Parabéns, DANTE ANGELILLO BARONE! Você recebeu uma carta de aceito no programa Una casa per 1 Euro e agora uma casa aos pedaços com uma vista bonita demais para desistir lhe espera em Monteluna. Seu registro diz que você tem VINTE E SEIS ANOS e veio de GENEBRA, SUÍÇA. Seus antigos vizinhos dizem que você é alguém GENTIL, mas também MELANCÓLICO, talvez seja justamente isso que te trouxe até aqui. Por enquanto, tudo que sabemos é que você se parece muito com FEDERICO RUSSO, será que já podemos te chamar de ANGEL? Benvenuto a Monteluna!
violinos restaurados por suas próprias mãos, cartas antigas escritas pelo tio-avô, canções de ninar suíças murmuradas, malas de couro gasto nunca desfeitas, noites de insônia criativa.
Dante sabe menos de sua história do que gostaria, tudo o que sabe foi contado pelo tio-avô, homem que o criou: os pais eram muito jovens e os avós, muito pobres. Logo em seus primeiros meses de vida, Pierre começou a ajudá-los financeiramente para que a criança e sua família núcleo não passassem necessidade, porém criar uma nova vida era uma responsabilidade muito maior do que os Barone conseguiam lidar. Com três anos, Dante foi levado para a Suíça para morar com Pierre, pois sabia que teria uma criação digna com alguém que poderia lhe proporcionar conforto.
Cresceu ouvindo que nem todo mundo nasce preparado para cuidar de alguém, mas que isso não significava que não era amado pelos Barone e Dante acreditou nisso fielmente, até perceber que a família nunca o havia procurado. Aos poucos, apesar da culpa por não sentir falta dos pais ou dos avós, Dante entendeu que Pierre era sua verdadeira família e o honrou até o último dia de vida. Foi Pierre quem lhe ensinou a amar violinos, reformá-los e a tocá-los tão naturalmente quanto se respira.
Dante conheceu o programa de casas por um euro um pouco depois da morte de Pierre e entendeu como um sinal de que deveria voltar para o país aonde nasceu, tentar explorar a cultura que não tinha tanta familiaridade com, mas que era sua. Tinha medo do que poderia encontrar em Monteluna, medo de acabar cruzando com rostos conhecidos demais e que poderiam ter ligação biológica consigo, mas havia se apaixonado demais pela Officina para que desistisse de comprá-la. Hoje, trabalha como violinista em igrejas, restaurantes, cerimônias e eventos locais; todo seu dinheiro é direcionado para a sobrevivência e a reforma de sua nova casa, com a esperança de que, no futuro, ela se torne também uma oficina de música.
Após a missa, após o lanche com os pais e após deixá-los em casa, Cael estava sentado em um degrau de pedra, um pouco afastado da caça aos ovos, com um coelho de pelúcia no colo — ele não sabia exatamente por quê, alguém só tinha enfiado aquilo na mão dele e ido embora. A camisa branca já tinha manchas de chocolate (não dele), e o gravador no bolso capturava uma nova trilha: um grito infantil — "ACHEI MAIS UM!" — seguido de um baque e o som abafado de choro. Cael pausou a gravação com um clique suave. Não sorriu, mas os olhos deixaram escapar um brilho breve, como quem reconhece um som que já esperava ouvir. "Alguém caiu", comentou baixinho, mais para si mesmo ou para o coelho em seu colo. Onde estava o dono daquela pelúcia? Olhou ao redor, buscando respostas.
