“Me doar é fácil, bem fácil na verdade, porque meu coração sempre foi bobo e frágil, qualquer coisinha ele se apega e eu nunca escondi isso de ninguém, mesmo querendo muito. Mas me entregar é difícil, me abrir pra alguém e me deixar conhecer é complicado. Os mares mais profundos habitam em meu coração e é lá que moram todos os meus segredos, todos os meus dias sombrios, todos os meus devaneios. Não sei compartilhar. É que eu sempre tive a mim e somente a mim pra me entender, sempre fui tão minha e tão sozinha que a ideia de um outro alguém me invadir me assusta, me retrai, me congela. Eu tenho tanto a aprender ainda, tenho tanto a conhecer desse mundo desconhecido. Eu me distancio quando me sinto invadida, me esquivo porque só sei ser singular, quando sinto dor, não quero que sintam comigo, minha vida toda foi assim, ninguém nunca soube o que me doía, o que me dói… e eu aprendi a me anestesiar sozinha. Eu sou singular, mas queria aprender a ser plural, sempre quis um colo que me acolhesse, que me sentisse, que me entendesse.”