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ㅤㅤㅤ✶ :ㅤela amava a paz, o vento da beira mar, sentir a sensação da areia se misturando com o suor dos pés em uma tarde quente. ele? pode-se dizer que ele só amava ela e, mais importante, fazer ela feliz apesar dos apesares.
ㅤㅤㅤ𝒾 :ㅤ𝓕!OC, fofo, muito descritivo, mais sobre sentimentos e confusão do que o amor prático, muito noia, parece que eu fumei três kg de baseado antes de escrever isso.
ㅤㅤㅤ♪ :ㅤ1k 𝔀ord count. saga ⩇⩇:⩇⩇ materialist
queria mt entender essa onda dos idols de 2008 pra baixo (tipo cortis e lngshot) de usar a calça quase no joelho mostrando a cueca toda
talvez eu só seja velha mesmo pq ô bagulho ridículo
*abro o tiktok casualmente*
*vejo o hoseok dançando ai é mt facil professora é 67*
*fecho o tiktok*
bom dia com o meu príncipe aparecendo 🥹❤️
ele é tão ??? sou fã n1 desse homem meudeus
Lendas são histórias fantasiosas, fruto de narrativas criativas, mas com um toque de realidade.
Bruxas, vampiros, fadas, ninfos e elfos, um dia haviam sido lendas. Hoje, eram a maior parte da população de Stormcrown, o reino dos tempestuosos.
O rei era um homem duro, beirava o cruel. As más línguas diziam que em noites escuras, perversas e sem estrelas, presas rasgavam sua arcada dentária, fazendo um sangue espesso descer por seus lábios esbranquiçados e rachados. Os olhos sem vida se tornavam ainda mais opacos, a fome tortuosa que corria pelas veias do rei o fazia ir para as ruas. As manhãs seguintes eram sempre as mesmas: vísceras pelos ladrilhos sujos, corpos empilhados, e um odor terrível de morte por algum vilarejo do reino afortunado.
Mas novamente, eram apenas as más línguas. E esta, apenas mais uma lenda.
O rei havia se casado jovem, e tivera dois filhos: príncipe Jongseong, o herdeiro, e princesa Annora, aquela que é honrada. Sua esposa havia morrido no parto do terceiro filho, levando a pobre alma pueril com ela. Desde então, o rei havia convertido-se em uma criatura rude, solitária.
Jongseong cresceu como um reflexo do pai. Frio, rude. Havia sido preparado desde cedo para ser o que o rei esperava dele: destemido, impiedoso. Foi-se a época em que ele era apenas o irmão mais velho protetor, e carinhoso. Havia se casado com uma moça, e morava no castelo, à par de cada movimentação, esperando ansiosamente o momento em que seria coroado como novo rei.
E vinha então, Annora. A luz dentre a escuridão. Havia nela algo que ia além de títulos, algo que aquecia, guiava, que fazia com que os dias mais escuros se tornassem suportáveis. Nos corredores do castelo, diziam que sua presença era tão suave quanto o amanhecer.
Principalmente nos olhos dele.
Um cavaleiro não deve sentir. Um cavaleiro não deve se distrair, ou apreciar. Mesmo que a olhasse com devoção, o juramento ecoava em sua mente.
“Sob o manto eterno da noite, eu juro.
Juro pela lâmina que carrego, pela sombra que me envolve, e pelo silêncio que me define… Que não hei de amar. Não me é permitido desejar, não me é concedido sonhar, não devo ceder ao calor que habita os corações comuns. Sou feito da noite. Frio, constante, intocável. Minha existência pertence à proteção, meus passos seguem apenas ao dever, e meus olhos vigiam sem jamais perder.”
Sua mente o traía, este era Lee Heeseung, cavaleiro da noite, e protetor da princesa Annora.
“Que eu seja sempre escudo, nunca abrigo. Que eu seja presença, nunca sentimento. Que eu a proteja… Mesmo que signifique jamais tocá-la, jamais tê-la, jamais amá-la. Assim eu juro. E assim, me condeno.”
A noite havia caído suave sobre o castelo, tingindo tudo em tons de azul profundo e prata. As tochas tremulavam contra as paredes de pedra, mas nenhuma luz era capaz de alcançá-lo por completo.
Ali ele estava. Encostado na sombra de uma coluna alta, imóvel como parte da própria arquitetura, observando-a. Como acontecia porventura, seus olhos se encontram. Os da princesa, como os de um felino curioso, um brilho inconfundível, um lapso de vida. Os dele, grandes e expressivos. Lembravam os olhos de um cervo assustado, sempre carregados de emoção, e negros como a noite.
A princesa caminhava pelo jardim, longe dos olhares da corte. As lanternas penduradas nas árvores desenhavam pequenos círculos dourados ao seu redor, fazendo com que parecesse — mais uma vez, algo irreal. Intocável. Como luz presa na forma de gente.
Ele desviou o olhar assim que seus olhos se encontraram com o dela. Cavaleiros da noite não podem encarar. Não é permitido. Mas ainda assim, tornou a observá-la de soslaio, como sempre fazia. Hábito silencioso, e perigoso, que se repetia todas as noites.
Ela parou.
As sobrancelhas franzindo, a expressão carregada de indagações, forçando a vista para as sombras do castelo.
“Eu sei que você está aí.” a voz dela não saiu assustada, e sim curiosa. Uma pitada de provocação. Ela havia o visto, é claro.
Merda.
“Você é meu cavaleiro da noite, certo? Eu sei que toda dama tem um. Trabalham arduamente para nos proteger de qualquer perigo, silenciosos e fatais. Estou certa?”
Ele a protegia. Ela estava certa.
Se afastar agora seria o correto, era o que se esperava de um cavaleiro com juramento. Mas os pés de Heeseung não se moveram.
E antes que pudesse impedi-la, Annora estava próxima demais.