gente, seguinte, o cael é assim mesmo, viajado. o coelho pode ser seu, pode ser de alguém próximo a você, você pode ir pedir uma informação pra ele, pode não aguentar o silêncio, pode ser curioso e perguntar o que ele está ouvindo, pode lembrar dele por causa do antiquário ou dos irmãos. literalmente qualquer coisa eu espero daqui! é isso, eu posso dar ideias na dm também de como responder KAHDJHASKJDH
Era fácil se perder em pensamentos em ambientes como aquele, com toda bagunça e gritaria produzida pelas crianças. Era uma surpresa para Dante, inclusive, ver tantos pequenos correndo pela cidade — quando soube que a população estava diminuindo devido a idade avançada e que precisavam de moradores jovens, esperava uma Monteluna mais silenciosa. "Quando vi uma barraca de primeiros socorros na entrada, não tinha entendido muito bem o motivo. Agora faz sentido." Era um comentário avulso, conforme se aproximava da escada e também se sentava. Por não estar sozinho, sentou-se a uma distância confortável do outro. "Você conhece a criança?"
Os seus pais tinham feito uma barraquinha. O que para Marzia foi uma surpresa já que eles normalmente não necessitavam. Depois, descobriu que era mais a sua mãe que desejava vender os seus doces para os novos moradores. Assim, ela já entendia a razão da criação da banquinha e com muito prazer ajudaria a sua mãe na venda dos docinhos.
Então, no fim da missa, estava Marzia colocada atrás da barraquinha com o seu vestido de cor de lavanda. A barraca estava decorada com imensas flores para alegrar o local e os doces em cima de vários pratos coloridos que demonstravam alegria e quase como a páscoa fosse materializada naquela banca. Há frente, um pequeno cartaz com o nome do café.
"Bom dia... Deseja comprar um docinho tipico e tradicional de Monteluna? Feito com muito amor e carinho?"
Dante passava pela barraca de maneira despretensiosa, mas era impossível ignorar tantas flores e a gentileza que a outra usava para se comunicar. Provavelmente era uma tática para conseguir clientes — muito boa, por sinal. "Bom dia." Repetiu, mesmo que tivesse dúvidas sobre ela ter ou não escutado, devido ao tom baixo da sua voz. "Como estão as vendas?" Nunca fora bom negando nada a ninguém e, mesmo que quisesse ajudá-la, o dinheiro reservado para a festividade havia acabado no dia anterior. Era o motivo pelo qual fugia da pergunta. "A decoração ficou muito bonita... Você que fez?"
"Não é?! Mas essa tal de Signora Gabriella não me disse nada com muito sentido." Henri parecia irritada, caminhava ao lado do rapaz carregando as flores que havia ganhado mais cedo e a cesta com os ovos de chocolate que havia encontrado no caminho. Mas junto a isso, tinha ainda uma cara amarrada. "Eu fui clara na minha pergunta: 'vou conseguir um grande papel que vai mudar a minha vida?' E ela respondeu com um sotaque bem ruim que eu precisa parar de ensaiar a vitória e começar a viver o espetáculo!" Ela imita o sotaque numa mistura de inglês e italiano bem ruim. "O que isso significa afinal? E ainda disse que eu deveria ter cuidado com o homem de cara fechada e coração mole. Isso te parece algo concreto? Seja sincero."
Caminhava ao lado da outra, com as mãos escondidas nos bolsos da calça. Dante gostava de interagir com pessoas que falavam bastante porque não precisaria ser quem interrompe silêncios constrangedores — com Henrietta, por exemplo, sequer havia silêncio. "Acha que existe a possibilidade dela estar dizendo para você aproveitar todas as oportunidades da melhor forma, ao invés de esperar que só uma delas mude sua vida?" Pigarreou, evitando contato visual em primeiro momento. O que ela disse fazia sentido, só não parecia ser o que Henrietta queria ouvir. "Talvez… O tal papel não pareça grande, de início. Talvez seja sua atuação que vá fazer dele tão grande, e isso pode ser o que vai mudar a sua vida." Não era conhecido por dar a própria opinião, mas a outra parecia tão inquieta com o que foi dito que imaginou que ter uma segunda interpretação sobre as falas poderia ajudar. "Você conhece algum homem que tem a cara fechada e o coração mole, pelo menos? Para você ter cuidado com ele, primeiro precisa descobrir quem é."
