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@darknesshyub
𝖍𝖊𝖗𝖊 𝖎𝖘 𝖉𝖊𝖆𝖙𝖍?
darknesshyub:
O príncipe das trevas não continha um riso breve, baixo e até debochado quando a mais nova lhe dizia para não se preocupar com o “rival” filho de Zeus, de fato não se preocuparia, mas podia garantir que não fosse confrontar o mesmo, principalmente pela insatisfação deste ao lhe aceitarem mais uma vez no acampamento. Se não fosse pela necessidade de permanecer o local, iria fazer jus, dando diversos motivos para que ouvissem os argumentos do mesmo, mas infelizmente não era o caso e teria de ser prudente a partir daquele ponto. – Não irei me preocupar, contanto que ele não pise no meu calo. – Dizia com alguma ironia, que deixava a dar ideia que adoraria ter um motivo pra brigar com o outro, mesmo que por diversão.
Não hesitou em corresponder ao ósculo, este agora diferente do anterior, menos afoito. Permitia que o mesmo conseguisse desfrutar da textura e o gosto doce dos lábios alheios, sugando o músculo que invadia sua cavidade bucal, enlaçando-a a semelhante, encaixando a boca a oposta com o aprofundar do carinho. Demorou ainda alguns segundos até tornasse a abrir os olhos quando o beijo foi cessado pela falta de fôlego nos pulmões.
Minhyub passava a ponta da língua sobre os lábios, os umedecendo antes que começasse a pensar em como contar tudo que esteve e estava planejando durante todo o tempo que esteve recluso. Sem afastar-se do corpo da prole de Quione ou desviar o olhar da mesma, começava proferir com a seriedade conhecida quando o assunto realmente era de importância. – Quão louco você me acharia por estar planejando invadir o Olimpo? – A voz do mesmo também era baixa, por mais que só estivessem os dois ali, todo o cuidado parecia ser pequeno diante do que estava contando a menor. – Estou cansado de aceitar quieto a vida que os filhos de Hades estão fadados a ter. Não é justo conosco, nem com meu pai, apesar de tudo.. – Abaixava por breve segundos o rosto antes de o alinhar ao de Claire novamente, mirando os olhos desta. – Preciso de poder suficiente pra impor algo contra aqueles deuses e… eu só conheço um modo. – O rapaz fazia uma pausa tentando decifrar o que se passava na mente alheia, com as expressões que ela esboçava.
Talvez fosse seu novo vicio beijar Minhyub, ainda não sabia, era muito cedo para saber que rumo as coisas levariam a partir de agora. Mas era exatamente esse ponto, podia aproveitar o maximo daquele momento dos dois ali sozinhos e trocando caricias. O que seria improvavel vindo dos dois, mas, pelo menos, naquele momento, não. Claire não queria se afastar do mais velho, a semana havia sido péssima e as vezes tudo o que alguém precisava era de um abraço, e bom, ali estava ela dentro de um abraço.
Pode notar a expressão mudada da prole de Hades, vendo-o se tornar mais sério sabendo que o assunto agora tomaria outro rumo. Quando o ouviu falar sobre invadir o Olimpo, sua sobrancelha se arqueou como se não acreditasse no que ouvia e que, sim, ele era louco. Mas deixou que o mais alto prosseguisse com a explicação para entender melhor o que passava pela cabeça dele, ainda que já tivesse uma noção. O cenho foi franzido com a ultima frase dele, ficando sem entender o que ele quis dizer. – Que modo? – A filha da neve engoliu a seco, mordendo o proprio inferior e se afastou e andou ao redor, como se pensasse exatamente. – Não pode simplesmente entrar no Olimpo, estamos falando de deuses. Não só um, vários. Ainda que pudesse aumentar seus poderes, eles são muitos e… Well, dah. Somos inferiores a eles. – Claire cruzou os braços, agora o encarando mais séria do que nunca e continuou. – Se quer invadir o Olimpo, sugiro que tenha um exercito de pessoas que pensam o mesmo. E… Digamos que já exista.
