amigos fazem isso. a conversa mal tinha começado e naseon queria chorar, ele sentia tanto medo de criar aqueles laços e agora estava ali apaixonado e com amigos incríveis, não achava que merecia isso mas tentava dar seu melhor por eles e era por isso que estava ali conversando com minji se abrindo como nunca fez, porque ironicamente eles eram tão parecidos que eram como se fossem feitos pra encontrarem conforto um no outro, serem aquilo que chamavam de almas gêmeas. quer saber mesmo? naseon mordeu o lábio inferior mas assentiu, queria ouvi-la por pior que fosse, ele precisava de ajuda e só confiava nela pra isso. mas no final acabou rindo com a menção indireta de minji querer bater em gaeul. ━ ele não é uma pessoa ruim… ━ não sabia porque estava o defendendo, talvez só não quisessem manter aquele clima entre eles, naseon realmente falou serio quando disse que queria pedir desculpas a gaeul mas sabia que era tarde e que o outro talvez o odiasse aquela altura, não podia culpa-lo. ━ ele viu uma oportunidade de se vingar e usou… e eu acho que mereci… fui egoísta com ele minji… você sabe, parti o coração dele. ━ deu de ombros não por descaso mas porque não tinha muito o que fazer, naseon não sabia como era a sensação, ainda, mas se chegava perto do que estava sentindo no momento acreditava ter merecido aquela atitude de gaeul.
━ e eu fui egoísta com o jihan… ━ sentiu as lágrimas começarem a escorrer sem que pudesse conte-las só de lembrar do ocorrido, de como tudo terminou e do quanto se sentia mal com tudo aquilo. ━ eu queria tanto só mostrar que o gaeul não iria conseguir me atingir… que eu merecia aqueles dois e… ━ não conseguiu terminar porque se sentia péssimo em admitir a verdade. então veio aquela risada sem humor algum, naseon odiava aquela parte de si mesmo, a que queria se mostrar indestrutível, a que ninguém poderia atingi-lo mesmo que tentassem, se permitir ser vulnerável era algo novo e quando finalmente estava se permitindo havia estragado tudo com aqueles ideias ridículos. queria mudar, deixar todos os motivos pra ser daquele jeito no passado mas não tinha certeza se conseguiria depois do que aconteceu, talvez fosse quebrado demais, talvez aquilo não fosse pra ele. ━ um orgulhoso fodido, é isso que eu sou. ━ resmungou e talvez o próprio descontrole atiçou os trabalhadores da cafeteria a entregar seu pedido mais rápido, talvez pra acalmar o cliente ou porque queria saber a fofoca, não importava, durante aqueles segundos em que o atendente colocava as xicaras sobre a mesa o mais velho fingiu estar tudo bem e escondeu o rosto entre as mãos até que ele e minji ficassem sozinho.
━ eu… ━ voltou a falar, os olhos encararam a xicara pensando sobre tudo mais uma vez, tentando reorganizar as coisas de forma clara e coerente. tinha dificuldade com isso também. ━ eu não percebi o quanto o jihan estava desconfortável… eu incentivei o daniel… ele é mais novo e inconsequente… eu deveria ter tentado para-lo… mas na hora… aish eu não pensei em nada… ignorei tudo… como eu só ignorei tudo? todos os cuidados que tentei ter nesses meses de diminuir os boatos pra não prejudicar a carreira do jihan como professor… ━ porque por mais fantasioso que quisesse ser sobre a realidade era que o país que vivia era extremamente homofóbico e em um escola isso seria ainda pior, os pais conservadores usariam disso pra tentar tirar jihan dizendo que ele estaria influenciando as crianças ou qualquer coisa do tipo. ━ e pra que não chegasse no hangyu… porque… não somos nada concreto sabe? então como poderíamos explicar isso pra ele? seria tão confuso… é confuso até pra gente… e ele ainda pode… ━ sofrer bullying. só de pensar naseon sentia o estomago revirar, não queria seu pequeno passando pelo que passou. ━ como eu pude cogitar a possibilidade de ser um pai de consideração daqueles meninos agindo desse jeito? ━ deixou um grunhido de frustração escapar, tentando secar as lagrima insistentes, de uma forma um tanto grosseira que deixo o rosto vermelho. estava com raiva de si mesmo.
