A explicação que me atenho para as confissões que registrei aqui devem tocar apenas 4 ou 5 pessoas, das quais a maioria não possui acesso a isso. Poucos lerão, ou talvez ninguém, mas o desencargo de consciência está feito. Sem mais, vamos a elas:
“Ouçam as sirenes, diz Eddie. Eu as escuto, mas o que posso fazer? Tenho medo dos tapas que me chegam no escuro. Por mais que eu pareça pragmático, racional e sem sentimentos, sou totalmente ao contrário de toda essa visão. A culpa de tudo isso é minha! Eu deixei tudo sair do controle. EU, e EU, mas sem me explicar serei caso vencido. Cara, eu namorei a menina mais sensacional de todo universo. Ponto. Eu a perdi. Ponto. A gente sempre se deu bem quando amigos, principalmente pela novidade que era tudo isso. Para mim, sempre foi um desafio conquistar essa mulher, eu não sabia de nada. Poderia ser uma brincadeira de mal gosto, cara. Mas a gente foi se dando tão bem. Era tão simples, tão foda, tão espetacular. Depois de um tempo, 6 meses, começamos a namorar. Mas é assim, cara, as coisas são foda. Eu não consigo nem te dizer o que eu queria, mas vamos ficar na parte recente. Eu nunca fui exemplo de como se expressar, falar, atuar ou escrever. Mas eu sempre me esforcei sabe, cara? Surgiu uma oportunidade de cursar algo numa cidade melhor e eu acabei indo. Cara, eu sou muito inocente! Uma merda. Decidimos manter um relacionamento a distância, cara. Nos preparamos para isso. Ma a teoria não é como a prática. Chegando na cidade, a gente conseguiu suportar “bem” o primeiro mês. Porém, a cada discussão ficava pior a nossa situação. Eu sempre me senti muito culpado por não poder ser o cara para ela, eu sempre chorei secretamente toda vez que acordava de madrugada, pensando sempre como é horrível esse sentimento, esse hábito de dormir mal. Ela sempre disse, e da última vez com mais firmeza, que eu nunca fiz nada para ela do jeito que ela queria. Eu sempre soube disso cara! Eu nunca fui o tipo dela. Eu sofro calado, eu tentava ficar alegre nos momentos tristes para que ficássemos logo melhor, e a fazer mais segura. Mas sempre parecia que eu não me importava. Minha “alegria” em momentos de tristeza foram para tentar fazer essa tempestade passar, para que pudéssemos aproveitar o nosso momento. Mas não se pode queimar a tristeza. Eu não queria ser assim! Parecer sentir de menos, não saber se expressar corretamente. Eu tinha alguém em quem confiar, hoje nem em mim mesmo eu confio. Eu choro todos os dias antes da universidade, antes de conseguir dormir, porque eu não sou para ela. Eu nunca soube como a conquistar de verdade, embora soubesse tudo dela. Não porque não quis. Não porque não tentei. Mas porque eu nunca consegui ser o cara para ela. Eu consegui transformar nossa história em registro mundial, mas eu não reguei as sementinhas. Eu sempre a beijei com amor, mas o amor é sacana, cara. Eu era o sol, o centro dela. Mas era pressão, cara. Cara, ser o centro de uma pessoa e saber que você nem deveria fazer parte da vida dela! Como isso soa? Cara, como isso soa? Eu não posso acabar com a vida de alguém assim! Não posso ser culpado pela tristeza de mais uma pessoa. E eu ainda choro por isso. Nem a minha própria tristeza eu aguento. Ela é a melhor mulher da existência humana! Ela é meu mundo, mas não posso ser o dela. Eu não posso. Eu não sou o cara que ela merece. Existe um bem melhor para ela. Eu, não. E eu não poderia chorar mais, ficar mais triste, do que estou agora. Desculpa por tudo. Oh, é uma coisa frágil essa vida que carregamos, diz Eddie.”