Something About September
Capítulo 23: Disaster
Stella
O relógio marcava as exatas sete horas da manhã quando eu entrei no metrô, de volta para casa. A época de início de ano era sempre regada a turnos e plantões seguidos; definitivamente a pior parte do meu trabalho.
Minha mente vagou para toda a bagunça acontecida. Minha vida com Justin tinha voltado ao habitual, ou pelo menos, boa parte dela. Depois que eu conversei com Oliver no hospital e praticamente implorei para que ele esperasse um tempo até que eu convencesse Justin de que ele não teve culpa alguma pela demora de sua procura pela cidade, tudo realmente se estabilizou. E apesar de ser estranho, ele não disse nada além de um simples "tudo bem". Khloé me ignorava e não atendia as minhas ligações. Eu não gostava de tocar no assunto que era ela com ele. Justin se sentia culpado apesar de não ser, e eu não queria aquilo.
Combinamos de ir até Lennox Hill, a clínica onde talvez sua mãe possa estar, na segunda-feira. Não quis perguntar nada a Oliver sobre a "Família Bieber", até porque não devo me meter nessa parte mais pessoal. Ele precisava dessa liberdade, dessa independência de entender e descobrir as próprias coisas; não eu.
Em quinze minutos, eu já estava na frente do meu prédio, aliviada do pouco frio que a cidade já cessava.
O calendário marcava 15 de fevereiro, quase seis meses desde a tragédia que trouxe Justin pra minha vida, e levou milhares de outras. O presidente estava na cidade para fazer um discurso em homenagem e lembrança aos feridos. A notícia estava em todo lugar e as informações de onde seria também, então mesmo eu não tendo dito, eu sabia que Justin estava a par disso. Ele que decidiria se nós iríamos ou não. Eu havia notado o seu cuidado diante de qualquer mínima situação agora, e a última coisa que eu queria era forçá-lo.
Peguei o elevador, e ao chegar em casa, encontrei o apartamento vazio. Havia um bilhete na mesinha do telefone e eu o peguei para ler.
Se você está lendo isso, é porque chegou mais cedo do que eu previa. Fui buscar o nosso café da manhã. Não demoro.
•••
Ouvi a porta da frente abrir e fechar, e desliguei o secador de cabelo para ir até a sala. Justin tentava equilibrar uma sacola, um suporte de café e um buquê enorme de flores de vários tipos. Meus olhos saltaram quando eu vi aquilo.
– Uau, tudo isso é pra mim? – perguntei e me aproximei dele para lhe ajudar. Ele me entregou as flores sem nem esboçar um sorriso e virou para deixar os cafés na mesa. – Justin, o que foi?
– Um senhor me entregou isso na entrada, acho que ele era o zelador. Disse que alguém estava com pressa e pediu para que lhe entregasse, mas não disse quem.
– Então... não são suas?
Ele negou.
– Tem um cartão aí.
Não precisei de muito para perceber que ele estava tentando manter uma expressão calma e normal, mas não estava conseguindo.
Procurei o cartão em meio às flores e abri o envelope azul. Assim que puxei o cartão, reconheci as letras uniformes e impecáveis de Aidan.
"Não há desculpa que justifique o que eu fiz. Eu me esforcei para não fazer isso, mas não consigo parar de pensar no quanto devo ter te magoado sendo um idiota.
Com carinho, Aidan."
Fechei os olhos.
Merda.
Coloquei o cartão de volta no envelope e olhei para Justin, que me observava sem desvios.
Respirei fundo e fui até a cozinha. Abri a lata de lixo e soltei o buquê direto no fundo.
– Então foi ele? – perguntou Justin, na porta da cozinha, assim que eu virei para voltar.
Não respondi e passei por ele, tirando as roscas que estavam na embalagem e colocando encima da mesa. Ele suspirou e puxou o próprio cabelo.
– Eu sei o que você está pensando, tá bom?
– Não, Stella, você não sabe.
– Podemos esquecer isso? Não já basta o que enfrentamos esses dias?! Ele só me pediu desculpas, e eu aceitei, elas estão no lixo. Você não viu?
