back. nova fase.
Claire Keane
Today's Document

pixel skylines

shark vs the universe

#extradirty

Kaledo Art
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
noise dept.
Show & Tell
Peter Solarz

ellievsbear

Product Placement
Not today Justin

No title available

⁂
TVSTRANGERTHINGS
Monterey Bay Aquarium

if i look back, i am lost
Mike Driver
Sweet Seals For You, Always
seen from Argentina
seen from Türkiye

seen from Israel
seen from United States
seen from Saudi Arabia

seen from United States
seen from United States
seen from Türkiye

seen from Singapore

seen from T1
seen from United States

seen from Malaysia

seen from Sweden

seen from Germany

seen from Türkiye
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
@escritosalagados
back. nova fase.
eu vejo as pessoas com seus medos e com suas coisas miúdas e nessa noite eu já assisti um monte de filme que fala simplesmente sobre tudo aquilo que o amor não é, sobre o que poderia ser e sobre todas as coisas que eu não toquei. hoje eu percebi como sentia falta de deixar um espaço nos móveis porque no fim dói ver minhas coisas todas empilhadas durante tanto, tanto tempo.
eu não sei o que é amor mas eu só juro como do fundo da minha alma carente que não sabe o que o amor move e que só queria um abraço e um cuidado e um carinho no fim da tarde porque eu juro como sei esperar por algo ou alguém que não vai chegar
eu escolheria amar uma pessoa e não somente uma relação se tivesse chegado perto da última vez que pude de tocar um coração e segurar uma mão perto de mim. bem nesse sofá onde eu to sentada agora escrevendo isso foi onde eu sentei com ele e acreditei que aquilo era amor e não era. nesse sofá eu acreditei que poderia amar alguém e nesse mesmo sofá eu vejo que não amei e me pergunto se eu seria assim, amável
pequenas lágrimas saem do meu olho direito e eu não sei o que significa: se é alegria ou felicidade.
hoje eu to pensando no amor e em quantas pessoas eu deixei de conhecer. eu pensei em como as pessoas me veem e me perguntei insistentemente se as pessoas me viam como algo que não seria tão amável e objetável assim.
eu vi um vídeo que dizia que o amor é tudo. e que o que não é amor é um pedido de amor. se for assim eu clamo e peço amor todos os dias nas coisas que eu existo nos lugares que chego nos textos que escrevo. eu sou um grito em uma tentativa desesperada de ser amada de ser aceita de ser ouvida de ser cuidado e eu aceito tudo e qualquer coisa sem pensar duas vezes porque eu me acostumei a aceitar migalhas porque ficar sozinha já não é uma independência ou orgulho mas uma dor amargurada de suportar. eu suportei e já cortei meus pés varias vezes em outras relações.
isto é um pedido de amor e ninguém precisa pedir por isso e desculpa escrever assim mas eu não queria sentir minhas lágrimas assim tão perto mas é porque eu sinto que tenho uma capacidade de regeneração e que as coisas estão sendo sentidas e eu vou me desdobrar quantas vezes forem possíveis pra ver os abismos
eu sei que vou ser sempre a mesma pessoa que não desiste e que tá sempre ali e que se empolga demais e mostra mil coisas e que se mostra demais e desculpa mas eu nunca, nunca te trataria como os outros porque você não é. hoje eu senti sua falta e eu sinto sempre porque eu sei que você não tá bem e desculpa não ser a pessoa pra quem você pode vir na minha casa e passar a tarde comigo sem fazer nada porque eu só queria uma mínima chance de te fazer acreditar no mundo de novo e eu não sei o que precisa pra isso acontecer mas quando eu penso sobre amor eu penso sobre você que me ensinou sobre cuidar das pessoas e sobre segurar crises mesmo que seu mundo tenha caído por dentro. você me fez querer ser uma pessoa melhor, sabe?
eu vejo as pessoas com suas fotos irretocáveis e com suas vidas que se lustram por aí nas fotos e nos vídeos que jogam na internet como se fosse algo importante demais. eu sou uma bagunça machucada que se esquiva dos tigres que tentam romper as cercas: você criou coragem pra atravessar algumas coisas mas acontece que já passaram pessoas na minha vida que pularam os muros e deixaram os escombros no chão. pra você eu abri a porta.
eu abriria varias vezes porque eu me dei conta que amor talvez seja deixar algumas coisas entreabertas
- e. alagados
eu não queria ser você.
eu não queria ser a pessoa a quem meus textos são indiretamente endereçados porque tem dias que eu percebo quão pesado é se imaginar no âmago de memórias mastigadas de textos entristecidos e colocados no fundo de uma cabine autoral