O príncipe das trevas não pode deixar de acompanhar com seus orbes negros a mais nova se afastar e caminhar pelo chalé de Hades, com o ar parecendo extremamente tenso e pensativa, mas entendia o porque daquele comportamento, não era todo dia que algum semideus falava que iria invadir o Olimpo, tão menos para desafiar os deuses que controlavam quase tudo que conheciam. Antes que tornasse a responde-la, o rapaz sentava na beirada da cama novamente, apoiando os cotovelos sobres as coxas, juntando as mãos como se pensasse em todas as variantes que a menor o havia feito lembrar que ainda estavam em aberto em seu plano para conseguir o que queria. Sustentava o olhar da mesma ao que esta o encarava de braços cruzados e tão séria como Minhyub estava quando pensava ou falava sobre o assunto. – Um exército que pense da mesma forma? ...Se me disser que esse tipo existe, já vai resolver 40% dos problemas. – Fazia uma pequena pausa, passando a destra sobre a nuca e desalinhando suavemente os fios do cabelo antes de continuar. - Existe um modo de derrubar o Olimpo.. de derrotar todos eles, Claire.
O mais velho observava a chama de fogo negro que queimava no centro, iluminando o cômodo, não sabendo quanto tempo havia ficado em silêncio, medindo as palavras para contar a prole de Quione o plano que se desse certo, seria genial, se não.. poderia morrer na tentativa. – Tem uma criatura marinha, que se queimarmos as vísceras dela em oferenda.. teria o poder necessário pra isso, para ir contra todos eles. – O olhar sério finalmente tornava a ir na direção da garota a sua frente. – O ofiotauro que está sob proteção do Olimpo.. se eu conseguir.. entende o que isso vai significar? – A respiração dele chegava a ficar levemente afobada, pela ansiedade que lhe causava em obter tudo aquilo.
𝖍𝖊𝖗𝖊 𝖎𝖘 𝖉𝖊𝖆𝖙𝖍?
darknesshyub:
Conforme Minhyub tinha o toque da prole de Quione sobre o ombro, somente neste instante desviava os olhos da chama de fogo negro para encara-la com a atenção devida, aquela que não pudera dar quando teve de optar por qual caminho traçar. – E você me daria ouvidos na época..? – Ambos haviam mudado durante os seis meses, não tinha como negar. Sabia que não conseguiria ter a mesma paciência ou coragem para compartilhar tudo que havia sentido e passado naquele momento, talvez tivesse de ter sido assim para que pudesse estar ao lado dela novamente. – Acho que continuaria a sentir raiva de mim de um modo ou de outro. – O rapaz voltava o corpo para ela, colocando uma mecha do cabelo alheio que caia sobre o rosto atrás da orelha. Assim que escutava ela citar sobre o encontro da época com Afrodite, automaticamente vinha a mente a cena de uma semana atrás com o semideus, filho do deus dos céus. – Me diz que aquele filho de Zeus não é aquele supervisor..? – Por mais ponderado que fosse na hora de questionar sobre aquilo, o olhar do filho de Hades não escondia um certo desprezo, com uma das sobrancelhas arqueadas.
Um longo suspiro abandonava os lábios do mais velho que não podia deixar de concordar com a afirmação de Claire referente a tudo que a deusa do amor havia proferido a respeito de ambos. – Por mais que eu odeie concordar com qualquer deus do Olimpo, sim. – O mesmo também não podia deixar de reparar em como a garota passava a se dirigir a ambos com “nós”, ao invés de “você e eu” ou qualquer coisa do tipo, contudo não comentaria nada guardando os pensamentos consigo, com um sorriso quase imperceptível.
