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Alice Madness Returns
Resultado... Ficou mega vesga! Mas tá valendo! :P
Hey, hey, hey! Meu nome é Larissa e eu sou amiga da Letícia, entãão... Ela me recomendou a sua história e eu estou comecei a ler agorinha, e você escreve bem no estilo Tolkien, wow, isso é é demais, e melhora mais ainda por que não tem aquela ladainha de irmão-do-tio-do-sobrinho-avô-primo-de-terceiro-grau-quadragésimo-nono-elfo-de-blá-blá-blá. Acho que você me entendeu. Ah ela me disse que você é PotterHead, eu não sou, mas nota-se que você é tbm pelo jeito de escrever.Ok,ok, ler agora xauxau :3
Hey! E aí?
A Letícia já tinha me falado de você. Ano passado ela me mostrou uma uma parada, na verdade eram umas três ou quatro páginas de uma história feita de pura psicose, que eu achei bem interessante. É semideusa, não? eu tbm sou! :D
Filho de Hades a seu dispor! :)
Ah valeu por se interessar pela minha história! E sim, eu inspiro meu jeito de escrever no Tolkien, só que sem aquela parada difícil de parentesco e tal Hahaha...
Bem espero que goste da minha história XD
Tchau! :3
#can we please talk about how Sandy fully intended to punch a child in the head
"I had insecurities and fears like everybody does, and I got over it. But I was interested in the parts of me that struggled with those things." - Philip Seymour Hoffman
Contos de um Dragão - A Torre da Fênix
— Capítulo sete —
As chamas da loucura
Primeiramente Diana achou que fosse só um pesadelo.
“Só pode ser coisa do vórtex caótico que é minha mente” pensou ela. Mas infelizmente não era.
Bom, começou com o barulho de várias e várias pessoas gritando e com o sino de alarme ecoando pela cidade.
Diana levantou abruptamente. Olhou em volta ainda meio tonta devido ao susto de ter acordado de repente. Levantou - se e olhou pela janela. Ainda era noite, mas uma coisa estava errada. Muito errada.
A cidade estava em chamas. Isso era aterrorizante. Porque Frost está localizada num continente conhecido como “Terra de Gelo”, ou seja, as chances de uma cidade pegar fogo em Frizzlord são nulas, mas agora que está acontecendo... Meio que fica naquela escala de uma em um milhão. E olha! Acertou em cheio.
Diana conseguiu trocar de roupa rapidamente antes de sair de casa. “Eu posso até morrer hoje, mas não saio na rua de pijama”.
É alguém precisa rever suas prioridades...
Ela verificou o quarto dos pais antes de se lembrar que ambos não estavam ali desde aquela tarde. “Ótimo. A cidade em chamas e eu aqui sozinha. Não podia ficar melhor!” dissera ela descendo as escadas e indo para o andar térreo de sua casa.
Por mais que seus pensamentos fossem sarcásticos, Diana estava com medo. Pois imagine. Ficar sozinho em casa enquanto tudo a sua volta está em chamas? Você obviamente estaria se borrando de medo.
Ela saiu pela porta só para ver pessoas correndo e gritando para todos os lados. Ursos polares que conduziam as carruagens de Frost estavam sendo orientados a seguir numa certa direção, mas como estavam muito assustados acabavam escapando dos adestradores e correndo em direções aleatórias.
Entenda esses ursos não são muito acostumados com calor extremo.
Além dos gritos desesperados das pessoas, os urros dos ursos, do barulho de várias janelas de vidros quebrando e também do alarme da cidade, um som se destacava por ali. Um som estranho para uma situação daquela. O som de uma risada.
A dona da risada estava a um quarteirão dali e mesmo com os outros barulhos em volta, sua risada ainda podia ser ouvida. Era uma garota da mesma idade de Diana. Tinha cabelos castanhos que iam até a altura do ombro, olhos verdes e profundas feições de uma psicopata alegre e saltitante. Vestia um casaco fino preto com zíper aberto por cima de uma blusa branca que estava com furos de queimados mostrando parte de sua barriga em forma e também uma saia vermelha com detalhes de fogo em cor preta que ia até um pouco abaixo do joelho por cima de uma meia-calça branca com listras horizontais negras. Mas o mais aterrorizante era o fato de que essa garota estava literalmente colocando fogo na cidade. De suas mãos saiam labaredas fumegantes que se juntavam a mais chamas ao redor ou iniciavam um novo incêndio em algum edifício.
— HÁ-HÁ-HÁ-HÁ-HÁ-HÁ! — ria ela de modo descontrolado e louco enquanto colocava fogo em mais um edifício — Sempre achei o inverno uma época meio insossa. O calor é muito melhor!
Guardas a cercavam com armas prontas para ataque, mas nada podiam fazer. As chamas a protegiam. Quem se aproximava dela, era carbonizado em questão de segundos. A cena apavorou Diana mais do que ela já estava. Ela ficou imóvel.
— Eu não sei não — a garota misteriosa começou a falar — acho que precisa de... mais fogo. Hmmm...
Ela começou a analisar o local. Aparentava estar feliz com o que tinha feito até agora. Ela se pôs a saltitar.
— Ah, nada melhor do que ver gente correndo e gritando desesperadas e também em chamas! — disse ela como se estivesse vendo uma coisa realmente muito boa — Mas isso é só uma parte da cidade... Ah! Vamos nos divertir mais ainda agora...
Diana viu quando as chamas engoliram a garota e formaram uma espécie de furacão de fogo que ficou girando até atingir um ponto alto no céu e então, uma coisa irrompeu das paredes fumegantes do furacão de fogo. Uma grande ave. Não, uma ave enorme. Coberta por chamas. Ela emitia um brilho tão grande que iluminava o céu com uma coloração de tons alaranjados. Ela batia as asas e fazia com que um vento quente espalhasse ainda mais as chamas pela cidade.
Ela ficou um bom tempo lá, rodeando o espaço aéreo da cidade e ateando mais fogo ainda em alguns lugares só de pisar em cima deles.
Diana ficou atônita com aquilo. Foi preciso com que uma parede de fogo, que veio a ela depois que o grande pássaro de fogo bateu suas asas, viesse em sua direção para que ela começasse a perceber que... Um: Aquilo com certeza não era um sonho e... Dois: Como não era um sonho, aquelas chamas podiam realmente incinera-la em questão de segundos.
Ela correu arfando e, inteligentemente, cobrindo sua boca e seu nariz com o braço para tentar filtrar a fumaça, que estava se acumulando no ar, com o se casaco azul.
