Minha nossa, nossa, nossa (por favor, leia com a voz do pica-pau).
Caramba, faz tanto tempo que eu não trago atualizações aqui. Tanta, mas taaanta coisa aconteceu, que eu nem sei por onde começar. Ordem cronológica ou ordem de força dos fatos? Vamos pela cronológica, né? Não estou muito boa de cabeça, então vai ficar fácil me perder se não for assim. Vamos lá:
Da última vez que estive aqui, eu estava prestes a ter a minha bebê. E sim, ela nasceu. Nasceu dia 11/08, às 23h12. Pesando 3.735kg e medindo 51cm. Uma bebêzona que já estava sinalizada como GIG.
Mas vamos voltar um pouquinho para um pouco antes do parto?
Minha bolsa sofre um "corte" superior e líquido amniótico começa a escorrer aos poucos. A bolsa não estoura, mas perde líquido. Eu não sabia, mas desconfiava. Os médicos achavam que era normal, mas eu sabia que tinha algo de errado. Eu estava com 37 semanas.
Com 39 semanas, no sábado que antecedeu o dia dos pais, eu senti em mim que havia algo errado. Eu sempre sei quando algo está fora do padrão. Fui ao hospital e fiz um ultrassom, minha bolsa estava com pouquíssima água. No domingo, dia dos pais, à noite, me internei. Catherine nasceu no dia seguinte, na segunda-feira.
Na quarta-feira, tive alta do hospital. Meu parto foi uma cesariana (contrariando minha vontade, que seria parto normal), então, além de lidar com um bebê, agora eu precisava lidar com uma cirurgia que cortou 7 camadas da minha pele e que pedia 12 centímetros.
Ainda na quarta-feira, minhas pernas incharam muito, logo após chegar em casa do hospital. Me assustei. À noite, estavam ainda mais inchadas. Fui ao hospital com um casal de amigos (meu marido precisou ficar em casa com a bebê) e lá a médica de plantão disse que era normal por conta da anestesia da cirurgia. Que com poucos dias iria desinchar. Então, ok.
Na madrugada da quinta-feira, comecei a sentir muito peso no peito. Não sabia ao certo como agir. Eu não conseguia respirar direito, mas precisava amamentar a minha bebê. Segui firme.
Na sexta-feira, a falta de ar estava ainda mais difícil. Fui sozinha ao hospital, não queria incomodar ninguém. Chegando lá, a médica de plantão fala que esse peso é normal, que é o peso do leite. Me passa uma medicação de farmácia para tomar em casa e me libera. Desde a sexta-feira, não consegui mais dormir, a falta de ar não deixava.
No sábado, eu estava frágil. Tinha perdido bastante peso, não estava conseguindo respirar e estava com uma sensação de fraqueza muito grande. De jejum, porque eu não conseguia comer nada. Meu marido me obrigou a comer pelo menos uma fatia de pizza, comi.
Na madrugada do domingo, senti fortes dores de cabeça, minha vista ficou tremida e escurecida, comecei a vomitar sem esforço, só foi escorrendo de mim e comecei a convulsionar. Aquele foi sem dúvida o momento que mais senti raiva na minha vida e acredito que foi essa raiva que me salvou. Talvez, se eu tivesse apenas me assustado, eu não tivesse resistido. Levantei, fui ao banheiro me lavar, escovei os dentes, vesti uma roupa e às 3h da manhã, fui sozinha ao hospital me socorrer.
Cheguei ao hospital com 18/9 de pressão, que rapidamente subiu para 22/7 e depois 25/7. Estava convulsionando ainda mais. Não conseguia mais andar, precisei ser levada às pressas de cadeira de rodas. Comecei sendo atendida por uma médica, depois chegou mais um, mais outro, mais outro, mais outros. Meu caso era extremamente grave. E eu estava sozinha. A suspeita era de tromboembolia pulmonar. Também conhecido como TEP. Então, meu tratamento na emergência foi seguindo os protocolos dessa doença. Meu oxigênio começou a cair, precisei de respirador e fiquei prestes à entubação. Subi para a UTI em estado extremamente grave. Eu era a única paciente da UTI acompanhada por 3 especialidades: cardiologia, pneumologia e ginecologia. Ainda era inexplicável para a medicina como eu não tive um AVC, porque era isso que eles estavam esperando no melhor dos casos, porque simplesmente, era para eu estar morta agora.
