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Querido diário,
Acreditei por um tempo - um longo e doloroso tempo agonizante - que o amor nada mais era do que algo agridoce, gélido e sem nenhuma expectativa referente a algo bom, que era doloroso em seu final e em seu meio me trouxesse ansiedade.
Mas o amor ele é quente, me abraça a noite quando eu menos quero toque e percebo que é exatamente ali onde me pertenço. Ele me trás uma garrafa de água todas as manhãs pois sabe que eu sempre acordo com cede. O amor tem um sorriso lindo que me fez derreter como um sorvete em um dia quente de verão, tem manias que vieram de outros amores e dores também.
O meu amor tem pesadelos que quero proteger com um abraço, tem beijos na piscina e segredos que são apenas nossos, confidências de coisas ruins e boas que confiamos para manter um ao outro.
O amor me faz ver um futuro, o amor me compra marshmallow e come coisas que normalmente detesta para me ver feliz. Meu amor tem o rosto inchado de sono mais adorável que existe e também aprecia a forma como eu gosto de cozinhar para ele.
Meu amor é quente como os primeiros raios de sol, agradável como uma brisa de inverno e bonito como a mais feliz primavera. Como tocar na água morna do mar com os pés descalços, sentir a chuva após um grande tempo de seca e se deliciar com sorvete com calda de morango.
Meu amor é meu e sempre será, mesmo que se no futuro pertencer ao amor de outro alguém.
Com amor, Therese.
Gasto minhas palavras com saudades, espero o dia em que vocês irão ouvir o suficiente para que haja perdão.
Sinto falta de algo que nunca vivi, sinto falta de algo que nunca será meu.
18/09/2023
Querido diário . . .
Não tenho ideia de qual é a sensação de respirar livremente e se um dia me ocorreu, mal me recordo da sensação. Sinto o mesmo sobre a felicidade genuína como senti a três meses atrás.
Pessoas vão e vem, todos os contratos de amizade são apresentados nesses termos no qual algo irá acontecer ou irá ser mantido mesmo após o vencimento das assinaturas, mas as entrelinhas são dolorosas e me faz querer gritar de alguma forma dolorosa o suficiente para que não haja nenhum resquício de idiotice e saudade em meu corpo.
Eu não seria a primeira renegada a precisar de alguém. Mas ainda dói necessitar algo que foi quebrado profundamente que não há conserto verdadeiro em sua superfície. Quando tem que aceitar que sua fase acabou e que o mais assustador vem agora; se levantar.
Se levantar machuca da mesma forma em que machuquei o vidro em meu punho quando proferi o golpe fatal sobre o relacionamento de vidro.
Diário as vezes penso o motivo pelo qual tenho a necessidade de que minha vida seja falsa, acho que parei de pensar que vivia a um bom tempo e não sei definir o que existe ou o que foi inventado pela minha mente, esculpindo cada pedaço do meu corpo como uma argila ruim. Me perdi na minha própria solidão e nos contos que me digo antes de dormir.
Ainda não sei se isso é um sonho ou se irei acordar, tudo que sei é que tenho uma rotina: entre acordar, me vestir, sorrir e quando o sol se esconder irei me desmoronar em incertezas.
Não sei se vale a pena, não sei em que fase estou e ainda confundo os dias. As pessoas me perguntam porque estou distante e tento me recordar se comi algo naquela dia, naquela semana. Eu me odeio o suficiente para gritar de dor quando percebo que sempre serei eu, que não posso fugir do limbo das mentiras, dos cacos quebrados e da saudade de quando respirar não era profundamente doloroso.
O que eu teria feito, diário, se fosse verdade e a morte estivesse em meu sangue? Seria uma fardo carregado de minha mãe levar ou seria um alívio aos meus amigos mais próximos?
Seria mais fácil de respirar quando não há ar, quando eu não existo.
Mas a conclusão sempre é simples; não se pode matar novamente aquilo que nunca esteve vivo e eu nunca estive, não há nada que me faça estar feliz e genuinamente feliz e isso é egoísmo.
Eu sinto falta deles, eu sinto falta do meu melhor amigo, eu sinto falta das conversas bobas, sinto falta dos filmes, dos jogos em que eu sempre perdia, das risadas e sinto falta de, mesmo que por segundos; respirar livremente.
Eu sinto muito, eu realmente sinto muito.
Com pesar,
Therese.