– Não defende esse cara de novo. Isso já é palhaçada comigo.
– Eu não estou defendendo ele, pelo amor de Deus! – Justin balançou a cabeça várias vezes, indo e voltando até a porta. – Você poderia parar com esse ciúme bobo? É ridículo! Você viu o que eu fiz.
– Ridículo? Ridículo fui eu de ficar olhando pra essa merda até chegar aqui. Você não vê que esse cara só quer foder com a gente? É muito difícil pra esse babaca entender que você está comigo agora?!
– Você acha que é isso que ele está fazendo? Porque tudo o que ele fez não mudou nada em relação ao que sinto por você.
– O que você sente por mim, afinal? Me fala aqui e agora, porque eu realmente não entendo. – disse ele e o silêncio caiu como uma pedra entre nós. Suas palavras me machucaram mais do que qualquer coisa que eu já tinha ouvido de ruim na vida. Não, ele não disse isso. – Você não vê que eu me esforço todos os dias para ser o melhor pra você, não vê o quanto eu tento para não deixar que os meus problemas atinjam você. Eu não daria a mínima pra esse otário se ele fosse um vizinho que tem uma queda por você, enquanto eu sou o seu namorado. Mas ele já te amou e ainda te ama. Você já pertenceu a ele. Eu mal sei quem eu sou e eu deixei de querer descobrir isso para estar com você, para recomeçar ao seu lado. Você acha que não doeu quando você esfregou na minha cara que largou tudo para me ajudar na nossa primeira briga? Eu penso nisso cada vez que fecho os olhos, e em como eu estou destruindo o pouco que você tem de vida pessoal. Eu sou completamente apaixonado por você, Stella, e isso é uma merda – ele respirou com dificuldade, vindo até mim. – Só Deus sabe o quanto eu sou grato de sentir o que é amar alguém. Porque eu tenho medo, muito medo de te perder – ele riu sem humor. – Você nunca vai conseguir entender que você é tudo o que eu tenho. E eu não quero ter que competir com um soldadinho do Paquistão que tem a porra da vida perfeita.
As palavras dele não poderiam ter me machucado mais, mas não foi só dor que eu senti. Havia uma grande porção de raiva também.
Justin poderia ser uma excepcional, mas era tão cego e perdido no seu próprio ego...
– Qual a dificuldade que você tem de entender que eu te amo? – gritei. – Quer ouvir o que eu sinto por você, Justin? Eu te amo! Te amo e te odeio por você ser tão inseguro. Eu abri mão de muita coisa por você, pra estar aqui com você! Segui meu coração e estou encarando as consequências disso por você. Mas, para! Só para de tentar se convencer de que só você ama nessa relação. Para de tentar culpar o Aidan, para de tentar achar motivos pra não acreditar no que eu sinto por você. Sim, eu te amo! É difícil demais sair dessa sua bolha de autopiedade e olhar ao redor pra perceber que não tem ninguém arruinando nada aqui além de você?
Não esperei que ele rebatesse e lhe dei as costas, indo pata o quarto.
Se ele queria me machucar, então também sairía machucado.
Justin
Eu preferiria mil vezes que ela tivesse ficado e continuado a gritar comigo, do que ter me deixado sozinho, sentindo uma culpa sem tamanho. Me senti péssimo. Mais uma briga.
O café esfriou, as roscas murcharam, e eu me senti destruído ao chegar na porta do quarto e escutar ela chorar. Ela estava somente há alguns metros distante de mim, mas agora, era como se houvesse um quilômetro entre nós.
•
– Estive pensando sobre você nos últimos dias. – Noah explicou e franzi o cenho.
Vê-lo entrando na livraria já foi bastante estranho. Eu não esperava uma visita.
Pedi um intervalo a Ted e então o trouxe até o café do outro lado da rua.
– Mais precisamente sobre a sua história. – eu não podia dizer que conhecia meu... sogro a ponto de ler suas expressões, mas o olhar nele naquele momento dizia mais do que suas palavras.