Sem hesitar ou titubear, o príncipe das trevas puxava a menor por uma das mãos com suavidade para próximo dele, repousando a canhota sobre a nuca oposta, a fitava com alguma intensidade nos olhos. A aproximação era quase que total, conseguia sentir a respiração dela misturar-se a própria novamente, provocando arrepios suaves pelo corpo do mesmo. – E a partir de agora, uhn? Estamos resolvidos? – A voz sussurrada e grave de Minhyub parecia preencher o chalé vazio naquele instante. – Eu voltei por alguns motivos para o acampamento Claire, acho que você já deve imaginar isso. Preciso de você ao meu lado.. – Encostava a testa a semelhante, mantendo-se perto, ao mesmo tempo que os dígitos gélidos dele ainda sobre a nuca da semideusa afagavam a região com sutileza.
Minhyub tinha razão. Ela ficaria com raiva de um jeito ou de outro, assim como não iria conseguir entender muito bem o que tudo o que podia acontecer implicaria. Bom, pelo menos, naquela época. Agora estava mais madura e crescida mentalmente, então apenas moveu a fronte e acentiu positivamente concordando com o que ele havia dito. O comportamento a seguir do rapaz a pegou de surpresa com ele sendo tão delicado consigo ao ponto de tirar uma mecha de seu rosto. Clichê! Não que fosse ruim, mas não estava acostumada com… Intimidade. Mas era bom de toda forma. A pergunta que veio a seguir provocou uma careta instantânea na prole de Quione. – Ah bem… É ele, mas você não tem com o que se preocupar. – Concluiu, ainda com uma careta no rosto sem saber exatamente como reagir. Não era como se tivesse algo com o filho de Zeus, mas pensava em como o assunto fosse desconfortavel para o filho de Hades.
Logo depois, sentiu ele a puxar para ainda mais perto de si. Ok, precisava se acostumar com aquilo, certo? Ou não. Ainda não sabia dizer o que era exatamente aquilo. Eles se acertaram, tudo bem. Houve uma especie de declaração, tudo bem também. Mas o que tudo significava? Não soube responder já que os olhos negros do rapaz a fitavam intensamente desligando-a de qualquer pensamento que não fosse fitar aquele rosto e os lábios tão chamativos com a voz sussurrada lhe arrepiando todo o corpo. Claire balançou a cabeça positivamente com a pergunta dele, sentindo a respiração ficar cada vez mais acelerada. Não sabia dizer o porque. Os olhos se fecharam com a testa repousando sobre a sua, erguendo ambas as mãos para segurar o rosto alheio delicadamente e não demorou muito para unir seus lábios aos dele mais uma vez naquela madrugada. Dessa vez, procurou demorar um pouco mais em apreciar daquela boca e até mesmo invadir com a lingua e se deliciar de toda aquela cavidade com vontade.
Somente quando o ae faltou nos pulmões foi que a filha da neve se afastou minimamente de Minhyub, ainda que sentisse sua respiração bater contra a dele. Agora muito mais descompassada. Mordeu o proprio inferior no que abria os olhos para fitar o rapaz mais alto, suspirando. – O que está aprontando? O que pretende fazer?
O príncipe das trevas não continha um riso breve, baixo e até debochado quando a mais nova lhe dizia para não se preocupar com o “rival” filho de Zeus, de fato não se preocuparia, mas podia garantir que não fosse confrontar o mesmo, principalmente pela insatisfação deste ao lhe aceitarem mais uma vez no acampamento. Se não fosse pela necessidade de permanecer o local, iria fazer jus, dando diversos motivos para que ouvissem os argumentos do mesmo, mas infelizmente não era o caso e teria de ser prudente a partir daquele ponto. – Não irei me preocupar, contanto que ele não pise no meu calo. – Dizia com alguma ironia, que deixava a dar ideia que adoraria ter um motivo pra brigar com o outro, mesmo que por diversão.
Não hesitou em corresponder ao ósculo, este agora diferente do anterior, menos afoito. Permitia que o mesmo conseguisse desfrutar da textura e o gosto doce dos lábios alheios, sugando o músculo que invadia sua cavidade bucal, enlaçando-a a semelhante, encaixando a boca a oposta com o aprofundar do carinho. Demorou ainda alguns segundos até tornasse a abrir os olhos quando o beijo foi cessado pela falta de fôlego nos pulmões.
