Something About September
Capítulo 011 - Breathe
Abri a porta e o silêncio cobria o lugar. Estranhei isso e encontrei a sala vazia.
– Justin?
Ele não poderia ter saído.
Passei pelo corredor, abrindo cada porta e nada. Andei até o final, indo ao meu quarto e ele dormia na minha cama, todo desajeitado, com o telefone nas mãos. Seu rosto inocente era doce e suave.
Me aproximei da cama e me sentei ao seu lado. Justin suspirou quando eu acariciei seu cabelo loiro. Seu corpo estava quente e seu rosto estava muito pálido. Ele estava enrolado em várias cobertas e ainda sim tremia um pouco. Sua expressão não era das melhores. Ele parecia sentir dor e isso em deixou agoniada.
– Justin – o chamei, balançando seu corpo. Toquei seu rosto e sem dúvidas, ele estava com em febre. Nem ponto febril era, era febre. Aquilo já era grave. – Justin, acorda!
Ele se mexeu, tentando abrir os olhos.
– Ellie... – disse baixinho.
Peguei meu celular e liguei para Holly.
Assim que Justin desligou, eu corri para chegar em casa logo e ela tinha ido pegar os remédios de qualquer maneira pois Fay não estava tendo plantão naquela noite.
– Ei, consegui!
– Ah! Ótimo!
Suspirei aliviada por um lado.
– Estou indo ai, meu horário já se esgotou. Não se preocupe, não vou demorar.
– Ok, obrigada Holly.
Encerrei a chamada e levantei da cama, puxando os lençóis de cima de Justin. Ele reclamou.
– Vamos, você precisa de um banho gelado.
Tirei meu jaleco e prendi meu cabelo.
Eu nem tinha mudado de roupa antes de sair do hospital.
– Justin, vamos, isso pode piorar!
Ele puxou todos os lençóis de volta, agora cobrindo até a cabeça. Só me faltava essa agora.
– Justin! Eu não estou brincando!
Puxei tudo novamente e joguei para o outro lado da cama. – Vamos, você vai melhorar.
Passei a mão em seu cabelo bagunçado e depois de um instante, ele se rendeu. O ajudei a levantar e fomos até o banheiro. Deixei o registro do chuveiro no frio, e me virei pra ele que se apoiava na parede. Me aproximei e o ajudei com a roupa, ele ficou só de boxer. Ele parecia um pouco envergonhado, o que me fez rir fraco. Tentei não olhar muito mas seu corpo estava me atraíndo.
Justin era forte, era um pouco alto e tinha a pele limpa e branquinha, como a de um bebê. Ele tinha sinais e pintinhas espalhadas em cada parte do corpo, sem exceções.
Ele entrou no box e eu liguei o chuveiro. A água gelada fez ele se assustar.
– Stella! Está congelando! – ele gritou tremendo e eu ri. Ele era uma criança, definitivamente. Justin tentou sair do box, mas eu não deixei.
Narração por Justin
– Volte, é só por alguns minut...
Não esperei que ela terminasse de falar e dali mesmo puxei seu corpo contra o meu, levando ela para debaixo do chuveiro junto comigo. Ela gargalhou, sentindo cócegas.
– Justin! Eu não posso me molhar! Ainda estou de uniforme!
Apertei seu corpo ainda mais, desejando o toque dela. Minha cabeça ainda doía, meu corpo estava fraco, mas estar perto dela fazia com que eu me sentisse melhor. Aquela mulher mexia comigo de todas as formas.
A virei pra mim e encostei meu rosto no seu. Eu conhecia os limites deste nosso joguinho, mas eu queria ultrapassá-los. Queria quebrar as barreiras, queria quebrar esses centímetros de distância e beija-lá.
Ela parou de rir e olhou pros meus olhos, sorrindo. Eu amava aquele sorriso. Ela engoliu o seco e mordeu o lábio. Levei minhas mãos para sua nuca e toquei-a na face. Com carinho, ternura...
– Ellie.
Sorri. Ela gostava da forma que minha voz chamava-a. Eu gostava da forma que seu nome saia dos meus lábios. Era como se ela me pertencesse.
Nossas respirações se fundiam com a escassa distância entre nossas faces. Meus polegares acariciaram suas bochechas e ela fechou os olhos suspirando.
Eu não sabia se ela estava me dando um passe livre para prosseguir. Mas não tive a chance de descobrir também. A campainha tocou atrapalhando o momento e Ella se afastou, voltando a consciência.
Narração por Stella
– Ella...