– O senhor poderia ser mais claro?
– Você, assim como eu, é um amante de livros, certo?
Concordei, ainda sem entender aonde ele queria chegar. – Depois que me separei de Veronica, e comecei a beber, passei uma temporada com um bloqueio criativo. Quer dizer, eu escrevia, mas era tudo sobre a dor que eu sentia e o prazer do álcool. Nada que valesse uma estória. Foi assim por alguns anos, continuei escrevendo contos e romances, mas nada que eu realmente chamasse de um grande enredo. Veja bem, Justin. Não quero que você pense que isso é uma espécie de biografia ou estudo científico sobre você, mas a sua situação é realmente inspiradora. Quero dizer... quantas pessoas sobrevivem a um ataque assim? Quantas delas foram salvas por uma médica e acabaram se apaixonando? Sua história realmente tem potencial pra ser um best-seller e eu quero permissão pra escrevê-lo.
Balancei a cabeça para clarear as coisas na minha cabeça e ri fraco – Você quer transformar minha vida num livro? Um livro?!
As palavras não foram bem escolhidas, nem meu tom. Eu não estava irritado bem nada, apenas chocado.
– Você não precisa concordar. É apenas...
– Sr. Mitchell, o senhor pode ser meu sogro e eu o respeito, mas também é um dos meus escritores favoritos desde que comecei a me interessar por literatura, o que o você está me oferecendo é fantástico. Eu... Não sei nem o que dizer.
Ele sorriu.
– Apenas diga sim, rapaz.
Sorri pra ele e assenti – Sim... É claro que sim!
Ted me dispensou mais cedo naquela tarde e convidei Noah para o jantar. As coisas não estavam muito boas com Stella e ele poderia ser um bom apaziguador na situação. Quando entramos na estação de metrô, o celular dele tocou e ele o puxou do bolso.
– É a Stella.
Ele atendeu com um sorriso e sorri fraco. Ela não tinha me ligado o dia inteiro. Eu havia saído para o trabalho ela não deveria nem ter chegado perto da maçaneta da porta. Sim, eu estava chateado, muito, mas ao mesmo tempo sabia que ela merecia um tempo. Por um lado, nós estávamos afastados o suficiente com os turnos do seu trabalho, não precisávamos de tanto espaço assim.
– Estou com Justin agora. Tudo bem. Te vejo daqui a pouco, querida.
Ele desligou com um sorriso surpreso nos lábios. – Ela já está lá em casa, comprou o jantar.
Ouvir aquilo me deixou ainda mais chateado. Quero dizer, ela pretendia mesmo me deixar sozinho no jantar mais uma vez? Essa seria a quarta vez que eu chegaria em casa, comeria qualquer coisa, e assistiria algum filme até pegar no sono.
Subimos de volta à superfície e pegamos um táxi até a casa de Noah, que não era muito longe de onde estávamos.
Stella pretendia jantar com o pai e não tinha nem mandado uma mensagem avisando.
Eu me sentia cada vez mais um imbecil.
•
– Escrevi mais de duzentos livros em todo esse tempo, maior parte dele foi parar na primeira página do New York Times e foi sucesso de vendas. Reconheço uma boa história quando vejo uma.
A ideia de passar tudo o que aconteceu comigo para uma escrita ainda fazia meu coração parar. Minha vida, ou o pouco que eu tinha dela, num livro.
Ellie continuava enrolando a comida no prato sem muita atenção em nós dois. Ela tinha comprado o jantar e arrumado a mesa. E até tentou disfarçar o olhar de desgosto quando entrei com Noah em casa, e doeu pra caramba, mas não devolvi na mesma moeda. As coisas estavam tensas entre nós. Ainda não tínhamos conversado desde a briga.
– Está tudo bem, querida? – perguntou ele. Ella forçou um sorriso e assentiu.
A forma como ele olhava para a filha era algo genuíno. Eu sabia que ela era a única pessoa que ele poderia contar desde o divórcio conturbado.