Ela continuou correndo para caminhos aleatórios. Mas não tinha como escapar daquilo.
“Ah, ótimo! Vou morrer justo quando finalmente eu tenho uma desculpa para não fazer o dever de casa.”
Ela cogitava enquanto virava uma esquina só para ver que estava bloqueada com destroços fumegantes de edifícios.
“Se bem que se eu vou morrer não preciso esquentar com deveres de casa.”
“Há-há-há... eu disse que não preciso me esquentar, mas estou no meio de um incêndio. Isso soa tão... engraçado? Ótimo agora eu to delirando”.
... Pensamentos de uma garota “normal”, eu acho.
Ela ficou ziguezagueando pelas ruas até que o ar ficou cheio de fumaça e se tornasse impossível respirar. Seu rosto estava cheio de cinzas e suado. Suas roupas estavam meio queimadas.
Bom, esse seria o não tão grande final da vida de Diana, mas o destino lhe reservava outro final.
Ela estava sentada no chão e estava esperando a falta de ar nos seus pulmões chegar a um ponto crítico onde por fim perderia a vida. Mas, das chamas surgiu uma figura alta com um chapéu de cowboy. Ele usava um cachecol vermelho tapando seu rosto, deixando a mostra somente seus olhos verdes penetrantes. Vestia um casaco estilo “sobretudo” aberto feito de couro preto esfarrapado por cima de uma camisa branca. Usava uma calça de tecido grosso e escuro e botas marrons de cano alto.
Ele se dirigiu até a garota. Diana, ainda consciente, viu quando ele a pegou nos braços e levantou com facilidade jogando-a por cima do ombro.
“Que tipo de herói é esse?” foi o que ela se perguntou enquanto sua cabeça pendia para baixo fazendo seu sangue ir para o cérebro e causar uma dor esquisitamente chata.
Diana não viu, mas o cara que estava segurando por cima do ombro fez um gesto curto com a mão esquerda que estava coberta por uma luva estranha enfeitada com linhas finas interligadas que brilhavam em diferentes cores. Até que parou numa cor roxa. Ele apontou a mão para frente e instantaneamente, ele e Diana foram parar numa floresta, longe do fogo e da fumaça de uma cidade acabada que anteriormente fora Frost.
Diana foi repousada no chão gelado. Não reclamou quando a figura masculina pôs um cantil nos seus lábios e a fez beber um pouco de água fresca. A sensação era divina. Poder respirar ar puro novamente era, para Diana, maravilhoso.
Diana se sentou na neve. Movendo a cabeça para o lado, Diana percebeu que não era a única naquele lugar. Viu rostos conhecidos como o de Helena e de Joe. Ambos apagados na neve. Diana pensou que estivessem mortos, mas viu o movimento que faziam com o peito para conseguir respirar. Ficou um pouco aliviada com aquilo.
A figura que a salvara tirou o cachecol vermelho do rosto, colocando de volta no pescoço.
Seu rosto era jovem, mas tinha uma cicatriz na parte direita do seu rosto que ia do lábio superior até um pouco abaixo de seus olhos verdes. Sua pele tinha um tom moreno claro. Ele não parecia ser alguém que Diana conhecesse, mas ele salvara a vida dela então, não podia ser a pior pessoa do mundo.
— Hã... Com licença — Diana começou a falar — quem é você?
Ele a fitou com seus olhos verdes. Fez um movimento no ar com a mão novamente. Diana percebeu que as linhas que enfeitavam a luva dele brilharam num tom branco e viu quando, assim, do nada, uma carta de baralho toda branca e coberta com um tipo de fumaça cinza clara surgiu entre seus dedos.
— Apenas durma pequena — Disse ele pousando a carta na testa de Diana. A carta simplesmente evaporou ao encostar na pele da garota.
Diana sentiu seus olhos pesarem. A única coisa que viu antes de perder a consciência foi a figura alta se levantar e ajeitar seu chapéu. Depois simplesmente apagou.
...
Bom eu poderia terminar o capítulo por aqui, mas acho que vocês deviam dar uma olhada no que está acontecendo em Frost.
Sentada no topo de um edifício, a garota misteriosa admirava a cidade em chamas.
— Bem melhor — dizia ela enquanto brincava com uma pequena serpente feita de chamas que acabara de invocar. Seus cabelos castanhos balançavam com o vento. Parecia gostar dos gritos de desespero que ainda podiam ser ouvidos na cidade.
Ela ficou de pé. O fogo que tinha em suas mãos se apagou. Ela passou as mãos pelo cabelo castanho. Sua expressão era de puro prazer.
— Bom mais uma ronda pela cidade e vou embora.
As chamas a engoliram novamente e ela voltou a se transformar em um grande pássaro de fogo.
Ela voou alto e desceu de forma rápida e em linha reta. Quando chegou a uma altura calculada ela mudou sua posição na horizontal. Fazendo isso, impulsionada pela velocidade da queda, ela deu um rasante pela cidade. Suas asas batiam e atravessavam os edifícios com uma facilidade enorme. Sua calda longa e fumegante balançava no ar como grandes chicotes de fogo.
O tour dela não durou muito. Enquanto sobrevoava a cidade, colocando ainda mais fogo e indo em direção a até então intacta fortaleza de Jayce Frost, um urro gutural ecoou por cima dos gritos desesperados. Uma figura musculosa portando uma manopla de metal brilhante que cobria sua mão e todo antebraço voou do que seria um edifício próximo. Ele calculou bem o tempo em que o grande pássaro passou por ele, pois assim que ele passou o cara aplicou um grande e poderoso soco na parte lateral do pássaro com sua manopla de metal pesado.
O pássaro caiu devastando ainda mais a cidade. Não sei se aquilo foi uma coisa boa ou ruim, mas foi bem legal.
— Taric se afaste! — Uma mulher com cabelos negros apareceu no alto de um grande monte de escombros que antes seria mais uma casa de Frost. Portando um arco negro enfeitado com pedras roxas, ela fazia rápidos movimentos com as mãos, pegando uma flecha na aljava em suas costas colocando-a no arco e atirando contra o grande pássaro, repetidas vezes.
— Isso Vy!
Eles haviam visto o grande pássaro de longe e não demoraram em chegar à cidade. Vy e Taric. Possivelmente os melhores guerreiros de Frost estavam lá finalmente.
