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Apresentações de Kleber e Caio Júnior.
Leandro Damião: da várzea aos olhos dos europeus
Por Fernando Hessel Martinez*
A renovação de contrato de Leandro Damião não é somente a garantia da permanência no Beira-Rio, e sim a afirmação do talento do jovem paranaense. Há pouco mais de 3 anos, o centroavante jogava por alguns trocados em campos de várzea. Parecia quase impossível deixar o Nós Travamos, time de Santo Amaro, zona sul da capital paulista, para vestir a camisa 9 da Seleção Brasileira.
Prestes a completar 22 anos - o aniversário é no dia 22 de julho -, Damião é cobiçado por gigantes europeus. O Barcelona acompanha de perto o seu desenvolvimento no futebol. O Tottenham, da Inglaterra, já levou Sandro após a conquista da Libertadores de 2010. Agora, o foco é o centroavante sensação do Beira-Rio. A presença de área encanta o treinador Harry Redknapp.
Apesar do destaque no extinto Inter B, o reconhecimento veio somente quando demonstrou ter sangue frio. Na decisão de Libertadores, Damião anotou o terceiro gol colorado, sacramentou o título e começou a criar sua imagem ídolo. Depois de amargar a reserva na dura derrota no Mundial de Clubes, assumiu a titularidade no ano seguinte e "mandou embora" dois jogadores do Beira-Rio. Alecsandro, antigo titular, e Cavenaghi, grande contratação da temporada, não resistiram ao banco de reservas.
A saída dos dois atletas é um reflexo da confiança que a direção tem em Damião. Além da qualidade técnica, não teve lesões sérias e sempre que pode está em campo para brigar pelo Inter.
Um dos grandes exemplos e incentivadores do jogador é seu pai. Quando possível, seu Natalino acompanha o filho em treinamentos e jogos. Para agradecer ao apoio, Damião gosta de imitar o bigode do pai nas comemorações.
Dificuldades no início da carreira profissional
Quando jogava em Santa Catarina, o centroavante teve que superar diversas barreiras. A maior de todas foi a solidão e a saudade da família. Damião pensou em desistir e voltar para São Paulo. O esforço foi recompensado após ser artilheiro pelo Atlético de Ibirama, clube que detém 30% dos direitos econômicos do jogador. A transferência para o Inter rendeu um salário melhor. Com isso, a distância da família diminuiu.
Centroavante conectado
Quando não está em campo, seja jogando ou treinado, Damião gosta de curtir videogames. Completamente apaixonado pelo mundo dos jogos, o atleta seguidamente escreve em seu Twitter que está disputando uma partida no Playstation 3. Inclusive, entrou no desafio contra os colegas de Seleção Brasileira durante as concentrações.
Mais que um jogador com um potencial enorme, Damião é um exemplo de dedicação. Sem ter passado por categorias de base de clubes profissionais, teve que driblar a falta de recursos. A torcida colorada está encantada e nem sonha em perdê-lo agora.
* Matéria produzida para o site Conexão GreNal, publicada no dia 7 de julho de 2011.
Fotos na Arena do Grêmio. Trabalho realizado para o site Conexão GreNal.
Vinculado ao site Conexão GreNal, o vídeo teve mais de 60 mil acessos no Youtube.
Todo mundo come feijão com arroz
Por Fernando Hessel Martinez*
Alguns são vegetarianos, outros não gostam de salada e alguns evitam comer frituras. Feijão com arroz, ninguém nega. Pode até não ser fã número um, mas entra goela abaixo do mesmo jeito.
Após muitos anos como crítico de culinária, Falcão decidiu abrir seu próprio restaurante e trazer receitas espanholas para o Beira-Rio. Cheio de pimentas e inovações gastronômicas, a turma colorada não aprovou os pratos inspirados no chef Pep Guardiola. A cozinha ao estilo do Barcelona precisa de temperos de maior qualidade. Um azeite de oliva do nível de Leonel Messi só se encontra a cada 20 anos.
Com auxiliares de cozinha desligados, como Nei e Bolívar, algumas refeições foram queimadas e os jornais e revistas especializados caíram em cima da nova gestão do Restaurante Colorado.
Falcão falou que não tinha condições de cozinhar apenas com os temperos oferecidos pela casa e precisava de um toque especial. Mais contestado ainda pela mídia após tais declarações, ficou indignado e disse que não abriria mais a cozinha para visitações.
Em 2010, Renato assumiu a cozinha tricolor na Azenha. Como não tinha um cardápio variado, preferiu preparar a tradicional a la minuta. O restaurante lotou, um sucesso atrás do outro. A galera tricolor foi ao delírio e achou que poderia chegar ao padrões internacionais de culinária.
No entanto, no começo do ano seguinte, o Restaurante Tricolor não conseguiu trazer Ronaldinho Gaúcho - vinho europeu envelhecido - e ainda deixou Jonas refogar uma paella valenciana.
Paulo Odone, dono do restaurante gremista, preferiu deixar os mesmos temperos do ano anterior. Após engolir um chocolate chileno amargo e dar adeus ao sonho internacional, se rendeu à classe de um ótimo vinho. Trouxe Gilberto Silva, que talvez seja o ingrediente que estava faltando na cozinha tricolor.
Já Renato parece ter perdido a mão com os temperos de baixa qualidade. Receitas sem pé nem cabeça, misturando macarrão com caramelo, amora e Lins. Um gosto intragável e o restaurante esvaziando. Para piorar ainda mais, o seu principal garçom, Douglas, anda entregando pratos para a cozinha do concorrente.
Enquanto isso, Falcão parece estar encontrando um cardápio interessante. Com Oscar e D'Alessandro dando um gostinho para lá de especial, o feijão colorado ganhou corpo e pode, quem sabe, virar uma ótima feijoada. Mas que não venha com o Wilson Matias. Aí, então, seria coma alcoólico.
* Coluna produzida para o site Conexão GreNal, publicada no dia 17 de julho de 2011.