Minhyub passava a ponta da língua sobre os lábios, os umedecendo antes que começasse a pensar em como contar tudo que esteve e estava planejando durante todo o tempo que esteve recluso. Sem afastar-se do corpo da prole de Quione ou desviar o olhar da mesma, começava proferir com a seriedade conhecida quando o assunto realmente era de importância. – Quão louco você me acharia por estar planejando invadir o Olimpo? – A voz do mesmo também era baixa, por mais que só estivessem os dois ali, todo o cuidado parecia ser pequeno diante do que estava contando a menor. – Estou cansado de aceitar quieto a vida que os filhos de Hades estão fadados a ter. Não é justo conosco, nem com meu pai, apesar de tudo.. – Abaixava por breve segundos o rosto antes de o alinhar ao de Claire novamente, mirando os olhos desta. – Preciso de poder suficiente pra impor algo contra aqueles deuses e... eu só conheço um modo. – O rapaz fazia uma pausa tentando decifrar o que se passava na mente alheia, com as expressões que ela esboçava.
𝖍𝖊𝖗𝖊 𝖎𝖘 𝖉𝖊𝖆𝖙𝖍?
darknesshyub:
A última reação do qual estava esperando vir da prole de Quione, era de que ela havia sentido sua falta, na verdade custava a acreditar que alguém pudesse nutrir aquele tipo de sentimento por ele. Estava confuso e estranhamente feliz por tais palavras, não achava que a ouviria proferir aqueles dizeres nem em seus sonhos mais profundos. Porém antes que pudesse falar a respeito, de dizer o quanto ela havia feito falta a ele também, o abraço mais forte sobre seu tronco o faziam perder a fala, se distrair e apenas corresponder, envolvendo-a agora com ambos os braços.
Só então Minhyub voltava a lembrar da sensação que tivera em algum momento no labirinto, do quanto a mais nova apesar de forte e até durona, tinha um lado delicado, gélido mas agradável que tinha certeza que tinham sido um dos grandes pioneiros para lhe chamar a atenção sobre ela com outros olhos. Quando se deu conta que estavam a vista de quem quer que quisesse algo interessante para olhar, deixou ser empurrado para dentro do próprio chalé. Com a porta agora fechada contra qualquer curioso, o dormitório lembrava muito a decoração do palácio de Hades no Submundo e provavelmente era bem mais escuro do que qualquer outro dos chalés. Contudo estava iluminado por uma pequena chama de fogo negro no centro do cômodo. – Se tem algo que os filhos de Hades tem em comum é o fato de que não gostamos do acampamento, só tem eu aqui. – A sinceridade na voz do rapaz era clara, assim como o olhar que ele dirigia a Claire.
Antes que continuasse a responde-la, o príncipe das trevas a puxava por uma das mãos até a cama que ele ocupava e somente quando se acomodou sentado nela assim como a semideusa, continuou com os dizeres. – Quando eu fui atrás de você aquele dia na floresta.. era justamente para fazer isso. Mas você se quer me deu uma chance, e não a culpo por isso.. – Neste momento um riso soprado e breve escapava os lábios dele, mal podendo acreditar no que estava prestes a confessar a outra. – Suponho que queira saber porque eu não deixei que cumprisse nosso acordo.. porque te abandonei no encontro com Afrodite.. - O mesmo era sereno no que começava a explicação, como talvez jamais havia sido, um traço que tinha adquirido ao amadurecer nesses seis meses afastado. Respirava fundo antes de continuar. – Eu não podia arriscar a sua vida por conta dos meus interesses.. Passar algumas horas no Submundo, é diferente de dias, diferente de trabalhar pra Hades.. Eu havia sonhado no labirinto com isso.. – Minhyub não dava muito espaço para que ela o interrompesse, pois sabia que hesitaria se o fizesse. Inquieto, ele acabava por ficar novamente de pé, parando em frente a chama de fogo negro que queimava no centro. – Um dos dons que carrego é saber quando uma alma esta prestes a morrer.. o que particularmente é mais como uma maldição quando se afeiçoa a alguém.. e eu me afeiçoei a você, Claire. – Estava de costas a ela, não conseguiria proferir aquilo se estivesse cara a cara. – Me doeu trair sua confiança, me doeu ver você partir, tanto quanto foi me manter afastado todo esse tempo… – Mesmo ao terminar de contar tudo aquilo, o rapaz ainda era incapaz de fita-la, sentia-se totalmente desarmado ao abrir tudo que havia sentido e pensado durante aqueles meses, ainda mais por não ter noção de como ela reagiria sobre. Não sabia quanto tempo havia passado depois de ficar quieto, mas parecia uma eternidade na mente do rapaz.
