O nosso primeiro encontro, definitivamente, está na minha lista de momentos da vida que pretendo guardar para sempre na memória.
É claro que, com o passar dos meses e anos, é possível que alguns detalhes acabem perdendo-se por entre os sulcos e giros do meu cérebro, afinal, a mente humana não é infalível, e infelizmente estamos todos fadados a esquecer algumas coisas. Pensando nisso, decidi escrever este texto, a fim de eternizar todos os detalhes que ainda me restam daquele dia. Assim, sempre poderemos voltar a este texto e reviver aquele encontro tão memorável, mesmo que décadas se passem.
Lembro-me que era um sábado de julho, daqueles que teoricamente fazem parte do inverno. Mas, na realidade, não fazia frio nenhum aquele dia, e a jaqueta que eu vestia era muito mais para te impressionar do que para me proteger do frio inexistente. Lembro-me da ansiedade que transbordava nossos corpos e inundava nossa conversa de WhatsApp, repleta de mensagens inquietas e empolgadas. Lembro-me dos sorrisos bobos, dos olhares fascinados, das mãos trêmulas. Lembro-me da expectativa de finalmente nos conhecermos, de nos vermos pela primeira vez.
Ah, como eu queria ter te beijado no instante em que te vi, ao descer do ônibus. Queria ter te puxado para um canto da rodoviária, segurado seu rosto em minhas mãos e lhe dado, ali mesmo, um beijo tão longo e tão intenso que, sem a necessidade de palavras, transmitisse a mensagem: oi, sou a menina por quem você vai se apaixonar daqui alguns meses, prazer em lhe conhecer.
Mas, como estávamos ambas bastante nervosas, esse beijo precisou esperar, e foi substituído por um abraço. Um abraço, ao mesmo tempo, apertado e tímido, por mais paradoxal que isso possa parecer.
E um abraço só não me pareceu suficiente, então, assim que nos afastamos, lhe pedi um segundo. Posso te abraçar de novo?, eu perguntei sorrindo. Você sorriu de volta, tímida, e me deu mais um abraço apertado.
No caminho para o café, fomos de mãos dadas dentro do Uber, conversando sobre coisas aleatórias e irrelevantes, apenas tentando preencher o silêncio e afastar o nervosismo. Ah, o nervosismo. Você estava adoravelmente nervosa, eu me lembro muito bem — tropeçando em palavras, desviando o olhar, checando a rota do Uber em seu celular a cada minuto. E eu, percebendo esse seu nervosismo, sorria um sorriso cada vez mais bobo.
Chegando ao café, escolhemos uma mesa ao ar livre, nos fundos. Eu pedi um iced latte e você pediu um mocaccino gelado. Só isso. Nada de bolo, pães de queijo ou qualquer outra coisa. Acho que nossos estômagos já estavam suficientemente preenchidos por borboletas, nada mais caberia ali. Além do mais, como é possível sentir fome quando se está na expectativa de um primeiro beijo, não é mesmo?
Sentamos uma de frente para a outra e começamos a conversar. Eu não conseguia desgrudar meus olhos de você, fascinada. Peguei suas mãos e segurei-as entre as minhas, acariciando-as devagar. Percebi que o carinho lhe tirava o foco e lhe deixava desconcertada, então me diverti um pouco com isso, confesso. Você começava a me contar algo e, enquanto meus olhos estavam atentos e fixos aos seus, minhas mãos dançavam preguiçosamente por seus braços, subindo e descendo, até fazer você se arrepiar e perder a linha de raciocínio. Você embaralhava-se nas palavras, desviava o olhar, ria envergonhada, e então me perguntava: sobre o que eu estava falando mesmo?
E eu, é claro, vestia meu sorriso mais inocente e lhe relembrava o tópico da conversa, já me preparando para novamente lhe distrair com meus carinhos...