g-kraepelin:
@cupidinhodoamor
Gordon Kraepelin teria dificuldade de explicar para qualquer um de seus amigos como acabara sentado em sua sala num domingo com uma bela moça sem que tivessem feito nada além de tomar longas xícaras de café enquanto ele lhe mostrava todas as músicas que, segundo ele, deveriam ser “velhas demais para ela conhecer” e lia em voz alta um de seus livros favoritos. Teria dificuldade de explicar também, para si mesmo, como haviam acabado naquela situação. Todavia, havia decidido parar de se incomodar com isso. Tomando um dos últimos goles de café da sua caneca, ele a colocou sobre a pequena mesinha da frente e tornou a olhar para a última página, puxando, com a outra mão, uma mecha de cabelo da moça para trás. - “Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contato dos dedos, e era um simples fósforo, um fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte , essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte, ninguém morreu.” E…Fim. - Disse, sorrindo e então, fechando o livro e o colocando junto a caneca de café. Passou as mãos nos ombros da moça, os esfregando como se a esquentasse e então passou a perna, levantando-se do móvel. - Eu sinceramente não sei como você tem aguentado tanto tempo comigo…Sério…Você não deveria estar numa daquelas danceterias ou saindo com alguém do tinder?
De todos os lugares no qual frequentou nos últimos meses a casa de Greg havia se tornado o seu ponto de refúgio, não sabia explicar exatamente a razão, mas a companhia do homem trazia para si um sentimento de calmaria, como a muito tempo não sentia. Aproveitando o momento fechou os olhos e apoiando a cabeça em seu ombro enquanto prestava atenção no enredo da história contada pelo outro, hora ou outra pegava na mão livre dele e brincava com ela, fosse entrelaçando os dedos ou até mesmo observando as linhas que se formavam. “Sua voz... Contando essas histórias, é como um mantra. Sei lá. Muito bom de se ouvir.” Comentou com uma risada baixa ao buscar o olhar de Gordon. “Ei...De novo com esse papo de idade? Preciso fazer uma apresentação de como a idade é algo relativo? Eu não gosto de fazer as coisas que a maioria das pessoas da minha idade estão fazendo, sou diferente. Pensei que isso havia ficado claro a esse ponto.” O imitou se levantando do sofá e aproximando em sua direção, porém, de forma cautelosa, como se estudasse qual seria as possíveis reações do outro. “Eu não quero conhecer ninguém no Tinder, a pessoa que eu quero tá bem aqui na minha frente.”