O pássaro explodiu em chamas. Novamente ela surgiu das chamas. A garota com cabelos castanhos aparentava não estar tão feliz assim.
— Olha, não é nada legal socar as pessoas em pleno ar sem avisar antes — falou ela num tom meio chateado tirando as flechas que estavam penetradas em diferentes partes do seu corpo. As feridas expeliam um líquido vermelho antes de se fecharem por completo — e muito menos atirar flechas nelas depois que elas caem.
— Saindo da boca de alguém que acabou de destruir uma cidade, essa frase não faz muito sentido, sabia? — disse Taric.
— Amor, Ela não faz sentido — comentou Vy.
— Não importa... Já que vocês não vão durar muito aqui mesmo. Enfim foi legal e tal, mas agora... QUEIMEM!
Dizendo isso, jatos de chamas saíram de suas mãos. E foram em direção a Taric e Vy.
Vy se escondeu atrás dos escombros e escapou das chamas por pouco. Taric já não teve escolha. Ele estava perto de mais da garota e seu único meio de escapar das chamas foi colocar suas manoplas na frente de seu corpo. Isso não foi uma ideia muito boa.
O fogo esquentou de mais o metal que compunha as manoplas. O grito de dor de Taric Moonlight pode ser ouvido de longe.
Ele caiu ajoelhado. Provavelmente inconsciente, mas seu corpo ficou ajoelhado e não caído. Suas manoplas antes com um tom cinza metálico agora tinham um tom avermelhado e emanavam calor e fumaça.
— Droga! Taric!... Ai! — Vy tentou ir em direção a Taric, mas a garota conjurou uma parede de chamas na frente dela. Ela caiu para trás tentando escapar do fogo.
— Ora, ora... Ora! — disse a garota lentamente — parece que encontrei um casal aqui! Que bonitinho! Nada é mais fofo do que um casal que morre junto... Espere, tem uma coisa melhor sim! Um casal morrer junto e QUEIMADO! HÁ-HÁ-HÁ-HÁ-HÁ-HÁ — Ela parecia estar no meio de uma crise psicológica. Ela não parava de rir das coisas mais improváveis e malucas. Você deve saber que se alguém acha graça na morte, não deve ser normal.
— Ai, ai... Olha foi bem legal, mas vamos acabar logo com isso? Já deu o que tinha que dar e tal — suas mãos fizeram um movimento para cima e as chamas próximas subiram e formaram uma serpente de fogo gigante.
— Tchauzinho! — E então a serpente avançou. Primeiro em direção a Taric, que já estava fora do ar.
Mas de repente a serpente se dissipou. As chamas se espalharam. E expressão da garota mudou de divertida psicótica para furiosa.
— Como sempre arranjando problemas não? — A figura com chapéu de cowboy que salvara Diana estava ali em pé, em frente de Taric — Você não mudou em absolutamente nada — Ele fez um gesto largo no ar com as mãos e de repente tinha cartas de baralho nelas.
— Ah, não! Não, Não, Não, Não, Não! Você não! — disse a garota batendo os pés no chão como uma criança fazendo birra.
— O que foi não está feliz em ver seu irmão Rey? — disse a figura.
— Bom, deixe-me pensar... NÃÃÃO! — falou ela pondo ênfase no “não” — Ai, o que você está fazendo aqui Tresh!
—O meu papel de irmão mais velho, dando uma lição na irmã criadora de problema que você é — Tresh mostrou a sua irmã Rey o verso de três cartas que estavam em sua mão — Vamos, escolha uma carta.
Ele abriu um sorriso.
Vy ficou olhando aquilo tudo e nada mais se passava em sua cabeça além de:
“Droga!”
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Contos de um Dragão - A Torre da Fênix
— Capítulo seis —
Pequenos presságios
Diana se encontrava cega de indignação e raiva. A ponto de não prestar atenção e quase tropeçar na escadaria principal da PCAB, na saída do elevador do edifício.
Era óbvio que ele tinha um elevador. Se não ninguém iria naquele lugar não é? Imagina?! Subir 20 ou 24, 25 ou até 26 andares de escada?! Coisa de louco! As pernas dos alunos agradecem pela grande invenção de Treledard. E olha que esse não era nem de longe o maior edifício de Frost.
O elevador cabia para exatas 23 pessoas por vez. E só tinha um dele no edifício. Era um pouco rústico comparado aos dos “dias de hoje” que tem espelhos e câmeras, mas naquela época era uma maravilha só.
De volta à Diana.
Ela ainda achava absurda a ideia de um professor ter falado aquilo. “Eu não saberia me defender? Até parece”; “Que direito ele tem de me chamar de fraca?”; “E pensar que eu ainda achava ele um professor legal”.Era o que nossa garota cogitava enquanto se dirigia ao saguão de entrada.
O saguão era bem espaçoso com o piso em cerâmica branca tão limpa que refletia o teto acima. Este era alto com luminárias bem interessantes: Em alguns lugares no teto de mármore tinham alguns orifícios de metal dourado com hastes grossas também de metal dentro deles. Estas hastes tinham esferas de vidro luminosas na ponta. Enquanto estavam ligadas essas esferas se interligavam uma a outra por meio de pequenos raios de energia azul, como uma grande rede de energia elétrica luminosa. Era bem bonito.
Mesas de madeira dispostas em alguns lugares tinham tabuleiros de jogos tradicionais disponíveis para qualquer aluno ir lá e jogar. As paredes tinham formas gravadas no mármore, retratando a coisa mais comum em Frost. Neve! Diferentes formas de flocos de neve cravados de forma perfeita no mármore branco da parede.
Diana lembrou que achou aquilo a coisa mais incrível quando entrou lá pela primeira vez. Bom ela ainda achava, mas era diferente agora. Ela estava acostumada. Acho que isso prova que algumas coisas, por mais que sejam incríveis, podem se tornar comuns quando se convive muito com elas.
O saguão estava cheio de alunos glorificando por finalmente sair daquele lugar, funcionários e professores estavam ali também conversando ou simplesmente indo para casa cansados e também meio magoados pelos comentários dos alunos.
Diana atravessava o saguão apressada, desviando do montuê de pessoas ali presentes. “Fala sério, eles vivem dizendo que acham a escola chata mas quando as aulas acabam eles continuam ali ? sério?” cogitou ela.
Helena, Joe e Patrick estavam perto dos portões que davam lugar ao pátio. Mantinham a expressão "você se ferrou?" mesmo depois dela ir sorrindo em direção a eles, jogando toda sua preocupação para a pequena parte de seu cérebro que se preocupava com as coisas.