Ele disse quando me afastei. Olhei pra ele novamente, com as bochechas coradas pelo que - mais uma vez - tinha quase acontecido.
Era meio diferente e estranho ele me chamar pelo meu nome e não por apelidos, mas era adorável da mesma forma.
– Está tudo bem. Tenho que abrir. É Holly.
Ele suspirou, mas assentiu com um sorriso. Deixei que ele demorasse mais algum tempo ali para que sua temperatura pelo menos baixasse um pouco.
Fui até o quarto pegar algumas toalhas e deixei no banheiro, enquanto ele tomava banho.
Corri pra sala para abrir a porta.
– Oh! Graças a Deus!
Disse e Holly me olhou com o cenho franzido de cima a baixo, me vendo ainda com o uniforme e molhado.
– O que houve com você?
– Eu estava ajudando ele no banho.
Na mesma hora ela sorriu maliciosa.
– Você viu aquele corpo nu? Por que não me esperou?
– Cala a boca, eu não vi nada!
Ela riu e eu lhe dei passagem. Aqueci água para um chá pra Justin enquanto Holly deixava a sacola com as caixinhas dos remédios na mesa. Peguei a receita para começar a ler as instruções. Eu já sabia como deveria medicar mas não custava nada ler aquilo tudo novamente.
– Estou preocupada, Ella.
Ergui a sobrancelha e a olhei. Ela suspirou e se sentou na minha mesa.
– Posey me disse que gostaria de conversar com você. Nós duas sabemos qual vai ser o assunto. Jane me disse que ele está fazendo de tudo para encontrá-lo.
Aquela sensação de angústia e nervosismo revirou meu estômago novamente. – Não vão.
– Olha, eu sei que tudo deu certo até agora. Isso é ótimo. Mas... – ela fitou as mãos entrelaçadas – O que acontece agora? O que faremos com ele?
Fugir do assunto era tão mais fácil do que ter de encarar o problema. Nós não sabíamos do futuro de Justin. E eu não queria pensar a respeito porque isso tornava as coisas ruins. Tornava tudo isso passageiro e eu não queria que fosse.
– Vou falar com Posey. Direi o que combinamos e tudo vai ficar bem, H. Não fizemos tudo isso pra desistir agora.
Ela suspirou novamente, mas assentiu.
– Senhoras...
Justin surgiu com um sorriso malandro, já vestido e um tanto cansado na cozinha. – Meu garoto!
Holly se levantou para abraçá-lo e eles tiveram uma breve conversa enquanto eu preparava o chá e separava seus medicamentos.
Ele estava ficando resfriado, e em partes seu corpo já estava reclamado a negligência da medicação que ele ainda precisava.
– Tome um analgésico para dor de cabeça. – entreguei com um copo d'água. Ele agradeceu com aquele sorriso lindo e suspirei.
– E então, você estava com tanta saudade que fingiu estar doente pra que eu viesse até aqui? Oh, Justin...
Ele riu e tomou o remédio, ainda com os olhos em mim.
A conversa decorreu com facilidade enquanto Holly estava ali. Liguei para Paige avisando sobre o ocorrido e pedi que ela viesse no dia seguinte para fazer companhia à Justin. Ela era a única em que eu podia confiar, além de Holly. Nossa relação sempre foi ótima, mas agora eu podia sentir de forma melhor.
Enquanto Holly e Justin riam sem parar das piadas dela, meu celular tocou e me afastei para atender. Era Aidan.
– Aid!
Não pude conter o sorriso no meu rosto. – Oi, Ella.
Ele sorria também. Eu sentia isso.
Nós gastamos uma boa hora conversando. Eu perdia noção do tempo enquanto falávamos. Claro que não citei a presença de Justin aqui e muito menos o que fiz para libertá-lo. Seria arriscado, por mais que eu confiasse minha vida a Aidan.
– Queria estar em casa, poder te ver...
Por mais que a amizade ainda fosse intensa, não éramos mais os mesmos. Pela primeira vez, eu não sentia tanto desejo para estar ou voltar a sair com Aidan, como nós fazíamos normalmente. Conversar com ele era fantástico, mas ter o que tínhamos... Eu estava bem onde estava, tinha me acostumado com a nossa amizade.
Escutei duas batidas na porta e Justin colocou a cabeça pra dentro do meu quarto de bagunça. Me enrolei é comecei a gaguejar. Uh, eu era patética.
– Tenho que desligar.
Ele se despediu e eu encerrei a chamada, permitindo a entrada de Justin.
– Está tudo bem? Atrapalhei algo?
– Não. Foi só... Um amigo.
