se controlar pra não comer o marshmallow, mas o cenário sócio-econômico no qual elas estão inseridas.
[Meme da senhora surpresa com um boraco em uma entrevista: ”Ahn! Eu tô passada, chocada!”]
Condessa Vanôra: Trocando em miúdos: as crianças ricas conseguiam resistir melhor à vontade de comer doce porque elas tem tudo disponível à profusão na sua vida. Então mesmo se ela não conseguisse ganhar os dois marshmallows, terminando o estudo ela podia pedir um saco de um quilo pros pais ou um sorvete. Agora as crianças pobres têm mais dificuldade de resistir a algo que elas não tem acesso, ou que pode não estar mais disponível a qualquer momento. Soma-se isso ao fato de que as famílias mais pobres são mais indulgentes em dar doces ou tinta de cabelo pros filhos, porque são coisas relativamente baratas e um dos poucos agrados que é possível de fazer sem arruinar o parco orçamento doméstico. Pra mim esse é o melhor exemplo ilustrado do [falando com uma voz grave e empostada] "Trabalhe enquanto eles herdam."
[som de música tecno animada]
Condessa Vanôra: Mas voltando à vaca fria, em estudos similares feito com adultos se descobriu que os que resistem melhor às tentações são pessoas que geralmente se sentem menos tentadas na média. E isso é fruto de como a pessoa se planeja e organiza no dia a dia do que uma força de vontade de ferro. Planejamento está intimamente conectado à disciplina.
[som de bastão de bambu sendo balançado]
Condessa Vanôra: E como faz pra desenvolver essa tal da auto disciplina? Bem, vou dar aqui 6 dicas pra você testar aí, no conforto da sua casa: 1
[Som de um sino pequeno sendo tocado]
Condessa Vanôra: Foco na identidade: A gente tem a tendência de agir conforme nossas decisões passadas. Por incrível que pareca, o nosso cérebro se esforça muito pra se comportar de forma coerente. Focar na mudança de identidade que você deseja ao invés do seu objetivo final ajuda a
[barulho feito com a boca simulando o ato de escrever as aspas no papel]
Condessa Vanôra: "enganar"
[barulho feito com a boca simulando o ato de escrever as aspas no papel]
Condessa Vanôra: o cérebro que vai se esforçar pra se comportar como se você já possuísse essa característica identitária. É a diferença, por exemplo, entre você recusar um cigarro dizendo que está tentando parar de fumar, e recusar o cigarro dizendo que você não fuma. A segnda opção tende a ser mais eficiente pra nossa mente. 2
[Som de um sino pequeno sendo tocado]
Condessa Vanôra: Lembrete é tudo: Se a gente não tem bem claro na mente o porque estamos tolerando essa chatice toda de ser disciplinados, é muito fácil sermos indulgentes e começarmos a procrastinar. Seja um post it no seu PC, uma nota no seu celular ou essa informação anotada num caderninho que você consulta sempre, te ajuda a permanecer na direção que você deseja. 3
[Som de um sino pequeno sendo tocado]
Condessa Vanôra: Aceite o incômodo: Já falei um pouco sobre esse fenômeno de se acostumar com a chatice lá no episódio de número 09 "Ninguém Aprende Sozinho". Não que eu nunca tenha tido uma motivação extremamente obstinada para fazer o que queria, mas sempre me faltou um pouco mais de consistência na disciplina. Algo que me ajudou muito na cultivação desse hábito de aceitar o incômodo, por incrível que pareça, foi esse shorts do Hampton, do canal do Youtube Hybrid Calisthenics. O mote da técnica é tão imbecil de simples que parece ser bom demais pra ser verdade. A intenção aqui não é desenvolver a disciplina de um monge Shaolin.
[Som de música tradicional chinesa tocada com tanggu (tambores de salão) e bianzhong (sinos de carrilhão)]
Condessa Vanôra: Mas se essa for sua vibe, pega a visão que te mando um salve. Geralmente aqui no Ocidente a gente tem muito aquele pensamento de que [falando com uma voz grave e empostada] "tem que praticar todo dia, se quebrar a corrente o momentum desaparece, tudo está acabado e você é um fracassado".
[Trecho do filme “Troll 2″: “Oh my Goood!”]