eu não queria que você tivesse lidar com a realidade triste ou menos morta de saber que eu sigo sentindo um monte de coisa que ainda não sei o nome porque tudo em você me confunde até hoje e tem dias que eu não te quero mas tem dias que eu te quero tanto que poderia entregar todos os meus textos na sua casa
eu não queria ser você simplesmente pelo motivo de que a partir do momento que chegou na minha vida ficou e virou tanta tanta tanta tanta poesia que nem tem noção. e poesias são imortais, sabe? eu não queria ser você porque de alguma forma você vai viver pra sempre mesmo que ninguém que leia saiba que é sobre você que eu to falando.
eu não queria ser você por causa do tamanho das responsabilidades que tu teve que regar pelo caminho porque assumir a não reciprocidade também é um caminho difícil e que mesmo depois disso você assumiu o amor e continuou sendo difícil mas não menos bonito do que da primeira vez: não. não vai fazer sentido mas se você lesse saberia do que eu to falando.
eu to te escrevendo assim em segredo porque passou pela minha cabeça mil vezes a possibilidade de você finalmente entender onde me escondo e em que lugar eu guardo as coisas que escrevo que penso que sinto e que se você já tiver topado com essa página não tenha se dado conta de que desde esse início todo você é sempre sobre a mesma pessoa
eu não queria ser você porque eu não quero ser a monomania de clarice falcão porque não tem graça alguma em textos sobre uma pessoa só.
mas é sempre sobre você.
- e. alagados
sinto dores nas costas. sinto dores nos ombros e eu tava lendo sobre isso porque me disseram pra tomar relaxante muscular porque essas coisas passam rápido mas eu só neguei e sorri e calmamente disse: meus ombros pesam porque eu carrego coisa demais
meus ombros pesam como se eu fosse atlas, o mito grego de quem carrega o peso do mundo nas contas e que precisa segurá-lo com os braços e nesse momento eu to aqui com o peso do mundo inteiro sobre mim e preciso me inclinar para que não caia nos pés e preciso respirar pra não soltar os braços e preciso me lembrar de não cair e preciso principalmente que isso não caia nos pesos ou nas costas de outras pessoas porque machuca demais e eu não queria ser demais porque eu sinto como se carregasse o peso e a leveza de ser assim, do meu jeito
sinto dores nas costas mas o relaxante não vai resolver.
eu vejo o tempo passando lentamente na minha frente e eu juro como tinha contado que ainda faltavam oito horas pro sol nascer e eu pode fazer as coisas que preciso e agora falta menos tempo ainda sendo que eu perdi as contas porque tava muito e extremamente preocupada com as coisas que não fiz e hoje minha amiga me disse que teve crise de ansiedade e eu também tenho mas eu não disse nada porque me pesa nas costas e não precisa que ela sinta duas crises ao mesmo tempo: a minha e a dela
sinto dores nas costas mas eu preciso me deitar e fechar os olhos pelos dias suficientes para fazer essa urgência inesgotável ir embora e pra que nada precise ser feito hoje e pra que as coisas parem de existir por um segundo e que a lenda de atlas exista sobretudo pra todos aqueles que carregam o mundo e pessoas e coisas inteiras nas costas e nos ombros.
eu sou como atlas que carrega o peso nas costas e eu sinto isso agora porque meus ombros queimam e podia ser só músculos rígidos mas sou eu e minha sobrecarga de todas as coisas que eu ainda penso em fazer
eu sou como atlas e como sísifo que precisa infinitamente levar as coisas até em cima e esperar que tudo volte ao começo
sou várias mitologias inventadas para justificar, romantizar ou fazer literatura do meu desespero, mas por hoje eu não vou dormir com a ardência do mundo sangrando e repetidamente coexistindo com suspiros mudos
tem literatura demais aqui e tem muito mais escondida nas coisas que eu ainda não li, nas metáforas que eu ainda não descobri e em todas as associações que o circuito mente-cérebro-corpo-pensamento-emoção é capaz de fazer: porque esse circuito fechado não existe e eu desconfio de qualquer coisa que me dê certezas demais
hoje eu carrego o peso do mundo e amanhã o mundo vai carregar meu peso
- e. alagados
ouvi lover is a day diversas vezes e toda vez que essa música toca eu repito
keep me of going crazy keep me of going crazy