Quando somente teve a certeza e confirmação do rapaz que só haviam ambos ali foi que a garota pode se sentir mais aliviada e calma. E assim pode observar com atenção a decoração do chalé de Hades, qual lembrava um local já conhecido pela semideusa: o palacio no Submundo. Ocasionalmente acabou sentindo arrepios por isso, não por medo, mas por lembrar do que houve e o quanto aquilo fez a garota ficar mais reclusa que o normal. A filha da neve deixou ser puxada pelo garoto, logo então se sentando confortavelmente na cama junto a ele. Quando citado sobre a floresta, a expressão da garota até mesmo murchou como se estivesse triste por ter tratado Minhyub tão mal, e de fato estava, mas havia muita magoa dentro da garota.
O principe das trevas desatou a falar, e a garota deixou que ele pudesse falar sem que fosse interrompido e mesmo que quissesse, sabia que não iria conseguir já que este falava até demais. Sabia que as condições do Submundo eram diferentes, mas nunca pareceu tão obvio quanto agora. Ela nunca tinha parado para pensar nisso e até mesmo uma certa culpa bateu diante a garota por isso. Notou ele se levantar outra vez, balançando a cabeça em sinal que estava escutando com atenção até ouvir ele dizer que havia se afeiçoado a menina. Ficou de boca aberta, literalmente. E que bom que o mais velho estava de costas, porque tinha certeza que estava com cara de idiota. Levou um tempinho até se recompor, limpando a garganta e respirar fundo para falar. – Você podia ter me falado sobre… Hm, o submundo. – Claire se ergueu caminhando até o mesmo e pousando sua mão no ombro masculino delicadamente, fitando ele. – Mas eu entendo agora. Acho que entendo também o porque de certos comportamentos. – Um riso soprado saiu dos lábios da garota, mesmo que sem querer, se lembrando a ocasião qual Minhyub ficou nervoso no encontro com Afrodite, agora fazendo total sentido.
– Passei esse tempo todo te odiando por ter me deixado para trás sem sequer falar algo, foi uma merda. Já que nem respostas eu tinha, mas alem da raiva fiquei magoada porque… Bem, achei que tinhamos criado um vinculo. – Era sua vez de falar sobre, ainda que diferente do rapaz, ela o encarava. Até agora. O olhar foi desviado para o fogo, também. – Acho que no final, Afrodite tinha razão. Sobre nós.
Conforme Minhyub tinha o toque da prole de Quione sobre o ombro, somente neste instante desviava os olhos da chama de fogo negro para encara-la com a atenção devida, aquela que não pudera dar quando teve de optar por qual caminho traçar. – E você me daria ouvidos na época..? – Ambos haviam mudado durante os seis meses, não tinha como negar. Sabia que não conseguiria ter a mesma paciência ou coragem para compartilhar tudo que havia sentido e passado naquele momento, talvez tivesse de ter sido assim para que pudesse estar ao lado dela novamente. – Acho que continuaria a sentir raiva de mim de um modo ou de outro. – O rapaz voltava o corpo para ela, colocando uma mecha do cabelo alheio que caia sobre o rosto atrás da orelha. Assim que escutava ela citar sobre o encontro da época com Afrodite, automaticamente vinha a mente a cena de uma semana atrás com o semideus, filho do deus dos céus. – Me diz que aquele filho de Zeus não é aquele supervisor..? – Por mais ponderado que fosse na hora de questionar sobre aquilo, o olhar do filho de Hades não escondia um certo desprezo, com uma das sobrancelhas arqueadas.