“Eu não vou contar para ninguém se falar comigo, eu prometo. Só quero ter a certeza de que você… Existe mesmo.”
Lentamente, quase contra tudo que havia sido treinado a fazer, ele saiu da sombra. A luz das lanternas tocou seu rosto pela primeira vez diante dela.
Alto, robusto, coberto por uma armadura tão escura quanto a capa que desce por suas costas largas, arrastando-se pelo chão. O rosto carrega feições juvenis, um nariz arrebitado, e um maxilar rígido, como se estivesse carregando em si todo o peso do mundo.
E ele era bonito. Muito bonito. Tão lindo quanto um príncipe.
“Você existe.”, ela confirma em um sussurro.
O cavaleiro, que havia sido instruído a nunca falar em voz alta na presença de uma dama, havia quebrado a primeira cláusula do juramento.
“…Existo.”
A respondendo com sua voz doce, baixa, e rouca.
Annora era persistente.
E por mais que depois daquela noite, o resto do castelo seguisse normalmente sua rotina, ela havia descoberto algo novo. Algo escondido entre as sombras que não era assustador. Era curioso.
E a tranquilizava.
Heeseung estava sempre ali, invisível, silencioso, distante. Atento e preparado para qualquer perigo que pudesse assolar a princesa. Como se a única palavra dita por ele mesmo, não tivesse quebrado anos de silêncio imposto.
Mas agora, a presença cativante da princesa parecia maior. Porque ela sempre estava por perto buscando por ele. Cada maldita noite seguinte.
Sempre fugindo de seus aposentos pela madrugada, sabendo que ele estaria por perto. Afinal, era o cavaleiro dela. O protetor. O guardião.
“Eu sei que você tá aí.”
A voz doce, quase divertida, sempre ganhava como resposta o silêncio frio.
“Não vai falar comigo?”
Heeseung permanecia imóvel como pedra. Era assim que sempre havia sido, e assim que sempre deveria ser.
A princesa suspira, sentando-se no banco de pedras sob a luz das lanternas e das estrelas.
“Tudo bem. Posso falar por nós dois.”
E então ela falava.
Contava sobre seu dia, sobre coisas pequenas, bobas… Algo que gostava, que achava bonito… Coisas insignificantes, mas que de alguma forma aqueciam o coração do cavaleiro.
Ele não respondia. Não podia. Mas podia ouvir. E prestava atenção em cada palavra dita. Isso por si só já era um erro.
“Você já conseguiu ver o mar daqui de cima? Não me deixam vir aqui nesta parte do jardim durante o dia.” diz balançando levemente os pés. “Dizem que à noite ele fica muito escuro e assustador. Quase como você.”
O comentário fez algo se remoer dentro do cavaleiro. Não de um jeito bom.
“Não foi uma ofensa.” ela ri baixinho. “Eu acho bonito. Não tenho medo.”
Mais silêncio.
“…Já.”
Uma única palavra vindo do cavaleiro na sombra. Baixa, contida, mas o suficiente para que Annora virasse o rosto para a escuridão, um sorriso surgindo devagar em seu rosto corado.
“Sabia que estava aí!”
Aquilo não deveria estar acontecendo. Mas ainda sim, parecia haver ali uma força que o impedia de se retirar.
Ela caminhava em passos lentos, em sua direção. O farfalhar de seu vestido longo pelo chão era o único som a se ouvir.
“Qual o seu nome?”
Desta vez não veio uma resposta. Ele não podia dar isso a ela. Nomes criam laços, laços criam fraqueza. Mesmo que o nome Annora soasse doce em seus lábios.
“Tudo bem…” murmurou apoiando o queixo na mão. “Eu posso criar um pra você.”
Ele quase se foi naquele momento.
Quase.
“Cavaleiro das sombras é muito óbvio, e muito longo.” um sopro de riso. “Evan. Vou te chamar de Evan.”
As noites continuam, trazendo com elas o hábito perigoso.
“Boa noite, Evan.” era o que ela sempre dizia.
Ele nunca a corrigiu. Nunca confirmou. Mas também, nunca negou.
Annora falava, como sempre. Sobre o céu, sobre o tédio do castelo, sobre coisas pequenas que, de algum jeito, pareciam enormes quando saíam da boca dela.
E aos poucos, ele respondia. Palavras curtas, espaços longos, mas a presença contínua. Ele estava ali.
Até que o inverno estivesse cada vez mais próximo em Stormcrown. A brisa leve havia se transformado em um vento frio, mais forte, fazendo as lanternas balançarem e a chama vacilar. Annora se levantou do banco, abraçando levemente os próprios braços.
“Esfriou.” ele percebeu antes mesmo dela terminar a palavra. O modo que ela estremeceu, o jeito que a luz falhou.
E sem pensar, saiu das sombras. Como nunca havia saído antes. Mais perto do que jamais havia se permitido antes.
Annora se virou no mesmo instante. Não havia distância ou escuridão o suficiente para esconder nada. Ele estava ali.
A luz das lanternas alcançava parte do rosto dele, desenhando seus traços entre o claro e o escuro. Não o suficiente para revelá-lo por completo… mas o bastante para torná-lo real. Não uma sombra. Não uma presença invisível.
Alguém.
Evan.
A princesa prendeu a respiração por um segundo. Os olhos percorreram o rosto dele com uma curiosidade silenciosa, como se estivesse finalmente vendo algo que imaginou por tempo demais.
“Então… É assim que você é.” a voz saiu baixa, suave.
Ele não respondeu, mas não recuou. Permaneceu parado, a olhando.
Ela deu um passo à frente, agora quase não havia distante entre os dois.
“Você sempre fica escondido… Achei que… Não fosse real.”
Ele era real demais.