a melodia dessa voz embala porque por repetidas vezes eu preciso de músicas longas e de palavras demais pra dizer sobre como ainda as coisas reverberam e sobre como eu sou todo esse amontoado e sobre como tu nem sabe da quantidade de coisa que eu já fiz até o fim de todas as cartas que não te entreguei e tudo isso pelo simples fato de que eu achava ter encontrado uma forma de repousar a esperança em forma humana mas parece que não foi dessa vez e é engraçado e estranho como você ainda continua por aqui e tem dias que eu to nervosa ou cansada e você me diz coisas boas e eu também te digo porque no fim eu gosto da leveza nas coisas que faço e que digo e eu gosto mais ainda do fato de você não saber do peso de todas as palavras do meu corpo que recaem aqui
eu escuto lover is a day e eu sei que o tempo mudou e que a gente tá diferente e que sei eu pudesse não pensar te perguntaria se tu quer ser uma parte de mim
não vou esquecer de você.
eu sei que ninguém nunca vai ser como você é pra mim hoje porque ninguém vai existir nesse formato e você também sabe que a recíproca em relação à mim vale mil vezes porque eu sei, juro como eu sei como percebo que ninguém vai te dizer as coisas da forma que eu digo nem te abraçar de longe quando tu precisa nem te ligar por horas nem entender quando as coisas estão escuras ou esquisitas porque eu sei que no fim tá tudo bem
keep me of going crazy, eu te diria caso isso fosse algo que você pudesse fazer pra salvar alguém de algo mas eu sei que não dá e que nada guarda a gente dos abismos de vez em quando mas a diferença é que eu já cai uma vez e poderia te esperar lá embaixo
você tem a ver com pegar a mão da solidão e deixar ela guardada nos cantos que ninguém quis pegar e às vezes eu sinto como se conseguisse encostar os dedos e outras vezes como se leves choques fossem dados pra se proteger da vulnerabilidade dilacerante que é deixar as pessoas te conhecerem no fundo
você tem a ver com a forma como as pessoas acham que eu sou e nem sempre eu sou integralmente a imagem boa límpida e pacífica que criam de mim porque nem sempre eu lembro de respirar e isso é um caos
"then you wouldn't know a single thing about how I feel about you and all those really dumb things people feel I'll take the bumpy road it'll probably break my legs as long as I don’t show you what’s ruining my head"
eu escuto essa música quando percebo que não adianta quebrar as próprias pernas para tentar não correr das coisas que nos dão medo porque a paralisia tá muito mais nos lugares onde a gente não consegue admitir que ainda lateja alguma coisa
eu sou todo um estágio de latência e de coisas complicadas que não passam de atravessar a cabeça e eu juro, juro como você nunca saberia todas essas coisas que eu ainda sinto porque eu insisto em ecoar em outros espaços e sentir em outras células do corpo
- e. alagados
o corpo humano possui duas reações evolutivamente selecionadas pra situações de risco ou de medo: luta ou fuga.
supondo que você tem medo de mim e das coisas que aconteceriam caso a gente fosse em frente e caso a gente não fosse covarde dessa forma a ponto de um se esconder debaixo das asas do outro pra tentar evitar a falha dos medos que a gente já construiu:
você fugiria mesmo ou ficava pra lutar contra o fantasma das decepções que ainda não tivemos?
quando li sobre isso eu imaginei como nós fomos todos programados pra fugir quando as coisas nos angustiam e eu agora só queria ter como encarar tudo isso de frente mas desculpa se nem sempre meu medo me deixa ir
tem dias que é quase como se meu corpo tivesse se refreado à possibilidade de fugir sempre porque lutar é difícil demais e seria preciso recolher um monte de força que ainda não tenho e percorrer caminhos longos e altos e tá tudo bem não ter força de vez em quando.
você me seguraria nos braços caso minhas pernas fraquejassem no dia em que eu tentasse colocar meus medos na tua frente?
ninguém acreditou quando você contou a história de um assalto e sobre como você teve uma vontade involuntária de correr. é instintivo, você me falou. o corpo humano é preparado pra isso, eu te respondi. todo corpo humano é preparado pra ficar nas coisas e fazer fluir sangue para as pernas e o coração acelerar pra que se possa correr e eu sinto quase como se tivesse o coração em várias velocidades diferentes o tempo todo porque tudo em mim oscila entre o medo de perder a luta ou de me perder enquanto fujo
se fosse a vontade do seu corpo fugir de mim porque eu obviamente seria como o anti-corpo que bloqueia qualquer capacidade histamínica de te proteger contra invasões: você tentaria ficar?
se fosse a vontade do seu corpo lutar por mim? porque viu minhas feridas e as coisas que eu guardei e viu todo peso do meu corpo e da minha casa e das minhas quedas e das minhas fragilidades porque eu te fiz, sim eu te fiz um monte de coisa que tu nem sabe.
