“Estou presa em meu próprio mundo, meu quarto agora é uma bolha e não quero mais sair dela, mesmo sendo assustador, aqui tenho tudo o que preciso e realmente não preciso de nada. Cada segundo parece ser mais longo, o tempo não passa, minha vida não passa, continuo parada aqui o dia inteiro, o mundo corre e eu permaneço aqui, eu realmente queria sair daqui mais não consigo, as mãos fortes que minha mente criou me seguram, me machucam tanto que me fazem chorar, machucam tanto que estou prestes a parar de lutar, assim elas não vão segurar tão forte e eu vou ter um pouco de paz, mesmo que sozinha e no mesmo lugar de sempre. Eu tento, juro pra você que eu tento, penso em cada coisa que devo fazer e quando começo a fazer algo o medo me invade, me deixa paranoica, desesperada, encurralada por monstros assustadores num beco escuro e úmido, eu não consigo fugir, o que me resta é chorar e esperar que eles me deixem em paz por algumas horas, até voltarem pra me assustar novamente. De tanto lutar eu canso, e de tão cansada eu durmo. Então os pesadelos entram em cena. Fantasmas, mais monstros, angustia, mais medo, a respiração rápida, o coração acelerado, o medo, o suor, os gritos, tudo isso faz parte da minha noite agora, as vezes eu nem lembro de nada, mas vejo os sinais de que eles estiveram ali. Meu corpo cansa e pede ajuda, minha mente cansa e pede ajuda. O dia amanhece e com ele anoiteço, apago, sou a escuridão, são meus poucos momentos de paz, um sono tão profundo, quase um coma, que me desliga por algumas horas, as poucos horas em que posso agradecer por algo. Quando acordo começa tudo outra vez. Estou presa em meu próprio mundo, meu quarto agora é uma bolha e não quero mais sair dela.”