Porque quando eu não tenho o que quero, eu me sinto sozinha e triste. E quando eu tenho o que eu quero, tenho certeza que vou perder. E a espera é insuportável.
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Porque quando eu não tenho o que quero, eu me sinto sozinha e triste. E quando eu tenho o que eu quero, tenho certeza que vou perder. E a espera é insuportável.
Flores Raras
LIvro: O Orfanato da Srta.peregrine para Crianças Peculiares
Ainda Há Tempo
Cê quer saber? Então, vou te falar. Por que as pessoas sadias adoecem? Bem alimentadas, ou não Por que perecem? Tudo está guardado na mente. O que você quer nem sempre condiz com o que outro sente. Eu tô falando é de atenção que dá colo ao coração E faz marmanjo chorar Se faltar um simples sorriso, às vezes, um olhar Que se vem da pessoa errada, não conta. Amizade é importante, mas o amor escancara a tampa. E o que te faz feliz também provoca dor. A cadência do surdo no coro que se forjou E aliás, cá pra nós, até o mais desandado Dá um tempo na função, quando percebe que é amado E as pessoas se olham e não se falam Se esbarram na rua e se maltratam Usam a desculpa de que nem Cristo agradou Falô! Cê vai querer mesmo se comparar com o Senhor?
''As pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.''
- Ainda há tempo. (Criolo)
Sigo à risca. Me descuido e vou… Quebro a cara. Quebro o coração. Tropeço em mim. Me atolo nos cinco sentidos. Viver não é perigoso? Então, com sua licença! Não tenho medo. Nasci assim. Encantado pela vida. O sertão é dentro da gente. Ah, como não? Aqui tudo é achado. Somos ferro e fogo. Perigo nunca falta! Sertão é igual coração. Se quiser, que venha armado! Tudo é igual. Aqui se vive. Aqui se morre. Dentro e fora da gente. Confusão demais em grande demasiado sossego.
Guimarães Rosa
(via minhasaspas)
SE VOCÊ ENCONTROU
A razão serve para o desespero, não para explicar a alegria. A alegria é inexplicável.
Se você tem um amor, segure, não pense, não pese os prós e contras, não faça matemática.
Se você encontrou um amor, prenda com os dentes do coração.
Não solte, não brinque com a sorte, não entre em disputa para prevalecer seus hábitos, não pense que é banal e comum.
É mais fácil nascer de novo do que ressuscitar um amor.
Deponha o orgulho, jogue fora a teimosia, perdoe as diferenças, contenha a implicância, entenda a raiva, mude de personalidade, queime a identidade.
Brigue por ele, brigue com o mundo por ele, brigue com sua própria alma por ele.
Demita o terapeuta, cancele o amigo, prepare a liminar das palavras, recorra ao tribunal, desça ao inferno.
Não precisa de apoio de ninguém, e sim de coragem.
Não há como lhe ensinar coragem (ensina-se medo, mas coragem não).
Procure coragem na saudade mais recente. Procure coragem no cheiro mais longo. Procure coragem no beijo mais demorado.
Ter alguém que faça tudo por você não se repete.
Alguém que não desiste quando muitos já teriam desistido, alguém que lhe espera quando muitos já teriam acenado com a ironia e trancado a porta.
Alguém sem motivos para amar e que continua amando.
Alguém sempre disponível, alguém que para tudo para ficar com você, que jamais diz não, que cancela compromissos e viagens, que unicamente quer estar com você.
Alguém que não demora nem dois minutos para responder uma mensagem, nem uma hora para estar em seus braços.
Alguém preocupado se você comeu, se você dormiu, se você está bem.
É um amor inteiro: é alguém que completa todos os seus bons sentimentos, e também completa os ruins.
É um 'homem' inteiro: nunca se conheceu tanto a partir dele. Conheceu também sua maldade, seu ódio, sua angústia, sua loucura.
Nenhum outro 'homem' despertou tudo em você. Tudo, inclusive o que não presta. Antes conhecia apenas parte de si, a parte equilibrada, a parte sociável, a parte controlada. Antes conhecia apenas o lado bom da vida, não conhecia o amor.
O amor é se ver no reflexo do lago no momento em que chove, nunca será um espelho parado.
Se você encontrou um amor, prenda com as raízes do coração.
Não largue esse amor até a morte. Não acredito em vida eterna, acredito em amor eterno. E é agora.
- Fabrício Carpinejar
Se eu pudesse lhe dar alguma coisa na vida, eu lhe daria a capacidade de ver a si mesmo através dos meus olhos. Só então você perceberia como é especial para mim.
Frida Kahlo
O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.
Marçal Aquino, Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. (via escandalos-poeticos)
Sei que o amor e as represas são iguais: se você deixa uma brecha por onde um fio de água possa se meter, aos poucos ele vai arrebentando as paredes - e chega um momento em que ninguém consegue mais controlar a força da correnteza. Se as paredes desmoronam, o amor toma conta de tudo; já não interessa o que é possível ou impossível, não interessa se podemos ou não manter a pessoa amada ao nosso lado - amar é perder o controle.