– Amigo? – ele cruzou os braços e coçou o queixo.
– Amigo, sim. Meu ex-namorado, somos amigos.
Ele sorriu de uma forma maliciosa e eu lhe joguei uma almofada que ele pegou antes que lhe atingisse. Me sentei no sofá antigo da casa da minha mãe, mas ele permaneceu onde estava.
– Qual é o nome dele?
O ignorei. Ele sabia exatamente como e quando ser infantil e inconveniente. – Qual é o nome dele, Ellie? – ele jogou a almofada de volta, acertando minha cabeça. Justin gargalhou e veio para o meu lado, me fazendo cócegas.
– Não, Justin, pare!
Tentei levantar e me afastar, mas ele me puxou de volta.
– Você ainda gosta dele? É claro gosta! Qual o nome? Vamos, diz o nome!
– Justin, pare!
– É o cara da Índia?
– O quê?
O questionei engasgada.
– Holly me disse sobre alguém ser da Índia. Ele é indiano mesmo? Uau! Você namorou um indiano? Aquela coisa toda sobre o Kama Sutra é excitante como eles falam ou é só...
Como ele poderia saber uma coisa daquelas?
– Justin! – gritei, rindo e sentindo seus dedos me cutucarem no pescoço, meu ponto fraco.
Era impossível parar de rir, tanto por causa das cócegas quanto pela risada dele. Era totalmente gostosa, engraçada e contagiante.
– Ainda não escutei você dizer o nome dele! Deve ser algo como "Ravi" ou "Abahai", ou...
– É Aidan! E ele não é indiano! Pare!
Ele me soltou e eu me deixei cair no sofá, deitada, voltando a respirar normalmente.
– Aidan... – ele repetiu, pensando um pouco. Justin puxou minhas pernas e sentou em cima de mim, fazendo cócegas novamente e me impedindo de sair. – Ele é francês?
– Não! Eu preciso respirar!
– "Aidan" é um nome gay... Ele é filipino? É português?
Eu tentava segurar suas mãos mas ele as puxava de volta. Eu estava achando graça de sua curiosidade súbita.
– Como se seu nome fosse bastante másculo, não é?
– É muito mais másculo que "Aidan"!
– Até parece!
Rolei os olhos e ele arqueou a sobrancelha ofendido.
– Você sabe que sim!
Dei de ombros e ri. O silêncio caiu entre nós e olhei pra ele que não sorria, estava sem expressão. Não pude ler nada em sua face.
– Você ainda gosta dele?
Suas orbes me capturaram e fiquei deslocada por alguns segundos.
– Eu...
– Isso é um sim.
Balancei a cabeça e respirei fundo, apertando meu celular nas mãos. – Não. Nós somos só amigos agora.
Ele travou o maxilar e assentiu, deixando o silêncio recair. Eu não gostava do silêncio. Ele gritava alto demais entre nós dois.
– Justin...
– Escutei a conversa de você e Holly na cozinha. – ele declarou, olhando pro chão. Ele estava chateado pela suposição de Holly. Quando eu estava prestes a explicar ele continuou a falar – Me desculpe, foi sem querer. Eu só não... quero atrapalhar isso. Não quero atrapalhar vocês... Já tivemos essa conversa antes, mas... – ele apoiou os cotovelos nas coxas e esfregou as palmas das mãos no rosto.
– Justin.
– Não me diga que não importa, porque importa, Ella. Eu não sei o que vai ser de mim amanhã. Não tenho nada, não sei de nada e não vou descobrir assim, sem mais nem menos. Eu não quero simplesmente entrar na sua vida, invadir sua casa e bagunçar sua cabeça.
– Você não está fazendo isso. Eu quero você aqui. Eu gosto de você aqui. Eu gosto de...
Ele virou o rosto pra mim e engoli o seco. – De quê? Termine, Stella.
Fechei meus olhos porque não conseguia deter a mim mesma. Justin mexia comigo. Eu não tinha como negar.
– E-eu preciso respirar!
Narração por Justin
Respirar. Ela precisava respirar. Mas agora era como se ela fosse o meu ar.
Stella se levantou e foi até a janela embaçada pelo frio do lado de fora. Ela não conseguia dizer, mas eu precisava que ela dissesse. Ela gostava de mim? Como ela podia? Gostar de um cara que não tem nem uma identidade. Gostar de um cara que não pode lhe dar nada.
Mas eu queria que ela gostasse. Queria muito.
Ela respirou fundo e me levantei caminhando em silêncio até ela. – Quero fazer isso. Só não sei como.
