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quando você apareceu, eu tive certeza: qualquer um que viesse depois seria menos. bem menos.
entre escombros existo e resisto. mesmo com toda a vontade de se auto-destruir, estou aqui.
eu deixo a madrugada me deprimir como se fosse inevitável
“São dias difíceis, confesso. São dias em que não se sabe mais por qual caminho seguir. Dias de visão embaçada, de obstáculos que a todo tempo tentam te fazer voltar. São dias que são completamente dias, porque as noites de sono parecem não mais existir. São dias pelos quais, vivendo-os agora ou não, você é capaz de entender. Quando todos os pontos finais, de repente, viram interrogações. Quando você entende novamente que nem toda surpresa é boa. E são nessas horas, não? Que a gente começa a se questionar por todas as coisas que já fez. A perguntar se o fim, talvez, não seria melhor que o começo. Que a ficha começa a cair e as reflexões se tornam mais profundas. E o que teria me trazido pra situações assim, afinal? Por que uma hora se está bem e do nada tudo vira de ponta cabeça? Será a tristeza apenas uma consequência da felicidade excessiva por alguma coisa? São dias de medo. E será o medo a consequência de quem foi corajoso e louco demais pra chegar até aqui? São dias em que eu queria desligar o pensamento, porque só existe uma coisa que eu temo mais que a minha loucura: a minha razão.”
— João Pedro Bueno, Sabedorias
Eu espero que você se encontre, mas tá tudo bem se perder de vez em quando, só não esqueça de achar a saída desse labirinto que é a sua mente. Nessa Cross
E eu te amei. Muito. Amei mesmo quando eu não deveria, mesmo quando meu coração gritava para eu ir embora, eu continuei te amando. Eu te amei mesmo quando eu não me amava mais, e isso me matou. Eu deixei de ser eu para caber em você, e isso não poderia ter acontecido. A gente não deve se diminuir para continuar num lugar que não nos pertence mais. Quando eu percebi isso, tudo mudou e eu não quero mais esconder quem eu sou para manter alguém por perto.
Caroline Hoier, Conversos.
“E esse nó na garganta que não desata?”
— Escritorragia.
“Ele era aquela rotina que eu nunca me cansava.”
— Publicadora
por favor, pelo menos por uns cinco minutos do seu dia pare pra respirar um ar fresco e perceba o quão bom é estar vivo. que mesmo apesar de todas as dificuldades a vida continua sendo incrível.
“Mas, como dar uma de herói quando o crime a combater é você mesmo?”
— Gabito Nunes.
“Chorei três horas, depois dormi. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total.”
— Caio Fernando Abreu.
“Se a gente juntar com a pá migalhas e farelos, o pó e os cacos que sobraram de nós dois, acho que faz um inteiro. Será que não? E aí? Que tal? Vamos? Como soa dividir comigo essa existência idiotamente ridícula, morna, real, estúpida, bagaceira e imbecil? Vamos fazer diferente, como ninguém mais sabe fazer, só nós? Diz que vamos, vai. Não? É tudo que preciso pra começar a te conquistar. Diz que não com os olhos cheios de esperança. Com duzentos “nãos” eu construo um castelo, uma roda gigante, uma cabaninha de lençol na sala, um altar, um amor, um sim bem grande. Com um sim entre você e eu, te roubo inteira e metade da felicidade do mundo. Diga que não, ponha uma meta no meu colo, tipo num processo de seleção feminina só pra eu provar que sou o cara. Isso, faz assim. Se faz de labirinto quando eu me oferecer em linha reta. Diz que metade de mim, a parte amigo, tá bom, só pra me empurrar inteiro coração adentro, goela abaixo, com toda a calma do mundo. Isso, faz assim. Dá voltas e voltas e voltas na chave da tua emoção só pra eu me exibir que posso te desarmar, desarrumar sua vida e seus cabelos. Embora eu não te ame ainda, mesmo o amor não existindo, diga não e me encoraje a pôr tudo à prova. Finge não me querer, disfarce o brilho no olhar, esconda o sorriso atrás dos cabelos, ganhe torcicolo de tanto cuidar o outro lado, mostre o cofrinho se abaixando quando eu passar rasando, fique o tempo todo pensando no jeito infalível de ganhar o Oscar de melhor “tô nem aí”. Me ache chato se eu te procurar, me ache o homem da sua vida se eu sumir, me veja feio do teu lado, me veja lindo do lado das outras. Diga trocentas vezes pro espelho na sua bolsa que sou o cara mais idiota, mais engraçado, mais fajuto, mais encantador que você fingiu não gostar. Perfeito assim. Fosse sem esses enigmas, sem esses rodeios, sem esses movimentos, sem esses contrastes eu a rejeitaria como todas as outras. Vem assim como uma onda que não se congela pra eu pegar, como uma música do Djavan. Mas alerto já que estarei esperando com os pés e o desejo de te ter pra mim descalços, esperando você se desfazer, perder energia e parar na areia, nos meus braços, no meu sofá. Bolei um plano pra trazer você pra mim, todo inspirado no cheiro da sua mão. É mais ou menos assim: você finge me repelir como fosse eu um ex-presidiário estuprador, bagaceiro e ressentido, e eu chego arrombando sua porta, suas pernas, sua alma. Aí você se dá conta que para voar é preciso tirar o peso dos ombros, se desanda, e diz pra mim, no ouvido, com um fio de voz e outro de esperança de que seja tudo real, que isso é o maior erro do ano, que não imaginava existir tanta culpa no céu, que as pessoas ficaram mais bacanas depois que encasquetei em te querer. Tudo sorrindo mais do que seu rosto aguenta. E devolvo, puxando com os dentes seu lóbulo, que nossa história foi escrita torta de propósito pra gente se cruzar, tudo enquanto eu babo sobre teus encantos, enquanto eu faço o sexo mais manso e mais intenso e mais irreversível e mais gostoso e mais carinhoso e mais sem camisinha e mais duradouro da sua vida, tanto que você perde seus orgasmos por birra, contrai a pélvis pra eu não gozar de pirraça, de tanta vontade de nunca mais me deixar sair de onde eu nunca deveria ter entrado. Depois, com pequenos beijinhos e mordiscadas virando e desvirando seu corpo, virando e revirando seus olhos, convenço que os maiores amores se acertam nos erros, quando a loucura e a entrega vencem a resistência e o medo de alguma forma. Começo num beijo no canto da boca, aqueles que cabe a você decidir se acaba, ou prossegue, tá? Então, vamos? Pega na minha mão, entra no meu carro, sobe na minha garupa. Te mostro o quanto dá pra amar no caminho.”
— Gabito Nunes. (via inverbos)
“Aí eu olho e penso “puta merda, então é isso que eu sou”? Quer dizer, quando eu tinha 7 anos eu dizia que queria ser tanta, mas tanta coisa. E agora veja só, eu não sou nada.”
— Cibele Sena.