– Então... Acho que você já deve ter encontrado um lugar pra ficar, não é, Justin?
Minha voz sumiu e eu não soube o que responder.
– Pai – Stella disse. – Ele mora comigo.
– Ora, vocês não pretendem continuar com isso até que a hora de ter um filho chegue, não é mesmo?
Filho?!
Stella olhou pra mim enquanto eu tentava não me engasgar com o suco.
– Pai, você se lembra de quanto anos eu tenho? Não vamos ter um filho – ela falou de uma forma tão seca que, só de pensar que ela recusaria um filho meu me incomodou.
– Mas vocês vão se casar, certo?
A pergunta foi pra ela mas seu olhar estava em mim. Ella ficou sem jeito, sem saber como responder.
– Vou trabalhar duro por um "sim". – respondi, olhando para ela, esperando ela fazer o mesmo, e ela fez.
Seus olhos claros fizeram meu estômago revirar só de imaginá-la num vestido branco, caminhando até mim dentro de uma igreja. – Eu prometo.
Ela não esboçou nenhuma reação e abaixou o olhar. Noah sorriu minimamente e assentiu para mim.
– Saiba que você já tem a minha permissão.
•
O vento frio da cidade voltou assim que pisei na rua novamente. Stella caminhava ao meu lado, e não trocamos nenhuma palavra enquanto saíamos da casa do seu pai. Eu queria consertar as coisas, mas não sabia como.
Foi silêncio total até chegarmos na estação para pegarmos o metrô de volta pra casa. Ela se colocou um pouco mais à minha frente como se quisesse me evitar a todo custo.
Descemos para a plataforma, mas percebi que as pessoas ao redor estavam subido para rua, ao contrário de nós.
– Eles devem estar indo pra homenagem ao 11 de setembro.
Com tantos problemas vagando pela minha cabeça, eu tinha me esquecido completamente disso.
Engoli o seco e olhei pro fluxo intenso até a rua que ligava a avenida do Empire.
– Você quer ir?
Stella perguntou e olhei pra ela sem ter uma reposta concreta. Eu queria ir, mas me sentia estranho sobre isso.
– Eu... Não sei. Pode não ser uma boa ideia.
– Se você quiser, nós podemos ir. Pode ser bom... pra você e a sua memória... Bom, você que sabe.
Ela estava indiferente, seu tom denunciava isso. Me senti péssimo pela milésima vez no dia por ter sido ignorante com ela. Eu precisava parar de agir como um babaca para não perdê-la.
Assenti e me aproximei. Segurei sua mão e entrelacei nossos dedos trazendo-os até minha boca, beijando as costas de suas mãos. Meus dedos escorregaram por sua palma e envolveram os seus. Eu amava sentir aquilo, fazia meu coração bater rápido, como de costume.
– Vamos.
Entramos no fluxo de passagem até a rua. Guardas de trânsito e policiais circulavam e guiavam as pessoas até o local do evento.
Estive ali apenas uma vez depois do acontecido. Naquela noite com Stella, eu tinha chegado à conclusão do quão vazio eu era e como estava destinado a não me lembrar de nada pra sempre. Mas agora... Agora era diferente. Eu tinha todas as respostas que procurei, mas não tinha coragem de lê-las. Não era tão fácil, mas eu precisava estar ali, precisava enfrentar.
– Justin – ela chamou minha atenção e eu parei, me voltando pra ela. – Acho que aqui já está bom. Não sou fã de multidões. Aqui estamos perto do metrô e conseguimos ver dos telões, tudo bem pra você?
Assenti.
A rua estava fechada para carros, havia milhares de pessoas ali. Algumas vestindo branco em sinal de paz, outras segurando rosas e com camisetas estampadas com fotos de familiares. Todo mundo estava ali pra honrar aqueles que tinham sido mortos naquele 11 de setembro.
O que eu deveria estar fazendo ali naquele dia? Pra onde estava indo? Quais eram meus planos para o dia? Será que eu estava com alguém?
Tantas perguntas enchiam minha cabeça que era sufocante. Eu não conseguia decidir, me encontrava inapto de fazer escolhas.
