raposademarfim:
&&. poe.
&&. laurel.
A brincadeira de Poe entrou por um ouvido e saiu pelo outro. As coisas definitivamente haviam ficado tensas entre Hawk e Fox e Laurel não precisava saber que não era só pelo pacote de biscoitos. Direcionou seu olhar para Fox, depois para Hawk, depois para Fox de novo e enfim para Hawk. Se a situação não fosse lamentável e ela mesma não tivesse se acertado com seu ex, até riria de Radburn, mas não estava em posição para isso. — Você se fez odiado pela cidade, não é nossa culpa reagir assim — deu de ombros. — Mas se quer saber, é bom ver mais um conhecido respirando e com todos os membros do corpo no meio disso tudo. — Com a menção de Erik, voltou a se encostar no batente, os braços cruzados. — Vi, nós estamos escondidos na sinagoga. Erik levou uma facada e eu o encontrei quase morto, mas ele tá bem agora, não precisa se preocupar — garantiu, no tom de voz mais calmo que conseguia expressar, embora não houvesse tanta tranquilidade em seu timbre assim. Se havia uma coisa que Laurel nunca seria, com certeza era calma. Atenta, observou Hawk criar os objetos que Poe e Fox pediram e algo estalou dentro de sua mente. Aquilo era ótimo para que pudessem sobreviver. Não, não ótimo. Perfeito. A ideia que surgiu em sua mente a agitou e a telepata descruzou os braços. — Radburn, você é mais útil do que eu imaginava — começou, dirigindo-se até o centro do cômodo, com a expressão pensativa. — Vocês sabem que temos mais chances de permanecermos vivos se nos juntarmos, não sabem?
Enquanto os outros conversavam sobre Erik, o irlandês manteu-se quieto mais uma vez, usando a bancada como impulso para sentar no parapeito da janela. Precisava admitir que o silêncio era bem out of character para Poe, que nunca perdia a oportunidade de irritar Laurel e Hawk com piadinhas, mas com todo o caos que os rodeavam agora, era impossível manter seu humor imaturo; ainda assim, sempre deixava escapar um ou dois comentários carregados de sarcasmo. Dessa vez, apenas olhou para Fox com o sorriso torto e uma sobrancelha arqueada, tentando não rir do abraço que a garota rejeitou. Sustentou o sorriso por alguns segundos e então, novamente com o olhar vazio, voltou a observar enquanto o “amigo” criava uma lata de cerveja com as palmas das mãos, secretamente invejando o controle que ele tinha sobre seu poder. Olhou de relance para Christensen, desconfortável com o fato de que a telepata podia ouvir tais pensamentos, e quase não notou a lata de cerveja voando em sua direção até que esta estivesse a alguns centímetros de distância. Com dificuldade, agarrou a bebida e tomou dela um longo gole. “Laurel está certa, Radburn. Eu achava que você era inútil, mas agora vejo que cervejas de graça contam como uma utilidade.” comentou, ainda com o alumínio tocando os lábios. Não conseguiu evitar fazer uma careta com a continuação da fala da morena. “Sabemos? Porque eu tenho quase certeza que juntos não aguentaríamos dois dias sem estrangular uns aos outros. E quando digo ‘nós’, estou me referindo a você e a Acid Betty aí.”
Fingindo não perceber os braços abertos de Hawk, Fox desviou o olhar e sentiu seu rosto queimar ao perceber que a amiga analisava atentamente a interação entre os dois - com certeza estava tão vermelha quanto seu cabelo. ❝ Hey, Laurel? Você estava certa mais cedo, eu faria a mesma coisa que você. ❞ Pensou, sabendo que a morena a escutaria. Uma lata voando pela sala fez com que a garota voltasse a prestar atenção na conversa entre seus amigos. ❝ C’mon now, Hawk, você sabe que é exatamente essa a sua cara. ❞ Rolou os olhos e, suavemente, pegou a garrafa que ele lhe estendia. ❝ Besides, não sei se você serve pra nada além de servir bebidas. ❞ Comentou, antes de colocar outro pedaço de biscoito em sua boca. Ao escutar o nome de Erik mais uma vez, a garota reprimiu outra revirada de olhos, tornando sua atenção pra garrafa em suas mãos. Fox tomou um gole da bebida, engasgando quando percebeu o que Hawk havia criado - sua bebida preferida. ❝ Uh, eu to bem. ❞ Exclamou, assim que parou de tossir. ❝ E, Bianca, por favor. Sabemos que a única chance que todos nós temos de sobreviver, é se unirmos esforços. Laurel é basicamente uma deusa, quase onipotente, onisciente, whatever. Hawk pode criar comida e bebida, e qualquer objeto que nós podemos precisar. Você pode nos deixar com eletricidade e eu posso, limitadamente, curar machucados. Estaríamos basicamente vivendo como a família real, só que em um mundo pós apocalipse zumbi. ❞ A mutante deu de ombros, antes de tomar mais um gole da cidra de maçã. ❝ A gente ficaria na sinagoga, não? ❞ Perguntou a Laurel.
A sensação era de que estava segurando uma pedra por muito tempo e que de repente foi tirada de cima de si. Saber que Erik estava bem era um grande alívio, que eliminava em muito suas preocupações. Fox também estava ali e Francis... Com ele não tinha que se preocupar. Soltou o ar que segurava e fechou os olhos, jogando-se no sofá ao lado de Fox, voltando a respirar de novo. Ele podia estar machucado, mas estava vivo -- Que bom. -- era apenas ter notícias do Wolf e talvez conseguisse de fato agir sobre algo em meio aquele caos. Ouvir em seguida tantas vezes sobre sua própria inutilidade era algo que realmente elevava o espírito de um homem. -- Me lembrem de na próxima vez deixar vocês morrerem de sede... -- resmungou, mas com um sorriso quase escapando dos lábios. Por muitos momentos tinha se esquecido daquele sentimento de normalidade, de não ter que hesitar diante da presença de outras pessoas (muito). Quase estendeu a mão para ajudar a garota de cabelos rosas durante sua crise de tosses, mas resguardou-se a um olhar preocupado e um meneio de cabeça diante de sua afirmação. Apenas voltou a prestar atenção ao que diziam quando certificou-se de que ela estava bem por meio de sua visão periférica. Merda. Será que estava tendo mais uma de suas recaídas? -- Calma, calma, calma. Acho que eu perdi o ponto em alguma parte. -- perguntou franzindo os cenhos com ambas as mãos erguidas -- Vocês. -- apontou para cada um deles -- Vocês. -- repetiu, dando ênfase à palavra -- Querem que eu faça parte do grupo de vocês? -- ele não sabia de verdade no que acreditar -- Digo, tirando o Edgar. -- fez um sinal de paz pra ele -- Valeu cara. -- voltou a atenção às duas -- Vocês querem me usar de isca, eu sabia! -- parou por alguns segundos e sorriu -- Mas... É. Eu topo. Desde que eu não tenha que ficar sozinho nessa merda...