eu queria que os nossos corpos tivessem sido feitos ou pra se encontrarem ou ficarem em pólos diametralmente distintos mas isso não vai acontecer. eu sei, desculpa mas eu sei que nada disso vai adiantar porque a gente já é uma série de remendos e eu sei que tu tem medo de machucar mas eu já sou toda uma ferida e você é todo cheio de ranhuras e hemorragias internas e a gente não vai se curar.
nesse momento eu só preciso saber que você ultrapassa as duas coisas e criaria biologicamente uma terceira opção: a de permanecer
- e. alagados
hoje eu lembro de ter me sentido um pouco louca por causa do dia em que eu te falei sobre ter medo de ir embora e você me lembra um monte de coisa por isso eu me acho tão fora do controle tão longe de mim e tão, mas tão desesperada por qualquer coisa que segure meus medos. desculpa depositar tanta coisa em você, mas é que eu tenho excessos que são esculpidos pela lâmina de algo intangível e esse algo tem nome mas eu não te contaria nem em segredo.
teve um dia que você me falou sobre achar que eu te superestimava e eu sabia que isso era verdade porque afinal eu era apaixonada não sei se ainda sou e provavelmente eu seja por muito tempo porque ninguém nunca foi como você e eu não sei o que faltou mas eu já finjo que nem ligo enquanto me dilacera e eu me pergunto quão louca ou quão obsessiva ou quão covarde eu sou nesse momento porque depois de dias eu ainda me pergunto o que tá acontecendo e eu vejo que não sei.
hoje eu tinha prometido à mim mesma que deixaria um grande silêncio romper a tarde porque eu não queria parecer que tava sendo chata ou que tava sendo demais ou que tava enchendo a paciência ou que tava sendo sempre o desaguamento ridículo de avalanche de coisas que eu sou. você deveria ter se afastado antes. você deveria ter ido embora quando pode porque eu sou sempre essa bagunça e esse caos que vira um tormento e ninguém precisa lidar comigo e com minha bagunça e com minha ansiedade e com os dias que to anestesiada e com os dias que não consigo fazer nada
desculpa por te falar tanta coisa sobre mim mas eu já perdi o medo e isso é perigoso eu preciso falar menos mas tem dias que eu não consigo e tudo o que eu faço é te agradecer continuadamente por ser simplesmente você, mas eu sei que você não vê em si as coisas que eu vejo e pensa que eu te coloquei em um pedestal e talvez eu tenha mas eu já percebi o tamanho da queda e eu juro como vou parar com isso e vou deixar toda minha admiração escrita só aqui quando tiver vontade de te dizer as coisas que não posso
eu juro como vou falar menos pra não te deixar sentir como eu ainda sinto muito e pra você não pensar que eu carrego os fantasmas da rejeição. eu carrego mas você não vai mais ver isso. eu poderia tentar ser fria chata distante mas eu sei que não consigo e você sabe que eu não faria isso e eu vou continuar assim com esse meu jeito de quem não desiste de quem vacila mil vezes e continua no mesmo lugar mesmo que de joelhos esperando até que a carne vire pele arranhando no chão: você dói mas também eu sei que às vezes me salva de desacreditar de tudo e eu te escrevi mensagens ontem chorando porque doeu muito em mim alguma coisa que eu não sei. eu te escrevi chorando como já fiz outra vez no dia que você tinha dito que me amava e eu não sabia o que fazer. eu não sei o que fazer com esse amor atravessado até hoje.
eu sei que tem coisa diferente demais na gente e eu não quero que nada disso dê certo porque eu sei que não vai dar certo nunca mas ao mesmo tempo é exatamente como eu te disse que aconteceria: a gente se encontrou no meio dos escombros. desculpa mas é como se fosse toda uma ruína colidindo no meio do mundo e ainda assim eu consigo ver uma pequena coisinha que me diz pra continuar e eu não sei se isso é você, e espero que não seja. se eu pudesse te pedir uma coisa seria para nunca, nunca mais, desejar que algo tivesse dado certo.
a gente foi feito pra dar errado e isso é a coisa mais certa que eu já consegui enxergar. dar errado também é caminho e eu sei que é o nosso.
- e. alagados
conselho de hoje:
criem conexões com as pessoas que passam pela sua vida.
por favor, criem.
deixem que as pessoas conheçam suas manias, seus gostos estranhos e um pedaço do seu dia porque
geralmente as pessoa te olham com tanta pressa que nem entendem a forma como você observa o contorno da luz saindo pela janela da biblioteca
