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— dancing in my room¨
Por quê o filme To Ryca 2 coloca a mulher rica com cabelo liso e quando fica pobre o cabelo fica cacheado? Por quê insistem em desqualificar o cabelo cacheado por falta de dinheiro e prestígio social?
Pensei muito antes de colocar essa questão aqui porque nem mesmo vi o filme completo, mas depois que passei a me interessar por questões assim ficou impossível não prestar atenção nesses detalhes..
Eu li isso a uns dias no Twitter e me trouxe lembranças de quando era criança e recebia esses olhares e as pessoas (principalmente os idosos) ficavam "alertando" minha mãe. Sim, eu sei que não faz o mínimo sentido alertar alguém sobre algo que não tem nenhum problema, mas hoje eu entendo..
Bom, mas tudo bem. Com o tempo aprendi a me defender desses ataques, ainda machucam, mas não quero mais me sentir presa à eles quando saio na rua sem um boné ou algo para esconder meu cabelo
Apesar de amar a capa resolvi fazer a minha versão. Não gostei tanto da primeira versão, então tentei mudar um pouco e colocar um cenário atrás.
Acredito que melhorou mas sou perfeccionista demais pra olhar mais de duas vezes
Um ponto que acabei descobrindo durante a pesquisa, é que em uma das imagens do livro (página 65). Até então não dei importância, mas é a Elizabeth Eckforf, uma das nove estudantes negras que estudaram no colégio Little Rock Central High School. Uma ação na justiça fez com que elas tivessem o direito ao estudo nessa escola.
Entendi então que a imagem dela em Esse Cabelo é porque ela se via nela: a tensão ao caminhar, a força segurar o caderno, talvez até na confiança de caminhar entre pessoas que claramente não a queriam ali.
No livro, ela conta sobre uma colega de classe que preferia abortar a ter um filho preto.
"Quem é Mila? 'Eu mesma' não coincide bem comigo. O cabelo corta-se é renova-se prolongando a sucessão dos ciclos, mas tal não é senão uma via de extinção. Cada ciclo do cabelo é somente um ciclo do livro do cabelo. " (página 56-57)
É um livro interessante quando vemos de fora toda a busca para se encontrar. Mas também na mesma intensidade podemos refletir como as pessoas podem ter certas atitudes ou "opiniões" que machucam o outro como se fosse natural.
sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolo da identidade negra
"A obra Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra, foi uma pesquisa realizada pela Profa. Nilma Lino Gomes em quatro salões étnicos da cidade de Belo Horizonte, em que a autora nos relata como se constrói a identidade e a subjetividade do negro e da negra através do tratamento estético do corpo e do cabelo. "
Poema da maravilhosa Elisa Lucinda com o Emicida
"Grito bem alto sim! qual foi o idiota que concluiu que o meu cabelo é ruim??"
#here
É um processo lento, mas que transforma e liberta profundamente
Esse livro trás dentro do gênero romance (e talvez ensaio?), reflexões dentro de um aspecto global sobre racismo, feminismo, autoconhecimento e independência.
"Uma pessoa não precisa de quase nada para conservar em si um fogo aceso, um motivo para se rir."( página 34)