Foreshadowing (Beauty and the Beast) [Detail] - Jana Brike
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@estragoseumtravoselvagem
Foreshadowing (Beauty and the Beast) [Detail] - Jana Brike
Egon Schiele, The Embrace 1917
você, baby me faria escrever os poemas mais devassos me faria fazer as coisas mais escrotas me faria querer tudo o que deus duvida e eu me sentiria sempre santa sempre sã e sempre sua por tudo aquilo que a gente chama de amor
então ela me disse:
agora eu fumo mentolado,
leio psicanálise e
tomo drinks
café é com
adoçante
e menages são
proibidos
sorry.
obituário
a garotinha escrevia coisas ácidas e marcantes, ensaiadas na medida certa quando não havia mais nada autêntico para ser. seu personagem preferido eram as mentiras doces da vaidade e os erros que @deus permite aos jovens antes que se tornem passagens direto para o inferno. a garotinha escrevia coisas que sentia entre os dedos, as pernas e os neurônios. comia as unhas e a própria neurose. amava as incongruências, sentia tesão pelos estragos e um amor poluído pelo mundo.
então a garotinha se afastava da garotinha. odiava cada vez mais o seu câncer. colocava a sua sua melhor roupa e morria. colocou a sua melhor roupa e morreu.
hey, baby
diga ao mundo que estou viva
já o mundo
eu não sei
is the nature of my game
existe algum tipo de beleza escondida nos destroços do que fomos. como uma doença que muda tudo. como um gole decisivo para o coma alcoólico. como os punhos que se fecham e acertam certeiramente o alvo. como aquela coisa que se escreve de repente e se entende tudo, mesmo sendo a mais bela & a mais puta das nossas mentiras.
nossos velhos hábitos ainda sobrevivem no meio do caos, do caô. nosso fim ainda não chegou lá, embora seja o nome que demos pra isso. você ainda me fode com a mesma paixão visceral e eu sinto que essa é a droga certa para um sábado à noite.
não tenho mais fé nenhuma nisso aqui, apenas a carrego porque as coisas que nos destroem são as mais viciantes. você podia lembrar das promessas feitas nos tempos bons, mas talvez tenha esquecido que houve tempos bons. me falta a puta de uma coragem pra poder esquecer da mesma forma, mas eu te mostrei as fraquezas da minha pele, da minha boca e do que é um vazio no meio de um fim de semana. você saboreia o gosto da vitória e eu peço que essa seja minha última noite aqui.
The telegram (detail), 1894. oil on canvas Luisa Max-Ehrlerová
bom, eu acordo e penso "puta merda" e isso pode ser as 4h da manhã ou da tarde, mas é sempre um tiro na meio da testa que nos faz viver. hoje eu queria te contar que a culpa tem virado vazio e a sujeira tem se transformado em culpa, então isso vai se repetindo na minha cabeça em quase todas as horas do dia. ciclos viciosos são como filhos de um útero estéril. você os ama mas não sabe como eles conseguiram crescer lá dentro, se alimentando das neuroses que você esconde do divã. você os ama mas mistura no teu sangue todas as drogas possíveis para você esquecer isso por algumas horas, até que o vazio te alcance outra vez enquanto você se afasta mais.
e mais.
“i love you but fuck you”
— (via casualistic)
me and mrs. jones tocando na rádio e eu penso que temos uma porrada de coisas imensuráveis presas no céu da boca. você tenta rimar sua dor com amor e eu não tenho paciência pra poesia enlatada. você sabe dos desvios queu coleciono, apesar de fazer confusão quando eu tento explicá-los. apesar de eu nunca tentar explicá-los. eu desligo o som alto e você detesta o meu silêncio. você ainda não se acostumou com a vadia que é o nó na minha garganta. no fundo você sabe que teu nó é pior que o meu e que a tua poesia é pior que a minha, mas só é divertido quando você finge que não. é por isso que você liga o som outra vez e fica.
when you love the girl a ripe peach, you stick your fingers into the center and you pull her out—the seed of her, the sin of her. the being of her. you bare your teeth and juice drips down your chin and your running nose with the blood all mixed in. “I can take a punch,” she says, but turns her head when the wind comes in through the south window, the night slides in low and humming and ready to strike. “I can take a punch,” she says and her black eyes shine in the twilight and we smile, gap-toothed smiles with teeth bared, spitting seeds, ripe peach flesh. girl flesh. summer flesh. I want to sit next to you and tell you about the books I’m reading, I want to peel your clementines and show you the bruises on my knees. you’d count them like counting stars, counting planets. telling futures. remember when we drove out to the countryside, the headlights all swallowed up by the night? we were flying apart in the empty expanse, breathless and light. we made wishes and crossed our fingers behind our backs and we got so drunk on strawberry wine. she drove her car straight into a ditch and I couldn’t stop laughing. god, I was always laughing, then. “I can take a punch,” she says and I want to kiss the wound of her, the gaping yawning openness of her with split lips and teeth bared, a sinewed peach pit in my mouth.
só as mães são felizes
você ainda mora com a mamãe e eu tento não julgar. até a metade da garrafa. você se irrita e me lembra que eu sou uma péssima vadia desde os 13 anos. lamento pelo fato de você me conhecer cedo demais. eu queria te mostrar apenas o meu auge, embora agora eu esteja em decadência. é bem mais difícil manter a pose depois que você passa dos vinte. é bem mais difícil achar que aquela velha imortalidade de gente ingênua ainda serve para nós. tentamos. como você ainda tenta convivendo com a sua mãe. como eu ainda tento buscando ser uns 10% melhor a cada novo ano. você me fala do meu fracasso nisso e eu elogio a tua roupa com cheiro de amaciante. ninguém vence.