Ela disse baixo e suspirou.
– Eu sei. – sussurrei sob suas costas e esperei ela se virar. Minhas mãos foram imediatamente para sua nuca e encostei nossas faces. O cheiro dela era fantástico. Eu tinha acabado de sair do banho, mas ela que cheirava a colônia e todas as fragrâncias do mundo.
Stella agarrou as laterais da minha blusa no meu abdômen e suspirou. – Doutora...
Ela levantou o rosto e fechou os olhos me dando passe para fazer o que eu tanto esperava. A ansiedade encheu meu peito e quase hesitei.
Tomei os lábios de Stella com calma, num beijo casto e suave. Eu não tinha certeza se ela iria ceder. Eu não queria estragar tudo agora. Quando ela me beijou de volta, tudo se tornou mais facil. Sua língua tocou meus lábios e tudo parou ao nosso redor.
Ela fechou seus punhos ao redor da minha camisa e me puxou mais pra ela. Sorri e a empurrei levemente para trás, deixando suas costas contra a janela. Ela riu e apertei sua nuca, aprofundando o beijo.
Era muito melhor do que eu tinha imaginado.
Narração por Stella
Ele me beijava com calma. Deus, era tão bom. Era como se eu estivesse num filme romântico. As sensações estavam em câmera lenta, eu podia sentir tudo. Seu cheiro, seu toque, seu sabor... E eu queria mais.
– Eu... Nós... – tentei formar uma frase ou qualquer desculpa com a pouca voz que me restava naquele momento.
Justin não ajudava muito, mordendo meus lábios de um jeito fraco e preguiçoso, puxando e soltando-os lentamente. Desceu beijos para o meu queixo e mandíbula e eu apertei seus ombros em resposta. O toque, o gosto, a sensação... tudo era tão gostoso nele que me fazia ficar totalmente fora do eixo.
– O quê estamos fazendo?
– Eu não sei – abri os olhos para encará-lo e ele sorriu. – Mas eu não quero parar.
Sorri. Justin desceu suas mãos para minha cintura e me apertou contra seu corpo. Ele ainda estava quente, mas eu precisava beijá-lo por mais alguns minutos e então, voltaria a cuidar dele.
Quando o ar se fez necessário, nos separamos sorrindo. Seus lábios estavam vermelhos e inchados, assim como os meus deveriam estar. Ele ficava lindo assim.
Ah, seu olhar. Seus olhos brilhavam tanto que fixava difícil respirar.
– Uau. Estou tonto.
Ri por conta de seu comentário – Eu também. Acho que estou flutuando.
Ele riu e segurou a lateral do meu rosto, me dando um selinho. Negoi com a cabeça e riu. – Não. Eu realmente estou tonto.
Justin cambaleou e o olhei assustada, segurando seu corpo.
Ele riu e se recostou na parede, fechando os olhos, mas nunca deixando o sorriso sair seus lábios.
Passei os braços ao redor de seu tronco e ele se apoiou em mim. Abri a porta e encontramos Holly no corredor com um sorriso divertido nos lábios. Se ela estivesse nos espiando, provavelmente iria falar daquele beijo por um bom tempo. – Holly! Você ainda está por aqui...
Justin riu fraco e eles trocaram um olhar cúmplice. – Eu só vim avisar que já estou indo.
Assenti e ela riu ao se virar para ir embora. O ajudei a ir pro meu quarto.
– As coisas estão girando.
– É efeito da medicação. Você precisa se deitar.
O empurrei levemente até a minha cama, antes qie eu voltasse para a sala, ele seguou a minha mão. – Você vai ficar comigo?
Sorri e balancei a cabeça – Só preciso de um banho.
(...)
– Se sente melhor?
– Um pouco.
– Vou fazer algo para você comer, tudo bem? – ele fez uma careta, negando com a cabeça.
– Não estou com fome.
– Você não pode ficar sem comer, você está fraco.
– Eu não quero comer, eu só quero dormir.
– E se eu fizer umas torradas e...
Ele se aproximou e deitou sobre mim, com a cabeça em meu peito, relaxando o corpo rapidamente. Aquilo me assustou e eu paralisei, sem saber o que fazer.
– Justin...
– Eu vou ficar bem se você estiver aqui - disse baixo.
Ele já aparentava estar bem melhor. Mas seu corpo ainda estava quente, agora, se chocando com o meu.
Ainda assustada, eu toquei seu cabelo bagunçado e macio devagar, ele cheirava ao meu shampoo.