Como um empurrão, o vento sopra mais frio, mais forte. A princesa vacila, o suficiente para perder o equilíbrio, pisando em falso em um ladrilho, próxima demais à borda de pedra úmida pelo sereno.
Foi instinto. Nada além disso.
Apenas isso poderia justificar a mão firme envolvendo o pulso dela, puxando-a de volta antes que pudesse cair.
O mundo parou, porque ele não a soltou. O toque era quente, contraditório demais para alguém que pertencia ao mundo frio das sombras. Os dedos dela, leves, acabaram repousando contra a mão dele por reflexo. Aquilo fora pior que qualquer palavra.
Annora ergueu o olhar devagar, encontrando o dele. Perto o suficiente para sentir a respiração.
“Você é quentinho.” ela sussurrou, quase surpresa.
No segundo de seguinte Heeseung a soltou como se estivesse se queimando com fogo. Deu um passo para trás, rápido demais, quebrando tudo de uma vez. Respiração controlada, postura rígida, distância. Era assim que deveria ser. Sempre.
“Evan…?” ele não a respondeu. Não podia. O juramento havia deixado de ser uma regra, e se parecia com uma ameaça velada.
Ainda sim, ele havia quebrado.
Por isso virou as costas para a princesa de voz doce, e voltou para onde não deveria ter saído: as sombras.
Depois daquela noite, ele desapareceu. Não de verdade. Ele ainda estava lá: nas torres, nos corredores, nas sombras que ninguém via. Cumprindo seu dever com a mesma precisão de sempre. Mas não para Annora.
Ela voltou ao jardim na noite seguinte. E na outra. E na outra.
“Evan…?”
Sua resposta era o mais absoluto silêncio. O jardim parecia maior agora, o banco de pedra mais frio, o vazio conduzindo.
Nos primeiros dias ela ainda sorria.
“Evan, você está bravo comigo?”
Nada. Nenhum som, nenhum movimento, nenhum sinal de seu cavaleiro da noite.
Aos poucos ela também parou de falar.
Os dias se passaram cada vez mais pesados dentro do castelo. Com o inverno se aproximando, o rei parecia cada vez mais cruel.
Diziam muitas coisas sobre ele. Que não envelhecia. Que não dormia. Que o sangue em suas veias não era como o dos outros. Annora nunca soube no que acreditar. Mas sabia como ele olhava para ela. Como se ela fosse… uma decepção.
“Você é fraca.” a voz dela ecoa pelo salão, repleto de servos, mas ao mesmo tempo parecendo inane. “Criança tola, por que não pode ser como seu irmão? Você é uma princesa, e se comporta como uma plebeia!”
Annora permaneceu em seu silêncio.
“Olhe para mim enquanto falo com você, Annora!” ela ergue o olhar devagar, e se arrepende no instante em que vê o desgosto escorrer pelo rosto de seu pai. “Você é patética.”
A frase soou baixa, mas a machucou bem mais que seus gritos anteriores. Ele se aproximou dela, parecendo bem mais assustador que antes.
“Você não tem nada do que sou. Vá para os seus aposentos, já!”
Ela assentiu como sempre fazia, mesmo que sua garganta estivesse seca, e seus olhos queimando. O choro era iminente. Ela se sentia humilhada. Os servos a olhavam com pena, seu irmão mais velho, que outrora havia sido seu porto seguro, a olhava com desprezo. Sua cunhada parecia se divertir.
Talvez ela realmente fosse tola. Porque virou-se indo para seus aposentos, como uma única ideia em mente: encontrar o cavaleiro das sombras.
O jardim parecia mais escuro do que nunca. As lanternas estavam apagadas. O vento, cortante. E ainda sim, lá estava ela.
“Eu sei que você está aí.” não havia leveza ou doçura na voz da princesa desta vez.
Não houve resposta, mas era claro que ele estava. Sempre esteve.
Imóvel, escondido, travado dentro do próprio juramento; e agora, também… da própria culpa.
Ela deu mais um passo. E então outro. Até que estivesse próxima o suficiente.
“Vai me ignorar novamente?” nada. Mas ela não recuou.
Annora avançou direto até as sombras sem hesitar, sem temer, e como se soubesse exatamente onde ele estava, o tocou, segurando firmemente no braço guardado pela armadura negra.
“Pare de fugir de mim!” a voz quebrou no fim da frase.
Aquilo não era uma ordem. Ela estava implorando. Ele deveria se afastar, desaparecer na escuridão, mas não conseguiu se mover. Não quando ela parecia tão… Triste.
Com um recorte de luz que provinha da noite, ele conseguiu ver. Os olhos marejados, a respiração presa, a dor que a princesa tentava esconder sozinha. A solidão.
“Ele… Ele me chamou de fraca.” silêncio. “Disse que eu não tenho nada dele, que sou uma criança tola, patética, e que deveria ser mais como meu irmão.” ela riu, sem humor algum. “Talvez seja melhor assim. Ser como ele.”
Não era. Mas ele não disse. Não podia.
Ela soltou o braço dele… só para, no instante seguinte, envolver os braços ao redor dele.
Um abraço. Simples, desesperado, quente. Como se estivesse se segurando nele para não cair. O corpo dele ficou rígido no primeiro segundo. Cada célula de seu corpo gritando sobre o quão errado era aquilo.
Aquele toque violava o juramento. Mais do que isso. Mas não a repeliu. Entendeu que não era sobre ele. Era sobre ela tentando não se despedaçar. Lentamente… hesitante… Os braços dele se moveram, quase imperceptíveis, parando no ar por um segundo. Como se ainda houvesse tempo de voltar atrás.
Não havia. E então ele a segurou de volta. De leve. Cuidado demais. Como se ela fosse feita de algo que poderia desaparecer. Annora escondeu o rosto contra ele, respirando fundo, como se finalmente pudesse.
“Senti sua falta.” as palavras saíram abafadas, envergonhadas.