— O que foi que você ganhou de castigo dessa vez Lua? Limpar o pó dos livros da biblioteca pelos próximos dois meses de novo? — perguntou Joe com um tom estranhamente curioso e com um sorriso no rosto.
—Bem se eu levei algum castigo, eu não sei — começou Diana — saí da sala antes que pudesse ouvi-lo.
Joe pareceu um pouco chateado. Ele é um daqueles amigos que querem ver você se ferrar para rir da situação, sabe?
— Lua, você precisa parar com essa sua forma de ser, pelo menos a parte de dar chilique no meio de uma aula— Helena tentava soar gentil — ninguém mais fala com você além de nós. Você está se auto-decretando a “garota estranha” de Frost! Como pretende... Hã. U-Hum! Arrumar uma pessoa especial para você, se você afasta todos de você mesma. — ela passou um tempo considerável pensando nas palavras.
— Eu não ligo para isso, você sabe. Além do mais, não preciso de ninguém para viver bem — Diana mentiu. Na verdade, para ela era difícil pensar em “arrumar uma pessoa especial”. Pois ela queria. Mas era complicado já que se jeito de ser afastava as pessoas, como dissera Helena. Ela queria, mas procurava achar que não precisava.
— Quer dizer que não precisa de nós, Lua? — perguntou Patrick.
— Bom. Vocês e meus pais são exceção— Ela passou o braço direito no ombro de Helena e o esquerdo no de Patrick, abraçando os dois — Eu amo vocês, por que vocês me aturam.
— Mas e eu? — perguntou Joe um pouco ofendido.
— Você ainda não é um membro efetivo do clube “Pessoas que aturam a Diana”, pois você só me atura porque me quer ver ferrada.
— Hmmm... Muito justo — ele disse por fim.
Helena riu.
— Então vamos? — perguntou Diana
— Ao Águia sem asas! — disseram os outros em uníssono.
Assim eles caminharam pelo pátio com chão de pedra cinza. Diana pulava os blocos de pedra como uma garotinha brincando de amarelinha.
—Bom fim de semana, senhor! — disseram os quatro quando passaram pelo cara grande e forte que estava de saída com eles. Diana achou que devia ser um encarregado da guarda da cidade procurando algum documento importante na PCAB. Pois lá eles existiam.
“Fala sério, eles não construiriam um lugar imenso só pra crianças estudarem. deve ter algo perigoso lá dentro. Ou suspeito. Tipo Mobywarvs, a escola mágica dos livros que li” Diana cogitou enquanto Helena falava com Joe sobre alguma coisa que a mente dela achou chato demais para prestar atenção.
Helena era da altura de Diana. Tinha cabelos louros e olhos castanhos claro. Vestia o mesmo tipo de roupa que a maioria das pessoas usava em Frost. Casaco verde escuro com capuz, gorro preto que cobria seus cabelos louros, calça de tecido grosso e botas de couro.
Joe usava somente uma camisa com manga vermelha, luvas de lã preta, calça e botas. Seus cabelos castanhos e bagunçados balançavam ao vento que percorriam as ruas de Frost. Seus olhos verdes estavam fixos no caminho à frente, enquanto ele abria um sorriso ao ouvir seja lá o que Helena contava para ele. Diana se lembra de ter ouvido algo sobre um tal de Jack ter esbarrado e caído em cima da Frill. Que era a professora de “elementos químicos e biológicos da atualidade e sua utilização” ou só química.
Patrick por sua vez andava silenciosamente. Seu capuz negro cobra seus cabelos da mesma cor. Ele usava óculos de armação redonda. Tinha a pele levemente mais morena que Joe e era um pouco menor que ele. Vestia um casaco negro e calças azuis escuras.
Deviam ser mais ou menos umas sete da noite. O águia não podia estar tão cheio nessa hora.
Caminhando pelas ruas de Frost Diana não conseguiu deixar de lado o que houve na sala de aula. Achava que fora muito rude com o professor. Mesmo que ele a tenha chamado fraca.
Os edifícios que compunham Frost estavam iluminados pela grande bola de luz prateada no céu. A lua estava cheia hoje novamente. Como no mês passado. geralmente nessas ocasiões acontece algo esquisito na vida de Diana. Ela não sabe o porquê. Mas acontece.
Menos hoje. Ela acabara de lembrar que nada havia acontecido. Fora a ocasional briga com seu professor e a falta de atenção contínua, fora um dia normal para ela.
Eles estavam andando pela calçada de uma rua bem espaçosa. Era uma área segura para pessoas andarem a pé, pois na rua em si passam os veículos de Frost. Que são apenas ursos polares peludos e grandes portando uma espécie de armadura protetora carregando uma carruagem atrás dele. Pode parece cruel mais os “bichinhos” adoravam aquilo. Recebiam comida em fartura, praticavam exercícios, já que corriam de um lado para o outro. Era bom para todos. Em Frost, as pessoas não são como a maioria das quais você está acostumado. Elas não obrigam animais a nada. Se algum urso não gostar da ideia de puxar uma carruagem ele pode voltar, depois de serem identificados e receberem um nome, para o “Espaço dos ursos” que é uma área fora de Frost, perto do litoral do continente. Lá eles podem se alimentar sozinhos, ter uma família de ursinhos e tudo mais.
Tudo funciona de maneira exemplar em Frost. Não é a toa que é não é considerada uma cidade e sim um reino nobre, rico e muito justo. Jayce Frost cuida muito bem para que nada dê errado naquele lugar. E se algo der errado ele mesmo resolve na maioria das vezes. Uma vez o sistema de aquecimento do quarto de Diana parou de funcionar. Taric e Vy não eram especialistas mas Jayce foi lá e concertou em poucas horas. Ele dissera que tinha passado tanto tempo com Treledard, que era impossível não saber algo sobre encanamentos e outras coisas.
Helena e Joe continuavam rindo da situação do Jack. Diana não entendia a graça daquilo. Talvez porque não tinha visto.
Dois ursos passaram rugindo por eles, carregando uma carruagem grande. Eles viraram numa esquina e se afastaram até que seus rugidos eufóricos ficaram inaudíveis.
Diana e os outros viraram para direita e atravessaram a praça da árvore de gelo. Bom, não tem muito que dizer sobre esse lugar. O próprio nome já diz. Era uma praça como qualquer outra, com bancos e mesas para as pessoas conversarem. Mas no centro tinha uma grande Árvore. Que fora congelada antes mesmo da cidade ser construída. Jayce dissera para Treledard poupar aquela árvore. E hoje, vários anos após a construção da cidade, ela ainda está de pé.