Paulo Coelho, Na Margem do Rio Piedra eu sentei e chorei. (via escandalos-poeticos)
Como esquecer
“A primeira grande tarefa do ser que foi deixado, fora chorar copiosamente, é avisar o mundo do lamentável ocorrido. Entrei com pedido de licença, fiquei improdutiva durante semanas. A minha volta, uma ideia fixa me acompanhava pelas salas, corredores: o tempo não tem fim, mas ele é o fim. E aquilo ficava ecoando na minha cabeça como um mantra. Algum preço a gente tem que pagar quando resolve fingir que a vida já voltou ao normal quando não é nada disso que está acontecendo.”
Como esquecer, (2010)
Toda Manhã
A você, que tem um porta-retrato do filho ao lado do computador, com folhas atoladas na segunda gaveta, que não acredita em nada mais para não forçar a esperança a acreditar em você, que entrou neste livro talvez por acidente ou por curiosidade, que mal passou os olhos pela primeira linha e viu que não era com você, peço que fique mais um pouco para descobrir realmente que não é com você. Nada disso é com você; e tudo pode vir a ser.
É com você, que nunca está satisfeita com a altura da cadeira, mas também não sabe como girar a manivela, que diminui os passos para escutar o bambu plagiando a chuva, que falo.
A você, que gostaria de ser mais percebida, mais elogiada, mais viva, que ninguém nota o vestido novo, o cabelo cortado, que chega ao trabalho pensando que causará outra impressão, e o espaço vai repetindo o dia anterior.
A você, que cuidou dos irmãos pequenos, que comprava cigarro para o pai e leite para a mãe, que teve que pular a janela para sair com os amigos.
A você que não está satisfeita com o emprego, com os hábitos, com o número das calças, com o guarda-roupa, com o guarda-chuva, que espera as próximas férias como um domingo prolongado, que gostaria de dormir mais e ser penteada pelo vento antes de acordar.
A você, cheia de expectativas, que se diplomou e pensou que tudo estaria resolvido, que se casou e pensou que tudo então estava pronto, que teve um filho e pensou que tudo estava chegando. Não a conheço, muito menos sei o que lhe aconteceu na infância, qual foi o primeiro namorado, a primeira transa, o primeiro choque, o primeiro porre, o primeiro do primeiro amor, o primeiro do último amor; é justamente a você que começo a escrever dentro de sua desistência.
A você, que nunca pensou que o riso também precisa de aquecimento para não se machucar em rugas, que deseja ler de manhã e viver o que se lê de tarde, e que não lê de manhã e nem vive de tarde, e sobra a noite para fazer de noite.
A você, que é uma promessa de cheiro, de chá, que coloca perfume nos pulsos e no pescoço, que tem receio de chorar onde não se chora, de falar o que não se deveria, que se controla e se autocensura para não se entregar.
A você, que passou a vida a disciplinar o desespero, que segura a bolsa perto do quadril, que é suave para olhar de canto.
A você, que está aqui e não se resolve, porque não é aqui que está, mas dentro daquilo que procura. Alguns procuram um endereço; outros, um sentido.
A você, que escuta o sangue e não entende.
A você, que quer explicações para não se contentar com relatórios, para não se apaziguar em brincadeiras, que não usa relógio para não ser infiel à aliança, que repara as laranjas germinando abelhas na hora do almoço.
A você, que não duvida ao assinar o nome, mas troca invariavelmente a data.
A você, que em toda manhã regressa de seu mais fundo e ninguém repara o seu esforço para subir à superfície.
A você, que parece sombra quando a água passa, que parece água quando a sombra senta; a você quero dizer: eu desapareço em você.
-Fabrício Carpinejar.
Posso ser confundido com um idiota. Mas prefiro ser esperançoso do que pessimista, que sofre duas vezes: antes e depois. É necessário coragem para ter esperança. Temos mais medo da esperança do que do desespero.
Fabrício Carpinejar
A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram por suas vidas…
Clarice Lispector. (via poentoar)
A saudade é uma tatuagem na alma: só nos livramos dela perdendo um pedaço de nós.
Mia Couto
era uma vez e é ainda
era uma vez o dia eu senti o peso do mundo foi ontem ou está sendo ainda agora
antes eu sofria também chorei e esperneei um bocado definitivamente dormi demais
para não ter que encarar as minhas imperfeições rasguei a própria pele o meu avesso, mil vezes eu reneguei naquele velho roteiro de medo
confusão, agonia, covardia nunca não o suicida não é um covarde não necessariamente, provavelmente não sei
era uma vez o dia era eu não era sobre mim era assim confuso magma naquela cama suja de sangue e vômito
o peso do mundo eu senti foi por volta de agora repito que não sei nem onde estou, tudo me é estranho a mão colada no meu braço segura uma faca, não reconheço nada
estava em cima de mim era eu, sim, mas não era nada disso e nem interessa porque no meio de tudo, nada aconteceu antes
labirintos de minotauro sem corda na ponta traço doido ao abrir as portas de todos os armários
eu tô la fora sem roupa e agora era uma vez ainda
O que dissemos um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido; confissão misteriosa e secreta, feita de um a outro coração, que só ao céu cabia ouvir, porque não eram vozes da terra, nem para a terra dizíamos. (…) nos unimos (…); nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única.
Machado de Assis, Helena (via escandalos-poeticos)
Uma definição não encontrada no dicionário: ‘Não ir embora’: Ato de confiança e amor.
A Menina Que Roubava Livros (via recitarpoesias)