Heeseung fechou os olhos, o semblante duro carregado de culpa. Aquilo era exatamente o que o juramento tentava impedir. E ele havia falhado.
Depois daquela noite, a presença de Heeseung se tornara algo constante. Ele ainda mantinha distância; pelo menos a que conseguia manter. Ainda evitava olhá-la por tempo demais, ainda media cada palavra como se fosse uma lâmina. Mas ele permanecia. Ele estava ali. E isso pra Annora era tudo.
“Você voltou.” a princesa sorriu, vendo o cavaleiro surgir das sombras como se já a esperasse.
“Eu nunca fui embora.”
A resposta veio baixa, mas veio. E aquilo fora o suficiente para iluminar o rosto de Annora. Pequenas mudanças. Ele respondia mais. Ainda pouco, mas era uma mudança.
“Como foi seu dia?” a princesa pergunta, parece empolgada.
“Longo.”
“Só isso?”
“… Cansativo.”
Ela ria. Sempre ria. Como se qualquer sílaba soprada por ele fosse uma grande vitória. Ela gostava da voz dele. Sempre calma, baixa.
E, aos poucos… ele começou a observar menos de longe. Ficar mais perto. Sentar, às vezes, no banco de pedra — ainda mantendo espaço, ainda rígido… mas ali. Presente. Annora só fazia florescer.
Dentro do castelo… o rei percebeu. Não sabia o quê. Mas percebia.
“Annora.” a voz era dura. “Você parece diferente.”
A voz dele veio desconfiada, olhos estreitos analisando cada detalhe dela. Annora manteve a postura.
“Não entendo, vossa majestade.”
Ele se aproximou devagar.
“Menos vazia.” não era um elogio, era um aviso.
Ela não respondeu, não temeu. Naquela noite, correu novamente para o jardim.
“Ele disse que eu pareço diferente.” a voz dela saiu mais baixa. Heeseung permaneceu em silêncio, atento. “Não me importo.”
Ela virou-se para Heeseung, sentado ao seu lado com uma distância segura, com aquele brilho nos olhos.
“Não me importo, porque agora tenho você.”
Aquilo não deveria soar tão certo. Mas soou. Ele deveria lembrá-la de tudo que os separavam, do papel dele como seu guardião, mas não o fez.
“Annora.” fora a primeira vez que ele havia pronunciado o nome dela. Suave, íntimo. Quente. Desta vez o silêncio partiu dela, enquanto ele deslizava para perto.
“O que foi?” ela hesitou.
“Você não deveria confiar em mim assim.” a voz baixa soa densa.
“Por quê?” tudo parecia tão simples para ela.
Ele não respondeu. Porque não tinha resposta que não destruísse aquilo. E, no silêncio… ela se aproximou mais.Sem pressa, sem medo. Parando bem na frente dele. Perto o suficiente para sentir seu calor.
“Mas eu confio.”
Aquelas duas palavras foram o fim. Porque Heeseung não pensou, não mediu suas atitudes. Pela primeira vez, o cavaleiro se permitiu.
A mão dele subiu devagar, quase incerta, tocando o rosto dela com um cuidado que não combinava com tudo que ele era. Annora prendeu a respiração, mas não recuou. Nunca recuava. Os olhos dela buscaram os dele, e havia algo ali que ela ainda não entendia completamente.
No momento seguinte, aos toques dos dedos gelados de Heeseung em sua bochecha, ele a beijou. Suave, um toque de lábios contido, como se tivesse medo de quebrá-la.
Nada como o que ele já conhecia. Nada como as experiências vazias, rápidas, esquecíveis que ficaram no passado. Aquilo… Era diferente. Como se doce fosse injetado em suas veias, como se seu coração acelerasse. Era medo e felicidade ao mesmo tempo. Era vontade de proteger a princesa, de abraça-la, de fugir.
Era o primeiro beijo dela. Novo. Desconhecido. Mas… não assustador, unicamente porque era ele. E, lentamente… ela correspondeu. Insegura no começo.
Quando se afastaram, o mundo pareceu… errado. Como se tivessem cruzado uma linha que não existia volta. A respiração dela ainda estava leve, os olhos um pouco perdidos, mas brilhando.
“Evan…” ela sussurrou, o rosto ainda bem perto do dele.
Ele encostou a testa na dela, fechando os olhos por um segundo.
“Isso não pode acontecer, vossa Alteza.”
Ela sorriu de leve.
“Mas aconteceu.”
Eles tinham ido longe demais. E não havia mais volta, porque aquilo não era mais dever. Não era mais curiosidade. Não era mais companhia.
Era amor.
E, naquele castelo…
Amar era a coisa mais perigosa que eles poderiam ter feito.
Os dias começaram e ter sentido, e as noites passaram a ser esperadas. Annora não precisava mais chamar, procurar, porque seu Evan sempre vinha a encontro dela.
“Você não é mais assustador como o mar.” provoca sorrindo, enquanto o encara.
“Nunca tentei ser.”
“Mentiroso.”
“E funcionou?” perguntou curioso após alguns segundos, com uma sobrancelha levantada. Ela ri fraquinho.
Ela inclinou a cabeça analisando ele, divertida, como sempre fazia.
“No começo… Um pouco.”
Um quase sorriso surgiu no canto dos lábios dele. Pequeno e raro, mas real. E Annora percebeu.
“Você sorriu!” diz empolgada.
“Não sorri não.”
“Sorriu sim, eu vi!”
“Não.”
“Evan…” gargalha de levinho, se aproximando dele, tendo que olhar para o alto devido a diferença de altura.
Ele deveria ter a corrigido, contado seu nome real. Mas ele sentia como se o Evan pudesse ser tudo aquilo que o Heeseung não podia.
E ele não queria quebrar aquilo.