Um longo suspiro abandonava os lábios do mais velho que não podia deixar de concordar com a afirmação de Claire referente a tudo que a deusa do amor havia proferido a respeito de ambos. – Por mais que eu odeie concordar com qualquer deus do Olimpo, sim. – O mesmo também não podia deixar de reparar em como a garota passava a se dirigir a ambos com “nós”, ao invés de “você e eu” ou qualquer coisa do tipo, contudo não comentaria nada guardando os pensamentos consigo, com um sorriso quase imperceptível.
Sem hesitar ou titubear, o príncipe das trevas puxava a menor por uma das mãos com suavidade para próximo dele, repousando a canhota sobre a nuca oposta, a fitava com alguma intensidade nos olhos. A aproximação era quase que total, conseguia sentir a respiração dela misturar-se a própria novamente, provocando arrepios suaves pelo corpo do mesmo. – E a partir de agora, uhn? Estamos resolvidos? – A voz sussurrada e grave de Minhyub parecia preencher o chalé vazio naquele instante. – Eu voltei por alguns motivos para o acampamento Claire, acho que você já deve imaginar isso. Preciso de você ao meu lado.. – Encostava a testa a semelhante, mantendo-se perto, ao mesmo tempo que os dígitos gélidos dele ainda sobre a nuca da semideusa afagavam a região com sutileza.
𝖍𝖊𝖗𝖊 𝖎𝖘 𝖉𝖊𝖆𝖙𝖍?
darknesshyub:
O rapaz olhava fixamente a silhueta da mais nova e quando ela se voltava de frente, encarava os olhos da mesma e o que ouvia a seguir o fazia sentir o mesmo aperto que sentira quando optara em traí-la para proteger, por medo de arriscar a vida dela. Não a interrompia, havia perdido a capacidade de falar qualquer coisa, não se sentia no direito de resposta, cada palavra dita naquele instante entrava na cabeça do mais velho e se alojava lá, de forma como se algo também o atingisse no meio do peito também, talvez facadas? Não, talvez a dor física iria ser muito menor. No final, ele estava se sentindo como mais uma alma morta do Submundo e teria de lidar com isso, era a consequência que teria de pagar por ter feito aquela escolha a seis meses atrás.
Desejou que ela tivesse lhe cortado a garganta, talvez assim conseguisse parar de pensar nela, talvez assim pudesse parar de ter os sonhos invadidos pela figura dela, talvez fosse bem mais fácil do que sentir o que estava sentindo naquele instante. Ao que ela esbarrava no ombro do príncipe das trevas e o deixava sozinho com os próprios sentimentos e pensamentos, não foi atrás, não falou nada, permaneceu em silêncio. Havia se tornado um semideus mais forte no tempo que esteve distante, no entanto não se sentia assim, pelo contrário, diante dela e do que lhe foi dito ficou desarmado por completo.
(…)
Durante a uma semana que havia se passado, Minhyub se forçava a não ir atrás ou desviar seus passos de onde a prole de Quione ficava, evitava os horários que conhecia de suas atividades; embora ocasionalmente acontecia de ser obrigado a esbarrar com ela e quando acontecia, logo a mesma desviava seu percurso voltando a estaca zero. O filho de Hades sentia-se um completo covarde diante da situação, não sabia como lidar com sentimentos, nunca havia sentido a necessidade da companhia de outra pessoa, suas únicas companhias sempre foram espíritos, porque era tão difícil aceitar essa condição depois de conviver com Claire na missão não oficial?
Estava quase decidido a deixar o acampamento novamente, decidido a encontrar um novo lugar para que pudesse dar sequência ao seu plano futuro. Não conseguiria fazer absolutamente nada convivendo no mesmo local que a garota e tinha dúvidas se conseguiria fazer isso longe também, mas não tinha mais nada a perder, se é que podia perder algo que se quer fora dele algum dia?! Era filho do deus da morte, estava fadado a isso e o ocorrido o fazia se lembrar disso 24 horas por dia desde que retornara a Pandora.