As pessoas que passavam ali, olhavam a árvore. Não sei exatamente qual significado dela para eles, mas ela era linda. Branca com tons de azuis de gelo. Seu galhos tinham estalactites de gelo que brilhavam de um jeito incrível a luz da lua.
Eles pararam do outro lado da rua da praça. Onde ficaram esperando por um tempo até vir uma carruagem puxada por dois ursos grandes. Diana reconheceu o da direita como sendo o Nuni e o da esquerda o Fihro.
— Oi!— dissera ela de modo carinhoso acariciando o focinho dos dois e dando uma grande abraço neles. Sentiu o pelo macio e curiosamente bem cheiroso de Nuni, enquanto Fihro passava uma língua pegajosa na sua bochecha — Ai! Há-há-há. Não tem como ficar brava quando vocês fazem isso — ela riu. Depois largou os dois e subiu na carruagem grande com os outros. Pagou sua parte da passagem e sentou-se com Helena enquanto Joe e Patrick sentaram-se nos bancos atrás delas. A carruagem era bem grande. Cabiam 16 pessoas nela. E por enquanto só tinham eles quatro, fora o manobrista que “dirigia” a carruagem.
Começaram a andar.
— Nos deixe no Águia por favor— gritou Patrick.
—Pode deixar.
Helena pareceu inquieta de repente.
— Você vai me dizer por que está tão tensa? — perguntou Diana.
—Bem, eu só... — novamente, escolhendo as palavras — só... queria saber o que rolou quando você estava com Marcus na sala.
Ela fez uma cara como se esperasse que Diana a enforcasse. Helena não gostava de se meter muito na vida dos outros. Ou pelo menos aparentava não gostar.
Diana contou relutante o que aconteceu. Contou a história sobre o irmão e Marcus e como ela agiu depois que ele a chamou de fraca.
— Ele tinha um irmão? — Perguntou Joe
— Porque você agiu dessa maneira com ele, Lua?— retrucou Helena.
— O que ele queria fazer no vale dos elfos? — perguntou Patrick.
— Ele tinha um irmão?— repetiu Joe.
— Eu não sei. Foi no automático, acho — respondeu ela para Helena — E, eu não sei o que ele queria nos vales dos elfos. E Joe, vou ignorar sua pergunta.
— Acho que você deve desculpas a ele — falou Patrick
— Mas eu já dei! E além do mais, parando pra pensar, eu falei a verdade.
— Não importa! — retrucou Helena mais uma vez — você devia ter mais consideração com os sentimentos dos outros. Principalmente dele. Ele é um professor tão legal.
— É eu sei.
Diana se sentiu mal por Marcus pela primeira vez. Mesmo sendo a verdade, era cruel de mais para ser falada daquele jeito.
— Olha eu me desculpo com ele quando voltarmos para PCAB, ok?
— É melhor mesmo. — comentou Joe
— Cale a boca!
Diana olhou pela janela. A paisagem passava rápido. Casas, alguns bares pequenos, lojas. O céu estava meio nublado hoje.
Ela entrou em outro devaneio. Pensou ter visto um homem com um chapéu a lá cowboy em um beco com algo de cor roxo brilhante em uma das mãos.
“Quem seria aquele cara?”
A carruagem freou.
— Chegamos ao Águia! — falou o manobrista.
— Vamos então? — perguntou Diana.
Ela e os outros desceram. Agradeceram ao manobrista e se despediram mais uma vez dos ursos Nuni e Fihro.
— Nossa esse lugar tá meio vazio — comentou Diana.
— Estranho. Para um fim de semana está bem vazio mesmo — Helena falou.
O lugar estava vazio. Era um salão bem grande com várias mesas iluminadas por um lâmpadas amarelas no teto. Um grande palco vazio se encontrava ao fundo. Tirando algumas mesas com alguns alunos do PCAB que foram mais rápidos que Diana e seus amigos, e o grande balcão com alguns adultos bebericando seus copos, o resto do lugar estava vazio. Sem música nem gritaria nem risadas, como era de costume. Diana percebeu que os rostos dos funcionários estavam tensos.
— Nossa, parece até que alguém morreu — comentou Joe.
Eles se olharam por um tempo. Com cara de espanto.
— Alguém morreu ?— perguntou Diana à Moly uma garçonete com cabelos castanhos.
— Não. Por que pergunta isso querida? — respondeu ela.
— Ué, esse lugar está super vazio — falou Helena.
— É, o que houve? — perguntou Joe.
— Bom é que o pessoal encarregado do carregamento de minérios das montanhas de gelo deviam ter chegado ontem. Mas até agora nada. — respondeu ela. — o povo está meio apreensivo. Ouvi dizer que Jayce queria ir lá para ver o que aconteceu por si mesmo, mas não foi pois não queria deixar a cidade. E a viajem daqui até as montanhas seria de três dias.
Preocupação reinou entre aqueles quatro. Sem o carregamento mensal de minérios a economia de Frost iria sofre um baque. Vou tentar evitar muito desse papo sério e adulto demais, mas vocês precisam entender que mais da metade do carregamento de minérios das montanhas são enviados para Vercânia. Onde são transformados em armas e outros tipos de materiais. Daí são vendidos para o resto do mapa. O total de ouro, que não é pouco, é dividido igualmente entre Vercânia e Frost. É assim que parte da economia de Frost gira.
— Bom o que vocês vão querer ?
— Bom sem música ao vivo não tem graça — comentou Helena da maneira mais gentil que pode — mas vamos querer quatro delícias quentes e uma porção de biscoitos de... chocolate, certo ?
Os outros afirmaram com a cabeça.
Eles esperaram até Moly trazer seu pedido. “Delícia quente” era uma bebida muito comum em Frost. Era uma combinação divina de leite quente batido misturado com açúcar, canela e morangos.
Eles comeram e beberam e conversaram sobre o que teria acontecido ao mineradores. Moly disse que uma tropa de busca saiu à tarde em direção as montanhas.
Depois da grande decepção que foi a noite, cada um foi para sua casa.
Diana no caminho para sua casa, pensou outra vez ter visto um cara com chapéu de cowboy.
“Deve ser coisa da minha imaginação” pensou ela.
Ela estava outra vez dentro de uma carruagem-urso. Não percebeu quando acabou dormindo no banco.
