ARTISTAS, JOVENS TRABALHADORES E ESTUDANTES CONSTROEM A GREVE GERAL EM SERGIPE
Movimento estudantil da UFS realiza o 1º Arte em Combate no dia 13 de junho, no palquinho do RESUN.
No Brasil de 2019, um jovem negro é morto a cada 23 minutos. Dentre os mais de 13 milhões de desempregados, 64% são negros e negras. Nesse Brasil, onde o racismo organiza quem é explorado e quem não é, quem tem oportunidades e quem não tem, o governo fascista de Jair Bolsonaro não se intimida em impor sua política de precarização dos serviços públicos, que penaliza mais acentuadamente a população negra e toda a periferia.
Foi nesse contexto que a Greve Geral de 14 de junho aconteceu. Na véspera da greve, 13 de junho, estudantes da Universidade Federal de Sergipe, além de moradores e agitadores culturais do bairro Rosa Elze, organizados na União da Juventude Comunista – UJC, Coletivo Varandinha, Movimento Por Uma Universidade Popular – MUP, Coletivo Bueiro e independentes construíram o 1º ARTE EM COMBATE, uma mobilização cultural no palquinho do Resun (restaurante universitário).
A reunião de estudantes dos cursos de ciências humanas, engenharias, comunicação social, serviço social, pedagogia (e outros), com os moradores do Rosa Elze e LGBTQ’s foi histórica. Discutiu-se os retrocessos que a Reforma da Previdência e os desmontes da educação pública causam na vida dos filhos e das filhas da classe trabalhadora e da necessidade que sentimos de uma Universidade Popular, que produza conhecimento com e para o povo.
Com muito trabalho autoral e politizado, os artistas Meados de Maio, Travas Nagô, Bruxas do Cangaço, Nine Senses, Defmob, Relato Verdadeiro e DRY, mexeram com os corpos e as subjetividades de quem estava lá, demonstrando a expressão máxima do nosso maior potencial, o potencial de transformar a velha e arcaica sociedade capitalista em uma sociedade livre de exploração e opressão. Graduanda em Ciências Sociais e pesquisadora da cultura hip-hop nordestina, Ana Júlia comenta: “tô muito emocionada com esse evento, nesse momento em que a juventude preta tá sendo mais exterminada e encarcerada, estar aqui na universidade fazendo arte é um ato político de resistência e enfrentamento”.
REPRESSÃO POLICIAL NAS HORAS INICIAIS DA GREVE GERAL
Finalizando a programação cultural, o movimento realizou o trancamento da Universidade e se somou com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Sintufs (Sindicato dos Técnicos-Administrativos da UFS) para o fechamento da Av. Marechal Rondon, que dá acesso de Aracaju a São Cristóvão. Ainda no percurso para a garagem dos ônibus da empresa Viação Progresso, a Polícia Militar já disparava tiros de borracha e ameaçava os manifestantes. A coordenadora do MTST, Najara Santos, teve seu braço atingido por um dos projéteis.
Sônia Meire, professora da UFS e da direção nacional do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), junto com advogados e coordenadores do MTST Sergipe, esteve presente nas negociações entre empresa, polícia e o movimento social. Segundo o site da ADUFS, ela comenta: “A gente sentou pra negociar com o comandante [da PM] dentro da empresa e ele bateu continência pro representante da Progresso. Não nos ouviram em nenhum momento, nos mostrado bombas o tempo inteiro. O direito de manifestação é legítimo!"
Devido a forte ameaça das forças policiais contra o povo, para preservar a integridade física dos manifestantes, o movimento decidiu reabrir as vias por volta das 6h da manhã e reunir-se para planejar as ações de continuidade da Greve Geral. Ainda de manhã, o movimento esteve no centro de Aracaju para dialogar com a população sobre a Reforma da Previdência e a tarde, concentrou-se o ato na praça General Valadão que foi até o bairro 13 de Julho e finalizou com shows de artistas locais.
Em cada esquina em que passou a multidão de manifestantes, havia concentração de grupos da Polícia Militar fortemente armados e encapuzados. A cavalaria da PM também acompanhou a manifestação do início ao fim.
Nacionalmente, a greve geral deixou um saldo muito positivo para a organização da classe trabalhadora. A nós, juventude tão criminalizada, novas perspectivas se apresentam e cresce nossa necessidade de estar na luta contra esse futuro de precarização que se anuncia.