Justin levantou o rosto, me dando um selinho inesperado, voltando o rosto para o meu pescoço, respirando fundo ali. Eu relaxei e ele deixou os braços jogados em volta de mim.
Despojado e preguiçoso, ele tomou o maior espaço da cama por todo o resto da noite.
Na manhã seguinte...
O toque do meu celular começou a soar e eu já estava acostumada a encontrá-lo mesmo de olhos fechados. Estiquei o braço e peguei-o na mesa.
– Ella, onde você está?
Por mais sonolenta que eu estivesse, a voz de Khloé sempre seria fácil de reconhecer. Mesmo que ela estivesse praticamente berrando do outro lado da linha.
– O que houve?
– "O que houve?"? Você só pode estar brincando!
A voz de Khloé gritou do outro lado e me assustei. Olhei para o relógio no criado mudo e me sentei na cama rapidamente. 09h47min. Eu deveria estar no hospital há meia hora.
– Merda! Eu perdi o horário.
– Eu consegui cobrir algumas consultas suas por hora, mas você ainda precisa vir!
– Tudo bem, me desculpe, eu estou indo!
Ela suspirou e encerrou a chamada.
Ultimamente Khloé e eu andávamos muito afastadas, eu sentia muito não poder contar sobre Justin para ela. Em cada dia de trabalho, ela me atualizava sobre tudo e eu ficava calada, fingindo reações.
Por mais que pareça impossível, Dr. Posey também não tinha vindo conversar comigo. Mas isso não queria dizer que as coisas estavam calmas por lá. Várias pessoas já haviam sido interrogadas e a segurança foi reforçada.
Respirei fundo e levantei para tomar uma ducha rápida antes que acabasse com minha bunda chutada para o olho da rua.
Voltei para o quarto, abrindo as gavetas do armário e vestindo uma roupa íntima qualquer.
– Ellie?
A porta foi aberta e Justin entrou, me encontrando apenas de calcinha e sutiã.
Eu tinha me esquecido dele completamente!
– Droga! A porta estava encostada... Eu não sabia... Eu não quis... Me desculpe. - ele atropelou as palavras enquanto tentava não me olhar. Fechou a porta assim que se desculpou. Fechei os olhos contendo a vergonha e terminei de me vestir, começando a rir sozinha logo depois.
Meu corpo todo aqueceu ao lembrar da noite anterior. Nós tínhamos nos beijado. Os dois. E nós tínhamos dormido abraçados na mesma cama. Por que eu estava gostando tanto disso?
Balancei a cabeça e fui secar o cabelo apressada. Quando saí, ele estava na cozinha. Havia um prato de ovos com bacon, café e torradas com geleia. Ele tinha feito aquilo pra mim. Como? Não me pergunte. Talvez ele ainda se lembrasse de vagas coisas simples.
Meus olhos caíram na mesa servida para dois e sorri. Ele era tão doce.
– Bom dia.
Ele se virou e sorriu pra mim.
– Bom dia. Preparei o café. Eu fui perguntar a você se comia bacon, mm... me desculpe. Vou bater de agora em diante.
Assenti, eu não estava preocupada com aquilo.
– Não foi nada.
Ele sorriu e veio até mim. – Podemos tomar café agora?
Meu primeiro instinto foi assentir, ele estava próximo demais. Eu não sabia muito bem me controlar com aquele proximidade. – Oh. Não! Estou atrasada. Muito atrasada!
Sua feição de felicidade caiu e ele tentou não demonstrar tanto sua chateação. Mas Justin era transparente, eu podia lê-lo.
– Sinto muito.
Mordi o canto do lábio, me sentindo péssima por deixá-lo.
– Tudo bem.
– Paige vai passar aqui pra te ver. Pedi a ela que te levasse pra conhecer a vizinhança, vocês podem passar a tarde juntos.
Ele forçou um sorriso e assentiu. Olhei pro relógio e eu estava ficando cada vez mais atrasada. – Tenho que ir.
Fui pra porta, quando a abri, ele me puxou pela cintura e me virou, tomando meus lábios com desejo. Foi como a noite anterior, um corrente elétrica deslizou por todo o meu corpo, mas foi diferente. Ele estava mais sedento.
Segurei sua nuca e retribui o gesto. Eu gostava de beijá-lo, era mágico, era maravilhoso.
Ele partiu o beijo quando notou que não sairíamos dali hoje se continuássemos. – Você precisa ir trabalhar.
Assenti e mordi meu lábio, suspirando pesado. – Estou indo. – sussurrei e sai antes que seus lábios me chamassem.









