Leaving the limits / James and Marianne
Já era tarde quando Marianne terminou suas lições com a rainha e pode finalmente ter algum tempo livre. As aulas tomavam grande parte do seu tempo, etiqueta, costura, irlandês, artes, literatura, as mais variadas, tudo para que fosse uma rainha e esposa exemplar algum dia. Apesar de achar todas as lições cansativas e até um pouco entediantes, ela aprendia muito e era agradável passar um tempo com a rainha, era amável e atenciosa com a princesa, como os pais nunca foram.
Agora que tinha a tarde livre, a princesa tratou logo de caminhar até os jardins e respirar ar puro enquanto esperava James para ir até o mercado como haviam combinado. James era incrivelmente atraente aos olhos dela, o cabelo negro contrastava perfeitamente com a pele clara e os olhos azuis, além de ser uma companhia agradável. Estava perdida em pensamentos quando ouviu uma voz conhecida chamar por ela, virou o corpo para onde vinha a voz e abaixou o rosto rindo baixo. Era James que vinha correndo ao seu encontro, uma cena um tanto cômica para Marianne, que estava acostumada a vê-lo sempre em ótima postura por causa da cobrança do pai. – Não está atrasado, monsieur. Terminei minhas lições com a rainha há pouco tempo, mal respirei o ar puro do jardim. Agora que está aqui, penso que podemos ir. – Passou o braço pelo dele e sorriu, desviou o olhar do dele para olhar o caminho, sempre com o queixo na altura certa e coluna ereta, mantendo sua boa postura.
Marianne observava cada detalhe do caminho, precisava aprender ir até lá. Prestar atenção nos detalhes foi algo que sua experiência de ficar perdida na floresta a ensinou e até hoje ela leva a lição consigo, prestando atenção nos mínimos detalhes de tudo, lugares, caminhos, melodias, pessoas. Olhou para James e percebeu que ele parecia inquieto, como se algo o incomodasse. – James? – Chamou a atenção do rapaz para que ele a olhasse.– Está tudo bem? Parece incomodado com algo… Minha presença não lhe agrada? – Mordeu o lábio inferior apreensiva pela resposta. – Posso pedir a Talulla que me acompanhe e assim pode retornar ao castelo, caso deseje.
Se limitou a abrir um sorriso - Lições, sempre lições - revirou os olhos ao pensar nas próprias que fazia. Tudo bem que ele reclamava, mas no fundo tinha um amor especial pela política, desde pequeno crescera ouvindo que ela era essencial na vida não só de um rei, mas como de qualquer um, as palavras de seu pai foram preenchendo a matéria com um certo amor diferenciado das outras, mas jamais abandonaria a esgrima, outra que se abandonasse poderia entrar em depressão. Continuou andando pelo gramado com a postura que julgava exagerada, mas manteve toda naturalidade possível. Etiqueta se aplicavam também aos homens, confessava que era no mínimo entendiante. Não faria diferença nenhuma andar feito um homem normal, mas faziam aquilo por questão de título. E suas costas doíam.
- Sim? - perguntou curioso, voltando seus olhos para a princesa. Incomodado? Talvez sim, mas não era nada contra ela e sim contra o caminho que não fazia ideia de qual era. Não queria que ela o visse como um príncipe tolo - Problema algum - quando a ouviu perguntar se sua presença não lhe agradava, sentiu o coração sair pela boca - Claro que não! Por que me incomodaria com uma presença tão honrosa - sorriu. Tinha aprendido desde pequeno a tratar bem as damas, mesmo James O'Donnell o completo irresponsável, aquilo era um charme para ganhar as pessoas. Mas com Marienne, que conhecia desde mais novo, tudo saía com extrema naturalidade. Quando ouviu o nome de Talulla, arqueou a sobrancelha pensando agora se era ela quem estava inventando isso para não tê-lo ao seu lado. Não pensou por mal, James tinha quase a cabeça de uma criança as vezes, espantou mais uma vez os pensamentos da cabeça e presumiu que não - Creio que não, princesa - exprimiu enquanto comprimia os lábios.
Não via a hora de sair dos limites do castelo, andar como quiser, falar como quiser. E James não se cansava de ser um completo irresponsável? - Acho que é por aqui, se eu não me engano - falou sério tentando demonstrar confiança. Com sutileza a puxou pelo braço virando logo depois de um portal onde o gramado demarcado passava a ser uma pequena trilha com pedras. Já estavam longe demais para decidirem voltar, imersos as árvores e também plantações baixas, o silêncio mórbido tinha começado a irritar o príncipe que fez questão de procurar algo mais interessante a conversarem, coisa que não foi feita com muito sucesso - Então... Tem falado com sua família da França? Eles devem estar muito orgulhosos do que sua filha se tornou.

