As distâncias deixaram de existir aos poucos. Primeiro, sentados mais perto, depois ombro com ombro. Até que, naturalmente… ela passou a se apoiar nele.
E ele deixava.
Sempre deixava.
Uma noite, enquanto ela falava sobre coisas aleatórias, acabou pegando a mão dele distraída. Entrelaçando os dedos como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ele congelou por um segundo, mas não soltou.
“Sua mão é bonita.” ela murmura distraída, fazendo com que ele olhe para o próprio membro cheio de cicatrizes de batalhas por culpa de espadas.
“Não é não.”
“É ela que me segura.”
Os beijos se tornaram usuais também. Não mais presos ao acaso. No começo eram hesitantes, curtos, rápidos, como se qualquer segundo a mais pudesse estragar tudo.
O perigo havia deixado de ser motivo para pararem. Passou a ser o motivo de continuar.
Uma noite, ela riu de algo bobo, virando o rosto, e ele puxou ela de volta, quase sem pensar. Beijando-a de novo. Dessa vez… mais firme.
Annora se aproximou sem hesitar, as mãos subindo até o rosto dele, como se já soubesse exatamente onde queria estar. Desta vez o cavaleiro não se segurou.
A escuridão do jardim abraçava os corpos deles, o protegiam dos sussurros maldosos do povo do castelo. Ali estavam apenas eles. Annora, coberta pela capa do cavaleiro, para esquentar-se do inverno presente. E Heeseung, pressionando o corpo contra o da princesa contra a parede de pedras frias, a tomando para si como se fosse o correto.
Ela era dele. Apenas dele. E não dava mais para voltar atrás.
Por isso, não se conteve em gemer manhoso contra os lábios de Annora, apertando-a em lugares estratégicos, que sabia que ela gostaria.
“Evan..” a princesa geme fraco, o corpo mole sob os toques do cavaleiro da noite.
Ele poderia fazer qualquer coisa com ela, ali, naquele momento. As estrelas seriam as únicas testemunhas. Poderia tomá-la contra aquela parede mesmo, ou deitá-la no banco frio, e fazê-la dele. Poderiam se amar até o amanhecer por cima do campo de flores mortas, e seriam apenas sombras da noite.
Mas não.
Ela merecia mais.
E ele daria mais.
Porque ali não havia mais arrependimento algum.
Certa vez, Annora perguntou à Heeseung qual era seu lugar favorito. Ele a respondeu “aqui”. Mas não falava sobre o jardim. Falava sobre ela.
Mas enquanto os encontros às sombras aumentavam, a curiosidade começava a aparecer nas luzes do castelo.
O rei a observava, atento.
“Ela sai todas as noites, vossa Majestade.” um dos guardas do rei a delata.
“Sozinha?”
“Sim, Senhor. Apenas na companhia de seu guarda da noite.”
Era o começo de sua caça.
Annora estava em seus braços, recostada no peitoral firme, vestido com a armadura de guarda, enquanto ambos estavam sentados no gramado do jardim, observando a noite fria.
Heeseung estava usando sua capa negra, pesada, e quentinha. Esta, que rodeava o corpo da princesa, como uma coberta.
“Eu ainda não sei muito sobre você, Evan.”
Ele dá um quase sorriso, levantando as sobrancelhas em surpresa. Passa o polegar pelas bochechas frias de Annora, afastando um fio de cabelo rebelde.
“Não tenho muito o que contar.
Ela fez um bico, olhou para ele com cara de brava, o desmontando por completo. Ele conteve um sorriso, o coração aquecido pela birra da princesa.
Heeseung se inclinou, recostando a testa na dela, e desta vez sorrindo de verdade. O sorriso do guarda, que havia sido visto daquela maneira pela primeira vez pela princesa, iluminou a noite dos dois.
“Gosto de sopa de tomate. E de carne de coelho.” disse simples, fazendo Annora gargalhar. Seu peito vibra com o riso gostoso da princesa.
“Não é possível.”
“Tenho vinte e quatro anos. Me formei como guarda da noite aos dezoito.” diz, com a voz mais distante.
“E você sempre quis ser um guarda da noite?” Annora pergunta interessada, virando o rosto para encarar o olhar vazio de Heeseung.
Mas a resposta não vem.
E ela não o força a responder.
Começaram a se parecer com um casal, mesmo que parecesse impossível.
Annora sorria mais, e Heeseung sorria… às vezes. Os beijos já não tinham mais culpa; eram intensos, urgentes. Annora sentia saudade de seu guarda durante todo o dia, aguardando ansiosamente a noite, para poderem se beijar, e conversar sob a testemunha das estrelas.
Em noites de chuva, ficavam por baixo de qualquer telhado, aos beijos, aos risos, trocando confidências e curiosidades. As mãos de Heeseung já sabiam o caminho para cintura de Annora, e a princesa, por sua vez, cedia com facilidade.
“Evan… Gosto de você.”
O modo dele responder, era permanecendo. E dos braços de sua princesa, ele se recusava a sair.
A comoção no castelo era diferente. Empregados, lacaios, damas de companhia; todos corriam desesperados limpando, cozinhando, organizando. Havia algo diferente.
Havia colocado seu vestido mais bonito naquele dia, jurando que talvez pudesse ser vista por Evan à luz do sol. As bochechas ruborizadas eram resultado da paixão. A princesa se sentia viva, e só havia uma coisa que poderia acabar com seu humor.
Seu pai, sua majestade.
“Annora.” a voz grossa ecoa pelo salão grande. Se aproximar, reverência-lo. Tão impessoal quanto com qualquer estranho.
“Sim, vossa majestade.”
“Receberemos visita amanhã pela manhã. Quero que conheça seu noivo, príncipe Yunho do Reino do Norte.” o rei fora frio, direto, irrevogável. Annora sentiu o chão desapareceu de baixo de seus pés.
