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aspirar o vazio da alma para espirar recomeços emocionantes
é uma solidão que surge dizendo saudade de quem vai e não espera voltar
O mundo inteiro cabe em mim. Rompi todos os limites quando passei a me indefinir.
Elisa Bartlett (via oxigenio-dapalavra)
sou o corte afiado e preciso em janelas de concreto
minha embriaguez lírica é culpa dos domingos e da cama vazia.
E quando você mira os olhos no horizonte e percebe a vida se estendendo sobre o azul do mar. As nuvens trafegando sobre os olhos, a velocidade do coração. E do nada vem um baque e você senti o peso da memória, não sei de onde e nem pra onde, um espeto atravessa o seu peito, sua mente, a garganta, suspendendo tudo no ar. Os dedos e os braços ficam parados rente ao corpo. um golpe certeiro furta cor vindo direto do céu te sufoca com aquele cheiro repleto de lembranças e de muita saudade.
Elisa Bartlett (via oxigenio-dapalavra)
Foi proposital, eu me afastei, foi auto defesa, tudo calculado para me desviar de você. Eu sei que somos complexos, minha solidão é complexa e cheia de auto estima e auto suficiência. Sou feliz assim. E a verdade é que estamos presos à tantas coisas, faculdade, trabalho, família, que fica fácil fingir que nada aconteceu. Quer saber? Não ache que dei o braço a torcer, que rompi o silêncio. Isso é só um sopro vindo do peito. Meu lugar não é aqui, não é do seu lado. Para amar novamente eu teria que inventar um novo coração.
Elisa Bartlett (via oxigenio-dapalavra)
varanda de nuvens
Eu reciclo meus passos toda vez que venho aqui. Aquele rosto que surge na varanda envelhecido desenterra todas as boas memórias. São pequenos quadros de lembranças, nós dois ajoelhados cuidando do jardim, somando os sonhos nos olhos, conversando versos mentais. Os gestos, o corpo, o silêncio riscando o destino. Você se foi já faz dois anos, mas naquela manhã meus pés pareciam mais pesados do que o normal, eu queria ficar ali pra sempre ou me evaporar pra te achar no meio das nuvens. Os diamantes que ainda brilham na minha mente foi você que deixou. Na transparência da luz eu respiro e vejo por alguns instantes o mundo através dos teus olhos.
Nada disso deveria ter acontecido. Talvez a chuva no final do dia te traga pra perto de mim. Talvez seja melhor eu me sentar um pouco. Talvez eu deva ir embora te levando mais uma vez comigo. Acenei para seu pai que sempre me devolve o teu sorriso aberto e grato por estar ali. O céu está mais azul hoje, as andorinhas estão felizes, o asfalto queima saudade.
Elisa Bartlett
você se amplia quando abre as fronteiras da mente, reconhece o desconhecido a um palmo do que você acredita e faz dele o melhor território para caminhar, é como um jardim de flores exóticas com aromas e cores exuberantes
Eu me arrastava pela sala porque nada mais cabia em mim, eu estava lotada de pensamentos, perdas e fracassos. Talvez porque tudo fosse de vidro e todo cuidado era pouco. As ideias pareciam cristais pendurados na mente vazia, dormente e torpe. Sobre o tapete florido meus pés constantemente gelados recolhiam entre as pernas o ar que subia e condensava o passado. O silêncio provocava as sandálias que escorregavam tropeçando em tantas promessas que ficaram para trás. Passava boa parte do meu tempo escrevendo, moldando essa massa corpórea pulsante que havia me restado. Era orgânico e ao mesmo tempo celestial. Eu manobrava todo esse sentimento em sua direção. Eu sabia que estava sumindo, morrendo e tinha medo que tudo acabasse de vez. Então, dia após dia, em linhas contínuas revivia toda a nossa vida até o fim, deixava a saudade cravada na máquina de escrever.
Elisa Bartlett, Outras Vidas. (via oxigenio-dapalavra)
enseada
chove e as ruas se encharcam levando rastros e lembranças chove e no peito o coração se assusta com o vazio imenso da saudade
Elisa Bartlett
tempestade
condenso palavras depois faço chover poesia molhada
Elisa Bartlett
vai
chora de rir, vai sem despedir das ausências, liberte o cansaço de querer sem ter, largue os braços rente ao corpo, inventa um samba novo. chora de rir, recite a poesia mostrando os dentes como os sambistas durante o refrão, sem medo, sem lástima, abrindo o peito erguendo a mão. chora de rir, vai sem medo dos erros, vasculhe os sonhos, as ilusões, arranca os males da alma, recita pra mim tua solidão.
Elisa Bartlett
No topo do morro, nas quebradas lá de trás, existe um lugar. Lá já teve palanque político, centro social e uma porrada de outras coisas. Até o maluco do Josias montou um barzinho, espalhou umas mesas e regava o povo com cachaça, cerveja e de quebra servia um espetinho meia boca. Faz uns dois anos que ele sumiu, ninguém sabe, ninguém viu. Hoje o lugar é refúgio de malucos e tem gente que jura que o capeta gosta de ficar de lá espiando o movimento da comunidade. De tempos em tempos eu gosto de subir a serra e ir nesse lugar, colocar a cabeça pra fora da vida e respirar. Acho que é uma forma de deixar de ser gente e de cima colocar os demônios pra funcionar.
Elisa Bartlett em “Outras Vidas”. (via oxigenio-dapalavra)
A arte é destino, estrada e início, ela oferece o sumo da vida antes mesmo da sua criação.
Elisa Bartlett. (via oxigenio-dapalavra)