A pintura
Certa vez, depois de uma viagem cansativa, parei meu carro em uma pequena pousada em uma estrada deserta indo para o Sul do estado. O lugar era bem humilde, com poeira sobrando por cima dos móveis. Me senti nos anos 60 com aquela mobília velha com cheiro de mofo. Peguei a chave do meu quarto, o número era 6, subi as escadas rangindo de tão velha e cansada a madeira, virei o corredor escuro e sombrio, e passei pelos quartos todos trancados e escuros até chegar no meu. Abri a porta com dificuldade (parecia que fazia tempo que ninguém dormia ali) e entrei. Lugar pequeno, com uma cama, um criado-mudo, um banheiro e um quadro, que pra falar a verdade, me dava medo. Era um rosco pálido, com olhos negros, sorriso longo sem os dentes, parecia me desejar, desejar minha alma. Deitei na cama, e meus olhos não pareciam querer desviar daquela pintura grotesca. Era perturbador. Consegui dormir, e de manhã ao despertar, fui olhar a pintura mais de perto, com luz.
Vi que não era um quadro, e sim, somente uma janela (...)