A cesta repousava aos seus pés, vazia, com um único ovo de chocolate decorado repousando no centro como se zombasse dela. Parthenope mordia a ponta do indicador, rindo sozinha do fracasso, quando percebeu alguém se aproximar. “Se me disser que encontrou mais de cinco, vou me sentir pessoalmente atacada.” Ela apontou com o queixo para o campo de flores à frente. “Estive ali por vinte minutos. Tudo o que encontrei foi poeira e um casal discutindo por um ovo dourado.”
Dante não conhecia Monteluna bem o suficiente para saber onde deveria procurar por ovos de chocolate, então caminhava de um lado para outro com a cesta vazia, esperando ter algum resquício de sorte no meio do caminho. "Cinco? Atualmente tenho... Nenhum." Deu de ombros, esperando que de alguma forma sua resposta a fizesse se sentir melhor. "Acho que as crianças já tinham achado os ovos que estavam entre as flores. Vi um grupo correndo para fora do campo a uma hora." Comprimiu os lábios, apenas para não demonstrar sua vontade de rir. Queria ter dado a informação antes da outra ter perdido vinte minutos procurando. "Um casal discutindo? Essas competições costumam arruinar relacionamentos?"
⸻ Sério?! ⸻ reclamou quase num suspiro resignado enquanto alternava o olhar entre e o dono da barraquinha e sua última ficha de madeira que caíra bem longe de onde havia mirado. Jogava tiro ao alvo obsessivamente há algum tempo e tudo o que houvera conseguido foram algumas farpas nos dedos e um pequeno chaveiro de resina no formato de um ovo da páscoa que o dono fizera questão de dar a ela, tão envergonhado quanto a garota por sua mira inexistente. Maeve respirou profundamente antes de dar às costas ao lugar, ajeitando sua blusa preta de decote U e, posteriormente, as calças jeans levemente esfiapadas apenas nas bainhas, não deixando de checar as condições do seu oxford preto que já sofrera alguns atentados naquela noite: Meabh houvera tropeçado e chutado involuntariamente muitas pedras do percurso, e isso ela culpava o seu lado desajeitado. Porém, num rompante, seus olhos azuis voltaram a cor vívida, e decidida a retornar ao tiro ao alvo e só sair de lá após um prêmio decente, girou sobre os calcanhares tão rapidamente que acabara se chocando contra muse. ⸻ Ah… desculpa! S-scusa.* ⸻ ela gaguejou seu italiano básico antes que visse o rosto alheio. Teve que conter um suspiro ao lembrar tardiamente do quanto a vida gostava de brincar com a sua falta de equilíbrio. A única sorte era que Maeve era confiante o suficiente para lidar com aquilo.
Estaria mentindo se dissesse que tiro ao alvo era sua atividade favorita naquela festividade, mas se estava disposto a conhecer Monteluna, deveria começar com coisas básicas como brincadeiras que os moradores pareciam se divertir jogando — pelo menos a maioria dos moradores, já que a loira à frente parecia estar tendo problemas com as fichas de madeira. Quando ela virou as costas, porém, Dante acreditou que a fila andaria e foi o motivo pelo qual acabou chocando o corpo contra o dela. "Tudo bem." Apesar da surpresa, ofereceu um pequeno sorriso tímido e acolhedor. As mãos relaxaram, já que até segundos atrás demonstrava estar pronto para segurá-la pelos braços caso o esbarrão escalasse para algum dos dois caindo no chão. "Você se machucou?" A analisou por alguns segundos, voltando a esconder as mãos nos bolsos da calça e dar dois passos para trás. Já havia entendido que não era sua vez de jogar. "Imagino que você ainda tem fichas, então pode continuar tentando. Minha mira não é tão boa, de qualquer forma. Vai ser mais divertido assistir."