São Paulo, 05/10/2016, Mosteiro de São Bento

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São Paulo, 05/10/2016, Mosteiro de São Bento
São Paulo
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Mais alguns prédios de São Paulo
Alguns prédios de São Paulo
Portas de aço de São Paulo.
Quando
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa, Será o mesmo jardim à minha porta, E os cabelos doirados da floresta, Como se eu não estivesse morta.
Sophia de Mello Breyner Andresen, em Dia do mar [1947] (tirado de Obra poética I, 2ª edição, 1991, Editora Caminho)
Casa Branca
Casa branca em frente ao mar enorme, Com o teu jardim de areia e flores marinhas E o teu silêncio intacto em que dorme O milagre das coisas que eram minhas. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
A ti eu voltarei após o incerto Calor de tantos gestos recebidos Passados os tumultos e o deserto Beijados os fantasmas, percorridos Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu E a redenção virá nas tuas linhas Onde nenhuma coisa se perdeu Do milagre das coisas que eram minhas.
Sophia de Mello Breyner Andresen, em Poesia [1944] (tirado de Obra poética I, 2ª edição, 1991, Editora Caminho)
Cidade
Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas, Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta, Saber que existe o mar e as praias nuas, Montanhas sem nome e planícies mais vastas Que o mais vasto desejo, E eu estou em ti fechada e apenas vejo Os muros e as paredes, e não vejo Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida E que arrastas pela sombra das paredes A minha alma que fora prometida Às ondas brancas e às florestas verdes.
Sophia de Mello Breyner Andresen, em Poesia [1944] (tirado de Obra poética I, 2ª edição, 1991, Editora Caminho)
Às vezes
Às vezes julgo ver nos meus olhos A promessa de outros seres Que eu podia ter sido, Se a vida tivesse sido outra.
Mas dessa fabulosa descoberta Só me vem o terror e a mágoa De me sentir sem forma, vaga e incerta Como a água.
Sophia de Mello Breyner Andresen, em Poesia [1944] (tirado de Obra poética I, 2ª edição, 1991, Editora Caminho)
São Paulo
Rua Urbano Duarte, São Paulo
Original image courtesy of matialonsorphoto First posted on 2015-11-05 18:25:02 GMT
Capa da 1ª edição (Acme, 1913: São Petersburgo) de Камень (Pedra), de Osip Mandelstam, e logo abaixo, capa da 3ª edição (Imprensa do Estado, 1923: Moscou; Petrogrado), criada por A. Rodchenko
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