deixem que as pessoas vejam o que você pensa sobre temas que ninguém nunca fala
deixem que as pessoas te façam perguntas que ninguém nunca fez
deixem que as pessoas entrem nas suas vidas e não tenham aquela porra de medo de pensar:
ah mas não posso demonstrar muito
ah mas não posso falar muito
ah mas não
ah
vocês estão aqui resistindo e precisam lutar também contra todo esse mundo louco que deixa a gente confundir o que é o amor
vocês estão aqui pra não se deixar cair no sumiço sem deixar as coisas claras
vocês estão aqui porque é bom cultivar relações que deixem a alma leve
e não pra ficar em lugares que não te cabem
face: - e. alagados
+f ♥
sinta-se em casa ❤️
série: amor talvez seja
amor talvez seja lembrar que você existe e sorrir agradecendo ao universo por isso
amor talvez seja você ser muito meu neném
amor talvez seja saber que você não vai encontrar alguém que segure seu rosto entre as mãos e admire seus olhos do jeito como eu faço
amor talvez seja você não ter me dito o que é sentir isso
amor talvez seja o fato de eu ter conseguido te mandar um texto meu
amor talvez seja saber que tem uma tragédia em você que me toca
amor talvez seja simplesmente não entender de onde você veio e como tudo isso ficou tão grande aqui
amor talvez seja pedir pra ficar
amor talvez seja ter liberdade mas também ter esse fio invisível que parece me ligar à você
amor talvez seja como no dia que você me mostrou suas fotos preferidas e contou as histórias sobre elas [e eu nunca vou esquecer disso]
amor talvez seja sentir que pode falar de qualquer assunto do mundo
amor talvez seja ouvir o novo cd do rubel inteiro - faixa a faixa - com calma de quem escuta álbuns do começo ao fim
amor talvez seja não saber que isso tudo é sobre você
amor talvez seja querer te ver dormir
amor talvez seja quando eu te espero chegar da faculdade todo dia e sobre como você espera pra saber o que eu fiz
amor talvez seja saber que você não vai me consertar - e que você nem quer isso porque talvez me ame pelos meus estilhaços
amor talvez seja que estamos os dois quebrados e sem saber onde nossas sensibilidades vão sentir o mundo ou onde vão estar amanhã mas ainda assim ter a certeza de que você vai entender quando eu disser que o mundo não me cabe
amor talvez seja o fato de você me conhecer um pouquinho todo dia e de deixar que eu conheça de volta
amor talvez seja o fato de você ser doce demais pra habitar esse mundo
amor talvez seja as coisas que eu não consigo escrever sobre você
amor talvez seja imaginar como seria tirar uma foto sua contra a luz só pra poder guardar o contorno do sol em você
amar talvez seja ter medo por dentro, mas ter alguém que acalma sua existência a ponto de abraçar o teu medo e não de fingir que ele não existe
amor talvez seja não conseguir parar de escrever sobre esse caralho
amor talvez seja você ter ficado mesmo sabendo das minhas crises
amor talvez seja nosso “apesar de”
amor talvez seja eu fazer questão de te dar boa noite e esperar que tu durma bem hoje
amor talvez seja ter chorado no dia que tu disse que me amava porque eu não sabia outra forma de resistir à isso ilesa
mas não se enganem: escrevi tantas coisas sobre o que o amor pode ser, mas eu sei no fundo
que o amor não tá escrito
tá na entrelinha
- e. alagados
eu poderia te escrever um poema mas eu não vou
eu posso te ler por milhões e milhões de vezes mas eu não quero sentir o gostodo teu cheiro ou da tua tragédia ou da tua morte ou da tua tragédia ou da minha arrogância em não ter conseguido te pertencer
não consigo ainda me acostumar com a ideia mas acontece que eu já barrei uma série de vezes os pensamentos que tentam te trazer e que acreditam insistentemente na minúscula possibilidade das coisas terem sido diferentes. não foram.mas eu continuo me agarrando no peso do "se".
eu sou essa insistência rouca que tenta a todo tempo não desistir das pessoas e eu já não tenho culpa se isso te inclui e eu fico me perguntando até que ponto isso vai me rasgar ou te rasgar mas eu já fui tanto sozinha, tu bem sabe. eu sou tão tão tão sozinha que o medo não me faz querer correr da solidão ou da minha sombra ou do formato do meu corpo enrolado na cama como um peso-fátuo que tenta não existir só porque não conseguiu ver mais nada do lado de fora da janela.
se eu pudesse moraria em um apartamento só para ver as pessoas pequenas lá de cima e ver tudo de um jeito distante lá onde nada poderia me alcançar
e você subiria as escadas correndo
ou cairia tristemente do elevador para não me alcançar
