until my lips desire your red allure | shacklle {flashback, august 1977}
Havia algo de eletrizante em sair para uma festa acompanhada, flertar com quantas pessoas quisesse, beijar as bocas que desse vontade, e voltar para casa com alguém de quem gostava de verdade. Samantha tinha um espírito livre, e a sua forma de amar não seria diferente. Ela não conseguia prender-se a uma só pessoa, por mais que valorizasse cada relação que tivesse. Percebia como tudo era mutável e temporário, e não gostava de manter amarras, tanto em si quanto nos outros - exceto quando essas eram físicas em práticas de bondage, com intuito sexual ou artístico, para suas fotografias -. Passara grande parte de sua juventude sendo chamada por diversos nomes pejorativos por colegas de Hogwarts por não se prender a apenas uma pessoa, afinal, mulheres normalmente eram educadas para terem apenas um parceiro, e isso ia completamente contra a natureza da ex-ravina. Inevitavelmente Shackebolt magoava pessoas nessas suas andanças, porém não era como se ela fizesse isso propositalmente, afinal, suas intenções quase sempre eram as melhores.
A mulher com quem vinha saindo era dona de uma alma muito sensível, além de ser deveras atraente. As duas se entendiam muito bem, e Sam sentiu-se muito aliviada em saber que a mais nova entendia sua visão de relacionamentos, e aceitara embarcar nessa jornada de amor livre misturado com uma bela amizade. Elise captara um pedaço de sua alma, e em vez de tentar soterrá-la com a própria visão de certo e errado, a aceitara sem tentar mudá-la, e por isso a artista era muito grata.
Sendo assim, as duas foram a uma festa para se divertir, e lá beberam, dançaram a e flertaram, ocasionalmente longe uma da outra. Chegou a um ponto, no entanto, em que Sam observou Elise do outro lado do salão, flertando com uma mulher lindíssima, e a ex-ravina desejou ser o alvo de sua atenção. Aproximou-se e indicou que gostaria de ir para casa, e assim fizeram. Assim que ela falou, um sorrisinho travesso brotou em seus lábios. —You… well, there are no words that describe it. — Disse, sentindo o cheiro de seu shampoo misturado com cigarro, proveniente do ambiente em que estiveram. Seguiu a deixa da outra e tirou os sapatos. Aquela noite estava longe de ter terminado, na visão da ex-ravina. — And I’ve been wanting you all night. — Respondeu, aproximando-se da mulher e beijando-na, cheia de desejo, de forma que ficasse por cima dela. Sentiu-na um tanto cansada, no entanto. — You seem tired. How about I take care of you tonight? — Questionou, erguendo uma sobrancelha, passando a mão por sua coxa.
Deu uma risada ao receber o elogio, embora gostasse quando suas parceiras fossem diretas, havia algo que parecia muito elegante em deixar alguém sem palavras para descrevê-la. Acreditava que isso tinha estabelecido o tom da noite, e que talvez as palavras não fossem ser o modo preferido de ambas para demonstrar afeto. Não se importava nem um pouco com isso, e o sorriso honesto que adornava suas feições deixava claro que não havia nada na situação que a decepcionasse. Todas suas expectativas pareciam ser cumpridas quando a mulher que no momento ocupava boa parte de seus pensamentos a acompanhou até o quarto. Deitada confortavelmente na cama, pode observar cada detalhe de Samantha, sem a distração de luzes fortes ou música alta. E talvez observar não fosse a palavra exata, pois seus olhos estavam cheios de desejo, mas um desejo que vinha de um lugar um pouco mais suave, não somente carnal.
A luz que vinha de fora, tanto da sala quanto a da própria lua, permitia que pudesse ver claramente os detalhes que a tinham atraído em primeiro lugar. Não seria um exagero dizer que a artista era ela mesma arte, e Elise se atreveria a dizer que nunca tinha conhecido alguém que personificasse tão bem as suas próprias obras. Correspondeu ao beijo com desejo, esquecendo-se da dor nas pernas por ter ficado em pé a noite toda, e parte da madrugada. Com os lábios de Sam nos seus, era fácil pensar apenas em como a apreciava, como queria continuar a apreciando. Assim, quando ela se afastou, uma expressão um pouco preocupada se formou em seu rosto, logo se suavizando e dando lugar a uma de puro carinho. – I wouldn’t mind it a bit, but I’m not that tired, louloute... – Respondeu, estendendo a mão para acariciar o rosto da artista. As feições eram fortes e marcantes, e a iluminação fraca fazia com que ela realmente parecesse ter saído direto de um sonho para os braços de Elise. – I’ve been wanting you too, and I just couldn’t possibly let you do all the work, could I? – A pergunta era retórica, e um sorriso acompanhava cada uma de suas palavras. Levou a mão até os cabelos da outra, desfazendo o coque que prendia as tranças, bastante atenta em sua tarefa. Colocando a peça que antes prendia os cabelos no pulso, admirou-a por alguns instantes antes de puxá-la para mais um beijo. Deixou que as mãos passeassem pelo corpo alheio, parando em seus quadris.