A alguns dias vinha fazendo e desfazendo uma mochila com os pertences, hesitava a todo instante sobre a decisão de deixar novamente o acampamento, pois sabia que não o aceitariam uma segunda vez se acaso o fizesse. Não pelo local, não iria sentir nenhuma falta de absolutamente nada, exceto pela filha da deusa da neve. Distraído em seus devaneios sobre o assunto, só voltava a realidade quando escutava o bater sobre a porta do chalé. Era tarde da noite, o toque de recolher já havia passado, quem havia de querer algo consigo naquela hora?
Assim que escondia a mochila de baixo da cama, levantou-se para atender a porta e no mesmo momento surpreendia-se ao ver a figura da prole de Quione parada a sua porta, o que havia de ser tão importante para que ela tornasse a lhe encarar daquele modo. – Claire..? O que houv- -Antes que conseguisse terminar de proferir aquela pergunta, era interrompido pela última atitude que esperava vir a receber da mais nova. O contato dos lábios gélidos sobre os próprios por curtos segundos o paralisavam, confuso mas ao mesmo tempo era como se sempre quisesse que aquilo tivesse acontecido. Então sem parar pra pensar que poderiam ser pegos, sem pensar em tudo o que poderia estar contra ou no que precisavam conversar, o rapaz apenas tratou de envolver um dos braços ao redor da cintura alheia e a puxar contra si, repousando a outra mão sobre a nuca alheia, correspondendo ao beijo; sentindo a textura e gosto que ela tinha, sem contar no aroma agradável que a derme dela exalava e o toque delicado desta sobre si, que só havia sentido quando ela o havia curado durante a aventura que viveram antes.
Não sabia quanto tempo aquele momento havia durado, tudo que sabia era o quanto não queria que tivesse findado. Sem que afastasse o rosto do oposto, murmurou baixo apenas para que ela o compreendesse, apenas para que ela fosse capaz de escutar. – Eu achei que.. não queria nunca mais me ver. Porque..? – Os orbes negros agora se fixavam aos olhos dela, mal piscava, temia que estivesse tão entregue aos devaneios que já estava a imaginar tudo aquilo, ou que havia adormecido e tudo aquilo não passasse de mais um dos seus sonhos aonde a garota era protagonista.
Uma parte da cabeça de Claire afirmava com toda a certeza do mundo que a garota havia enloquecido e ficado insana por ter tomando aquela atitude, não estava nenhum pouco sã de nada que havia feito, enquanto uma outra parte se encontrava satisfeita por estar com os lábios colados ao de Minhyub. Mas a verdade era que não sabia dizer exatamente porque agiu dessa forma. Talvez fosse o nervosismo de não saber o que falar junto ao contato que tanto sonhou, literalmente. Pensou em sair correndo dali, fingir que nunca tinha acontecido nada e deixar por isso mesmo, mas o braço ao redor da sua cintura se fez presente e a prole da Quione se entregou de vez ao beijo. O corpo colado ao seu a fez suspirar mesmo durante o selar, deixando com que sua destra subisse para o rosto dele, mantendo-o perto de si enquanto descobria o doce sabor dos lábios do principe das trevas.
Mesmo quando sentiu afastar, ainda que ambas as respirações se chocassem, a filha da neve permaneceu com os olhos fechados com a respiração ofegante. A pergunta dele a fez apertar os olhos, tomando coragem para então abrir os mesmos e encarar os de Minhyub, mordendo o proprio inferior com força. – E-eu… – Procurou forças para dizer algo, ainda estando claramente nervosa por ter feito o que fez, ainda que tivesse sido gostoso e a garota quisesse mais. – Ainda não quero. Ainda estou te odiando, mas eu… E-eu… – Tentava aos poucos organizar os pensamentos na cabeça, sendo dificil pela situação e por sentir cada parte da prole de Hades colado ao seu corpo. Ficou alguns instantes sem falar, mas que na sua cabeça pareciam uma eternidade. – Eu senti sua falta. – Por fim, revelou. Os braços rodaram ao redor do tronco do garoto, abraçando ele com força enquanto sua cabeça se apoiava no tronco alheio.