No sonho ela viu novamente imagens daquele cara com chapéu de cowboy com algo roxo brilhante nas mãos. Além disso, ela viu também imagens de um grande pássaro vermelho no céu. Ouviu gritos desesperados...
Ela acordou com o rosto quente. O manobrista, um cara de meia-idade veio até ela e a acordou.
— Desculpe-me, minha jovem, mas já chegamos.
— Não tudo bem. Hã... Obrigada — Ela se espreguiçou no banco, pegou sua bolsa e desceu da carruagem.
Entrou em casa e percebeu que os pais não estavam. Lembrou que Moly disse que uma tropa de busca fora para as montanhas de gelo em busca dos mineradores. Seus pais deviam ter ido também.
Ela não esquentou muito a cabeça com isso.
Tomou um banho quente. Vestiu seu traje de dormir e se enfiou em baixo de seus lençóis.
Mas uma coisa não estava a deixando dormir.
Primeiramente pensou que era coisa de sua cabeça, mas ao passar do tempo ela notou que havia uma melodia vindo do lado de fora. De um instrumento de corda. Talvez um violão ou algo do tipo. A melodia era lenta e soava misteriosa. Depois de um tempo uma voz grave começou a cantar lentamente :
Brilhante e implacável, destruidora e cruel.
É assim mesmo pode acreditar, ela já vem percorrendo o céu.
Com ela por perto não tem frio. Seu coração é quente como lava
O céu noturno ela ilumina com suas asas de penas feitas de brasas.
O pássaro de fogo a tudo consome, tão grande e perigoso é seu poder
Mas sua beleza também existe, mas só nos olhos daqueles que não temem morrer.
Brilhante e implacável, destruidora e cruel.
Tente correr ou até se esconder, pois ela já vem percorrendo o céu.
Existe somente uma esperança. O escolhido da lua deve ajudar.
Com um ataque certeiro, feito de puro gelo
O coração da fênix irá congelar.
Brilhante e implacável, destruidora e cruel.
É assim mesmo pode acreditar, ela já vem percorrendo o céu.
Diana sentiu seus pelos arrepiarem. Ela resolveu levantar e olhar pela janela para ver quem estava cantando aquilo.
Assim que abriu a janela um vento quente, o que era muito incomum, entrou pela janela. E trazido por ele uma espécie de carta de baralho.
Diana ficou meio receosa. Pois a carta parecia estar pegando fogo. Não um fogo comum, mas um fogo arroxeado e brilhante.
Ela por fim pegou aquela carta. Não era fogo de verdade, não a machucou. Era uma carta transparente, mas era tão sólida quanto uma carta de baralho comum. Ela ficou curiosa com aquilo. Guardou a carta na bolsa e voltou a se deitar.
Na mente dela a música que acabara de ouvir ainda remoia seus pensamentos, até que por fim ela dormisse.
“É assim mesmo pode acreditar, ela já vem percorrendo o céu.”
Mesmo dormindo, o inconsciente de Diana sabia. Que aquilo não se tratava apenas de uma música comum.
Elsa ! *------------*
Contos de um Dragão - A Torre da Fênix
— Capítulo cinco —
Um conselho ignorado
Hoje, com exatos 14 anos e meio, Diana tentava desfrutar o máximo possível que uma garota adolescente podia de uma super-mega-chata aula de matemática na academia “Palavras Congeladas do Ancião Bernnie”, PCAB para encurtar. Ela estava lá o dia inteiro, não aguentava mais. Seis dias por semana! Aquilo era de enlouquecer qualquer pessoa!
Felizmente era o último tempo escolar do dia e o ultimo dia escolar da semana. Mas isso não a fazia a ficar mais contente, pois ainda faltava bastante tempo para o sinal tocar. Para ela aquilo era um saco.
Obviamente não era por causa do seu professor, é claro. Marcus Vrickfer era um excelente professor e tentava tornar “estudos das figuras tridimensionais e suas aplicações no universo conhecido” uma coisa divertida. O que não era nem um pouquinho, mas era uma boa tentativa.
Sua sala era bem ampla, com paredes internas em madeira. Um bloco com oito fileiras horizontais de carteiras dividas em seis colunas verticais. Cada fileira horizontal ocupava um degrau diferente da sala. Era como o que vocês chamam de cinemas de hoje em dia.
Todas as salas de aula da PCAB eram similares. Além disso, tinham janelas. Grandes janelas de armamento dourado e com vista exclusiva ao por do sol ao longe na beirada, que era como todos os “frizzlordianos” chamavam o desfiladeiro a várias milhas a oeste, onde o território do continente acabava dando lugar ao mar Hollue, que por sua vez, se seguisse umas poucas léguas náuticas ainda para oeste, daria lugar ao grande buraco, um rodamoinho para ser exato. A porta de entrada parao reino submerso, o lar da civilização dos mares, Aquaryn. Mas isso é papo para outra história, talvez.
O PCAB em si era um enorme edifício de exatos 26 andares. Feito em puro mármore e com o interior em madeira de Teixo. Uma combinação debibliotecas e salas de aula.
Diana estava sentada ao fundo de sua sala, na ultima fileira em horizontal e na sexta coluna da direita, ao lado de uma das janelas, essa dava vista para a cidade, Frost.
Ela estava desenhando em seu caderno, como fazia na maioria das vezes nas aulas. Minutos e minutos se passaram e ela continuava a desenhar. Mal dando ouvidos a Marcus. Ela não gostava quando isso acontecia, mas era meio que inevitável. As aulas eram bastante chatas. Seu caderno era praticamente cheio de desenhos de como ela achava que seriam as criaturas mágicas no mundo a fora. Sereias, dragões, duendes, trolls, orcs, vampiros...
Bom, para você deve ser estranho isso não é? Digo:
“Numa terra de fadas e criaturas mágicas, por que diabos eu vou perder tempo indo para uma escola e aprender coisas comuns, ao invés de ir em busca de aventuras no mundo a fora?”
É essa a questão dessa história! É o que Diana Moonlight irá aprender no final de sua jornada. Que estava mais próxima do que ela imaginava. E não era o tipo de jornada que ela lia nos livros normalmente. Estava mais para uma série de desventuras em seu destino.
Continuando. Ela desenhava algo diferente dessa vez. Meio que involuntariamente na verdade. Parecia estar numa espécie de transe. As vozes e barulhos da sala iam sumindo gradativamente. Na folha podia se ver que estava desenhando um pássaro com calda longa e asas grandes abertas, com a cabeça virada para cima. Ele parecia ter uma espécie de base em forma de cone embaixo...