se eu pudesse teria você bem aqui mas eu não posso então eu só me acostumei com o vazio das minhas mãos e já sei que vou ficar olhando pra parede me perguntando o que fiz de errado mas eu não fiz nada e talvez o problema seja esse.
eu não faço nada e eu não sou assim tão impressionante como dizem que eu sou ou que eu pareço ser, tu sabe.
vou tentar não me apaixonar tão rápido da próxima vez que me prometerem atenção e carinho e cuidado e longas conversas porque eu infelizmente tenho a tendência de amar quem acolhe minhas sensibilidade com as mãos e nesse momento eu to escrevendo e sentido a azia de existir e do café que tomei me queimando por dentro e talvez a escrita também me queime mas em outros lugares
- e. alagados
eu não sei se já te disse mas as palavras se aglomeram na garganta quase como se não conseguissem passar pelo esôfago e não passam porque eu as prendo e não as deixo sair de mim e eu escrevo ouvindo músicas tristes e é quase um expurgo ao som de rubel e do ventilador girando. tudo o que grita em mim é por puro medo e eu choro eu grito e faço isso tudo silenciosamente porque sempre foi tudo fora do meu alcance demais pra que eu pudesse sentir alguma sintonia necessária e mais ou menos morta e que me fizesse voar pra longe e que eu não precisasse sentir nada.
as coisas que me lêem aqui e as pessoas que sentem e eu sinto e eu sinto muito por quem de alguma forma sente isso comigo porque dói saber que em mais alguem essa confusão lateja e não deixa dormir direito e aprisiona e depois liberta e depois cessa e depois fica em algum lugar esquisito da memória
eu pensei que não seria mais um texto sobre você, mas sobre toda a confusão que me ronda mas ai eu lembrei que você tem a ver com o fato de eu me sentir acostumada com a bagunça e por favor me desculpa mas não tenho tanta culpa assim se há quase vários meses eu escrevo e você é sempre sobre a mesma pessoa.
não costumo gostar de coisas fixas nem de paixões longas nem de grandes compromissos porque minha alma é livre, tu sabe
eu fui feita pra ir aos lugares e tocar nas coisas que as pessoas fingem não ver. isso te inclui de alguma forma?
eu tenho a péssima mania de terminar meus textos com perguntas mas é porque eu já não tenho resposta pra nada
- e. alagados
se eu pudesse colocaria todas as minhas palavras endereçadas à parte do seu corpo que algum dia eu conseguiria tocar.
mas acontece que eu já me dei conta sobre como eu nem sempre vou conseguir alcançar as pessoas com minha gentileza ou com minha brutalidade e não há absolutamente nada que eu possa fazer sobre isso: eu não vou pedir pra ficar na vida de ninguém.
eu queria que tivesse como te fazer ler todas as coisas que eu sinto mas você se assustaria porque eu sei que é um penhasco eu sei que meu carinho é assustador porque esmaga eu sei que ter tanta intensidade é coisa rara mas sobre raridade você sabe porque você também é uma das pessoas mais raras que eu já vi mas eu não sei como te dizer isso.
eu não vou conseguir te alcançar e de vez em quando passo momentos de uma tarde estranha imaginando como seria feliz ou descompassadamente triste quem tivesse a audácia, a loucura, a sutileza ou a merecida paz de conseguir te perceber da forma como eu vejo: você não teve medo de me deixar ir embora e eu não sei até que ponto isso é bom ou ruim mas eu espero que tenha sido o melhor e que isso não signifique pisar em ovos porque eu só quero uma calma pequena como doses absurdas de caos
nunca gostei de nada arrumadinho, sabe?
eu te contei algumas coisas mas você mal quer saber das minhas metáforas e eu vou guardar elas sem medo porque uma delas dizia sobre guardar e engolir coisas tóxicas, ardentes e que certamente te farão sangrar por dentro e ainda assim continuar mastigando porque a sensação de ter algo tão perto e sentindo algo tão bom compensa a dor no estômago depois da queda.
eu sei que ninguém precisa suportar o peso da minha literatura além de mim e desculpa por quando envio meus textos na esperança de que te mostre que tu não tá só, mas é só uma tentativa estúpida de ficar de algum jeito mas eu vou me esvair porque eu sei como eu desisto das coisas aos pouquinhos e no fim tudo parece um delírio.
eu me apaixono pelas coisas na mesma velocidade com que me desapaixono delas. você vai ser o próximo?
- e. alagados