Condessa Vanôra: Essa abordagem utilizando o mabu, a famosa pose do cavalo, leva em conta o fato de que assim como dia e noite sucedem um ao outro, você, meu caro ouvinte, com certeza irá falhar. É só uma questão de quando. A falha é curiosamente um componente melhor pra construir disciplina do que o sucesso. Dar aquela puxada em si mesmo além do seu limite de
[Trecho de meme quarentena: “Eu não aguento maaaaaais!”]
Condessa Vanôra: ajuda bastante. É um tipo de exercício praticado por artistas marciais há milênios. Descrevendo o exemplo do vídeo, já que estamos num podcast, é um meio agachamento isométrico,
[som de campainha de aviso de avião]
Condessa Vanôra: que é um tipo de exercício que promove uma contração muscular sem que haja algum movimento acontecendo. Ou seja, você fica parado e o músculo trabalha sozinho,
[Meme “The more you know”: som de notas sendo tocadas num piano]
Condessa Vanôra: com o auxílio de um banquinho alguns centímetros abaixo de você. Pode ser que não consiga completar um minuto porque os músculos da perna vão começar a ceder
[Trecho de meme: “É sobre isso.”]
Condessa Vanôra: e tá tudo bem. Se, e quando acontecer, tem o banquinho ali ao seu socorro, mas atenção,
[som de surpresa]
Condessa Vanôra: não solte todo o peso do corpo no banquinho como se fosse descansar, mas transfira todo o peso para a parte superior do corpo com a mesma intenção de movimento que fazemos para levantar da cadeira. Use o cronômetro da sua smart pulseira ou celular pra manter um nível de honestidade consigo mesmo. E faça esse exercício todo dia, durante uma semana. O foco aqui não é desenvolver músculos colossais nas pernas,
[Trecho meme “Bambam enlouquecendo no treino”: som de grunhido feito com força]
Condessa Vanôra: mas estimular o processo de falhar miserávelmente que ajuda a construir a disciplina mental. Lembrando que não precisa ser exatamente esse exercício, se tiver dúvida de que outros tipos de posições você pode fazer, procure a ajuda de algum fisioterapeuta ou instrutor físico. A titia Vanôra não quer ninguém lesionado por fazerem movimentações que exijam demais de seus corpos. Pratiquem atividade física sempre com segurança! 4
[Som de um sino pequeno sendo tocado]
Condessa Vanôra: O fundamental é essencial. Tudo isso que estou falando aqui não vai causar diferença nenhuma se você não dorme o suficiente, se está comendo que nem o seu nariz e se leva um estilo de vida sedentário.
[Trecho meme Jojo Todynho: “tsc tsc tsc, não vai não amor.”]
Condessa Vanôra: Sem descanso adequado, uma boa alimentação e se você é adulto, 150 a 300 munitos de atividade física moderada ou 75 a 150 minutos atividade física intensa por semana, segundo as novas diretrizes de 2020 da Organização Mundial da Saúde. Se esse Trio Parada Dura não estiver funcionando azeitado, pára tudo e conserta esses hábitos primeiro antes de qualquer coisa.
[Trecho da música”Aceita que dói menos” do Trio Parada Dura: ”Aceita que dói menos!”]
Condessa Vanôra: Esses três elementos são necessários para nosso cérebro funcionar em toda a sua glória. 5
[Som de um sino pequeno sendo tocado]
Condessa Vanôra: Pratique zazen. Esse daqui é um favorito meu, já que faço parte da corrente artística de abordagem filosófica do zen aplicado ao processo artístico. Beijo pro meu mestre Maurício Takiguthi, que é um pintor realista brasileiro virtuosíssimo que me apresentou esse paradigma que influenciou intensamente a forma como penso e pratico arte hoje em dia. Meditar te ajuda a ser mais disciplinado e desenvolver um maior controle emocional. E não sou só eu que estou falando.
[som de caixa caindo]
Condessa Vanôra: Pra citar um dos vários exemplos, tem um estudo de 2013 feito na Universidade de Stanford à respeito da melhora na regulamentação emocional depois de sessões específicas de mindfullness. É uma atividade pra todo mundo. Você não precisa ser budista, monge, artista marcial, ocultista ou badabauê gratiluz, dá até pra ser ateu.
[Voz masculina falando: “Uau!”]
Condessa Vanôra: pra aproveitar os benefícios dessa prática. Gosto do zazen por sua característica ecumênica.