Foram 8 dias de UTI. A descoberta da minha doença só veio no meu 4º dia de UTI: eclâmpsia pós-parto tardia, que causou um edema agudo de pulmão, levando meu coração a sofrimento, por isso minha pressão subiu tanto. Era muito esperado no meu cenário que eu tivesse um AVC ou derrame. Eu não tive nada. Espera, pra não dizer nada, eu tive glaucoma. Algumas veias do meu olho direito estouraram com essa loucura da pressão e agora eu preciso usar óculos, mas sério, fiquei muito gostosa de óculos.
Agosto se seguiu com eu tratando meus problemas pós-UTi, sendo acompanhada por cardiologista e pneumologista.
Tive alta da pneumologista, que de tão chocada, perguntou se poderia apresentar o meu caso na faculdade onde ela leciona. Dei total apoio. A eclampsia pós-parto é uma doença rara, por isso é difícil identificar. E eu ter ficado da quarta-feira até o domingo com um edema no pulmão de 2L (sim, era isso que tinha de líquido nele), era surreal.
Também em setembro, comprei meu primeiro carro. Sim, meu. No meu nome. Meu carro dos sonhos. À vista. Foi uma alegria infinita, inexplicável. Finalmente eu tinha a minha Commander Overland azul com bancos de couro branco. Eu estava me organizando para comprar esse carro desde 2022. Foi uma super conquista, me orgulho demais disso!
Recebi alta do cardiologista, mas a especialidade que iria me abraçar agora era psiquiatria. Com tudo o que aconteceu, eu desenvolvi o que eles chamam de TAG, transtorno de ansiedade generalizado. Foi tudo um trauma muito grande e meus sintomas ansiosos agora eram físicos. Bom... para quem poderia ter morrido, ficado eternamente inválida ou vegetando, acho que posso lidar com isso.
Comecei meu tratamento com uma super psiquiatra e tem sido minha médica desde então. Também comecei um segundo emprego. Uma vida que custa 5 dígitos requer um salário de 5 dígitos.
O ano se encerrou com tudo em paz. Catherine não é só a sensação da família, é a sensação nas nossas redes sociais também. É uma bebê linda (não é porque é minha, ela é linda mesmo) e extremamente inteligente. Alcançando os marcos antes do previsto. Sair com ela para qualquer lugar é como ser uma super star. Todo mundo para para elogiar ela, será que é assim que uma Kardashian se sente?
Eita que esse mês tem show do Avenged Sevenfold em São Paulo, hein? Vai ser o primeiro voo da Catherine. Voltei ao meu emprego fixo CLT sofridinha, então, sim, estou em 2 empregos ao mesmo tempo. Se der, enfio o 3º, porque aqui a gente não corre de trabalho. Lógico, todos home office, porque ter que lidar com pessoas pessoalmente é demais para mim.
____________________________________
Em breve, mais atualizações.
Sério, se mais alguma coisa horrível me acontecer, vou virar vilã. Me diz se tudo isso aí não é muito "o passado do vilão". Vai se foder!
Fiquem com algumas fotos desse caos que eu chamo de vida (tudo acontece comigo, mas eu sempre me safo, sou muito a personagem principal, percebam)!
Eu no dia do parto igualzinha um abacate gigante:
Catherine 1 dia após seu nascimento, diz se não é uma bebê reborn:
Nós e o carrão da mamãe aqui:
Eu de óculos, fazer o que né:
Cathê com 2 meses, olha esse sorrisinho, encher de beijo essa carinha linda:
Eu dirigindo com meu teto solar aberto belíssima. Nesse dia (nesse momento da foto), eu tava num posto de gasolina. Cheguei com o carro, parei, baixei o vidro. Veio o frentista dizendo: “boa tarde, Doutor”. Quando viu que era eu, uma mulher, ficou todo sem jeito e disse: “eita, Doutora, desculpa… não sabia!”, pois é… vamos normalizar mulheres dirigindo carrões:
Todo mêsversário da Catherine, eu fantasio ela de algum animalzinho. Essa foi minha favorita: pintinho!:
Eu apresentando o papai noel para Catherine no Shopping:
Mais Catherine pra vocês verem que eu criei a perfeição, sou muito a personagem principal mesmo: