Esses tempos, me peguei pensando sobre a vida – para variar. É que passei por uma situação curiosa, mas nem tão inédita assim, que automaticamente fez minha cabeça ir longe. Senta que lá vem história! Uma pessoa nova surgiu no meu caminho. Ela parecia extremamente segura de si – tão segura que sempre dava um jeito de colocar o foco da conversa em seus gostos, seus feitos, sua personalidade. Ela chegou a me dizer que era o que era e não mudaria uma vírgula. Quem não gostasse que fosse embora. Fiquei tão curiosa e intrigada que não medi esforços para entender aquele universo tão particular que ela me apresentou. Seria realmente possível viver assim, se bastando? Daria para ser feliz numa caminhada apenas voltada para si? Esse entendimento pleno do eu poderia chegar tão cedo? Aos poucos, fui percebendo que o que parecia ser inteiro era, na verdade, 1% da história. Toda aquela segurança encobria questões mais profundas, pedaços perdidos que ela não tinha coragem de desenterrar. A vida era mais confortável sem mexer naquilo tudo. Vi, nitidamente, alguém que pensa que se conhece, mas até a página dois – o que dói é deixado para lá. Não posso julgar. A gente manifesta nossas feridas de tantos jeitos. Esse é só um deles. Mas olhar de fora me fez refletir sobre como o mundo valoriza que sejamos pessoas seguras, bem-resolvidas, autoconfiantes – quando, na realidade, estamos só tentando nos esconder por detrás de uma máscara. Não queremos mexer com nada daquilo, é mais fácil ignorar. Estar em contato com as dores, as perdas e as derrotas da vida é parte fundamental do nosso processo de aprendizado. A gente precisa ouvir e conviver com o que nosso interior nos oferece, de bom e de ruim. É sobre deixar a luz entrar, é sobre aceitar que somos falíveis – e, que bom, porque é isso que nos faz humanos. É assim que crescemos, nos entendemos e melhoramos. Para mim, as pessoas que chegaram perto do seu entendimento pessoal são aquelas que não falam disso o tempo todo. Pelo contrário: são as que mais escutam, porque sabem que, a cada nova experiência, aprendem um pouquinho mais sobre si. Elas identificam no outro seus próprios padrões, suas amarras internas, seus maiores medos. https://www.instagram.com/p/CFcY6K0H1nj/?igshid=91vfrilosktr