O frio era grande, mas o sol estava se pondo dando seus últimos raios de calor . As pessoas iam chegando cada vez mais e aquilo me incomodou um pouco. Os telões falavam sobre a expectativa de público pra noite e retratavam lembranças dos dois ataques do 11 de setembro. Meu coração acelerava conforme os minutos passavam e tudo ficava cada vez mais doloroso para qualquer um ali presente.
Olhei ao redor e por toda parte havia uma onda de pessoas. Era como a Times Square na noite de ano novo. A multidão começou a me dar calafrios.
Podia ser paranoia, mas uma sensação esquisita repuxou meu estômago. Senti como se estivesse sendo observado, olhei ao redor novamente, mas não encontrei nenhum olhar fixo em mim.
– Olha, vai começar.
Ela apontou para o palanque montado a metros de distância de nós. Barack Obama subiu os degraus e sua família estava logo atrás. Chefes de estado e pessoas importantes do governo também estavam ali. A segurança era reforçada e pra todos os lados haviam seguranças, militares, policiais... Mas isso não fez com que a sensação de perigo passasse.
Olhei para o espaço vago entre os prédios e respirei fundo. Ali ficava o Empire. Aquele lugar tinha sido o cenário da tragédia da minha vida.
Minhas mãos começaram a soar frio e soltei a de Stella mesmo não querendo. Respirei fundo.
– Está tudo bem?
Ella virou, me olhando um tanto preocupada. – Você está pálido, Justin!
As pessoas ao redor gritaram em euforia com algo dito e minha cabeça latejou. – Justin?!
– ... Um minuto de silêncio aos... Sempre lembrados...
Minha audição falhou, eu não conseguia compreender tudo o que estava sendo dito. O silêncio tomou conta do lugar, junto com uma sensação esquisita dentro de mim.
Stella
Justin não foi capaz de terminar sua frase.
Um tiro ecoou pela multidão e todos gritaram vendo um dos seguranças próximo ao presidente ser atingido. O tempo parecia ter se perdido e tudo estava lento demais. As pessoas tentaram fugir no mesmo instante. O barulho de hélices sobrevoando me assustou e eu olhei para o céu, encontrando vários helicópteros.
Antes que eu entendesse o que estava acontecendo, Justin me puxou para o fim da rua, voltando o quarteirão extenso para o metrô. Eu não sabia como ele tinha despertado tão de repente, mas eu estava sendo praticamente arrastada.
Uma, duas, três explosões. Era um novo ataque. As pessoas corriam e gritavam, desesperadas. Entramos rapidamente numa loja qualquer. Justin me puxou o mais longe possível da entrada e nos abaixamos atrás de um balcão, onde também estavam uma senhora e um rapaz que parecia ser seu filho.
Respirei fundo, sentindo medo de qualquer coisa que pudesse acontecer. O barulho todo só aumentava e tudo parecia piorar lá fora.
– Temos que sair daqui – disse, tentando me acalmar. Justin me olhou com as sobrancelhas juntas.
– Não vamos a lugar algum. Você não vai sair daqui.
– Não podemos ficar aqui, Justin. Vamos tentar...
Um tiro repentino estourou a vitrine de vidro, fazendo todos ali gritarem. Milhares de pedacinhos caíram no chão, e eu me encolhi, tremendo e assustada.
Parecia o fim. Ou realmente era e eu não estava conseguindo acreditar.
Lágrimas percorreram o meu rosto e só então eu percebi que estava chorando. Minha família e amigos vieram à mente, e eu tentei não imaginar o pior com qualquer um deles. Toda a cidade deveria estar morrendo outra vez.
Justin me abraçou e eu fechei os olhos. Seu peito subia e descia rápido como o meu.
– Você não vai sair de perto de mim, está me ouvindo? – ele segurou o meu rosto e olhou nos meus olhos, convicto do que dizia. – Eu não quero acordar sozinho, sem nada e ninguém, em um hospital outra vez.













