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Era estranho tentar explicar para outras pessoas a amizade que tinha com Maria, era estranho até para ele pensar que algum dia teria uma amizade com alguém dessa forma com essas intimidades e não sendo um relacionamento amoroso. Natan sempre soube separar muito bem amor de amigos e amor de casal. Por isso nunca tinha imaginado algum dia ter algo com Giovanna, como, desde que soube que gostava mesmo de Manu se tornou um pouco mais difícil vê-la apenas como amiga - por mais que tenha escondido por muito tempo o que sentia por ela. Com Flor era diferente das duas tinha a confiança nela de falar tudo que passava em sua cabeça, tinha atração por ela nos momentos íntimos, mas não a via como tendo um relacionamento sério. Não a amava dessa maneira. Por mais que agora que o laço se fez, quisesse a amizade dela na sua vida até o final. Porém isso era uma coisa que Natan ainda estava aprendendo a viver.
Caminhou até ela com um sorriso nos lábios, retribuindo o abraço podendo a levantar um pouco do chão. Então voltou a olha-la - Não, meus dias estavam muito calmos, tive que passar as últimas 24 horas me preparando para o furacão Maria Flor novamente. - brincou de maneira leve dando um beijo na bochecha dela - Estava com saudades sim, Maria. - pegando a mala para ele carregar. Ela falava as coisas normais para ela, mas Natan estava sentindo algo diferente e a menina parecia com uma coloração mais pálida o que não era normal para Maria que vivia na praia. Natan ia começar a responder quando segurou um pouco mais forte ela agora a apoiando. - Você está bem? - falou preocupado. Parou então olhando para ela - Você quer algum remédio? Eu tenho uns no carro, sei que você não gosta de avião. É melhor do que você colocar alguma coisa na barriga e vomitar de verdade. - Ele falou voltando a caminhar até o carro e abrir a porta para ela. - Eu tenho o resto do dia livre para você. - falou com um sorriso no canto da boca e logo entrando no veiculo . Deu uma risada lembrando com MaFlor não parava de falar - Olha, sabendo que você vinha para cá, nem que eu não conhecesse um eu teria que pesquisar para você. Mas porque logo abacate? - perguntou ligando o carro e saindo do estacionamento - Eu conheço um bem bom que me apresentaram, acho que você pode gostar também. - falou já dirigindo. - Mas me diz, viagem de negócios é? Está pensando em se mudar para minha cidade é, Maria? -
Era confortável estar nos braços de Natan. Uma segurança inexplicável, como se seu mundo, caótico como sempre fora, conseguisse entrar nos eixos pelos segundos que ele a segurava. Maria nunca teve problema com a falta de ordem com que levava sua vida, sem muito planejamento, mas desde que Natan entrou de cabeça, tudo parecia se encaixar, como se ele organizasse tudo sem nem fazer esforço. - Engraçadinho - ela riu, dando um leve tapa no braço dele. - O furacão chegou, espero mesmo que você esteja pronto pra me mostrar o que tem de bom nessa cidade sem cor. - Não só por opção, por sentir falta do calor dele em seu corpo, mas também por necessidade ela se apoiava em Natan enquanto andavam até o carro. - Tô sim, tô sim. Trabalhei demais esses dias, tô sem dormir direito, meus chacras tão todos desregulados, só cê vendo, tá tudo uma bagunça. - Ainda que um pouco fraca ela falava num tom humorado, com um sorriso no rosto como sempre. - Nam, cê e esses teus remédios cheios de químicas aí, mais tarde tomo um cházinho e tá tudo certo. Só tô com fome mesmo.
- Ótimo, tenho doutor Natanzinho todinho pra mim hoje - deixou um beijo na bochecha dele enquanto se acomodava no banco do carro. Mesmo com a saudade, a rotina do último mês a fizera esquecer o quão natural era ter o amigo ao seu lado. Ela, que adorava falar e Natan que não se importava em ouvir e mesmo quando o silêncio se instalava era bom, era mútuo e tranquilo. - Ué, e porque não abacate? - Ela riu. - É que nem cê tem vontade de comer, sei lá, um sanduíche, eu tô com mó vontade de uma torrada de abacate. - Já com o carro em movimento ela tratou de tirar os sapatos e colocar os pés com meias cruzados no banco. Maria não era nada formal, gostava de se sentir a vontade onde quer que estivesse e definitivamente não frequentaria lugares que não pudesse ser ela mesma. - Cê viu moleque, Florzinha numa viagem de negócios - ela riu, abaixando o vidro do carro mesmo que o ar condicionado ligado. Sentia precisar respirar um ar puro. - Assim... Não que eu queira pra falar a real - fez uma careta involuntária, mesmo sabendo que Natan concentrado na direção. - Mas sei lá, seja o que o universo quiser. Pra falar a verdade eu acho que ia enlouquecer sem a praia. - O restante do caminho até o restaurante se fez entre a fala compulsiva de Maria e algumas perguntas, mas foi assim que se sentaram com os cardápios que ela fez a pergunta que queria. - Mas como é que cê tá? Como foi voltar pra Sampa, cê conversou com o doutor lá... O Alexandre? E a Bianca? - Ela não era sutil e sabia que não precisava ser, não com Natan e a naturalidade que tinham para conversar sobre qualquer coisa.