━ eles mereciam mais… eles merecem mais… ━ e ele não tinha mais certeza que podia conseguir ser aquele mais nem mesmo se esforçando pra isso. algumas coisas não tem conserto não é? algumas coisas não podem mudar… reunindo um pouco mais de força pra continuar aquela conversa naseon respirou fundo e negou com a cabeça discordando de minji. ━ jihan é o único com direito de estar chateado… não eu… nem o daniel… ━ era por aquele motivo que não tinha tentado conversar com os dois ainda, sentia que precisava dar um tempo, as coisas tinham saído dos eixos e ele entendia se jihan não quisesse continuar, porque ele arriscaria dar uma segunda chance? também não estava com cabeça pra confrontar daniel, tinha medo do que ouviria, da confirmação. era alguém que merecia ser amado? mesmo cometendo aqueles erros? mesmo tendo tantos defeitos? ━ é… ele podia… ━ naseon suspirou porque sabia que aquilo teria sido o melhor a ser feito mas agora era tarde pra pensar em suposições, não adiantava chorar pelo leite derramado não é? não tinha muito o que ser feito sobre aquilo, tinha acontecido e teriam que lidar com as consequências.
quero ver você como a minha bola de fofura, quentinha e alegre. naseon riu da descrição, se ajeitando na cadeira pra abraçar a amiga melhor. o carinho que recebia o acalmando. as lagrimas começavam a secar e os soluços sessarem aos poucos. nunca havia se imaginado daquela forma mas talvez fosse daquele jeito mesmo, seus pais diziam que estava mais feliz mesmo depois de tudo que havia acontecido em sua vida e aquilo quase fazia naseon acreditar na ideia de que há males vinham para o bem. ━ conversar. ━ disse pra si mesmo tentando aceitar a ideia, ainda que não soubesse como o fazer ainda, deveria espera-los ter uma iniciativa? ━ obrigada… sabe… por existir… ━ murmurou baixinho. era realmente muito grato pela amizade daquela mulher. realmente não sabia o que seria de si se o destino não tivesse colado pessoas tão boas em seu caminho. ━ nosso chá vai esfriar. ━ alertou. talvez fosse precisar de uma garrafão de 20 litros de chá pra conseguir ter aquela conversa com eles.
minji analisava a situação como podia, tentando ser o mais imparcial e sem pender para os lados, mas era uma pessoa suspeita. adorava naseon com todo o coração e adorava quando o mesmo dava o ar de presença na sua vida, se sentia especial. se sentia única no mundo. se era algo que servia como argumento? com certeza, comparado a sua intenção de ser imperceptível na vida de alguém. para naseon ela era alguém, e nisso a mesma agradecia de todo o coração. e quando escutou aquelas palavras ficou confusa, naseon tinha um coração bom até demais. — ele não é? se aquilo for algo bom... não quero nem ver o ruim. — na opinião ele era como um super vilão de algum quadrinho que vira quando criança e naseon a princesa presa no castelo graças a ele. e ela? algum ajudante qualquer do heroí. ou ao menos imaginava que era algo do tipo. — não me convenço que não foi na maldade. porque ele poderia ter feito em privado, não na frente do condomínio todo. vai me dizer que você fez na frente de todo mundo? — perguntou meio sem saber dessa parte da situação. vai que era, tinha até medo da pergunta que fizera.
— você só foi um pouco, não devia se martirizar tanto assim como se tivesse cometido um crime cruel em sem perdão. — iniciou calmamente um processo de tentar confortar de algum jeito o melhor amigo com carinho, o mesmo parecia ter um peso tão pesado por algo tão pequeno, ao menos era o que minji julgava, ele não merecia sofrer tanto assim, não mesmo. seu coração parecia partido e nem sabia se poderia ser uma pessoa que poderia ajudá-lo, mas que tentaria, sim, tentaria. — impulso a gente pensa tanto em uma coisa que esquece todas as negativas que vem com isso, e é super legal que você tenha esse pensamento de reconhecer o que errou. — sabia o quanto apenas boatos podiam prejudicar uma profissão, por causa de tatuagens na adolescência não era contratada como professora de artes. — é uma zona mais delicada, por envolver a família dele e a vida profissional, talvez seja o momento de vocês refletirem mais nas suas ações por agora levando tudo isso em conta e dar um tempo antes dessa conversa, mas não fuja dela, por favor.
foi um pedido sutil da artesã, mas sabia que uma hora ou outra essa conversa iria ocorrer seja lá qual resultado fosse, esperava que no minimo fosse positivo, porque não queria que seu trisal favorito se desmanchasse. isso era um fato. — cogitando ora, você só cometeu um erro, todo mundo comete, não é o completo fim do mundo, o importante é reconhecer. — murmurou afagando um pouco dos fios curtos confortando durante esse tempo e por mais alguns segundos não sabendo como responder, não sabia como fazê-lo se sentir especial como exatamente era para si. — nada de se diminuir, chega, chega... você é maravilhoso. e não vê isso, devia ser criminoso. — resmungou soltando-o vagarosamente e indo para o seu lugar, meio a contragosto.