Seu pequeno devaneio parou quando Marcus, agora na frente dela, a olhava com uma expressão meio “o que eu faço com você criatura?”.
— Desculpe-me Marcus...
— Senhor Vrickfer para você mocinha! — ele disse antes de abrir um sorriso e pousar a mão sobre os ombros de Diana que retribuiu com um sorriso tímido, o que era um pouco fora do comum para ela — Vejamos o que é dessa vez...
Ele pegou o caderno de Diana e analisou o desenho do pássaro.
— o que seria isso minha cara?
— Bom seria prudente você perguntar isso para o completo caos que é minha mente, não para mim — comentou Diana do jeito mais sincero que pode — ele, o desenho digo, simplesmente saiu do lápis para o papel. Foi como se o desenho estivesse desenhando a si mesmo, mas me usando como uma espécie de ferramenta.
Marcus olhou para Diana, curioso e meio confuso. Assim como todos os outros ali presentes. Bom quase todos. Joe Feldrian, Patrick Buillster e também Helena Hartfeelia, estavam muito acostumados com esse tipo de atitude de sua amiga. Eles até a chamam de “Lua”. Um apelido bem convincente, pois ela possuía o nome da deusa da lua, Diana, e também vivia no... “mundo da lua”. Então meio que pegou.
— Estranho... Mas, é sim, um belo rabisco! Agora acho que você devia prestar mais atenção na aula, minha cara — repreendeu Marcus, devolvendo o caderno para Diana — suas notas em minha matéria não estão as mil maravilhas. — Ele se abaixou um pouco ficando mais próximo da garota — você é uma pessoa boa Diana. É inteligente e tem um grande talento e tal, mas eu não posso criar notas boas para você! Você precisa se fixar mais no... bem, no mundo em sua volta. Prestar mais atenção nas aulas, fazer os deveres, se esforçar!
Uma raiva cresceu dentro dela com esse sermão. Por isso ela não se conteve dessa vez e disse:
— Tá, me esforçar! Legal! Beleza... — começou ela, com um tom que transbordava sarcasmo — mas pra quê? Hein? Pra quê?
Marcus se levantou e olhou para ela.
— Como assim minha cara?
— Como assim “como assim”?— ela levantou um pouco o tom de voz — pra que serve isso tudo? Todos esses números, essas letras essa coisa toda! Existem criaturas maravilhosas lá fora! Aventuras apenas esperando por seus heróis! Meus pais e todos os guerreiros de Frost são a prova viva disso! De certo modo até eu sou a prova disso! — ela lembrou-se do doloroso incidente com a fada Jena — e nós estamos aqui. Dentro de uma sala, calculando as áreas de uma figura cilíndrica! Para quê, exatamente?Me diga!
Foi então que ela percebeu que tinha exagerado. Todos os 42 alunos ali presentes olhavam para ela agora com cara de espanto. Até mesmo seus amigos. Ela percebeu que estava sendo ainda mais esquisita do que o normal.
— Me desculpe... eu não queria...
Ela guardou suas coisas na mochila e tratou de sair da sala.
Na metade do caminho Marcus a parou. Os dois trocaram olhares por alguns instantes.
— Você não precisa ser assim Diana — ele falou com um tom baixo, sincero e calmo — eu sei que você é uma adolescente e está atrás de sair da monotonia, mas... se revoltar contra seu professor é meio de mais não acha?
— Eu não me revoltei. Eu só disse o que eu sinto. A minha opinião sobre isso tudo.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundo até que Diana resolveu falar:
—Olha! Eu não sou pra isso aqui. Eu... eu — ela fechou os olhos e passou as mãos nos cabelos ondulados e negros com uma mecha branca, cuja qual ela tinha obtido na noite da “ocorrência alada”. Ela deu um tempo antes de continuar, com a voz baixa e aparentemente calma — eu não posso permitir que minha vida se resuma em aprender matérias bobas e comuns. Eu sinto que eu preciso de algo a mais. Eu quero ver novos cenários, conhecer novas pessoas, aprender sobre as criaturas que nos cercam nesse mundo... eu quero viver mais do que só uma vida escolar e trabalhar em um escritório ou... nem isso, sabe? — ela deu mais uma pausa e olhou para a fora da janela na parede à esquerda da sala. A janela que tinha vista para o pôr do sol na “beirada”. O qual estava acontecendo nesse momento. E ela fez questão de se aproximar mais para olhar.
O sol com toda sua grandiosidade e brilho parecia entrar lentamente dentro d’água. O céu cheio de nuvens era uma mistura de tons vermelhos e laranjas, que iam mudando para azul escuro cheio de pontos brancos brilhantes, conforme o sol sumia ainda mais no horizonte, seguindo seu caminho para iluminar outra parte do planeta. O vento frio balançou os cabelos dela. Podia ser loucura dela, mas não pareceu um vento comum, tinha algo a mais nele. Algo mágico.
Se virando para Marcus novamente, ela finalmente falou:
— Eu... sou uma Moonlight. Sou filha de Vy Witror e de Taric Moonlight. Eu quero ser lembrada por algo também. Assim como meus pais. Eu... acho que preciso fazer algo, como eles. Mas não posso ser lembrada por ficar dentro de uma sala de aula. Eu sinto que mereço mais do que uma vida comum.
Um sinal ecoou por todo o edifício.
— Dispensados! Quero o restante do exercício pronto para ser entregue na próxima aula. Até lá, tenham um bom fim de semana — Marcus falou para o restante dos alunos, sem tirar os olhos de Diana.
Diana fez menção de ir embora também.
— Você fica mais um pouco, minha cara — Ele disse se dirigindo a ela.
— Nós te esperamos lá fora o.k? — Helena estava com um olhar de preocupação. Como sempre...
— Até logo lua, te vejo lá embaixo! — Joe disse, no seu tom brincalhão de costume.
— Até... — Falou Patrick, lançando a ela o mesmo olhar de Helena.
Eles saíram da sala deixando Diana a sós com Marcus.
— Olha me desculpa tá bom! Eu não queria dar uma de louca raivosa com você... De novo.
— Está tudo bem. Você está um pouco certa até — disse ele olhando para o céu que ia se tornando cada vez mais escuro, conforme a noite chegava — Você deve estar pensando que, já que seus pais são uma lenda viva, você deveria seguir os passos deles não é? Meio que honrar o nome “Moonlight”. Pode crer, eu também já passei por isso.
