Águas de Maio
Eu desconfio das águas calmas.
O amor tranquilo me assusta mais do que os temporais que já aprendi a sobreviver.
Porque o caos eu conheço. Reconheço o cheiro da ausência, o gosto da dúvida, a vertigem de esperar mensagens que talvez nunca cheguem.
Mas o amor seguro… esse me deixa indefeso.
Porque para descansar nele eu precisaria soltar as armas, desaprender a vigilância, acreditar que alguém pode ficar sem que eu precise merecer isso o tempo inteiro.
E existe uma parte ferida em mim que prefere o quase, o instável, o amor pela metade
porque perder algo ruim machuca menos do que ver desmoronar aquilo que finalmente parecia lar.
















