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Estava ali, num domingo sem pressa,
passeando por contas que esqueci que eram minhas,
quando encontrei — debaixo de datas antigas — uma pessoa que eu não sabia que havia perdido.
Projetos que começaram com aquela pressa de quem ainda acredita que tudo é possível às três da manhã.
Ideias que não pediram licença pra existir, que simplesmente eram — cheias, inteiras, vivas.
Fiquei olhando sem mexer em nada.
Com medo de que um clique errado apagasse o que o tempo já fez questão de guardar melhor do que eu jamais teria feito.
Não desperdicei nada, eu acho.
Só deixei algumas vidas em rascunho — como todo mundo que um dia teve coragem suficiente pra começar.
A crise veio, sim.
Mas junto com ela: a provade que você sempre foi alguém que vale a pena ser lembrado.

















