The Bowery Presents
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
Hole
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
Show & Tell
ojovivo
★
d e v o n

roma★

bliss lane
No title available
𓃗
taylor price
NASA
KIROKAZE
No title available
One Nice Bug Per Day

Kiana Khansmith

gracie abrams
Noah Kahan

seen from Indonesia

seen from Qatar
seen from Ukraine

seen from Norway
seen from Italy

seen from Romania
seen from Malaysia

seen from Norway
seen from Pakistan
seen from United States

seen from United Kingdom
seen from New Zealand
seen from United States

seen from Malaysia
seen from Chile
seen from United Kingdom

seen from South Korea
seen from Bangladesh
seen from Taiwan
seen from Colombia
@crucciomuggles-blog
Três da manhã. O assobiar do vento gelado batendo nas folhas era o único som que podia ser ouvido. Aliás, não deveria haver nenhuma alma ali para ouvir, então por que haver som? Mas ela estava ali. Passos lentos e arrastados. Mãos ensanguentadas atiravam ao chão os restícios daquelas que costumavam ser suas asas. Sua expressão não mudava, seguia em frente com os mesmos olhos cansados. Chorar? Não, ela não precisava disso mais. Não precisava ou não tinha mais lágrimas? Tanto faz. Só não chorava mais. Caminhou por mais alguns minutos, não fazia ideia de quão longa era aquela trilha mas não ligava, só queria andar. Olhou por entre as árvores daquele túnel e sentiu o vento ainda mais forte em seu rosto. Adiante, à beira d’água ela podia ver sua última… Criação? Ela não sabia mais como chamar. Mãos dadas, dois sorrisos, um abraço e um beijo. Ela sorriu. Que ironia. Sentou-se na grama verde salpicada de pétalas coloridas, algumas secas que já tinham sido surradas pelo tempo, algumas mais novas, que ainda caíam e se misturavam às outras formando um tapete de cores das mais opacas às mais vibrantes. Atirou seu arco o mais longe possível. As flechas? Só restava uma, que ela carregava sempre consigo. Com dificuldade, arranhou as costas novamente, puxando a última pequena pena, antes branca, agora coberta de vermelho. Soltou-a no vento.
Quem visse, diria que estava fascinada olhando as estrelas. Mas não deveria haver nem uma alma ali para ver, então por que dizer algo? Mas ela olhava. Não para as estrelas, mas para o vazio. Seu olhar ia muito além. Suas costas ardiam e ela não se importava. A dor era suportável. Suportável até demais. Ela apertou a flecha nas mãos, estudando-a por alguns instantes. Por que nunca com ela? Por que?
Suspirou. Tem que funcionar. Segurou a flecha em sua direção. Mãos trêmulas de uma maneira incontrolável. Por que? Seria rápido, fácil e eficiente. Seria… Não é? Fechou os olhos e apertou mais ainda a flecha entre seus dedos escorregadios de sangue e suor.
1… 2… 3… e… A flecha tocou seu peito. Não perfurou, não fez seu encanto. Havia sido impedida. Seus olhos se abriram. À sua frente, uma mão a imobilizava. A noite era escura, tudo o que via era uma silhueta. O rosto dela, por outro lado, estava iluminado por um feixe de luz da lua. A mão que imobilizava a sua agora a soltava. Instantes depois, foi estendida novamente, segurava uma pena. Sua última pena. Os olhos dela semicerravam, confusos. A silhueta se tornava mais nítida. Uma figura alta. Asas? Alguém… como ela. A figura sorriu. E então, ela soube.