Querido diário,
Já faz um tempo em que estive escrevendo em suas páginas e isso se dá pelo fato de não ter nada a dizer, nem uma pequena dose ou uma grande quantidade de melancolia em meu peito. Acredito que não há forma de descrever, com palavras sinceras, a forma como me sinto.
Pensar é demais e me custa muita coisa, me custou muita coisa a forma como agi sem pensar e é um equilíbrio injusto comigo mesma e me condeno bem mais do que as palavras não ditas de outros.
Me sinto patética.
Me sinto suja e me sinto, no meio de tudo, solitária.
Sempre acabo sozinha nesse canto sujo com as lágrimas banhando o meu rosto em milhões de sensações penetrantes e dolorosas, quebrei outro espelho esperando uma maldição que nunca iria vir, somente para não encarar o que eu fiz ou o que poderia ter feito. Esse trabalho é da minha mente de qualquer forma.
O ciclo vicioso de estar sozinha em aniversários e encarar as velas pensando no que desejar, sempre penso com antecedência sobre um pedido e no final sempre sussurro que “espero não estar sozinha no meu próximo aniversário” e então isso nunca se realiza. Acho que eu mesma estrago as coisas e no final, quando o desejo está tão próximo de se realizar que eu estrago tudo, somente para ter algo a desejar quando soprar as velas.
Eu estou com medo mas mantenho o mesmo rosto distante todos os dias.
As vezes eu me pergunto se vale a pena aí dar estar aqui, como quem diz seriamente que gostaria de fugir para qualquer lugar ou ir para lugar nenhum. Como deitar na minha cama pela última vez e abraçar forte meu travesseiro favorito, como fechar os olhos e não abrir.
Ainda pensando nisso, diário.
Com amor, thereze.
Ainda me pergunto se um dia vou parar de te amar, se encaro outras pessoas e soam tão estupida a ideia de que não é você ali. Soa cruel te amar e saber que talvez isso parta somente de mim ou mais cruel que não sabia exatamente o que fazer.
Me sinto maluca em ciúmes de algo que não me pertence e me perco em detalhes de uma vida que era nossa para moldar, era nossa para sorrir e agora você não é nada além de algo que poderia ter sido nosso.
E então me pergunto se algum dia irá deixar de ter você em mim.
Estamos constantemente presos em looping’s de desinteresse. Se não me quer, te quero muito menos.
A maior mentira que poderia contar.
Querido diário,
Nunca desejei tão intensamente sentir um nada como agora estou desejando a todas as combinações de minutos possíveis. Eu estou tão cansada de ser sempre a porra da segunda opção que eu desisti de todos e agora eu se quer vou ser uma opção.
Eu estou tão cansada dos outros me machucarem com a porra da falta de palavras que não parece justo dure tudo como se eu quisesse fazer dar certo e receber merda nenhuma. Eu estou com raiva, eu estou a ponto de explodir e eu quero que isso dure o suficiente para que eu faça o que eu tenho que fazer de vez para tirar isso da minha vida. Eu quero queimar minha pele tão intensamente que ao tocar nos outros eles sintam o quão doloroso soa para mim.
Eu desisto, falei isso milhões de vezes mas não me refiro a alguém mas sim da ideia de que eu preciso de alguém. De que eu preciso da porra das migalhas de todo mundo por que decidiram que era para ser assim e é isso que eu sempre sou uma coitada fodida. Sempre a porra de uma coitada.
Eu espero nunca ver o seu rosto de novo.
Thereza.
Querido diário,
As vezes desejo não ter escrito aquelas mensagens com tanta esperança, as vezes desejo não ter falado.
Mas desejo tão intensamente que volte a algum lugar para longe desse frio.
Com amor, thereza.
Querido diário,
Aceitei muitas coisas em minha vida esses dias, tenho aceitado tanta coisa que não sei mais onde as caixas que chegam no pequeno cômodo da minha mente vão se encaixar.
Tudo soa tão triste, vazio e Deus, tão cansativo. Há assuntos que não posso se quer falar, há insistências que são cruéis e a há silêncios que me doem a alma como se colocasse uma faca quente em meu peito a afundando, mal consigo gritar de dor mas estou em desespero.
Minha mente está quieta mas ainda tenho certeza que ontem foi terça feira em vez de sexta e que na próxima semana terá o funeral de alguma tia de segundo grau no qual me lembro de terem comentado que seria em dezembro de 2017. O tempo anda tão confuso quanto as pessoas e as questiono a todo momento se as machuquei, eu talvez tenha feito algo errado, e então me lembro que em 2010 machuquei o meu tornozelo e ficaram gritando comigo e eu não sabia o motivo de estar errada se havia me machucado, era minha culpa atrapalhar o ano novo por ser uma descuidada?
