chumihenry
Biomas da América do Sul, América do Norte, diferentes climas nas mesmas regiões… Seu ouvido captava palavras aleatórias enquanto encarava o mapa preso em cima da lousa. Ah, como queria estar no Caribe se refrescando ou na Europa esquiando na neve… Se é que estava certo a relação nessa época, afinal, o mundo é um lugar muito grande e enquanto aqui é dia, na América do Sul é noite… A viagem no Henry-verso foi interrompida pelo sino estridente. Foi de encontro a Charlie, seu gêmeo no quesito “cara de sono” e seguiram até a saída. A cara de desanimo logo surgiu ao ver o clima fechado e todos os bancos molhados. Além de terem que esperar pra irem embora, agora não conseguiriam nem sentar um pouco pra descansar de tanto ficarem sentados na aula? Ah, sacanagem. “Sorte? Agora além de não ganhar de você no basquete, não vou poder ganhar de você nas cartas.” Olhou convencido para o amigo, erguendo os ombros. Ficou um segundo em silêncio após ouvi-lo com uma proposta muito tentadora. Poderia até ser o melhor em marcar pontos, mas Charlie quem era o melhor nas ideias. “Eu acho…” Começou meio suspeito. “Que você tá com cara de quem vai perder uma corrida!” Sem pensar nem uma ou duas vezes, saiu correndo da porta e se esqueceu de que havia uma pequena chance de deslizar no piso da fachada. Não deu outra. O impulso da corrida fez seu corpo tombar para trás e por questão de segundo não terminar de ir de encontro ao chão. Soltou um grunhido. “Esquece, Charlie!!! Não corre… Melhor irmos andando.” Se não estivesse acostumado, diria que ficara constrangido em frente ao amigo. Fez um biquinho antes de soltar. “Ok, agora estou pronto.”
“Capaz da gente tentar jogar cartas e elas queimarem do nada.” Soltou em tom exagerado, fazendo graça de sua própria miséria. Entretanto, não demorou para que ficasse apreensivo, pensando se o amigo tinha gostado da ideia ou não. Ela era meio boba, admitia, mas não custava tentar... “Ah, seu pilantra!” Exclamou antes de disparar atrás de Henry, sem pensar em mais nada além de alcançá-lo. A risada e a agitação foram interrompidas assim que viu o mais novo prestes a sofrer um acidente terrível, correndo em sua direção já preocupado. “Como assim você quase cai e me pede pra não correr pra te ajudar?” Deu um tapa na cabeça dele, fazendo careta. As suas roupas já começavam a pingar de enxarcadas, assim como os livros dentro da mochila não ficariam em melhor estado, mas a sua espinha estava gelada demais para se preocupar com isso agora. “Mas tá tudo bem? Não machucou nada? Não é melhor a gente desistir? Ainda dá tempo de pegar o ônibus...” Queria se divertir, queria mesmo! Mas se isso significava se machucar, ou muito pior, ver Henry machucado, ele preferia ir pelo caminho mais seguro.