minhas tentativas de te alcançar parecem que não te tocam: eu criei em mim uma série de coisas que não tinha a mínima possibilidade de continuar existindo mas mesmo assim eu tentei insistir que sua pele tava perto da minha que tua alma conversava com as curvas que minha respiração fazia que a gente tinha alguma conexão mas sendo que eu to te escrevendo esse prólogo sem vírgula e sem pontuação nenhuma porque eu fico sem respirar e me falta o fôlego e a coragem necessária pra te dizer tudo isso e que se eu fosse dar pausa não daria tempo porque tudo com a gente corre como o sopro de um vento morto e eu não queria te dizer que já pode ser tarde demais e que agora já anoiteceu e que você não vai conseguir segurar minha mão no escuro porque eu tenho medo demais de agarrar meus pés e eu cair de joelhos em busca de algo que não vou ter
minhas tentativas de te alcançar não te alcançam porque é quase como se as mensagens não fossem nunca recebidas e como se a gente tivesse em dois canais diferentes que coexistem no tempo mas não no espaço e eu fico sempre tentando te dizer coisas e tentando te mostrar coisas bonitas e tentando te dizer que vale à pena continuar existindo mas parece que eu nunca vou ser suficiente pra você ou para as coisas que você quer ou para tudo aquilo que seu peito tem vontade de alcançar: eu também já fui a pessoa que tenta irremediavelmente segurar o peso do corpo em uma só perna esperando que a cabeça não pendesse para os lados mas é nessas horas que eu me acumulo em um monte de coisa que deixei de fazer e isso tudo pode parecer uma catarse mas é quase um afogamento
eu tentei te alcançar mas eu percebi que mais do que te tocar eu precisava te ver: e muito mais do que ver você eu precisava te dizer que havia algo em mim que nunca iria te apaixonar. quem sabe a gente seja tão quebrado e tão fodido por dentro que seja uma grande tentativa de se quebrar mais ainda essa nossa insistência em permanecermos sãos.
eu tentei te alcançar mas tudo em mim é feito um grito desesperado de socorro e você pode correr em minha direção pra gritar comigo ou pode sair correndo até cair às voltas de um precipício. eu te dei liberdade no momento em que você cruzou a linha mais ou menos exposta das pessoas que entram e que ficam na minha vida. o outro lado é mais escuro, eu te diria baixinho.
foi em uma dessas tentativas falhas que eu descobri sobre o medo e por falar em medo quanta coragem que tu teve de soltar meus braços nos dias em que eu não parava de falar e de segurá-los quando não saia uma palavra sequer. eu teria medo de alguém como eu mas você não teve mas às vezes eu me pergunto até quando isso vai ser só uma escapatória para não me sentir por inteiro: eu nunca fiz sentido e nunca quis que você fizesse. não me entenda errado mas é quase como se eu fosse aquela foto que te mandei no fim de tarde de um céu borrado porque certas coisas ficam muito mais bonitas assim.
se você lesse isso reconheceria que se trata de mim porque tudo o que eu faço coloco pedaços da minha pele e não dá para fugir de mim mesma. embora tu tenha me dito que eu fui feita pra fugir e feita pra ser do mundo eu ainda pertenço à esse planeta cinza
eu tentei te alcançar mas você sempre foi de recolher à sua menor parte quando as coisas gritavam porque achava que ninguém deveria ou teria o direito ou a a chance de te cuidar mas acontece que eu quis fazer isso até que me dei conta: eu só posso cuidar das pessoas até aonde me permitirem. e eu tentei te alcançar mas não tentei quebrar suas armaduras porque você também não pediu pra quebrar as minhas: você só chegou. eu cedi e você não tem a mesma naturalidade que eu tive em ser vulnerável e tá tudo bem porque eu sou ligeiramente frágil e me entrego às carências e tenho meus ciclos constantes de me apaixonar e de me desapaixonar na mesma intensidade. você não teve culpa nem resquício do dia em que decidiu abrir a caixa das coisas que nunca contou pra ninguém e eu sabia disso porque eu entendo suas metáforas sobre a vida ser sobre defender-se de certas coisas antes que aconteçam. você toma decisões pelo bem dos outros mais do que seu próprio e isso me inclui.
eu poderia tentar fazer com que você se abraçasse na mesma proporção com quem você abraça meus medos mas eu queria ter como abraçar os seus se você deixasse mas enquanto isso eu não sei se peço permissão ou se embalo meus braços e deixo na tua porta esperando que os receba. você deixaria eu segurar as suas duas mãos no bolso do meu suéter?
eu tentei te alcançar mas hoje não consegui e eu pensei em te ligar e essa ideia me pareceu ridícula porque eu tive medo de você me achar desesperada por notícias suas mas eu tinha era medo de tu achar que eu tinha te deixado sozinha no que seria os piores dias da sua vida.