[som de página de livro sendo virada]
Condessa Vanôra: Preste atenção na respiração. Quando aparecer algum pensamento, note-o e volte sua atenção pra respiração de novo. Só 5 minutos por dia. Já é mais do que suficiente pra quem está começando. 6
[Som de um sino pequeno sendo tocado]
Condessa Vanôra: Desenvolva hábitos. Esse é meio literal, mas a vantagem é dupla, além de você provocar mudanças positivas na sua vida, os estágios iniciais do hábito, onde ele ainda não está estabelecido na sua rotina é bom pra desenvolver disciplina também.
[som de notificação do aplicativo Kakao talk]
Condessa Vanôra: Pra finalizar, quero apresentar pra vocês um conceito que descobri há pouco tempo e que pode ser útil nessa jornada pra vocês também. Existe algo dentro da psicologia chamado de locus de controle, que é uma expressão utilizada para definir o quanto você acredita que tem controle sobre o que acontece em sua vida. Hoje em dia. essa expressão é compreendida como a chave para você se manter motivado, independente do que aconteça.
[som de página de livro sendo virada]
Condessa Vanôra: A professora Claudia M. Mueller fez um estudo em meados de 1998 com crianças da 5ª série, onde pediu que elas resolvessem vários quebra cabeças difíceis. Independente de como cada criança se saiu, pra todas ela disse que foram muito bem e tiveram um desempenho maior que a média. O pulo do gato está em como ela contou isso. Pra metade das crianças, ela explicou que foram bem porque eram inteligentes e talentosas. Pra outra metade disse que foi fruto do seu esforço e trabalho duro. Após dar essa notícia, pegou esse mesmo grupo de crianças e deu mais quebra cabeças pra elas resolverem, de dificudades simples, intermediária e complexa. E o que se constatou é que as crianças que foram classificadas como inteligentes, detestaram fazer as atividades, se focaram apenas nos quebra cabeças simples, mal encostando nos mais difíceis e ficando muito menos tempo empenhadas em achar soluções. Já as crianças que foram classificadas como empenhadas se divertiram mais nas atividades, focaram em resolver os quebra cabeças mais difíceis, e passaram muito mais tempo que a média tentando encontrar soluções. Aí que está o perigo de você rotular as pessoas como inteligentes, fato esse que irrita qualquer pessoa que é artista quando alguém reduz todo o sangue, suor e lágrimas de seu esforço em mero dom. Lembre disso quando falar com crianças, seja você tutor delas ou não. Ainda que você possa ter alguma facilidade inata para qualquer atividade, ela não vai ter levar tão mais longe do que o seu empenho. No caso das crianças, as rotuladas como inteligentes desenvolveram uma crença de controle de locus externo. Onde elas não tem controle do que está aocntecendo, então, porque se esforçar ou tentar algo, não é mesmo? Já as rotuladas como esforçadas desenvolveram a crença de controle de locus interno, onde o resultado das suas ações é que vai mudar o paradigma das coisas. A gente pode usar isso a nosso favor se ouvindo um pouco mais. Tente resolver um problema, e assim que conseguir, reflita de forma sincera que foi o resultado de suas ações que possibilitou o sucesso. Lógico que nossa capacidade tem limites. Não podemos fazer crescer um membro extra com a força do pensamento se perdermos o que já possuímos. Mas cultivar esse reenquadramento de perspectiva ajuda a gente a sair da inércia e continuar seguindo em frente a despeito das coisas que ocorrem conosco. Como sempre, as notas do episódio estão recheadinhas de links com as referências de vídeos, artigos e papers citados pra você ler mais se assim o desejar. Espero que essas dicas te ajudem a sacudir a poeira e dar a volta por cima quando mais precisarem!
[som de uma xícara de chá sendo colocada em cima de um pires]
Condessa Vanôra: Estarei de volta com um novo episódio mês que vêm. Você encontra mais episódios do Centelha de graça no Apple Podcasts e Google Podcasts. Compartilhar os episódios nas redes sociais possibilita que mais pessoas conheçam meu trabalho. Me siga no Instagram @centelhacast e no Twitter @centelha_cast. Sou @marastoniarts nas redes sociais mais próximas de você. Centelha é uma criação de Condessa Vanôra e faz parte da rede de Podcasts do Me Julguem Podcast. Você pode colaborar com a existência e continuidade desse projeto em reais no PicPay @centelha, chave Pix [email protected] e pra quem está fora do Brasil pode me pagar um café no ko-fi.com/marastoniarts. Eu fico por aqui, sou Condessa Vanôra, obrigada por sua audiência, até a próxima.
[trilha sonora jazz suave aumenta de volume]
[vírgula sonora de encerramento]