Diário eu estou enlouquecendo e me mantendo sã em meio a distrações frívolas que tinha a um bom tempo e isso seria uma viagem, um filme ou qualquer coisa que me tire daqui, que me tire daqui, que me tire de mim.
Eu estou com medo também de que seja em vão. Me pergunto quanto tempo ela irá voltar a ser tão quente e se isso tem haver ao fato de que as vozes me falam absurdos antes de dormir que eu era uma bela de sexta opção para quando todos não tivessem sinal em seus telefones e eu estivesse lá, moscando como uma idiota. Uma criança com o dedo no ouvido.
Meu corpo anda frio o que significa que estou a meio caminho de um cadáver ambulante e tenho chorado alguns instantes, comido algumas porcarias e me jogado na cama prendendo a respiração o suficiente para dormir em seguida, acho que fico decepcionada ao acordar. Meu médico diz que tenho que ficar bem e saudável mas me recuso ao escutar e tapo meus ouvidos com doces, cigarros e autodestruição.
Falo algumas besteiras para ela, trabalho na sexta e na segunda estou sem saber que dia é. Diário eu estou tão confusa e quero desesperadamente a mão de alguém e não sei como pedir, queria que não fosse tão complicado pedir ajuda e queria que ao pedir ajuda a ela não tivesse que ter medo ou ter de lidar com o fato de que algo aconteceu ou que vai mentir.
Eu pareço tão estupida assim?
Pareço tão estupida, eu sou estupida, que pergunta estupida!
Diário que dia é hoje? Por que eu não consigo amar ninguém novo? Por que eu ainda estou chorando escrevendo essas palavras, por que eu quero desesperadamente morrer?
Com amor, Thereza.
Querido diário,
Já pensou como seria se a gente pudesse reencarnar ou algo do tipo, mas sabendo exatamente quem você era na vida passada e acreditando que seria uma oportunidade. Acho que penso nas coisa em que eu poderia fazer.
Penso em aprender uma língua engraçada e inesperada, tipo grego ou tailandês. Eu estudaria astronomia ou faria algo aleatório como arqueologia, eu não sei direito mas eu gosto da ideia de astronomia e toda a coisa do signo. Talvez eu quisesse viajar o mundo, se essa vida me permitisse eu faria, eu andaria em cada calçada de um país diferente e não olharia para trás, experimentaria comidas estranhas e conheceria pessoas, boas ou ruins, aprenderia com elas e com novas culturas, religiões.
Mas eu pararia as vezes, me sentaria em um lugar aberto e com um copo grande de chocolate quente e chantilly eu faria desejos em horas iguais e sorriria ou choraria, eu me permitiria sentir da forma que não ando fazendo nessa daqui. Eu escreveria livros, tiraria mais fotos e amaria.
Droga, diário eu amaria tão fortemente que seria sufocante e é o que eu mais desejo, eu me amaria e amaria alguém que me amasse e me deixasse tocar a alma e não seria covarde em deixar eu a tocar também. Eu ficaria violão nos sábados e aprenderia novas músicas no domingo, jogaria meus jogos favoritos e correria em encontros bobos em fliperamas.
Talvez eu tentasse aprender a programar e criar aquele jogo de zumbi que eu tenho em mente faz anos ou vender minha ideia a alguém famoso e ficar rica o suficiente para ter uma família.
Uma família.
Seria bom ter uma família, eu teria amigos e uma família. É, eu teria tudo.
Mas… Por que eu só consigo pensar que eu somente conseguiria realizar essas coisas em outra vida? Parece tão distante viver algo assim nessa e, porra, eu só tenho vinte e um e alguns meses quebrados e por que parece que eu estou a cada dia com menos tempo? Com mais rotina e mais…
Medo?
Eu gostaria de poder sorrir como eu fico sorrindo ao imaginar detalhes tão vividos em minha mente sobre uma possibilidade, eu deveria agir nessa vida ou aguardar a próxima?
Com amor, Thereza.
Querido diário,
Acho que estou escrevendo por que acabei me acostumando com a ideia de que posso te falar a verdade, talvez por que eu não me sinto culpada em jogar as coisas em suas costas, até por que você não tem uma, mas de toda forma isso me reconforta.