meu desespero na verdade era por te ver respirando calmamente e por ver as coisas menos escuras. mas eu não posso te colocar meus olhos porque isso não cabe a mim: eu só posso te oferecer telas porque a realidade da sua vida é sua. desculpa por não ter mais do que telas pra oferecer.
esse pode ser o começo do texto mais pesado que te escrevi mas isso só acontece no dia que dentro de mim prevê ter uma repulsa de continuar guardando lapsos e resquícios de coisas e sentimentos mal resolvidos e eu preciso parar com essa mania de não dizer coisas nem pensar sobre elas. eu sou uma série de escolhas mal tomadas e pouco pensadas porque dentro de mim abastece uma solidão irrecuperável que insiste em tomar decisões por si só e em colocar reticências mal fechadas e eu só consigo te pedir desculpa pelas coisas que não consegui ser pra você. ao mesmo tempo em que eu sei que no fundo não preciso me desculpar por nada porque eu sou só assim e absolutamente nada pode salvar ninguém.
falando nisso, eu tentei te alcançar mas não foi pra te salvar. eu tentei te alcançar porque dóia mais em mim do que em você te ver fugindo te ver caindo e pior que tudo isso: não te ver. eu tentei te alcançar e talvez tenha sido por puro egoísmo de não conseguir te ver sofrendo e eu não sei se isso é por você ou por mim: não gosto de moralismo nem de altruísmos exacerbados porque tudo que é demais esconde a falta de uma coisa do outro lado e eu juro como vou tentar descobrir do que.
só não agora. porque eu tentei te alcançar mas eu não consigo - face: e. alagados
não adianta eu querer desesperadamente que você ame minha parte que se quebra em mil pedaços porque eu já aprendi com essa estranheza que se encosta na minha vida o quanto não adianta tentar fazer com que pedaços se desfaçam e se desmontem e se conversem e se delimitem e se encontrem porque o encontro de todas as coisas que nos tocam, meu bem, já se repartiu
tu foi como um efeito borboleta porque é como se cada batida de asas fosse um tornado de tudo aquilo que a gente não viveu: cada desastre na nossa história é um detalhe que não se sustenta diante dos acasos que a gente era, do que a gente não foi, do que a gente podia ser e de tanta coisa que eu quis que a gente fosse
talvez esse seja o problema: eu queria que você fosse que você viesse que você chegasse que você ficasse aqui, sabe?
eu gosto do fato de você ter ficado mas não gosto do fato de que nada na gente foi feito pra ser invisibilizado porque eu não queria ter que escutar mas pra você eu parei o mundo pra ouvir toda sua história e todo o peso do seu corpo leve que me segurava quando os dias eram ruins
tu foi como um efeito desses que comprovam a teoria do caos porque eu sou a própria tormenta que insiste em repetir meus erros e todos os meus receios que continuam a me deixar sem ar e sem entender:
o que tu quer de mim?
- e. alagados
sou o tipo de pessoa que manda fotos do fim de tarde aleatoriamente e tenho preferência por mandá-las tremidas porque eu gosto do caos da bagunça e das coisas que não são percebidas:
tudo em mim parece um espasmo de ser notada de ser amada de ter atenção de aliviar minhas carências e de ser alguma coisa: acontece que de tanto esperar por algo eu tentei dar demais de mim e isso não se recobre porque eu sei, juro como só eu sei sobre como não se dá pra preencher feridas emocionais com outras
não tente me impedir de achar que tudo perto da gente beira à loucura ou à normalidade porque eu me nego a achar que estou entre dois extremos de alguma coisa que não tenha três lados
mas hoje eu não quero escrever de você porque eu preciso parar com essa mania ridícula de pensar que ainda sinto coisas por pessoas ou por coisas que eu já tentei dessentir e desacreditar de tudo o que tentaram me dizer na noite passada
não me deixa aqui sangrando as coisas que eu não disse e lendo e relendo e existindo sem ecoar em nada e recriando minhas palavras no fundo das tragédias que eu me salvei na minha cabeça
eu sou o tipo de pessoa que pode te escrever mil e um textos se eu sentir que tua sensibilidade tocou a minha de alguma forma e isso é quase que instantâneo: quando me toca eu me abro quando não me toca eu me fecho
- e. alagados
pra avisar que to canalizando as postagens no face e no insta
face: @escritosalagadoss
link do face (aperta aqui)
insta: @escritosalagados
link do insta (aperta aqui)
lembrando que eu sou a mesma pessoa do tumblr @vagalumares com a diferença de que aqui só tem minhas autorias
beijos e me deem forças
obrigada