changyulk:
Sentir os raios de sol batendo em seu corpo depois de uma manhã inteira com a bunda grudada na cadeira era tudo o que queria, mas… Surpresaaaa! Sentiu a mochila pesar em seus ombros e o bico em seus lábios foi inevitável assim que viu o céu acinzentado e as gotas que começavam a cair. Em que momento o tempo tinha mudado daquele jeito? Tudo bem que a aula de geografia estava no ápice da chatice, mas achava impossível não ter percebido, dada a quantidade de vezes que ficara olhando para a janela. Será que tinha dormido e não se lembrava? Segurou a alça das mochilas e falou para Henry. “Só porque eu tava ansioso pra gente poder jogar basquete hoje de tarde… Que falta de sorte a gente tem.” Apesar da pontinha de tristeza, seu tom era leve e bem-humorado. “E se…” Começou, meio pensativo, ao passo que um sorriso esperto crescia em seus lábios. “E se a gente fosse correndo pra casa? Eu sei que os nossos pais vão matar a gente, mas pode ser divertido. O que que cê me diz?”
Biomas da América do Sul, América do Norte, diferentes climas nas mesmas regiões... Seu ouvido captava palavras aleatórias enquanto encarava o mapa preso em cima da lousa. Ah, como queria estar no Caribe se refrescando ou na Europa esquiando na neve... Se é que estava certo a relação nessa época, afinal, o mundo é um lugar muito grande e enquanto aqui é dia, na América do Sul é noite... A viagem no Henry-verso foi interrompida pelo sino estridente. Foi de encontro a Charlie, seu gêmeo no quesito “cara de sono” e seguiram até a saída. A cara de desanimo logo surgiu ao ver o clima fechado e todos os bancos molhados. Além de terem que esperar pra irem embora, agora não conseguiriam nem sentar um pouco pra descansar de tanto ficarem sentados na aula? Ah, sacanagem. “Sorte? Agora além de não ganhar de você no basquete, não vou poder ganhar de você nas cartas.” Olhou convencido para o amigo, erguendo os ombros. Ficou um segundo em silêncio após ouvi-lo com uma proposta muito tentadora. Poderia até ser o melhor em marcar pontos, mas Charlie quem era o melhor nas ideias. “Eu acho...” Começou meio suspeito. “Que você tá com cara de quem vai perder uma corrida!” Sem pensar nem uma ou duas vezes, saiu correndo da porta e se esqueceu de que havia uma pequena chance de deslizar no piso da fachada. Não deu outra. O impulso da corrida fez seu corpo tombar para trás e por questão de segundo não terminar de ir de encontro ao chão. Soltou um grunhido. “Esquece, Charlie!!! Não corre... Melhor irmos andando.” Se não estivesse acostumado, diria que ficara constrangido em frente ao amigo. Fez um biquinho antes de soltar. “Ok, agora estou pronto.”