“C-com quem…?”
O rei a observa sem emoção.
“É uma aliança necessária, e espero que você não estrague tudo. A cerimônia será neste fim de semana. Prepare-se.”
Como se a vida de Annora fosse apenas… uma peça de tabuleiro sendo movida.
Naquela noite, Annora não havia ido ao jardim. Heeseung sentiu que havia algo errado, e quebrou mais uma regra.
Guardas da noite eram proibidos de entrarem no castelo. Eram considerados impuros, criaturas da noite feitas para lutarem com tudo que havia de pior no mundo, para proteger aqueles que serviam. Mas ele entrou.
Esgueirando-se pelas sombras como um fantasma, foi até o quarto da princesa. E lá estava ela.
O quarto, mesmo na penumbra, era acolhedor. Enfeites rendados, tons pastéis, ambiente suave. Era tudo tão ela.
Annora estava na cama, ainda com o vestido bonito que havia colocado para Evan. Os olhos perdidos, a esperança que brilhava em sua íris não mais ali.
“Annora.” a voz suave dele quebra o silêncio.
Ela levanta rápido o olhar, finalmente o percebendo ali. Murmura um “Evan” fraco, levantando-se da cama com pressa, correndo para os braços de seu cavaleiro.
“Vossa Alteza…” ele murmura preocupado, afagando os cabelos longos dela, o rosto choroso dela no peito dele. “O que houve?”
“Ele quer que eu me case. Disse que meu noivo chega aqui amanhã.”
A voz saiu abafada. O coração de Heeseung pareceu parar por alguns segundos. A garganta seca dizia bem mais que qualquer palavra que pudesse tentar proferir. Era sua princesa. Sua Annora. E o rei queria que ela se casasse com outro.
“Eu não quero me casar com ele, Evan.”
Os braços de Heeseung chegam a tremer levemente. Permanece estático como pedra, o maxilar cerrado em puro ódio.
“Eu não quero ninguém que não seja você.”
Aquilo o desarmou. O livrou de todo e qualquer ódio que pudesse estar sentindo pelo rei, e o trouxe à um poço de tristeza. Ele nunca poderia ser aquela pessoa para ela.
Mas fez com que fosse destruído qualquer mínima possibilidade de controle. Ele segura o rosto dela, ergue o olhar da princesa até o seu. Olhos intensos, mais escuros, não tão doces. Carregados de um sentimento diferente, impuro. Luxúria.
“Então não se case com ele.”
“Eu não tenho escolha.” Annora desespera, os olhar perdido.
“Fuja comigo.” diz, seguro. O semblante sério passa a confiança necessária para que Annora se ilumine novamente, ponderando a proposta com delicadeza. “Por favor…”
O que ela não conseguia ver era o quão quebrado Heeseung estava. Seria capaz de dar sua vida por Annora; antes pelo juramento, agora pelo amor.
O momento os levou ao toque de lábios. Não era contido como antes, mas… Repleto de amor, desejo, cuidado. Era carregado de raiva, medo, ciúme. Era como se Heeseung quisesse possuí-la através do corpo, reivindica-lá e tomá-la para si.
Ela responde com a mesma intensidade, as mãos fincando-se nas madeixas loiras do cavaleiro, com posse. Ele era dela. Agarrava-se nele como se aquilo fosse impedir que o mundo o levasse embora. Ela não podia se casar. Não podia ser de outro, uma vez que seu coração pertencia unicamente à ele.
Ele a guiou para a cama de lençóis brancos, sentindo-se não merecedor. Tinha a donzela mais linda do mundo em seus braços, a mais honrada. Sua princesa Annora, tão entregue, puxando-o para si própria, o desejando.
Ele a deita devagar na cama, as vestes negras a cobrindo como se fosse simbólico. Ele, sinônimo de frieza, a tomando com torpor.
“Você é minha, Annora.” é o que ele sussurra, a respiração entre cortada. “Você é toda minha.”
O que se sucede é o início de algo novo, que Annora esperava com ansiedade. Era algo que Heeseung já havia feito inúmeras vezes, visitas inumeráveis em bordeis do reino, noites vazias e frívolas com mulheres que não faziam com que ele sentisse 1% do que ele estava sentindo naquele momento.
A primeira peça a ser retirada havia sido sua capa. Jogada no tapete felpudo cor de rosa. As demais foram retiradas em sequência, até que estivessem completamente nus.
Annora ansiava pelo toque de Heeseung, mesmo que apenas por instinto. Parecia o correto. Seu corpo pulsava por ele, mas Heeseung não conseguia ir rápido. Aproveitava cada segundo como se estivesse deliciando-se com o melhor dos doces. Beijava, lambia, cada cantinho da pele da princesa, marcando seu gosto doce em seus lábios, em seu âmago.
O pau já pulsava, livre, expulsando pré gozo e lambuzando a coxa da princesa, enquanto se beijavam com prazer.
“Eu nunca fiz isso.” ela não precisava dizer, ele sabia. Havia sido seu primeiro beijo, e agora seria seu primeiro homem.
“Tudo bem.” disse suave, baixinho, preso no momento. “Você é linda, minha princesa. É a criatura mais perfeita que já vi. Você faz com que me sinta vivo, e sou eternamente grato.”
Ela sorri tímida, as bochechas ruborizando, recebendo um sorriso dele. Era raro seu Evan sorrir, mas quando sorria… Parecia iluminar todo o mundo.
“Pode doer um pouco, mas prometo ir com cuidado. Não quero que sinta dor, pode me falar, pode me mandar parar. Eu paro.”
“Evan…”
“Sim?”
“Por favor. Faz.”
Ele sorri fraco com seu desespero, achando bonito. Seu corpo estremece quando sente a ponta gordinha passar por toda sua fenda babada, levando sua lubrificação para toda sua intimidade. O próprio Heeseung sentiu o pau pulsar, com o calor que ela emanava. Tão molhada, tão apertada.