Me pergunto todos os dias se está realmente valendo a pena, você sabe, essa coisa de ser feliz e tal. Eu acho que estou tentando da forma errada ou talvez eu não exista para ter muitos amigos mesmo e isso é meio chato, as vezes fico pensando na garotinha que sentava no canto da escola imaginando por qual motivo ninguém nunca gostava de brincar comigo ou na garota que ficava dias sem comer para ficar bonita o suficiente para que alguém possa a amar, acho que isso ainda acontece as vezes.
Queria conseguir me encaixar, queria ser bonita e queria saber ser alguma coisa de verdade além de sensações de desespero, de que não posso confiar em ninguém por que eu não posso ser mais do que um saco onde todos despejam as coisas, acho que tudo é assim. Isso é difícil.
Isso dói, dói bastante aqui. Mas vai ficar tudo bem, eu preciso que fique tudo bem.
Eu estou bem, ao menos dói um pouco menos do que mês passado.
Com amor, Thereza.
Querido diário,
As vezes consigo definir o que eu estou sentindo com uma metáfora idiota que talvez soe mais confortável me deixar senti-la do que realmente fazer algo para mudar.
Estou em uma casa, uma casa grande no campo e essa casa tem um lago, não é algo muito grande mas não é pequeno e eu nunca sei se ele é fundo ou raso, nunca entrei nele. Nessa casa eu sinto que estão todos ali, pessoas que são pessoas e elas estão se divertindo e tendo uma vida agitada, acho que definiria como uma grande festa nessa casa gigante e tudo que está lá é bom, é quente. Diferente do lago que está congelado, me sinto sentada no cais com uma das pernas entre meu peito encarando o gelo me escondendo do frio.
Me sento lá por que não fui convidada a festa, há algo lá barulhento demais e há algo em mim que não suporta barulho e as pessoas sabem que estarei tapando os ouvidos então fico no frio, como um castigo silencioso pois nem os pássaros ou grilos ousam a cantar algo, o vento assobia e é a minha companhia mais fiel do momento. Todos estão se divertindo e eu estou parada, e não sei se tenho coragem o suficiente para me levantar.
Talvez estivesse criando coragem para me jogar de frente, meu pé toca o gelo mas não há força, ele aos poucos se forma cicatrizes entre a sola do meu sapato e eu sei que se eu pisar com meu corpo e tudo irei afundar e a correnteza irra me levar pra longe. É errado estar pensando atualmente em simplesmente ficar de pé sobre o lago?
Espectadora de uma vida que não me pertence, acho que procuro respostas no lago mas não vem. Todos estão se divertindo e não tem tempo para a garota que não gosta de barulho e isso é cansativo. Acho que gostei do início, no verão a vista é bonita e há pássaros, mas quando se senta tempo demais acaba tendo poeira em seus ombros e uma vontade incontrolável de fechar os olhos e ficar de pé sobre o lago congelado. Talvez a pior parte seja quando recebo visitas, elas são tão rápidas e nunca posso pedir para que a pessoa fique, eles apenas acenam de longe e sorriem e eu faço o mesmo e eles viram em direção a festa.
Por que eles foram convidados e eu não.
Com amor, Thereza.
Querido diário,
Acho que algo ficou um pouco pessoal demais quando eu vi algumas coisas sobre o que dizer para sua versão criança ou coisa do tipo.
Acho que, vou te usar para isso pelo menos uma vez e se eu tivesse a chance ou se um dia algo acontecer eu acho que eu gostaria que ela lesse isso ou escutasse alguém falando.
Então vamos lá.
“Querida eu do passado, olho para você com uma ideia de alguém diferente e ao mesmo tempo te sinto tão quente dentro do meu peito, sensações conflitantes em saber que ao me olhar no espelho não saberia distinguir quem é você e quem não é. De toda forma, se quer saber, eu sinto muito por tudo isso.
Talvez, eu me pego pensando as vezes, se eu tivesse sido menos cruel com você, se teria um sorriso de verdade no rosto ou se aqueles pensamentos ruins nunca tivessem sido colocados ali. Mas posso te dizer que você aguentou demais e eu estou orgulhosa e isso está me fazendo ser alguém melhor do que eu pude ser, por causa do seu sacrifício e da sua dor, nossa dor. Acho que vai doer mas não vai doer para sempre e eu posso lhe garantir que tudo isso vai passar em algum momento e estávamos certas em dizer que irá passar, mas gostaria que não tivesse esperado tanto tempo no escuro ou que sua coragem tivesse sido descoberta um pouco mais cedo.
