Por uns meses irei me ausentar deste lugar. Recolherei meu espírito ao silêncio, distante do barulho, das notícias ruins, Internet e do incessante movimento do mundo. Necessito de dias só, para que eu possa, enfim, ouvir apenas o que ainda resta de mim. Muitos contemplam aquilo que compartilho e imaginam que meus dias sejam serenos, adornados de alegrias e paz. Todavia, há muito tempo minha realidade é outra. A alegria que muitas vezes apresento é apenas um véu delicado lançado sobre um coração profundamente cansado...
Tenho travado uma batalha silenciosa contra minha própria mente. O TOC( transtorno obsessivo compulsivo) transforma pensamentos em correntes invisíveis, inquietações em tempestades e labirintos. Aquilo que para muitos parece simples, para mim tornou-se um combate diário, constante e exaustivo.
Como se não bastasse a guerra que habita meu interior, também enfrento aflições dentro de meu próprio lar. Pouco a pouco, tudo isso vai consumindo a esperança, a tranquilidade e a força que outrora possuía.
Entre os tormentos da mente, as aflições do lar e as feridas da estima por mim mesma, tenho caminhado como quem se perde na névoa sem vislumbrar a aurora... por dias.
Há dias em que já não me reconheço digna da vida que me foi concedida. Em minhas orações, não peço riquezas nem glórias, apenas suplico ao Altíssimo Deus que, se for de Sua vontade, conceda repouso ao meu espírito e me leve. Que, enquanto o sono cerrasse meus olhos, ele me chamasse acolhendo minha alma em paz e serenidade, sem dor, sem sobressalto dando repouso bonito ao meu corpo e repouso sereno a minha alma. Se, porém, ainda houver um caminho reservado para mim, que Deus me conceda forças para atravessar esta noite escura, pois já me sinto demasiadamente fatigada para caminhar sozinha.
Por essa razão, escolho afastar-me por algum tempo. Não por desprezo a alguém mas porque meu coração encontra-se demasiadamente fatigado. Necessito recolher os pedaços de mim que ficaram dispersos pelo caminho, cuidar da alma que há tanto clama por descanso e buscar, em Deus, a serenidade que já não consigo encontrar em meio ao tumulto dos meus dias.
Peço compreensão. Que o silêncio de minha ausência não seja interpretado como indiferença, mas como esforço para permanecer de pé, enquanto procuro reencontrar a paz que perdi.
-Stefany Borges
23/07/2026 23:12 pm
J.S.Bach