“Porra…” ela nunca tinha escutado o cavaleiro xingar.
Mas naquele momento ele não era um cavaleiro das sombras. Era apenas Heeseung, um jovem apaixonado, doando-se de corpo e alma. Centímetro por centímetro ele entrava, a alargando, se aconchegando, a tomando como posse. Os olhos dela enchiam-se de lágrimas pelo ardor, mas em momento algum o pedia para parar. Se sentia extremamente conectada a ele, e não queria abandonar a sensação.
“Annora…” diz seu nome em um tom manhoso, arrepiando-a. “Tão gostosa, minha princesa linda. Tão tão boa.”
“E-evan.” diz entrecortada, fincando as unhas curtas nas costas largas do cavaleiro.
“Heeseung. Meu nome é Lee Heeseung.” diz baixinho, os lábios colado nos dela, a expressão sôfrega de quem mede devagarinho, com calma e cuidado.
“Heeseung.” ela silaba devagar, como se aproveitasse a sensação das letras sendo ditas por seus lábios. Era tão íntimo. Agora ela sabia. Era seu Heeseung.
As estocadas aumentam, a velocidade se torna presente, e o momento cada vez mais intenso — sem deixar de ser delicado.
Heeseung beijava todas as partes do rosto de Annora enquanto metia, em pura devoção. Algo preso na garganta, um incômodo crescendo em seu coração, e em momentos soube o que era: medo de perdê-la. Medo de vê-la casada com outro, medo de vê-la se tornando mãe dos filhos de outro, amando outro. Ele a amava tanto, tanto.
Se desmanchou desta maneira, a abraçando forte, o rosto escondido entre os cabelos com cheiro de morango. Gozou dentro de sua princesa, em espasmos deliciosos, de maneira intrínseca.
Era isso. Ela era dele.
Com o polegar acariciou a bochecha quentinha dela, capturando cada detalhe de seu rostinho bonito. A vontade de chorar veio, mas fora contida. Cavaleiros da noite não choram.
Mas podiam amar. Havia descoberto da maneira mais curiosa possível. Ele a amava. Com toda sua alma.
“Annora.” sussurrou. Ela, já meio sonolenta, o corpo enroscado no dele, murmurou um som inaudível. “Te amo, vossa alteza. Eu te amo.”
“Também te amo, Lee Heeseung.” murmura baixinho, aconchegando-se no peitoral do maior, fechando os olhos.
Annora dormira ali, no calor de seu cavaleiro, recebendo um carinho gostoso no cabelo. Mas ele não ficou. Não podia ficar. Esperou que ela pegasse no sono, para se vestir, e novamente voltar para onde não deveria ter saído. A escuridão.
A chegada do príncipe Yunho mudou tudo.
O castelo pareceu ganhar vida, mesmo que apenas de aparência. Banquetes, sorrisos falsos, inúmeras flores. E Annora presa naquela mentira.
O príncipe Yunho era bonito. Alto, cabelos negros sedosos, sorriso tímido, e farda perfeita. Havia sido recepcionado pelo rei, pelo príncipe, e pela princesa Annora. Chegou a Stormcrown munido de um enorme buquê de flores para vossa Alteza real. Ela agradeceu, doce como sempre. Mas sentindo-se vazia, certa de que faltava algo ali.
Buscava o manto negro pelas sombras, o olhar doce de Heeseung. Mas nada. Não o encontrava.
Mas ele a observava de longe, como sempre fazia. Mas nunca… havia sido tão difícil.
O príncipe Yunho era tudo que ele não era.
Nobre. Livre para estar ao lado dela. Livre para tocá-la sem medo. Livre para… se casar com ela.
E Annora ainda sorria ao lado dele. Heeseung sabia reconhecer aquele sorriso; falso. Mesmo assim doía. Porque ele queria estar ali. Queria ser aquele que segurava a mão dela diante de todos. Queria ser aquele que o reino aceitaria ao lado dela. Mas não era. Nunca seria.
Ele era apenas… Uma sombra.
Naquela noite, ele não esperou. Invadiu o quarto dela como já tinha feito antes, mas dessa vez, com um propósito. Desespero.
“Vem comigo.” sem rodeios, disse. Annora percebeu o pânico na voz do cavaleiro. Em seu rosto não havia medo, apenas surpresa.
“Como?”
“Vamos fugir.” a voz quebrada de Heeseung entristeceu o coração de Annora. Ele parecia triste, enciumado.
“Hee…” a princesa disse em um sopro de voz.
“Eu consigo sair daqui sem que ninguém nos veja.” sentou-se ao seu lado na beirada da cama, a capa negra farfalhando no chão. “Fugimos juntos, ninguém vai nos encontrar.”
“E depois?”
Silêncio.
Ele não tinha um plano. Ele só tinha ela, e parecia ser o suficiente.
“Depois vivemos… Juntos.” a respiração de Heeseung estava acelerada, o coração doía.
O cavaleiro temeu o silêncio dela. A forma como ela parecia ponderar. Mas no momento seguinte sentiu-se aliviado.
“Eu iria para qualquer lugar com você.”
Mas o rei já sabia. Não tudo, mas o suficiente. E aguardou pacientemente como um predador.
A fuga nunca aconteceu, porque antes que pudessem sequer tentar, foram interrompidos. Guardas. Muitos deles. E atrás deles, o rei. Cruel, impiedoso. Com um sorriso maldoso nos lábios.
E os dois, de mãos dadas, no jardim, preparados para fuga.
Annora gelou.
“Pai…”
“Silêncio, criatura insolente.” a voz dele ecoou fria. “Um guarda.” ao contrário do que imaginou, sua voz não carregava desprezo, mas sim um certo interesse. Deboche. Humor.