Não te culpo, deveria parar de fazer isso também! Ou culpar a mamãe ou qualquer pessoa por que eles são cruéis mas acho que todo mundo não sabe lidar com a gente.
Nós vamos fazer coisas estupidas e sem noção, terá de se abraçar no chão sozinha em um banheiro enquanto se mata de fome para ao menos fazer com que elas parem de serem cruéis com você. Mas você irá ter amigos sinceros, irá aproveitar cada brisa em seu rosto e irá se apaixonar, vai sentir todas as borboletas, cobiçar escutar aquela voz por horas e pensar nela como se fosse tudo o que pudesse fazer e vai ser bom, vai ser doloroso por que temos um pé ao drama mas vai estar sentindo algo e não vai ter medo.
Eu sinto muito por não ter sido tão forte, mas eu me sinto bem em pensar que a gente fez isso sozinha e a ideia de que vai ficar tudo bem finalmente passou de uma maldita ideia. Você é uma garotinha e, por Deus, você deveria brincar na terra não pensar sobre roupas e como não deve comer antes de um evento importante por que vai te fazer bonita. Isso soa meio estupido por que eu ainda penso assim, mas gostaria que tivéssemos estendido que isso não é bom mais cedo, parar de chorar por conta de um padrão e imaginar que ninguém te ama ou gosta de você por que não é bonita o suficiente ou magra o suficiente.
Sinto muito por não ter passado isso também, espero que fique tudo bem.
Gostaria talvez pedir desculpas por ainda estar viva, mas eu não sei se seria certo quando eu ainda consigo te enxergar no canto do banheiro implorando para um Deus que tirasse a sua vida, céus, voz só tinha doze anos de idade e agora, nove anos depois eu ainda consigo sentir o amargo que sentia em sua boca.
Eu amo você, te neguei a essa palavra mas ela irá ser liberta e eu realmente te amo o suficiente para ficar, gostaria que pudesse lhe dizer isso de verdade mas estamos aqui, estamos bem e eu me orgulho disso, de você e de mim. “
Com amor, Thereza.
Querido diário,
Nunca estive tão próxima do inferno quanto nos últimos dias. Estive com algo amargo em minha boca então não tive vontade de comer, tudo parecia nojento e me encarar no espelho me fazia ter náuseas assustadoras e dolorosas.
Noite passada minha mãe me encontrou no chão da cozinha, não me lembro de ter me deitado lá, mas havia sangue, eu gritava com uma dor tão absurda que me pergunto como consegui manter meus olhos abertos, ela chorou comigo abraçada por horas a fio e eu a implorei para que tudo isso parasse, para que ela tirasse essa dor, por que eu não queria morrer ali sentada na cozinha coberta de sangue e lágrimas.
Acho que essa é a parte em que ninguém conta em um primeiro encontro, como teve de se sentar em um banco no chuveiro enquanto se sentia uma criança sendo banhada, quando não tem energia o suficiente para respirar e você se importa com todos mas ninguém sabe o suficiente para importar com você. Quando está tentando o seu melhor para se manter viva e então todos esperam que você aja com carinho enquanto essa sensação não está passando em sua mente e não se lembra do gosto doce, quando não recebeu mensagens nenhuma e preferiu que fosse assim por um bom tempo mas ao mesmo tempo se perguntou se alguém realmente estava ali por você.
Deus . . . As pessoas devem me achar realmente mesquinha.
Uma da parte mais difícil de ter uma mente barulhenta é quando ela subitamente se cala e você sabe que estará presa nesse vazio, em crises, gritos e choros, machucados e dores, por um longo tempo e não há exatamente ao que se desesperar por que não tem mais nada para ser salvo, você afundou, você já era. Três dias e tudo soou como o maldito inferno e eu posso sentir minha pele queimando a cada brisa gélida.
Diário, o que eu posso fazer para me salvar de mim mesma? Eu poderia deixar de afastar as pessoas como eu tanto desejo? Mas como iria explicar isso a elas sem as afastar de verdade, as pessoas tem medo de pessoas complicadas e eu não sou a melhor pessoa para se estar.
E eu não as culpo.
Diário, eu queria ser normal, queria não ter nenhuma dor.
Com. . . Amor?
thereza.
Querido diário,
Eu estou tão cansada de estar sozinha. De perder todos os dias. Qual o problema comigo?
Thereza.