— Como assim? — ela estava dividida. Não sabia se sentia vergonha, se ficava alegre ou em dúvida. Pois seu professor de matemática acabara de dizer que entendia como ela estava se sentindo e que já passara por isso. Não era uma coisa que acontecia sempre.
— Bom, não foi pelo mesmo motivo que você, mas quando eu tinha uns 17 anos eu fugi de casa com meu irmão, Barly , em busca de algo a mais nessa vida. Algo pelo qual valesse a pena viver.
—Eu não sabia que você tinha um irmão professor.
— Bem, não tenho mais. — falou ele num tom melancólico e triste — estávamos na encruzilhada verde, que fica uns cinco ou seis quilômetros a sul de Driirdan, indo para a floresta de jade e de lá seguiríamos para Guarmênia, o reino das primaveras. A terra dos elfos curandeiros.
“Nós estávamos no meio de uma floresta densa onde quase não entrava a luz do dia e quando escurecia parecia que havíamos ficados cegos, tamanha era a escuridão.”
“Ao que parecia, ainda era de dia quando aconteceu. Um Orc bem grande e deformado armado com um machado feito de pedra estava vagueando pela floresta ao invés de estar nos confins escuros das montanhas que era seu lugar. Nós dois corremos quando ele nos viu. Cometemos o erro de deixar o medo nos dominar e não percebemos que o chão estava se elevando. Estávamos subindo uma espécie de colina, com o Orc sempre em nosso encalço. Quase caímos na borda de um penhasco. Lá em baixo um rio corria rapidamente para a nossa direita. Estávamos num beco sem saída. Eu disse para darmos as mãos e pularmos e assim fizemos. Mas o Orc pulou atrás de nós. Ele, em pleno ar, lançou seu machado em nossa direção. Eu não pude ver nada, pois sangue espirrou nos meus olhos. Eu só ouvia os gritos de meu irmão ficando cada vez mais baixos, mas eu sabia que ele ainda estava comigo. Eu sentia a mão dele apertando a minha. Ele deveria estar bem.”
“Quando caímos no rio eu me apavorei. Eu não sentia mais meu irmão. Eu virava de um lado para o outro, tentando respirar direito e nadar para a margem enquanto gritava por Barly. Eu não vi o Orc, nem ele. Até que um tempo depois eu estava descendo cada vez mais, com a correnteza forte do rio. Eu vi um braço sair da água perto de mim. Eu nadei até lá. Mergulhei, mas eu não vi nada... Nada de Barly. Só um braço ensanguentado. Eu gritei e quase perdi a consciência quando vi que a pulseira que Barly ganhara de meu avô estava naquele braço sem corpo.”
Ele parou de contar. Lágrimas percorriam seu rosto enquanto olhava para o céu noturno, cheio de estrelas.
— Eu... Sinto muito professor...
— Nunca mais vi meu irmão de novo — ele falou baixo, ignorando os pêsames de Diana — foi um grande milagre eu ter conseguido voltar para cá. Eu fui acolhido em Ravester, a cidade dos mercadores. E depois de passar uma semana lá eu segui caminho de volta a Frost, dessa vez com um mapa que dizia as rotas certas para se tomar e não dar de cara com criaturas sanguinárias.
Um silêncio constrangedor preencheu o lugar. Diana não sabia o que dizer. Nada que ela tinha em mente poderia reconfortar seu professor.
— O sonho dele era conhecer Guarmênia — ele disse depois de um tempo — Eu nunca mias consegui olhar na cara dos meus pais sem me sentir a pior pessoa do mundo.
— Mas não foi você quem matou Barly, foi o Orc! Você não pode se culpar professor.
— A culpa é toda minha querida — ele se virou para ela com os olhos cheios de lágrimas, mas com um sorriso torto no rosto — não teria acontecido se eu não tivesse enchido a cabeça dele de histórias... Se eu não tivesse iludido ele.
Diana engoliu em seco. Agora se sentia muito culpada por ter falado daquele jeito com seu professor.
— Ele tinha sua idade...
Marcus parecia ter adquirido o dom de fazer Diana se sentir mal e culpada.
— Olha... Hã, professor...
— O que eu quero dizer, minha cara — interrompeu ele — é que o mundo não se resume em lugares bonitos e criaturas fantásticas. Tudo lá fora tem o poder de te matar. As sereias não são fofas e bonitinhas, elas matam e se alimentam dos homens que escutam seus cânticos. Vampiros sugam seu sangue e te matam. Lobisomens tem o poder de te fazer em pedaços em poucos segundos com suas garras. E não são só eles!
Diana ficou em silêncio. Ela sabia disso. Suas experiências com criaturas do mundo a fora não eram muito boas, mas... Ela não ligava. Nada a fazia mudar de ideia, afinal, ela era filha de Vy Witror.
— Eu não quero decepcionar você, minha cara — continuou Marcus — mas nem tudo no mundo a fora é só coisas bonitas e seguras. Você não acha que é nova e inexperiente demais para sair para o desconhecido? Você é só uma garota. Não iria saber se defender lá fora!
Novamente, uma raiva surgiu nela. “Só uma garota?” “Não iria saber me defender?”.
— Olha poupe-me do seu pensamento machista. Eu entendo que você se sente mal por ter perdido seu irmão, eu também ficaria, mas... Nós dois somos pessoas diferentes — Diana falava sem pena. Como sempre que deixava a raiva dominar seus pensamentos — E eu acho que meus pais não iriam desistir da vida deles só por causa da minha morte. Eles não são como você. Eles não iam passar dia após dia se culpando e se desprezando pela morte de alguém próximo. Em outras palavras, você desistiu da vida. Isso o torna um fracassado, professor. Me diz isso te faz feliz? O que diria seu irmão se ele te visse assim?
Marcus estava paralisado. Não tinha expressão no rosto. Apenas uma lágrima solitária caia de seu olho direito.
— Desculpe professor — Diana passara dos limites, muito mais do que antes — até a próxima. Tenha um bom final de semana.
Ela ia em direção à porta quando Marcus falou:
— Suas atitudes impulsivas e explosivas não vão trazer coisas boas para você, minha cara... Te desejo sorte. Você vai precisar.
Diana saiu pela porta sem dizer nada. De certo modo ela acreditava naquilo que acabara de ouvir. Mas não queria admitir. Já teve o bastante de lições de moral por um dia. Ela estava cansada disso.
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