Um sorriso lento surgindo nos lábios da majestade, os olhos escurecendo.
“Tirem-no daqui.”
“Não!” Annora exaspera, agarrando-se ao peito de Heeseung, que permanece parado, como se soubesse exatamente o que aconteceria, e tivesse aceitado seu destino.
Os guardas avançaram, arrancando Annora dos braços de Heeseung, e o levando para longe dela.
O rei deu um passo a frente, aproximando-se de sua filha. Algo havia mudado. O ar ficou pesado. frio.
“Não…” Annora murmurou, assustada.
Mas era tarde demais. Os caninos surgiram, os olhos escureceram, e pela primeira vez, a face do monstro. O rei não era humano. Nunca havia sido.
Seu pai era um vampiro.
Tudo aconteceu rápido demais. Em um momento estava nos braços do amor de sua vida, e em seguida Annora estava sendo segurada por guardas, tendo que assistir àquele filme de terror.
Não era uma luta justa. Mas ainda sim Heeseung tentou lutar. O rei o segurou como se ele não fosse nada. Apertou seu pescoço até que o deixasse sem ar. O machucou até que seu sangue jorrasse por sua boca.
Annora só conseguia chorar, sem forças para conseguir ficar de pé. Queria tirá-lo dali, abraçá-lo, voltar para o momento em que estavam abraços em sua cama, seguros, se amando.
“Patético.” o rei sorria. Genuinamente se divertia com o sofrimento de sua própria filha.
“Papai, não.” ela implorava.
Heeseung evitava olhá-la nos olhos, temendo ter como a última cena de sua vida, os olhos antes tão brilhosos de sua princesa, agora cobertos de lágrimas, carregados de uma tristeza profunda.
Mas olhou. No mesmo momento em que o rei fincou os caninos no pescoço dele. Annora viu o peitoral dele sanar os movimentos. Os olhos curiosos e grandes se tornarem frios. O sangue esvair de seu corpo. Ela viu. E permitiu-se morrer junto.
Quando o corpo de seu cavaleiro caiu, seu mundo fora junto. E quando finalmente ele se encontrava sem vida, pálido, frio, os guardas a soltaram.
“NÃO!” ela gritou, desesperada, correndo até ele, e se jogando no chão daquele calabouço escuro, abraçando o corpo fatigado. As mãos tocando as bochechas antes cheinhas, procurando qualquer sinal de vida.
“Não, não, não, não.”
Nada. Não havia movimento, não havia resposta.
“Meu amor, por favor. Heeseung.”
“Você fez isso com você mesma.” a voz do rei soou fria. “E com ele também. Sua petulância o matou.”
Ela não o ouviu. Não conseguia. Porque tudo que existia era ele. Imóvel. Sem vida. Em seu colo.
Mas a história não terminou ali. Não de verdade. Porque a morte… nem sempre é o fim.
Algo desperta na escuridão.
Dor, fome, sede.
Ele abre os olhos. Grandes como sempre, mas carregados de uma profundidade sombria.
O coração não batia como antes.
Mas ali estava ele. Vivo.
Sussurros pela vila diziam que havia uma certa criatura da noite pelo reino. Rápida, silenciosa, cruel, mortal.
Uma criatura que observava diariamente o castelo. Um aperto no coração que já não mais funcionava, mas ainda amava.
“Prometo de amar pra sempre, minha princesa.”
Era algo que nem mesmo a morte poderia tirar.
“Você sempre será minha luz, Annora.”
Um sopro suave, vindo de um monstro.
───── notas. é, galera… dizem por aí que foi assim que o heeseung se tornou vampiro, e que o nome artístico “evan” foi a annora que escolheu. 👀 acho que nunca escrevi algo tão grande, mas fiquei super empolgada de escrever. amo romances de época, e amo mais ainda quando eles tem essa estética sombria! fiquei feliz, porque consegui colocar em palavras de maneira simbólica como me senti com a saída do hee do enha.
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muito se fala nas enhafics de dumbfication (leitora) e park sunghoon, mas pouco se fala DELE sendo o burrinho do rolê!! e isso quando todos nós sabemos que o cérebro dele é lisinho igual a pista de patinação e que não passa UM pensamento coerente naquela cabecinha dele, apenas um looping eterno daquele coco maconheiro do art attack indo de um lado pro outro, de um lado pro outro
this is the most insane video of enhypen ever
Like yeah pass me around
260403 ZEROBASEONE KIM TAERAE INSTAGRAM
ㅤㅤㅤ𝜗ৎ˖ㅤIdol ou Fã? ━━━━⊹ E.Seonghyeon
𝜗ৎ˖ㅤㅤIdol ou Fã? Onde em uma live, você acaba se expondo demais quando começa a falar sobre seus amigos da indústria.ㅤㅤwc, 882.
ㅤㅤㅤ⌗ | seonghyeon, reader com nome, fluffy, short fic, Fem!reader, idol!Reader, idol!seonghyeon. Cortis, kpop idol.
⠀⠀⠀✿⠀Materialist. ㅤㅤㅤplaylist ㅤㅤum, dois, ??
mais abaixo!
Alguém que usa Tumblr a mais tempo q eu, consegue me dar alguma dica do q eu faço? Meu blog ta inteiramente sinalizado como conteúdo adulto e não consigo publicar mais nada, praticamente todos os meus posts estão sendo excluídos.
ㅤㅤㅤ𝜗ৎ˖ㅤCabelo Sagrado. ━━━━⊹ N.Ni-ki
𝜗ৎ˖ㅤㅤAniversário : Onde Ni-ki é apaixonado pela forma que você trata os cabelos dele.
ㅤㅤㅤ⌗ | ni-ki, fem!reader, um pouco smut, explícito.
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mais abaixo!
Ta difícil pra td kpoper