Ficou ali abraçada nele sem dizer mais nada por minutos, horas. Ou segundos, quem saberia? Então se deu conta que ainda estavam na porta do chalé, empurrando ele pra dentro de vez e entrando junto, fechando a port atrás de si e se apoiando nela logo depois. – Está sozinho? Podemos conversar? Acho que você me deve isso.
A última reação do qual estava esperando vir da prole de Quione, era de que ela havia sentido sua falta, na verdade custava a acreditar que alguém pudesse nutrir aquele tipo de sentimento por ele. Estava confuso e estranhamente feliz por tais palavras, não achava que a ouviria proferir aqueles dizeres nem em seus sonhos mais profundos. Porém antes que pudesse falar a respeito, de dizer o quanto ela havia feito falta a ele também, o abraço mais forte sobre seu tronco o faziam perder a fala, se distrair e apenas corresponder, envolvendo-a agora com ambos os braços.
Só então Minhyub voltava a lembrar da sensação que tivera em algum momento no labirinto, do quanto a mais nova apesar de forte e até durona, tinha um lado delicado, gélido mas agradável que tinha certeza que tinham sido um dos grandes pioneiros para lhe chamar a atenção sobre ela com outros olhos. Quando se deu conta que estavam a vista de quem quer que quisesse algo interessante para olhar, deixou ser empurrado para dentro do próprio chalé. Com a porta agora fechada contra qualquer curioso, o dormitório lembrava muito a decoração do palácio de Hades no Submundo e provavelmente era bem mais escuro do que qualquer outro dos chalés. Contudo estava iluminado por uma pequena chama de fogo negro no centro do cômodo. – Se tem algo que os filhos de Hades tem em comum é o fato de que não gostamos do acampamento, só tem eu aqui. – A sinceridade na voz do rapaz era clara, assim como o olhar que ele dirigia a Claire.
Antes que continuasse a responde-la, o príncipe das trevas a puxava por uma das mãos até a cama que ele ocupava e somente quando se acomodou sentado nela assim como a semideusa, continuou com os dizeres. – Quando eu fui atrás de você aquele dia na floresta.. era justamente para fazer isso. Mas você se quer me deu uma chance, e não a culpo por isso.. – Neste momento um riso soprado e breve escapava os lábios dele, mal podendo acreditar no que estava prestes a confessar a outra. – Suponho que queira saber porque eu não deixei que cumprisse nosso acordo.. porque te abandonei no encontro com Afrodite.. - O mesmo era sereno no que começava a explicação, como talvez jamais havia sido, um traço que tinha adquirido ao amadurecer nesses seis meses afastado. Respirava fundo antes de continuar. – Eu não podia arriscar a sua vida por conta dos meus interesses.. Passar algumas horas no Submundo, é diferente de dias, diferente de trabalhar pra Hades.. Eu havia sonhado no labirinto com isso.. – Minhyub não dava muito espaço para que ela o interrompesse, pois sabia que hesitaria se o fizesse. Inquieto, ele acabava por ficar novamente de pé, parando em frente a chama de fogo negro que queimava no centro. – Um dos dons que carrego é saber quando uma alma esta prestes a morrer.. o que particularmente é mais como uma maldição quando se afeiçoa a alguém.. e eu me afeiçoei a você, Claire. – Estava de costas a ela, não conseguiria proferir aquilo se estivesse cara a cara. – Me doeu trair sua confiança, me doeu ver você partir, tanto quanto foi me manter afastado todo esse tempo... – Mesmo ao terminar de contar tudo aquilo, o rapaz ainda era incapaz de fita-la, sentia-se totalmente desarmado ao abrir tudo que havia sentido e pensado durante aqueles meses, ainda mais por não ter noção de como ela reagiria sobre. Não sabia quanto tempo havia passado depois de ficar quieto, mas parecia uma eternidade na mente do rapaz.